{"id":150253,"date":"2026-01-20T11:33:52","date_gmt":"2026-01-20T14:33:52","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=150253"},"modified":"2026-01-20T11:33:52","modified_gmt":"2026-01-20T14:33:52","slug":"coluna-de-cinema-edicao-62","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-62\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 62"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Exterm\u00ednio \u2013 O Templo dos Ossos: assim caminha a humanidade<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150254 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-inexterminio.jpg\" alt=\"\" width=\"661\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-inexterminio.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-inexterminio-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-inexterminio-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-inexterminio-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 661px) 100vw, 661px\" \/><\/p>\n<p>Estamos diante de uma verdadeira raridade no cinema de franquias. \u00c9 incomum que um quarto filme n\u00e3o apenas sustente o interesse do p\u00fablico, mas se afirme como o melhor cap\u00edtulo de toda a s\u00e9rie<strong>. \u201c<em>Exterm\u00ednio: O Templo dos Ossos\u201d<\/em><\/strong> (8 Years Later: The Bone Temple) alcan\u00e7a esse feito ao expandir seu universo narrativo com ousadia, intelig\u00eancia e uma inquieta\u00e7\u00e3o moral que acompanha a saga desde seu in\u00edcio em 2002.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150255 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/28-years-later-jimmies.jpg\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/28-years-later-jimmies.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/28-years-later-jimmies-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/28-years-later-jimmies-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/28-years-later-jimmies-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/p>\n<p>O longa retoma os acontecimentos do filme anterior, ambientado 28 anos ap\u00f3s o surto original do v\u00edrus da Raiva. Naquele desfecho, um garoto chamado Spike, interpretado pelo promissor Alfie Williams, abandona a relativa seguran\u00e7a da Ilha Sagrada, uma comunidade em quarentena no litoral nordeste da Inglaterra, e parte rumo ao continente devastado. Ele \u00e9 movido por rumores sobre um m\u00e9dico recluso, Dr. Kelson, vivido por Ralph Fiennes (de <em>\u201cConclave\u201d<\/em>), uma figura quase m\u00edtica que teria erguido um ossu\u00e1rio monumental em homenagem \u00e0 humanidade dizimada. O filme anterior encerrou-se com uma reviravolta extraordin\u00e1ria, t\u00e3o impactante que muitos optaram por n\u00e3o mencion\u00e1-la publicamente por quest\u00f5es de spoiler, e \u00e9 justamente a partir desse ponto que \u201d<em>O Templo dos Ossos\u201d<\/em> amplia de forma decisiva o horizonte da franquia.<\/p>\n<p>A narrativa acompanha principalmente o Dr. Kelson, personagem central deste novo cap\u00edtulo, em sua tentativa obsessiva e por vezes imprudente de compreender as v\u00edtimas do v\u00edrus, em especial os chamados \u201calfas\u201d, infectados excepcionalmente fortes, dotados de musculatura hipertrofiada e brutalidade quase m\u00edtica, capazes de decapitar um homem com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Esse esfor\u00e7o de compreens\u00e3o cient\u00edfica e moral acaba conduzindo o espectador ao cora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lico do filme, onde a linha entre humanidade e monstruosidade se torna cada vez mais indistinta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150256 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-exterminio.jpg\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-exterminio.jpg 720w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-exterminio-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ralph-fiennes-exterminio-150x85.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/p>\n<p>Apesar de sempre ter orbitado o imagin\u00e1rio zumbi, a s\u00e9rie \u201c<em>Exterm\u00ednio\u201d<\/em> manteve, desde os primeiros filmes, um distanciamento conceitual dos mortos-vivos cl\u00e1ssicos de George Romero. Os infectados eram, tecnicamente, humanos dominados por um v\u00edrus mutante da raiva, ainda vivos, ainda reconhec\u00edveis. Tr\u00eas d\u00e9cadas depois, a franquia parece finalmente confort\u00e1vel em assumir, sem subterf\u00fagios, a iconografia do zumbi, ainda que ressignificada por um vi\u00e9s biol\u00f3gico e social pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Sob a dire\u00e7\u00e3o segura de Nia DaCosta, cineasta de \u201c<em>Candyman\u201d<\/em>, o filme mant\u00e9m o ritmo acelerado caracter\u00edstico da s\u00e9rie, mas acrescenta uma camada de inquieta\u00e7\u00e3o moral mais densa. O arco narrativo que atravessa d\u00e9cadas se consolida n\u00e3o apenas como uma jornada de horror e sobreviv\u00eancia, mas como uma alegoria social cada vez mais perturbadora, refletindo sobre colapso civilizat\u00f3rio, fanatismo e a fragilidade dos c\u00f3digos \u00e9ticos quando a ordem desaparece.<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a narrativa significativa desta quarta parte desloca parcialmente o foco dos infectados para um grupo de satanistas errantes, liderados pelo amea\u00e7ador e carism\u00e1tico Jimmy Crystal (Jack O&#8217;Connell). Este acr\u00e9scimo potencializa o clima de terror ao sugerir que, em um mundo em ru\u00ednas, o verdadeiro horror pode n\u00e3o residir apenas nos monstros biol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m nas formas extremas de organiza\u00e7\u00e3o humana que emergem do caos.<\/p>\n<p>Ainda assim, o grande destaque do filme \u00e9 inegavelmente Ralph Fiennes. Com um f\u00edsico musculoso, apar\u00eancia selvagem e um refinamento erudito nos gestos e na fala, o ator constr\u00f3i um personagem profundamente amb\u00edguo. Anos de isolamento daquilo que se convencionou chamar de civiliza\u00e7\u00e3o moldaram um car\u00e1ter marcado por valores pr\u00f3prios de justi\u00e7a, empatia e mem\u00f3ria hist\u00f3rica. Sua atua\u00e7\u00e3o confere densidade emocional ao filme e transforma o m\u00e9dico do Templo dos Ossos na figura mais memor\u00e1veis de toda a franquia.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 160px) 100vw, 160px\" \/>\u201cO Templo dos Ossos\u201d<\/em> apresenta carnificina gr\u00e1fica, viol\u00eancia ritual\u00edstica e sacrif\u00edcios suficientes para satisfazer os f\u00e3s do terror mais visceral. No entanto, seus maiores prazeres residem menos no sangue derramado e mais na for\u00e7a dram\u00e1tica de seus personagens, especialmente na performance magistral de Fiennes. Cada minuto em que est\u00e1 em cena justifica aten\u00e7\u00e3o redobrada e confirma que, poucas vezes, o horror contempor\u00e2neo foi t\u00e3o brutal e, ao mesmo tempo, t\u00e3o humanamente perturbador.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exterm\u00ednio \u2013 O Templo dos Ossos: assim caminha a humanidade Estamos diante de uma verdadeira raridade no cinema de franquias. \u00c9 incomum que um quarto filme n\u00e3o apenas sustente o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150253"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150253"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150257,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150253\/revisions\/150257"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}