{"id":147565,"date":"2025-09-19T08:46:16","date_gmt":"2025-09-19T11:46:16","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=147565"},"modified":"2025-09-19T08:46:16","modified_gmt":"2025-09-19T11:46:16","slug":"145-anos-de-zequinha-de-abreu-quando-a-musica-fala-sem-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/145-anos-de-zequinha-de-abreu-quando-a-musica-fala-sem-palavras\/","title":{"rendered":"145 anos de Zequinha de Abreu: quando a m\u00fasica fala sem palavras"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Celebrar os 145 anos de Zequinha de Abreu \u00e9 mais do que lembrar de um compositor; \u00e9 redescobrir um Brasil cheio de ritmo, talento e hist\u00f3rias que ainda nos emocionam<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Marcelo Gonzales*<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>@celogonzales @vidadevinil<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sabe quando a gente pensa na m\u00fasica brasileira e sente aquela vontade de sorrir, bater o p\u00e9 e se emocionar ao mesmo tempo? Pois \u00e9, uma das pe\u00e7as-chave dessa hist\u00f3ria \u00e9 <em>Tico-Tico no Fub\u00e1<\/em>, de Zequinha de Abreu. Em 2025, ele completaria 145 anos, e essa hist\u00f3ria merece ser contada com gosto, porque ela \u00e9 um retrato do talento brasileiro que atravessa gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Zequinha nasceu em Santa Rita do Passa Quatro, interior de S\u00e3o Paulo, em 19 de setembro de 1880. Desde cedo, ele respirava m\u00fasica: estudava piano, teoria musical, e se encantava pelo ritmo contagiante do choro, que misturava alegria, melancolia e virtuosismo t\u00e9cnico. Aos 37 anos, em 1917, ele comp\u00f4s <em>Tico-Tico no Fub\u00e1<\/em>, j\u00e1 com experi\u00eancia de d\u00e9cadas de estudo e pr\u00e1tica musical, e com uma maturidade que permitiu criar algo t\u00e3o simples e, ao mesmo tempo, t\u00e3o sofisticado. Imagina s\u00f3: 37 anos, pleno dom\u00ednio do piano e das nuances do choro, e ent\u00e3o surgia essa m\u00fasica que, apesar de ser instrumental, parecia falar diretamente com quem a ouvia.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida, alegre e cheia de nuances que mostram a genialidade de Zequinha. Mas o que torna <em>Tico-Tico no Fub\u00e1<\/em> ainda mais fascinante \u00e9 como ela se transformou ao longo do tempo. O que era inicialmente apenas um choro instrumental, ganhou letras posteriormente e, aos poucos, atravessou fronteiras, conquistando plateias fora do Brasil.<\/p>\n<p>A primeira grava\u00e7\u00e3o conhecida de <em>Tico-Tico no Fub\u00e1<\/em> logo se tornou popular nos sal\u00f5es e casas de espet\u00e1culo do Brasil. Dizem que o p\u00fablico ficava hipnotizado com a velocidade e leveza das m\u00e3os de Zequinha sobre o piano, e n\u00e3o demorou para que m\u00fasicos come\u00e7assem a interpretar a obra em diferentes vers\u00f5es, cada um acrescentando sua pr\u00f3pria assinatura ao ritmo contagiante.<\/p>\n<p>Nos anos 1930, Carmen Miranda entrou nessa hist\u00f3ria e a levou para o mundo. Com sua energia inconfund\u00edvel, ela gravou e apresentou a m\u00fasica em shows e filmes, levando o choro brasileiro a Hollywood. H\u00e1 registros de que ela adaptava a m\u00fasica de forma que, mesmo o p\u00fablico internacional que n\u00e3o entendia portugu\u00eas, conseguia sentir a alegria e a cad\u00eancia t\u00edpicas do Brasil. Algumas fontes contam que ela at\u00e9 brincava com a velocidade da execu\u00e7\u00e3o, fazendo o p\u00fablico rir e aplaudir de p\u00e9, mostrando como a m\u00fasica podia ser divertida, sofisticada e sedutora ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Carmen Miranda, outros artistas internacionais, como a Orquestra de Xavier Cugat, tamb\u00e9m ajudaram a espalhar essa tal de <em>Tico-Tico<\/em> pelo mundo, transformando esse choro paulista em um verdadeiro \u00edcone da m\u00fasica brasileira. A m\u00fasica chegou a ser trilha sonora de filmes, programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o, e continua at\u00e9 hoje sendo tocada em apresenta\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas, concertos de piano e at\u00e9 em arranjos modernos de jazz.<\/p>\n<p>E se a gente olhar com carinho, d\u00e1 para perceber que Zequinha, aos 37 anos, j\u00e1 tinha maturidade e t\u00e9cnica suficientes para criar algo que n\u00e3o s\u00f3 embalaria festas e sal\u00f5es, mas que tamb\u00e9m atravessaria fronteiras e o tempo. Isso nos faz pensar na for\u00e7a da m\u00fasica: ela n\u00e3o se limita a uma idade, lugar ou \u00e9poca; ela se espalha, toca cora\u00e7\u00f5es e constr\u00f3i legados.<\/p>\n<p>Celebrar os 145 anos de Zequinha de Abreu \u00e9 mais do que lembrar de um compositor; \u00e9 redescobrir um Brasil cheio de ritmo, talento e hist\u00f3rias que ainda nos emocionam. E, entre n\u00f3s, \u00e9 imposs\u00edvel ouvir <em>Tico-Tico no Fub\u00e1<\/em> sem imaginar Zequinha sorrindo, Carmen Miranda brilhando e a m\u00fasica correndo solta, invadindo o mundo com a energia que s\u00f3 a arte brasileira tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Marcelo Gonzales vive entre discos de vinil e muita m\u00eddia f\u00edsica, sempre atento \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 cultura e ao jornalismo, compartilhando hist\u00f3rias que conectam gera\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebrar os 145 anos de Zequinha de Abreu \u00e9 mais do que lembrar de um compositor; \u00e9 redescobrir um Brasil cheio de ritmo, talento e hist\u00f3rias que ainda nos emocionam<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":147566,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147565"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147565"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147565\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147567,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147565\/revisions\/147567"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147566"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}