{"id":153619,"date":"2026-06-10T13:35:30","date_gmt":"2026-06-10T16:35:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=153619"},"modified":"2026-06-10T13:35:30","modified_gmt":"2026-06-10T16:35:30","slug":"coluna-de-cinema-edicao-80","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-80\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 80"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Backrooms \u2013 Um N\u00e3o-Lugar: perdidos no labirinto<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-153622 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar.jpg\" alt=\"\" width=\"667\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-300x147.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-150x74.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-768x376.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><\/p>\n<p>Os \u00faltimos anos, particularmente ap\u00f3s o per\u00edodo da pandemia, t\u00eam sido pr\u00f3digos para o cinema de terror e horror. Tradicionalmente relegados ao segundo plano em termos de prest\u00edgio, esses longas-metragens que se prop\u00f5em a levar sustos \u00e0s plateias t\u00eam recebido cada vez mais aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, garantindo gordas bilheterias que sustentam a manuten\u00e7\u00e3o do ciclo. Raras s\u00e3o as semanas nas quais n\u00e3o temos um lan\u00e7amento do g\u00eanero. Sem d\u00favida, eles s\u00e3o a bola da vez. Uma prova do alcance crescente dos filmes de terror se manifesta pela origem cada vez mais ampla dos argumentos das produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nos primeiros tempos, os filmes do g\u00eanero eram inspirados pela literatura, como o ciclo de monstros da Universal nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940 (<em>Frankenstein<\/em>, <em>Dr\u00e1cula<\/em>, <em>O Lobisomem<\/em>). Depois, o modelo de representa\u00e7\u00e3o foi influenciado por fatos reais, casos escabrosos e viol\u00eancia expl\u00edcita, a exemplo de <em>Psicose<\/em> e dos assassinos em s\u00e9rie em geral. Para os tempos mais recentes, essencialmente neste s\u00e9culo XXI, uma das fontes de inspira\u00e7\u00e3o tem sido os fen\u00f4menos virais gerados pelo YouTube e pelas redes sociais. Para comprovar essa for\u00e7a recente do terror que se alimenta de conte\u00fados originalmente criados na internet, chega \u00e0s telas dos cinemas \u201c<strong><em>Backrooms \u2013 Um N\u00e3o-Lugar\u201d<\/em><\/strong> (<em>Backrooms<\/em>, 2026), dirigido por Kane Parsons.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-153620 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem-os-fas.png\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem-os-fas.png 1024w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem-os-fas-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem-os-fas-150x84.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem-os-fas-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/p>\n<p>O filme \u00e9 baseado na webs\u00e9rie \u201c<em>The Backrooms\u201d<\/em>, que explora uma lenda urbana digital sobre a exist\u00eancia de uma dimens\u00e3o paralela, composta por um labirinto infinito de salas vazias com paredes amareladas, carpete \u00famido e o zumbido incessante de luzes fluorescentes. O acesso a esse espa\u00e7o alternativo ocorreria por meio de uma &#8220;porta&#8221; que representa, na verdade, uma falha na realidade. Quem acompanha a s\u00e9rie \u201c<em>Ruptura\u201d<\/em> (<em>Severance<\/em>) j\u00e1 est\u00e1 familiarizado com este conceito. O criador desses v\u00eddeos \u00e9 o pr\u00f3prio Kane Parsons, que tinha apenas 16 anos quando iniciou a produ\u00e7\u00e3o. Os conte\u00fados viralizaram a ponto de chamar a aten\u00e7\u00e3o de grandes produtoras de Hollywood. Assim, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da produtora A24, \u201c<em>Backrooms\u201d<\/em> migrou do ambiente dos smartphones para as telas das salas de cinema.