{"id":148430,"date":"2025-10-22T09:33:04","date_gmt":"2025-10-22T12:33:04","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=148430"},"modified":"2025-10-22T09:33:04","modified_gmt":"2025-10-22T12:33:04","slug":"o-rock-profundo-e-solido-de-led-zeppelin-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/o-rock-profundo-e-solido-de-led-zeppelin-ii\/","title":{"rendered":"O rock profundo e s\u00f3lido de Led Zeppelin II"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>56 anos de riffs que mudaram a hist\u00f3ria do rock<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Marcelo Gonzales*<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>@celogonzales @vidadevinil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 datas que n\u00e3o se apagam, e hoje, 22 de outubro, \u00e9 uma dessas, \u00e9 o dia em que <em>Led Zeppelin II<\/em> foi lan\u00e7ado no Reino Unido. Um \u00e1lbum que n\u00e3o apenas consolidou a banda, mas redefiniu o que significava ser uma banda de rock.<\/p>\n<p>Gosto de imaginar o som daquele vinil saindo do toca-discos em 1969, o chiado inicial como um aceno do tempo, e logo depois, o primeiro riff de Whole Lotta Love entrando como um trov\u00e3o el\u00e9trico, rasgando o sil\u00eancio do fim dos anos 60. O mundo ali girava mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>O Led Zeppelin j\u00e1 era uma promessa desde o \u00e1lbum de estreia, mas foi no segundo que o mito se consolidou. Com Jimmy Page na guitarra e produ\u00e7\u00e3o, Robert Plant nos vocais, John Paul Jones no baixo e teclados, e John Bonham na bateria, o quarteto encontrou seu ponto de combust\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Led Zeppelin II<\/em> foi gravado em v\u00e1rios est\u00fadios em Londres, Nova York, Los Angeles durante as turn\u00eas fren\u00e9ticas do grupo. O som cru e potente foi resultado de uma t\u00e9cnica inovadora de grava\u00e7\u00e3o, amplificadores no m\u00e1ximo, microfones distantes e a energia viva do palco registrada em fita.<\/p>\n<p>As faixas falam por si, <em>Whole Lotta Love, Heartbreaker, Ramble On, Moby Dick<\/em> com o solo lend\u00e1rio de Bonham em Bring It On Home. Um \u00e1lbum sem descanso, como se o vinil tivesse pressa em mostrar tudo o que o rock ainda podia ser.<\/p>\n<p>Quantos filhos ouviram esse disco porque um pai, uma m\u00e3e, ou at\u00e9 um tio apaixonado o guardava como rel\u00edquia?<\/p>\n<p>No Brasil, nos anos 70, ter um vinil do Led Zeppelin era s\u00edmbolo de resist\u00eancia est\u00e9tica e curiosidade sonora. E, mesmo sem turn\u00eas por aqui pois o Led nunca se apresentou no Brasil, a devo\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s cresceu com cada lan\u00e7amento que chegava importado, com cheiro de loja nova e o som que parecia vir de outro planeta.<\/p>\n<p>As lojas da Rua Augusta em S\u00e3o Paulo e da Galeria Alaska no Rio vendiam os discos a pre\u00e7os altos (como se hoje fosse barato\u2026), mas isso n\u00e3o impedia o ritual, juntar o dinheiro, abrir o encarte e deixar a agulha cair como quem inicia uma missa sonora.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois, esses mesmos discos voltariam \u00e0s m\u00e3os dos filhos e agora dos netos, num ciclo bonito de heran\u00e7a musical.<\/p>\n<p>O vinil chiando \u00e9 tamb\u00e9m o som da mem\u00f3ria sendo herdada.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, o <em>Led Zeppelin II<\/em> continuou renascendo. Nos 20 anos de lan\u00e7amento, em 1989, revistas musicais revisitavam o \u00e1lbum como um manual do hard rock. Nos 30 anos, em 1999, ele foi remasterizado em CD e reeditado com faixas b\u00f4nus fazendo uma ponte entre o anal\u00f3gico e o digital. E, em 2014, nos 45 anos do lan\u00e7amento, Jimmy Page supervisionou uma edi\u00e7\u00e3o comemorativa que trouxe vers\u00f5es alternativas e grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, como abrir um ba\u00fa e encontrar o rascunho do mito.