{"id":150089,"date":"2026-01-07T08:15:42","date_gmt":"2026-01-07T11:15:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=150089"},"modified":"2026-01-07T08:15:42","modified_gmt":"2026-01-07T11:15:42","slug":"coluna-de-cinema-edicao-60-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-60-2\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 60"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>A Empregada: nada \u00e9 o que parece<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150091 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/a-empregada-suspense-com-sydney-sweeney-e-amanda-seyfried-ganha-trailer-800x450-1.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/a-empregada-suspense-com-sydney-sweeney-e-amanda-seyfried-ganha-trailer-800x450-1.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/a-empregada-suspense-com-sydney-sweeney-e-amanda-seyfried-ganha-trailer-800x450-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/a-empregada-suspense-com-sydney-sweeney-e-amanda-seyfried-ganha-trailer-800x450-1-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/a-empregada-suspense-com-sydney-sweeney-e-amanda-seyfried-ganha-trailer-800x450-1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/p>\n<p>Dirigido por Paul Feig e baseado no best-seller hom\u00f4nimo de Freida McFadden, \u201c<strong><em>A Empregada\u201d<\/em><\/strong> (The Housemaid) exemplifica perfeitamente o estilo caracter\u00edstico da autora. McFadden constr\u00f3i thrillers psicol\u00f3gicos centrados em protagonistas femininas complexas, narradoras em primeira pessoa que oscilam entre v\u00edtima indefesa, hero\u00edna vingativa e vil\u00e3 manipuladora, muitas vezes ocupando essas posi\u00e7\u00f5es simultaneamente na trama. Seu tra\u00e7o mais marcante \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o da ambiguidade moral extrema dessas mulheres, gerando tens\u00e3o atrav\u00e9s de reviravoltas que desafiam a empatia do leitor (ou espectador). A autora gosta de deixar o p\u00fablico desconfort\u00e1vel com o quanto acaba torcendo por personagens moralmente question\u00e1veis. Tanto o livro quanto sua adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica capturam essa ess\u00eancia, tornando-se exemplos ic\u00f4nicos do subg\u00eanero.<\/p>\n<p>A trama principal acompanha Millie Calloway (Sydney Sweeney), uma jovem com um passado turbulento e um hist\u00f3rico criminal que busca desesperadamente um recome\u00e7o. Ela aceita o emprego como empregada dom\u00e9stica na luxuosa mans\u00e3o da fam\u00edlia Winchester, resid\u00eancia da inst\u00e1vel Nina (Amanda Seyfried), seu atraente e compreensivo marido Andrew (Brandon Sklenar) e a pequena filha do casal. O que come\u00e7a como uma oportunidade dos sonhos logo revela camadas de segredos sombrios, manipula\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e din\u00e2micas de poder perigosas. \u00c0 medida que Millie se integra \u00e0 rotina da casa, percebe que nada \u00e9 o que parece. A fachada de fam\u00edlia perfeita esconde tens\u00f5es profundas, abusos velados e inten\u00e7\u00f5es dissimuladas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150090 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/empregada-1024x538-1.png\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/empregada-1024x538-1.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/empregada-1024x538-1-300x158.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/empregada-1024x538-1-150x79.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/empregada-1024x538-1-768x403.png 768w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/p>\n<p>Por grande parte da narrativa o filme nos conduz a um grande novel\u00e3o carregado de clich\u00eas cl\u00e1ssicos do thriller dom\u00e9stico. A saber, est\u00e3o l\u00e1 a esposa aparentemente desequilibrada que sente perder a aten\u00e7\u00e3o do marido, a jovem e bela empregada que chega como intrusa sedutora e esconde um passado misterioso, e o marido charmoso que surge como o \u00fanico ponto de equil\u00edbrio aparente. Estabelece-se um tri\u00e2ngulo amoroso onde cada v\u00e9rtice tem prop\u00f3sitos ocultos, dissimulados como mandam as regras do suspense psicol\u00f3gico. No entanto, o filme cumpre fielmente outra premissa b\u00e1sica do g\u00eanero: nada \u00e9 o que parece na superf\u00edcie. H\u00e1 camadas e mais camadas a serem desvendadas, e a narrativa ganha cada vez mais caos e imprevisibilidade conforme avan\u00e7a.