{"id":149834,"date":"2025-12-19T00:31:44","date_gmt":"2025-12-19T03:31:44","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=149834"},"modified":"2025-12-18T10:34:07","modified_gmt":"2025-12-18T13:34:07","slug":"coluna-de-cinema-edicao-60","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-60\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 60"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Avatar \u2013 Fogo e Cinzas: Pandora perde o encanto<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-149836 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar01.jpg\" alt=\"\" width=\"659\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar01.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar01-300x174.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar01-150x87.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar01-768x445.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 659px) 100vw, 659px\" \/><\/p>\n<p>Longe de ser apenas uma repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas conhecidas, <strong>\u201cAvatar: Fogo e Cinzas\u201d<\/strong> (<em>Avatar: Fire and Ash<\/em>) revela-se, paradoxalmente, um cap\u00edtulo menor dentro de uma das franquias mais ambiciosas do cinema contempor\u00e2neo. O terceiro filme da saga idealizada por James Cameron n\u00e3o apenas abdica do impacto visual sem precedentes que definiu seus antecessores, como tamb\u00e9m carece da inventividade narrativa que sustentava o encanto inicial de Pandora. H\u00e1, inclusive, uma curiosa revers\u00e3o de expectativa, pois <em>\u201cO Caminho da \u00c1gua\u201d<\/em> havia se mostrado ainda mais deslumbrante do que o \u201c<em>Avatar\u201d<\/em> original, elevando o patamar t\u00e9cnico e sensorial da s\u00e9rie a um n\u00edvel que este novo cap\u00edtulo n\u00e3o consegue sustentar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-149837 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar02.jpg\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar02.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar02-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar02-150x85.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar02-768x433.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/p>\n<p>A trama retoma os acontecimentos a partir do desfecho do primeiro \u201c<em>Avatar\u201d<\/em>, acompanhando a fam\u00edlia de Jake Sully em um momento de luto, rearranjo e reconstru\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o confronto mais devastador com as for\u00e7as coloniais da Administra\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento de Recursos, Jake, Neytiri e seus filhos enfrentam as consequ\u00eancias humanas, culturais e emocionais da guerra, em especial a morte de Neteyam, assassinado pelos chamados \u201cPovo do C\u00e9u\u201d. \u00c9 nesse contexto que <em>\u201cFogo e Cinzas\u201d<\/em> prop\u00f5e refletir sobre a reconstru\u00e7\u00e3o coletiva ap\u00f3s a perda, ampliando o conceito de \u201cpessoas\u201d para al\u00e9m da humanidade, incorporando povos, culturas e modos de exist\u00eancia inteiros atravessados pelo trauma.<\/p>\n<p>Em tese, trata-se de um tema coerente com a premissa central da franquia, que desde o in\u00edcio se prop\u00f4s a discutir transforma\u00e7\u00e3o, pertencimento e a tens\u00e3o inerente aos processos de mudan\u00e7a. No entanto, este \u00e9 o primeiro filme da s\u00e9rie que n\u00e3o consegue desenvolver tais ideias de forma verdadeiramente significativa ou transformadora. Falta-lhe a grandiloqu\u00eancia emocional e simb\u00f3lica que conferia densidade dram\u00e1tica aos dois cap\u00edtulos anteriores. Mesmo operando em escala monumental, assinatura inconfund\u00edvel de Cameron, o filme se acomoda em uma estrutura narrativa mais previs\u00edvel, menos ousada e surpreendentemente contida para os padr\u00f5es que a pr\u00f3pria franquia estabeleceu.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-149835 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar03.jpg\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar03.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar03-300x158.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar03-150x79.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/avatar03-768x403.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/p>\n<p>O contraste com os filmes anteriores torna-se, assim, inevit\u00e1vel. O \u201c<em>Avatar\u201d<\/em> de 2009 possu\u00eda um brilho quase cintilante ao apresentar Pandora como um mundo vivo, org\u00e2nico e sensorialmente envolvente. J\u00e1 <em>\u201cO Caminho da \u00c1gua\u201d<\/em> (2022), embora marcado pela familiaridade tem\u00e1tica, ainda hipnotizava o espectador com suas longas sequ\u00eancias subaqu\u00e1ticas e uma imers\u00e3o visual que beirava o estado contemplativo. Em <em>\u201cFogo e Cinzas\u201d<\/em>, contudo, essa trajet\u00f3ria parece atingir um ponto cr\u00edtico. Quanto mais Cameron aprofunda sua aposta no universo sint\u00e9tico do CGI, mais se distanciam os elementos sens\u00edveis da experi\u00eancia humana concreta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-139295\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"145\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 145px) 100vw, 145px\" \/>Aqui, a desconex\u00e3o com a realidade \u201coffline\u201d torna-se praticamente irrevers\u00edvel. Pandora permanece visualmente exuberante, rica em detalhes e efeitos, mas emocionalmente distante e menos capaz de gerar empatia duradoura. Considerando que o projeto prev\u00ea ao menos mais dois filmes, a pergunta que se imp\u00f5e \u00e9 inevit\u00e1vel: superado o impacto da novidade tecnol\u00f3gica, haver\u00e1 ainda f\u00f4lego e interesse massivo da audi\u00eancia para uma experi\u00eancia que parece ter perdido parte de seu encanto primordial?<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avatar \u2013 Fogo e Cinzas: Pandora perde o encanto Longe de ser apenas uma repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas conhecidas, \u201cAvatar: Fogo e Cinzas\u201d (Avatar: Fire and Ash) revela-se, paradoxalmente, um cap\u00edtulo<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149834"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149834"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149834\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":149838,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149834\/revisions\/149838"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}