<\/p>\n<p>Mantendo a ess\u00eancia da webs\u00e9rie, o filme expande o fen\u00f4meno da internet ao inserir uma trama que estabelece um contexto narrativo para a explora\u00e7\u00e3o daquele perturbador mundo interdimensional. O enredo acompanha Clark (Chiwetel Ejiofor), o propriet\u00e1rio de uma loja de m\u00f3veis que faz uma descoberta intrigante no subsolo do estabelecimento. Um portal permite que ele acesse outra dimens\u00e3o, formada apenas por corredores infinitos em ambientes claustrof\u00f3bicos, repletos de mobili\u00e1rio destru\u00eddo, destro\u00e7os, perspectivas distorcidas e figuras humanas aterrorizantes. A outra personagem da hist\u00f3ria \u00e9 sua terapeuta, a doutora Mary Kline (Renate Reinsve, de <em>\u201cValor Sentimental\u201d<\/em>), que toma conhecimento do fato por meio do relato do pr\u00f3prio paciente em uma das sess\u00f5es de an\u00e1lise. Ap\u00f3s o desaparecimento de Clark, ela assume a miss\u00e3o de resgat\u00e1-lo, precisando enfrentar os mist\u00e9rios e os perigos que habitam esse n\u00e3o-lugar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-153621 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/backrooms-um-nao-lugar-parece-pesadeloreagem-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A cenografia de \u201c<em>Backrooms\u201d<\/em> \u00e9 o grande trunfo do longa, e talvez seu \u00fanico e verdadeiro destaque. Os ambientes sufocantes e opressivos, estruturados basicamente em uma paleta de cores de tons amarelo, \u00e2mbar e ocre, transmitem com muita efici\u00eancia o estranhamento angustiante vivido pelo personagem, pelo qual tamb\u00e9m somos impactados. Soma-se a isso a quebra das leis da f\u00edsica, na qual conceitos de &#8220;cima&#8221; e &#8220;baixo&#8221; deixam de fazer sentido, como se estiv\u00e9ssemos em uma nave espacial, mas sem os efeitos da aus\u00eancia de gravidade. O problema surge quando o filme tenta arquitetar um enredo interessante para justificar tudo isso. A premissa tem l\u00e1 seu apelo pela curiosidade que desperta ao abordar realidades paralelas, uma possibilidade, a prop\u00f3sito, prevista pela f\u00edsica na Teoria das Cordas. O ponto aqui \u00e9 que a trama criada \u00e9 por demais superficial, um tanto confusa e pouco envolvente.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de exigirmos explica\u00e7\u00f5es para tudo o que acontece, mas um m\u00ednimo de justificativa e coer\u00eancia \u00e9 necess\u00e1rio. E isso \u00e9 tudo o que n\u00e3o temos aqui. O roteiro, que parece se perder diante das in\u00fameras possibilidades que promete, por uma analogia involunt\u00e1ria, acaba reproduzindo a trajet\u00f3ria do protagonista: perdido em caminhos infinitos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-139295\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>A sensa\u00e7\u00e3o geral que fica \u00e9 que \u201c<em>Backrooms\u201d<\/em> funciona mais pelas partes isoladas do que pelo todo. Os personagens s\u00e3o mal delineados (para dizer o m\u00ednimo) e suas motiva\u00e7\u00f5es s\u00e3o aleat\u00f3rias e nada convincentes. O inc\u00f4modo geral, ou melhor, a insatisfa\u00e7\u00e3o do espectador, n\u00e3o se d\u00e1 apenas pela aus\u00eancia de explica\u00e7\u00f5es. Elas n\u00e3o s\u00e3o necessariamente essenciais em filmes que se prop\u00f5em a trabalhar com enigmas e mist\u00e9rios. A quest\u00e3o aqui \u00e9 que, em dado momento, \u201c<em>Backrooms\u201d<\/em> se disp\u00f5e a dar algumas respostas. Pois ent\u00e3o, o melhor seria n\u00e3o t\u00ea-las dado para a audi\u00eancia, pois recorrem ao mais ordin\u00e1rio clich\u00ea. Ficar\u00edamos melhor sem essa tentativa de explica\u00e7\u00e3o. O filme d\u00e1 pistas de que h\u00e1 ali uma hist\u00f3ria a ser contada sobre o passado dos personagens (particularmente da terapeuta), mas o roteiro n\u00e3o d\u00e1 conta. A op\u00e7\u00e3o \u00e9 repetir-se, minutos e mais minutos, por passeios naqueles corredores desolados e assustadores. Por essas e outras, \u201c<em>Backrooms \u2013 Um N\u00e3o-Lugar\u201d<\/em> n\u00e3o passa de uma vers\u00e3o estendida dos microepis\u00f3dios da webs\u00e9rie que fez sucesso na internet. Na verdade, este \u00e9 um n\u00e3o-filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Backrooms \u2013 Um N\u00e3o-Lugar: perdidos no labirinto Os \u00faltimos anos, particularmente ap\u00f3s o per\u00edodo da pandemia, t\u00eam sido pr\u00f3digos para o cinema de terror e horror. 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