{"id":151158,"date":"2026-03-06T00:46:41","date_gmt":"2026-03-06T03:46:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=151158"},"modified":"2026-03-05T15:48:52","modified_gmt":"2026-03-05T18:48:52","slug":"coluna-de-cinema-edicao-69","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-69\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 69"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>A Noiva!: romance monstruoso e selvagem<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-151159 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein2.png\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein2.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein2-300x152.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein2-150x76.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein2-768x390.png 768w\" sizes=\"(max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/p>\n<p>Ambientado na Chicago dos anos 1930, <strong><em>\u201cA Noiva!\u201d<\/em><\/strong> (The Bride!), dirigido por Maggie Gyllenhaal (de <em>\u201cA Filha Perdida\u201d<\/em>), reinventa o mito de Frankenstein n\u00e3o apenas como uma narrativa de arrog\u00e2ncia cient\u00edfica, mas como uma hist\u00f3ria de amor psic\u00f3tica, distorcida e profundamente tr\u00e1gica. Diferente de muitas adapta\u00e7\u00f5es que demoram a revelar inten\u00e7\u00f5es, este filme vai direto ao ponto. Desde os primeiros minutos, sabemos exatamente o que os protagonistas desejam: a Noiva, interpretada por Jessie Buckley, anseia por descobrir seu pr\u00f3prio nome e identidade; Frankenstein, vivido por Christian Bale, busca desesperadamente uma companheira. A obra se revela logo de cara como algo selvagem e febril, uma releitura g\u00f3tica eletrizante que injeta f\u00faria e anseios modernos no cl\u00e1ssico terror.<\/p>\n<p>Jessie Buckley entrega uma atua\u00e7\u00e3o de intensidade quase perigosa, algo que j\u00e1 hav\u00edamos visto recentemente em <em>\u201cHamnet\u201d<\/em>. Suas falas cortantes, o olhar incendi\u00e1rio e os movimentos corporais explosivos constroem uma Noiva ao mesmo tempo raivosa e profundamente emotiva, uma for\u00e7a viva e imprevis\u00edvel. Christian Bale, por outro lado, adota um caminho oposto e igualmente poderoso. Sem exageros caricaturais, ele constr\u00f3i um Frankenstein, ou melhor, Frank (o \u201cmonstro\u201d, na verdade) atormentado pela solid\u00e3o absoluta. Essa ang\u00fastia transparece no olhar evasivo, nos gestos silenciosos e cautelosos, tornando o monstro n\u00e3o um vil\u00e3o grotesco, mas um ser humano dolorosamente isolado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-151160 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein1.png\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein1.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein1-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein1-150x84.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein1-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/p>\n<p>\u00c0 medida que a narrativa avan\u00e7a, a loucura cresce, no melhor sentido poss\u00edvel. O que inicia como uma busca por companhia evolui para viol\u00eancia, rebeli\u00e3o e o surgimento de algo culturalmente explosivo, quase revolucion\u00e1rio. O filme traz Buckley em um papel triplo fascinante com personagens conectadas. Al\u00e9m da Noiva interpreta ainda, de maneira fantasmag\u00f3rica, a pr\u00f3pria Mary Shelley (a autora original da obra \u201cFrankenstein\u201d) e ainda vive Ida, a mulher assassinada que renasce como a Noiva. O elenco de apoio conta com nomes como Peter Sarsgaard, Annette Bening, Jake Gyllenhaal, Pen\u00e9lope Cruz, John Magaro e Julianne Hough.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o de Gyllenhaal equilibra rever\u00eancia e ousada reinven\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ecos visuais evidentes de <em>\u201cA Noiva de Frankenstein\u201d<\/em> (1935), mas o toque teatral extravagante diferencia a obra da abordagem mais cl\u00e1ssica e sombria vista na recente adapta\u00e7\u00e3o de Guillermo del Toro. Aqui, o terror g\u00f3tico cede espa\u00e7o \u00e0 fantasia rom\u00e2ntica, com um tom que privilegia o desejo e a conex\u00e3o entre dois <em>outsiders<\/em>. O resultado \u00e9 um filme sedutor e convincente, capaz de dividir opini\u00f5es, mas nunca de deixar o espectador indiferente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-151161 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein3.jpg 500w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein3-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filme-frankestein3-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Por fim, <em>\u201cA Noiva!\u201d<\/em> \u00e9 uma obra que fascina tanto quanto polariza. Gyllenhaal prioriza a explora\u00e7\u00e3o emocional e a ousadia estil\u00edstica em vez do espet\u00e1culo monstruoso tradicional. Alguns podem preferir releituras mais sombrias ou fi\u00e9is ao mito original; outros se render\u00e3o a essa vis\u00e3o rom\u00e2ntica de dois forasteiros descobrindo o mundo juntos. Uma din\u00e2mica que evoca, por exemplo, o esp\u00edrito de Bonnie &amp; Clyde, mas com criaturas feitas de partes costuradas e eletricidade. Visualmente, o filme mescla terror g\u00f3tico e fantasia rom\u00e2ntica, resultando em algo ao mesmo tempo teatral e estranhamente \u00edntimo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"149\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 149px) 100vw, 149px\" \/>O que n\u00e3o se pode negar \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o da realizadora. Gyllenhaal resgata a Noiva de seu papel secund\u00e1rio na mitologia de Frankenstein, elevando-a a s\u00edmbolo poderoso de liberdade e identidade. Se essa vis\u00e3o ressoar\u00e1 plenamente depender\u00e1 da abertura do espectador \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o. No entanto, independentemente desta predisposi\u00e7\u00e3o, <em>\u201cA Noiva!\u201d<\/em> se afirma como uma proposta corajosa, ousada e memor\u00e1vel no cinema contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Noiva!: romance monstruoso e selvagem Ambientado na Chicago dos anos 1930, \u201cA Noiva!\u201d (The Bride!), dirigido por Maggie Gyllenhaal (de \u201cA Filha Perdida\u201d), reinventa o mito de Frankenstein n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":151162,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151158\/revisions\/151162"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}