{"id":148310,"date":"2025-10-17T08:42:39","date_gmt":"2025-10-17T11:42:39","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=148310"},"modified":"2025-10-17T08:42:39","modified_gmt":"2025-10-17T11:42:39","slug":"coluna-de-cinema-edicao-51","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-51\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 51"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Depois da Ca\u00e7ada: a fragilidade das m\u00e1scaras morais<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-148313 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/filme-depois-da-cacada-julia.jpg\" alt=\"\" width=\"645\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/filme-depois-da-cacada-julia.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/filme-depois-da-cacada-julia-300x176.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/filme-depois-da-cacada-julia-150x88.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/filme-depois-da-cacada-julia-768x451.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><\/p>\n<p>O mais recente filme do prol\u00edfico e contundente Luca Guadagnino, <strong><em>\u201cDepois da Ca\u00e7ada\u201d<\/em><\/strong> (After the hunt, 2025), traz todas as marcas reconhec\u00edveis de sua filmografia: desejo reprimido, moralidade flex\u00edvel, rebeldia criativa e um certo inconformismo iconoclasta. Ainda assim, \u00e9 um trabalho que se distancia emocionalmente de obras anteriores, como <em>\u201cRivais\u201d<\/em>, <em>\u201cQueer\u201d<\/em> e o subestimado <em>\u201cAt\u00e9 os Ossos\u201d<\/em>. Aqui, o diretor parece interessado menos em como amamos e mais em como pensamos sobre o amor, o poder e o julgamento. <em>\u201cDepois da Ca\u00e7ada\u201d<\/em> \u00e9 um filme cerebral, provocativo e, por vezes, deliberadamente desconfort\u00e1vel.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria gira em torno de Alma (Julia Roberts), professora de filosofia em Yale, cuja vida pessoal e profissional come\u00e7am a desmoronar ap\u00f3s uma s\u00e9rie de pequenas fraturas \u00e9ticas e afetivas. Casada com Frederik (Michael Stuhlbarg), um intelectual espirituoso que aceita com humor o fato de amar mais do que \u00e9 amado, Alma atrai o interesse de Hank (Andrew Garfield), colega de departamento e esp\u00e9cie de rebelde acad\u00eamico, al\u00e9m da admira\u00e7\u00e3o fervorosa de Maggie (Ayo Edebiri), sua aluna de doutorado. Essas rela\u00e7\u00f5es, que se iniciam como trocas intelectuais e afetivas, tornam-se o epicentro de um jogo de poder que exp\u00f5e a fragilidade das m\u00e1scaras morais que sustentam o meio universit\u00e1rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-148312 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/depois-da-cacada.png\" alt=\"\" width=\"663\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/depois-da-cacada.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/depois-da-cacada-300x158.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/depois-da-cacada-150x79.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/depois-da-cacada-768x403.png 768w\" sizes=\"(max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><\/p>\n<p>Guadagnino transforma esse microcosmo acad\u00eamico num campo de batalha de ideias e ressentimentos. O campus, com seus corredores frios e salas iluminadas por luz difusa, torna-se um cen\u00e1rio quase cl\u00ednico, onde as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o dissecadas com precis\u00e3o cir\u00fargica. O filme oscila entre a s\u00e1tira e o drama psicol\u00f3gico, mostrando personagens que confundem ret\u00f3rica com \u00e9tica e que se protegem atr\u00e1s de discursos sofisticados, enquanto suas vidas pessoais se desintegram.<\/p>\n<p>\u00c9 revigorante ver um filme de Hollywood voltado a adultos, que aborda com seriedade temas como feminismo, cultura do cancelamento, pol\u00edtica de identidade e diferen\u00e7a geracional. Mas <em>\u201cDepois da Ca\u00e7ada\u201d<\/em> \u00e9, em muitos momentos, mais admir\u00e1vel do que envolvente. Guadagnino parece t\u00e3o interessado em discutir as contradi\u00e7\u00f5es de nosso tempo que esquece de nos fazer sentir o impacto humano dessas contradi\u00e7\u00f5es. Seu filme quer ser uma radiografia moral do presente, mas por vezes soa como uma tese filmada: brilhante, provocante, por\u00e9m emocionalmente \u00e1rida.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-148311 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/julia-roberts.jpg\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/julia-roberts.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/julia-roberts-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/julia-roberts-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/julia-roberts-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/p>\n<p>Julia Roberts, no entanto, sustenta todo este peso com uma presen\u00e7a magn\u00e9tica. Ela est\u00e1 em quase todos os 139 minutos, e sua performance \u00e9 o eixo em torno do qual o caos gira. \u00c9 um <em>tour de force<\/em>, daqueles que costumam render indica\u00e7\u00f5es a pr\u00eamios, e, ainda que o roteiro lhe ofere\u00e7a mais ideias do que emo\u00e7\u00f5es, Roberts encontra humanidade at\u00e9 nas contradi\u00e7\u00f5es mais duras de Alma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 148px) 100vw, 148px\" \/>Com ecos de um ceticismo sofisticado <em>\u00e0 la<\/em> Woody Allen, mas sem o al\u00edvio da com\u00e9dia, <em>\u201cDepois da Ca\u00e7ada\u201d<\/em> \u00e9 um filme que pensa demais e sente de menos. \u00c9 cinema de conceito, n\u00e3o de catarse. Admir\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o, mas frustrante na entrega. Uma experi\u00eancia que nos desafia, mas nos toca com pouca paix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da Ca\u00e7ada: a fragilidade das m\u00e1scaras morais O mais recente filme do prol\u00edfico e contundente Luca Guadagnino, \u201cDepois da Ca\u00e7ada\u201d (After the hunt, 2025), traz todas as marcas reconhec\u00edveis<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148310"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148310"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148314,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148310\/revisions\/148314"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}