{"id":151931,"date":"2026-04-07T17:22:23","date_gmt":"2026-04-07T20:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=151931"},"modified":"2026-04-07T17:22:23","modified_gmt":"2026-04-07T20:22:23","slug":"pesquisa-arqueologica-e-realizada-no-passo-dos-negros-em-pelotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/pesquisa-arqueologica-e-realizada-no-passo-dos-negros-em-pelotas\/","title":{"rendered":"Pesquisa arqueol\u00f3gica \u00e9 realizada no Passo dos Negros, em Pelotas"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Coordenado pela UFPel, estudo busca identificar e cadastrar os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos existentes no local, considerado \u201cpatrim\u00f4nio fundador\u201d da cidade<\/em><\/h3>\n<p>OInstituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) aprovou a execu\u00e7\u00e3o do Projeto de Pesquisa Arqueol\u00f3gica no Passo dos Negros (PROPasso), estudo que ir\u00e1 investigar mais de 2 mil anos de ocupa\u00e7\u00e3o humana no territ\u00f3rio, em Pelotas (RS). Coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com apoio do Escrit\u00f3rio T\u00e9cnico da Fronteira Sul do Iphan-RS, localizado em Pelotas, a pesquisa integra arqueologia, antropologia, arquitetura, geografia, ecologia e saberes populares, e est\u00e1 prevista para durar 16 meses.<\/p>\n<p>O Passo dos Negros re\u00fane vest\u00edgios pr\u00e9-coloniais, coloniais e industriais sobrepostas, caracterizando-se como s\u00edtio multicomponencial (locais ocupados por mais de uma vez, por grupos e em per\u00edodos diferentes). Pesquisas anteriores j\u00e1 identificaram fragmentos l\u00edticos de quartzo associados a grupos construtores de cerritos, com data\u00e7\u00f5es de cerca de mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Com o novo projeto, a equipe vai atuar na \u00e1rea compreendida entre o arroio Pelotas (ao leste do munic\u00edpio), o Canal S\u00e3o Gon\u00e7alo (ao sul) e as zonas de ocupa\u00e7\u00e3o urbana (ao oeste). O objetivo do estudo \u00e9 identificar e cadastrar os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos existentes no local, com expectativa de reconhecimento de vest\u00edgios associados a ocupa\u00e7\u00f5es Guarani, \u00e0 atividade charqueadora e \u00e0 presen\u00e7a da comunidade negra, tanto no per\u00edodo de escraviza\u00e7\u00e3o quanto ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O cadastro refor\u00e7a a import\u00e2ncia desses locais como espa\u00e7os da mem\u00f3ria viva do povo pelotense e os reconhece enquanto patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico, de modo que os locais passam a ser fiscalizados e acompanhados pelo Iphan, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o conferida pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal Brasileira de 1988 e pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/1950-1969\/l3924.htm\">Lei n\u00ba. 3924\/1961<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEsse estudo \u00e9 fundamental para revelar camadas da nossa hist\u00f3ria que muitas vezes n\u00e3o est\u00e3o registradas nos documentos oficiais. O Passo dos Negros \u00e9 um territ\u00f3rio profundamente vinculado \u00e0 presen\u00e7a e \u00e0 resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra na forma\u00e7\u00e3o da cidade. A arqueologia nos permite acessar vest\u00edgios materiais dessa trajet\u00f3ria \u2014 modos de vida, trabalho e organiza\u00e7\u00e3o social \u2014, contribuindo para o reconhecimento, a valoriza\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio. Mais do que olhar para o passado, \u00e9 um instrumento de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e de fortalecimento de identidade cultural local\u201d, disse Gilmar Pinheiro, chefe do Escrit\u00f3rio T\u00e9cnico da Fronteira Sul.