<\/p>\n<p>Hoje, em 2025, o disco segue vendendo em edi\u00e7\u00f5es de vinil de luxo, reeditadas pela Atlantic Records e disputadas entre colecionadores, no Brasil inclusive alcan\u00e7ando cifras que fariam o pr\u00f3prio Page sorrir. As certifica\u00e7\u00f5es falam por si, multi-platina nos Estados Unidos, disco de ouro e diamante em v\u00e1rios pa\u00edses, presen\u00e7a constante nas listas dos 100 Maiores \u00c1lbuns da Hist\u00f3ria da Rolling Stone e da NME.<\/p>\n<p>Mesmo sem pisar em solo brasileiro, o Led Zeppelin foi e ainda \u00e9 um fen\u00f4meno por aqui. O p\u00fablico construiu um v\u00ednculo emocional curioso com a banda, o Zeppelin chegou primeiro pelos ouvidos, depois pelo sonho. Programas de r\u00e1dio dos anos 70 e 80, como o Rock Special, e mais tarde emissoras como a Fluminense FM e a R\u00e1dio Cidade, tornaram <em>Whole Lotta Love<\/em> e <em>Stairway to Heaven<\/em> trilhas de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada novo relan\u00e7amento reacende a conversa entre f\u00e3s. E h\u00e1 algo bonito nisso, o disco como uma carta que viaja pelo tempo, esperando novas m\u00e3os para ser aberta.<\/p>\n<p>O Led Zeppelin n\u00e3o foi apenas uma banda. Foi uma ideia de som. E o II \u00e9 o seu manifesto. Aquele tipo de obra que n\u00e3o envelhece, apenas amadurece, como um vinho deixado ao sol, guardando o perfume da \u00e9poca em que o rock era urg\u00eancia e poesia.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto escrevo, ou\u00e7o o disco girar no prato. O chiado do vinil se mistura ao vento da manh\u00e3, e eu penso, talvez o maior legado do Zeppelin seja esse, o de fazer com que cada gera\u00e7\u00e3o sinta o mesmo arrepio ao apertar play.<\/p>\n<p>Data de lan\u00e7amento: 22 de outubro de 1969.<\/p>\n<p>Grava\u00e7\u00f5es em Londres, Nova York, Los Angeles e Vancouver.<\/p>\n<p>Vendas mundiais estimadas em mais de 12 milh\u00f5es de c\u00f3pias.<\/p>\n<p>Certifica\u00e7\u00f5es: EUA 12x platina (RIAA), Reino Unido disco de ouro (BPI) e Canad\u00e1 3x platina.<\/p>\n<p>Reedi\u00e7\u00f5es not\u00e1veis em 1989 com CD remasterizado, 1999 com a edi\u00e7\u00e3o de 30 anos, 2014 com a edi\u00e7\u00e3o deluxe supervisionada por Jimmy Page.<\/p>\n<p>A faixa mais executada foi <em>Whole Lotta Love<\/em>, considerada pela BBC como uma das 10 m\u00fasicas mais influentes do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Nenhum show no Brasil. Mas o Led Zeppelin influenciou profundamente bandas brasileiras de rock dos anos 70 e 80, como Made in Brazil, Casa das M\u00e1quinas e O Ter\u00e7o.<\/p>\n<p>Enquanto o vinil termina de girar, fica no ar uma pergunta que talvez s\u00f3 a m\u00fasica responda: Depois de um \u00e1lbum que mudou o rumo do rock, quais outros discos nasceram com essa voca\u00e7\u00e3o de eternidade? Deixo para outra pauta\u2026<\/p>\n<p>Amanh\u00e3, a gente continua, com mais um \u201cQue Dia \u00e9 Hoje?\u201d para provar que o tempo, quando \u00e9 bom, toca em 33 rota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Marcelo Gonzales \u00e9 autor do blog Que Dia \u00e9 Hoje?, vive entre discos de vinil e muita m\u00eddia f\u00edsica, sempre atento \u00e0 m\u00fasica, \u00e0 cultura e ao jornalismo, compartilhando hist\u00f3rias que conectam gera\u00e7\u00f5es. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>56 anos de riffs que mudaram a hist\u00f3ria do rock Marcelo Gonzales* @celogonzales @vidadevinil H\u00e1 datas que n\u00e3o se apagam, e hoje, 22 de outubro, \u00e9 uma dessas, \u00e9 o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":148431,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148430"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":148432,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148430\/revisions\/148432"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/148431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}