{"id":147692,"date":"2025-09-24T13:34:27","date_gmt":"2025-09-24T16:34:27","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=147692"},"modified":"2025-09-24T13:34:27","modified_gmt":"2025-09-24T16:34:27","slug":"do-grunge-a-praia-de-angra-minha-geracao-entre-nirvana-e-chili-peppers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/do-grunge-a-praia-de-angra-minha-geracao-entre-nirvana-e-chili-peppers\/","title":{"rendered":"Do Grunge \u00e0 Praia de Angra: Minha Gera\u00e7\u00e3o Entre Nirvana e Chili Peppers"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>1991 foi um divisor de \u00e1guas, n\u00e3o apenas no rock, mas na forma como viv\u00edamos a m\u00fasica<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Marcelo Gonzales*<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>@celogonzales @vidadevinil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Eu me lembro bem do impacto que dois discos lan\u00e7ados no mesmo 24 de setembro de 1991 tiveram na minha vida. <em>Nevermind<\/em>, do Nirvana, e <em>Blood Sugar Sex Magik<\/em>, do Red Hot Chili Peppers, chegaram juntos \u00e0s prateleiras, mas ganharam vida mesmo foi pela tela da MTV, que estava no auge da sua influ\u00eancia. Era imposs\u00edvel ligar a TV sem esbarrar em <em>Smells Like Teen Spirit<\/em>, aquele clipe ca\u00f3tico com gin\u00e1sio escolar e jovens explodindo em energia, um retrato perfeito do esp\u00edrito grunge. Ao mesmo tempo, a sensualidade crua de <em>Give It Away<\/em>, com suas imagens em preto e branco, mostrava os Chili Peppers em uma fase quase tribal, org\u00e2nica, como se a m\u00fasica pudesse ser sentida na pele.<\/p>\n<p>Eu estava no meu auge como consumidor da MTV, vivendo entre S\u00e3o Paulo, Rio e Angra dos Reis, e cada lugar tinha seu pr\u00f3prio jeito de absorver aquele fen\u00f4meno. Em S\u00e3o Paulo, era nos bares alternativos e nas fitas cassete trocadas entre amigos, no Rio, as festas universit\u00e1rias abra\u00e7avam <em>Under the Bridge<\/em> como hino melanc\u00f3lico de fim de noite, j\u00e1 em Angra, com os amigos de praia e viol\u00e3o, os riffs de Flea e Frusciante viravam tentativas desajeitadas, mas apaixonadas, de reproduzir algo que parecia muito al\u00e9m do nosso alcance.<\/p>\n<p>O Nirvana trouxe o grunge como uma avalanche. De repente, camisas de flanela, jeans rasgados e uma atitude de desencanto viraram moda, mas mais do que est\u00e9tica, era sentimento. O Brasil, que at\u00e9 ent\u00e3o tinha a sua cena de rock nacional consolidada com Legi\u00e3o, Tit\u00e3s, Paralamas, se viu impactado por um som de Seattle que dialogava com a rebeldia de toda uma gera\u00e7\u00e3o daqui. Em paralelo, o Red Hot Chili Peppers mostrava um outro lado da mesma moeda: a mistura de funk, rock e sensualidade, que aqui ecoava tanto nas r\u00e1dios quanto nas pistas de dan\u00e7a alternativas. Quem ligava a MTV no in\u00edcio dos anos 90 sabe: o clipe de <em>Suck My Kiss<\/em> passava na mesma sequ\u00eancia que <em>Come As You Are<\/em>, e era nesse contraste que se forjava o repert\u00f3rio de toda uma juventude.<\/p>\n<p>Esses dois \u00e1lbuns, lan\u00e7ados no mesmo dia, moldaram n\u00e3o s\u00f3 a cena internacional, mas tamb\u00e9m a brasileira. A gente come\u00e7ou a ver mais festivais trazendo bandas internacionais, mais garotos montando grupos inspirados em Seattle ou em Los Angeles, mais revistas especializadas chegando \u00e0s bancas. Para mim, mais do que discos, foram companheiros de \u00e9poca, trilhas sonoras das minhas viagens de \u00f4nibus, de tardes vendo a MTV com os amigos, de conversas intermin\u00e1veis sobre qual riff era melhor ou qual letra fazia mais sentido. \u00c9 uma lembran\u00e7a que nunca se apagar\u00e1, porque assim como eu, todos que viveram aquele tempo guardam consigo a certeza de que 1991 foi um divisor de \u00e1guas, n\u00e3o apenas no rock, mas na forma como viv\u00edamos a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Marcelo Gonzales \u00e9 autor do blog Que Dia \u00e9 Hoje?, vive entre discos de vinil e muita m\u00eddia f\u00edsica, sempre atento \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 cultura e ao jornalismo, compartilhando hist\u00f3rias que conectam gera\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1991 foi um divisor de \u00e1guas, n\u00e3o apenas no rock, mas na forma como viv\u00edamos a m\u00fasica Marcelo Gonzales* @celogonzales @vidadevinil Eu me lembro bem do impacto que dois discos<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":147693,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147692"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147692"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147692\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147694,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147692\/revisions\/147694"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}