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>O projeto de pesquisa e sua equipe<\/strong><\/h4>\n<p>A pesquisa teve in\u00edcio oficial em 16 de mar\u00e7o, com a etapa de campo. A equipe t\u00e9cnico-cient\u00edfica respons\u00e1vel \u00e9 coordenada pelo arque\u00f3logo Cl\u00e1udio Baptista Carle, professor do Departamento de Arqueologia da UFPel, e conta com pesquisadores das \u00e1reas de arqueologia e antropologia, al\u00e9m de representantes da Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Governamental (ONG) Cuidando de N\u00f3s, ligada \u00e0 pr\u00f3pria comunidade do Passo dos Negros. Estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UFPel tamb\u00e9m integram o grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-151932 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros3.jpeg\" alt=\"\" width=\"676\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros3.jpeg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros3-300x225.jpeg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros3-150x113.jpeg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros3-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><\/strong><em>Fotos: Acervo\/UFPel<\/em><\/p>\n<p>Um dos aspectos centrais do projeto \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o direta dos moradores. A popula\u00e7\u00e3o do Passo dos Negros atua como \u201ccomunidade pesquisadora\u201d, envolvida nas atividades de campo e laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A pesquisa se soma ao trabalho j\u00e1 desenvolvido pelo Mapeamento Arqueol\u00f3gico e Cultural dos objetos, lugares, manifesta\u00e7\u00f5es e pessoas de refer\u00eancia \u00e0s sociedades tradicionais ind\u00edgenas e afro-brasileiras na regi\u00e3o Sul do Estado do Rio Grande do Sul (MACRIASUL), que estuda a regi\u00e3o desde 2022. A investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada para a hist\u00f3ria da ocupa\u00e7\u00e3o na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, e gerou a base cient\u00edfica (textos, imagens e dados) que fundamenta as novas pesquisas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-151934 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros1.jpeg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"286\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros1.jpeg 768w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros1-300x130.jpeg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/passo-dos-negros1-150x65.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Passo dos Negros<\/strong><\/h4>\n<p>Passo dos Negros \u00e9 considerado \u201cpatrim\u00f4nio fundador\u201d da cidade de Pelotas. O local \u00e9 mais antigo que a cidade e se apresenta na mem\u00f3ria dos locais e dos vest\u00edgios que fazem dele um s\u00edtio arqueol\u00f3gico. L\u00e1 foram abrigadas importantes estruturas do desenvolvimento econ\u00f4mico de Pelotas, como o Engenho Pedro Os\u00f3rio (moinho de arroz) e ind\u00fastrias ligadas ao agroneg\u00f3cio e ao setor frigor\u00edfico.<\/p>\n<p>O \u201cPasso\u201d de seu nome refere-se ao ponto estrat\u00e9gico de travessia pelo Canal S\u00e3o Gon\u00e7alo, essencial para o escoamento de tropas de gado vindas do sul. E \u201cNegros\u201d remete \u00e0 presen\u00e7a de trabalhadores escravizados trazidos da \u00c1frica para as charqueadas da regi\u00e3o. A comunidade atual \u00e9, em parte, remanescente desses trabalhadores, mantendo viva a mem\u00f3ria e a ancestralidade do territ\u00f3rio. Os moradores dizem que o nome representa um sentimento de pertencimento e exist\u00eancia. Eles s\u00e3o contra processos de gentrifica\u00e7\u00e3o que tentam apagar a alcunha original em favor de denomina\u00e7\u00f5es comerciais modernas.<\/p>\n<p>Para eles, o Passo n\u00e3o \u00e9 apenas um s\u00edtio arqueol\u00f3gico, mas um lugar de exist\u00eancia, conviv\u00eancia e sabedoria ancestral, onde pr\u00e1ticas cotidianas e espirituais legitimam seu pertencimento no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coordenado pela UFPel, estudo busca identificar e cadastrar os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos existentes no local, considerado \u201cpatrim\u00f4nio fundador\u201d da cidade OInstituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) aprovou a execu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":151933,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151931"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151931"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":151935,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151931\/revisions\/151935"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/151933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}