<\/p>\n<p>As reviravoltas, especialmente no terceiro ato, s\u00e3o vertiginosas e superam as expectativas iniciais, entregando o tipo de choque que os f\u00e3s de McFadden adoram. O crescente suspense, no entanto, nem sempre convence. O roteiro, assinado por Rebecca Sonnenshine (em parceria com a pr\u00f3pria Freida McFadden), parece apressado em certos momentos, acelerando o ritmo onde poderia se demorar nas sutilezas psicol\u00f3gicas que fazem o livro brilhar. A constru\u00e7\u00e3o da tens\u00e3o perde for\u00e7a pela pressa em chegar aos grandes <em>plot twists<\/em>, o que compromete um pouco a imers\u00e3o. Al\u00e9m disso, nenhum dos personagens centrais conquista plenamente a empatia do p\u00fablico. Millie, Nina e Andrew s\u00e3o figuras por demais amb\u00edguas, manipuladoras e falhas, o que gera uma dist\u00e2ncia emocional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150092 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/filme-sydney.jpg\" alt=\"\" width=\"667\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/filme-sydney.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/filme-sydney-300x158.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/filme-sydney-150x79.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/filme-sydney-768x403.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><\/p>\n<p>Como resultado, o espectador n\u00e3o torce necessariamente pelos personagens, mas pelo caos em si. Queremos ver o circo pegar fogo, as m\u00e1scaras ca\u00edrem e as din\u00e2micas explodirem em viol\u00eancia e revela\u00e7\u00f5es. Isso transforma o filme em um <em>guilty pleasure<\/em> (prazer culposo) eficiente, um entretenimento <em>trash<\/em> e exagerado que diverte pelo absurdo das reviravoltas e pelo compromisso das atua\u00e7\u00f5es, especialmente Seyfried, que entrega uma performance intensa e sem freios.<\/p>\n<p>As for\u00e7as e fraquezas do filme se ancoram em sua ambival\u00eancia. Ele \u00e9 ao mesmo tempo selvagemente divertido, provocador e cheio de uma energia perversa, mas tamb\u00e9m profundamente superficial. Essa dualidade evoca um retorno consciente aos thrillers er\u00f3ticos e exagerados dos anos 90. A adapta\u00e7\u00e3o abra\u00e7a esse esp\u00edrito sem pudor, mas quando tenta ser mais contida ou realista, trope\u00e7a. Ao se entregar ao exagero, ao <em>camp<\/em> e ao absurdo das reviravoltas, o filme mostra afinal a que veio e at\u00e9 distrai como entretenimento fugaz. Nada mais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>No fim, \u201c<em>A Empregada\u201d<\/em> funciona como uma adapta\u00e7\u00e3o que respeita o esp\u00edrito provocador de McFadden, mas sofre com as limita\u00e7\u00f5es de uma transposi\u00e7\u00e3o para o cinema que n\u00e3o consegue capturar todas as nuances internas do livro. Ainda assim, \u00e9 um thriller que cumpre seu papel por prender a aten\u00e7\u00e3o, chocar na medida certa e deixar o espectador debatendo as moralidades de seus personagens. Para quem gosta de hist\u00f3rias que brincam com a linha entre v\u00edtima e vil\u00e3o, sem oferecer respostas f\u00e1ceis, o filme entrega um pacote satisfat\u00f3rio de tens\u00e3o e entretenimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Empregada: nada \u00e9 o que parece Dirigido por Paul Feig e baseado no best-seller hom\u00f4nimo de Freida McFadden, \u201cA Empregada\u201d (The Housemaid) exemplifica perfeitamente o estilo caracter\u00edstico da autora.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150089"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150089"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150089\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150093,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150089\/revisions\/150093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}