{"id":149256,"date":"2025-11-26T08:18:18","date_gmt":"2025-11-26T11:18:18","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=149256"},"modified":"2025-11-26T08:18:18","modified_gmt":"2025-11-26T11:18:18","slug":"motoristas-de-aplicativo-cairam-no-conto-do-vigario-diz-sakamoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/motoristas-de-aplicativo-cairam-no-conto-do-vigario-diz-sakamoto\/","title":{"rendered":"Motoristas de aplicativo ca\u00edram no \u201cconto do vig\u00e1rio\u201d, diz Sakamoto"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>An\u00e1lise \u00e9 do cientista pol\u00edtico e jornalista Leonardo Sakamoto<\/em><\/h3>\n<p>Uma rotina de explora\u00e7\u00e3o em longas jornadas de trabalho. Essa ideia pode representar mais o que significa a atividade de categorias como a de motoristas de aplicativo no Brasil do que o conceito de que s\u00e3o empreendedores, patr\u00f5es de si mesmos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das an\u00e1lises do cientista pol\u00edtico Leonardo Sakamoto no livro \u201c<em>O que os coaches n\u00e3o te contam sobre o futuro do trabalho<\/em>\u201d (Editora Alameda, 243 p\u00e1ginas).\u00a0Em parceria com o jornalista Carlos Juliano Barros, no livro, Sakamoto avalia que esses trabalhadores acionados por tecnologia foram enganados.<\/p>\n<p>\u201cEles ca\u00edram no conto do vig\u00e1rio de que s\u00e3o empreendedores\u201d, afirmou em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A obra foi lan\u00e7ada na semana passada em S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia\u00a0e, nessa ter\u00e7a (25) \u00e0 noite, apresentada no audit\u00f3rio da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com direito \u00e0 palestra dos autores. No dia 8 de dezembro, haver\u00e1 sess\u00e3o de aut\u00f3grafos no Jardim Bot\u00e2nico, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Ganhos desproporcionais<\/strong><\/h4>\n<p>O pesquisador entende que o principal problema para os trabalhadores \u00e9 que as plataformas ficam com boa parte dos recursos e pagam menos do que os motoristas e entregadores reivindicam.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, esses trabalhadores sem nenhum direito tamb\u00e9m n\u00e3o recolhem os tributos para que, no futuro, possam se aposentar ou estar\u00a0seguros se sofrerem algum infort\u00fanio.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, segundo a obra, trabalhadores come\u00e7aram a culpar a\u00a0Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho\u00a0(CLT) por problemas de toda ordem, como se a lei diminu\u00edsse a for\u00e7a profissional e os direitos atravessassem\u00a0as oportunidades.<\/p>\n<p>\u201cA culpa do sal\u00e1rio baixo, na verdade, \u00e9 do patr\u00e3o. A culpa de trabalhar muito, na escala de seis para um, \u00e9 do Congresso Nacional\u201d, opina o autor.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Ataque aos direitos\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Sakamoto identifica que houve, na verdade, um ataque sistem\u00e1tico aos direitos trabalhistas que atingiu a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cInfluenciadores e pol\u00edticos culparam a CLT.\u00a0 O problema n\u00e3o s\u00e3o as regras\u201d.<\/p>\n<p>O livro lan\u00e7ado traz reflex\u00f5es atualizadas a partir de um extrato de textos produzidos por eles nos \u00faltimos quatro anos para os\u00a0<em>sites<\/em>\u00a0\u201cRep\u00f3rter Brasil\u201d e \u201cUOL\u201d sobre os temas relacionados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o no campo profissional.<\/p>\n<p>Sakamoto avalia que h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o de diferentes categorias e desrespeito \u00e0s leis em vigor. Ele considera que existe, no momento, uma rede de preocupa\u00e7\u00f5es de diferentes matizes em rela\u00e7\u00e3o ao tema.