{"id":150920,"date":"2026-02-20T17:24:45","date_gmt":"2026-02-20T20:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=150920"},"modified":"2026-02-20T17:24:45","modified_gmt":"2026-02-20T20:24:45","slug":"coluna-de-cinema-edicao-67","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-67\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 67"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Para Sempre Medo: entre o horror e o t\u00e9dio<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150921 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-still-02-courtesyofneon.png\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-still-02-courtesyofneon.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-still-02-courtesyofneon-300x164.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-still-02-courtesyofneon-150x82.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-still-02-courtesyofneon-768x420.png 768w\" sizes=\"(max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/p>\n<p>No per\u00edodo de um ano, Osgood Perkins presenteou os f\u00e3s de terror n\u00e3o com um, mas com dois filmes perturbadores, muito diferentes entre si, mas igualmente arrepiantes em suas respectivas propostas. Enquanto <em>&#8220;O Macaco&#8221;<\/em>, lan\u00e7ado em fevereiro do ano passado, entregava uma adapta\u00e7\u00e3o sangrenta e direta de Stephen King, \u00e9 com este <strong><em>&#8220;Para Sempre Medo&#8221;<\/em><\/strong> (Keeper) que o diretor retorna ao seu territ\u00f3rio mais familiar: o clima discreto e naturalista, a atmosfera enigm\u00e1tica de pesadelo aplicada a uma premissa simples. O problema \u00e9 que, desta vez, a simplicidade da ideia inicial se perde em um emaranhado de elementos d\u00edspares que resultam em uma experi\u00eancia profundamente tediosa. Vale lembrar ainda outra obra com sua assinatura, lan\u00e7ada em 2024, <em>&#8220;Longlegs: V\u00ednculo Mortal&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-150922 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-para-sempre-medo1.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-para-sempre-medo1.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-para-sempre-medo1-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-para-sempre-medo1-150x84.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-para-sempre-medo1-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/p>\n<p>A trama acompanha Liz, uma sarc\u00e1stica pintora interpretada pela sempre talentosa Tatiana Maslany (da s\u00e9rie <em>&#8220;She-Hulk&#8221;<\/em>), que infelizmente aqui parece derrotada por um roteiro completamente ca\u00f3tico e mal resolvido. Ela decide levar seu novo relacionamento a um novo patamar e concorda em acompanhar o ador\u00e1vel namorado cirurgi\u00e3o, Malcolm (Rossif Sutherland), em uma viagem rom\u00e2ntica para sua cabana estranhamente moderna. Aninhada nos bosques verde-esmeralda de Vancouver, a resid\u00eancia reluzente de Malcolm tem vista para um cen\u00e1rio de conto de fadas, alguns sacos de lixo sinistros e a casa vizinha, assustadoramente semelhante, de seu primo. Os primeiros sinais de alerta, todos presentes, n\u00e3o tardam a surgir.<\/p>\n<p>O filme, que em sua ess\u00eancia \u00e9 um drama sobre um assassino em s\u00e9rie com alguns momentos genuinamente assustadores, come\u00e7a de forma astuta e perturbadora com uma sequ\u00eancia de abertura muito interessante. Vemos uma montagem de mulheres, de diferentes \u00e9pocas e lugares, sorrindo convidativamente para a c\u00e2mera, depois franzindo a testa e encarando-a com raiva, e finalmente gritando enquanto est\u00e3o encharcadas de sangue. O que exatamente esses trechos, silenciosos com uma melanc\u00f3lica trilha sonora, significam, s\u00f3 ficar\u00e1 claro no terceiro ato. Mas \u00e9 o suficiente para que o espectador perceba que a protagonista pode estar caminhando para um destino semelhante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-150923 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-clip.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-clip.png 400w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-clip-300x156.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/filme-medo-keeper-clip-150x78.png 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Quanto mais tempo Liz permanece naquela casa, mais sua mente parece mergulhar em um universo surreal e claustrof\u00f3bico, limitado \u00e0 cabana e seus arredores imediatos. A experi\u00eancia remete ao suspense psicol\u00f3gico de Roman Polanski em <em>&#8220;Repulsa ao Sexo&#8221;<\/em> (1965), com a personagem sendo atormentada por devaneios e vis\u00f5es de outras mulheres. Ela alucina com presen\u00e7as sobrenaturais grotescas, figuras com propor\u00e7\u00f5es bizarras e imagens espelhadas imposs\u00edveis. O grande dilema de <em>&#8220;Para Sempre Medo&#8221;<\/em> reside justamente a\u00ed: em teoria, fazer um filme experimental \u00e9 um ato criativo ousado, e \u00e9 isso que o torna bom em alguns momentos, mas tamb\u00e9m \u00e9 o que o torna ruim em tantos outros. As partes estranhas n\u00e3o fazem sentido. Isso \u00e9, provavelmente, intencional, fruto de uma aposta na ambiguidade, mas a inten\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o torna o filme bom.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>A narrativa acaba se resumindo a pouco mais do que uma s\u00e9rie de clich\u00eas artificiais sobre os est\u00e1gios iniciais do amor, e os sustos repentinos tendem a ser mais irritantes do que assustadores quando apresentados fora de um contexto adequado. Em termos de enredo e ritmo, <em>&#8220;Para Sempre Medo&#8221;<\/em> \u00e9 uma bagun\u00e7a. Perkins, que construiu sua carreira aplicando atmosferas sofisticadas a premissas de g\u00eanero, aqui adiciona uma boa dose de confus\u00e3o que subverte a experi\u00eancia. O resultado \u00e9 um filme que, ao tentar flertar com o experimentalismo e a ambiguidade, abandona a coer\u00eancia narrativa e entrega ao p\u00fablico uma obra t\u00e3o vazia quanto os sacos de lixo sinistros que cercam a cabana do protagonista.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Sempre Medo: entre o horror e o t\u00e9dio No per\u00edodo de um ano, Osgood Perkins presenteou os f\u00e3s de terror n\u00e3o com um, mas com dois filmes perturbadores, muito<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150920"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150920"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150920\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":150924,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150920\/revisions\/150924"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}