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-149258 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/leonardo-sakamoto.jpg\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/leonardo-sakamoto.jpg 754w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/leonardo-sakamoto-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/leonardo-sakamoto-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O jornalista, cientista pol\u00edtico e professor\u00a0Leonardo Sakamoto, fala sobre precariza\u00e7\u00e3o de trabalhadores &#8211; Foto\u00a0Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>Haveria um alerta relacionado aos poss\u00edveis danos causados pelas ferramentas de intelig\u00eancia artificial e \u00e0s pr\u00e1ticas de precariza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, como as contrata\u00e7\u00f5es de pessoas f\u00edsicas como pessoas jur\u00eddicas (as populares \u201cpejotas\u201d).<\/p>\n<p>Outros caminhos de precariza\u00e7\u00e3o s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de trabalhos sem direitos, por interm\u00e9dio da figura do\u00a0free lancer\u00a0fixo (o frila, que tem os mesmos deveres de uma pessoa contratada, mas nenhum direito).<\/p>\n<p>Sakamoto enumera que existe tamb\u00e9m o fato de que a f\u00f3rmula de desenvolvimento de grandes conglomerados n\u00e3o aboliu, de fato, o trabalho escravizado e o uso de crian\u00e7as em espa\u00e7os laborais.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, esse \u00e9 um momento hist\u00f3rico para que a sociedade possa garantir dignidade no ambiente do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cA gente ainda n\u00e3o foi capaz de erradicar a escravid\u00e3o contempor\u00e2nea no Brasil. Temos\u00a0um p\u00e9 apontado para a frente, um apontado para tr\u00e1s e os dois presos na lama\u201d, lamenta o pesquisador.<\/p>\n<p>As formas arcaicas de superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho sobreviveram \u00e0s mudan\u00e7as sociais, conforme defende o livro. A obra contextualiza que essas viola\u00e7\u00f5es convivem com as altas tecnologias de nossos dias.<\/p>\n<p>\u201cA tecnologia n\u00e3o representa necessariamente a melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores\u201d, afirma\u00a0Sakamoto.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Tecnologia pode tamb\u00e9m mobilizar<\/strong><\/h4>\n<p>O autor defende que s\u00e3o necess\u00e1rias reivindica\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es por parte dos trabalhadores para enfrentar o cen\u00e1rio de explora\u00e7\u00e3o. Inclusive, ele aborda que a tecnologia pode ser vista de duas formas.<\/p>\n<p>\u201cNesse momento de transforma\u00e7\u00e3o, a tecnologia pode ser algo que vai precarizar ainda mais a vida dos trabalhadores. Mas pode, na verdade, garantir que a gente consiga tamb\u00e9m mobilizar o pessoal\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>Sakamoto aborda\u00a0que, no caso dos motoristas de aplicativo e de entregadores, a luta atual \u00e9 pela garantia de um pre\u00e7o m\u00ednimo da corrida e de condi\u00e7\u00f5es de trabalho com as quais essas categorias concordem.<\/p>\n<p>Os trabalhadores estariam se mobilizando por meio das\u00a0redes sociais tamb\u00e9m, depois do abalo sofrido pelos sindicatos com a reforma trabalhista (de 2017).<\/p>\n<p>\u201cTodo dia aparece um empres\u00e1rio falando que o Brasil tem direitos demais. Isso \u00e9 uma bobagem. Outros pa\u00edses tamb\u00e9m t\u00eam uma s\u00e9rie de prote\u00e7\u00f5es aos trabalhadores\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Prote\u00e7\u00e3o e escravagismo<\/strong><\/h4>\n<p>O pesquisador considera que o pa\u00eds vive diferentes for\u00e7as que lutam em rela\u00e7\u00e3o ao campo profissional. Ao mesmo tempo em que o Estado Brasileiro tem uma estrutura importante de prote\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a do Trabalho e no Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), h\u00e1 um pensamento escravagista nas tr\u00eas esferas de\u00a0poder.<\/p>\n<p>Ele lamenta que a PEC das Dom\u00e9sticas, por exemplo, garantiu direitos importantes a esse grupo profissional (formado em sua maior parte por mulheres negras), mas a lei foi recebida com\u00a0cr\u00edticas pela elite financeira do Brasil.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise \u00e9 do cientista pol\u00edtico e jornalista Leonardo Sakamoto Uma rotina de explora\u00e7\u00e3o em longas jornadas de trabalho. 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