{"id":153906,"date":"2026-06-19T13:28:43","date_gmt":"2026-06-19T16:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=153906"},"modified":"2026-06-19T13:28:43","modified_gmt":"2026-06-19T16:28:43","slug":"coluna-de-cinema-edicao-82","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-82\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 82"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Toy Story 5: tempo de tela<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-153908 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory1.jpg\" alt=\"\" width=\"651\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory1.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory1-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory1-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><\/p>\n<p>Uma gera\u00e7\u00e3o inteira nos separa do primeiro \u201c<em>Toy Story\u201d<\/em>. H\u00e1 31 anos era lan\u00e7ado o primeiro longa-metragem de anima\u00e7\u00e3o totalmente gerado por computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica. Um curioso paralelo se estabelece entre a fic\u00e7\u00e3o e a realidade quando percebemos que as crian\u00e7as que assistiram \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de 1995, assim como os personagens humanos da narrativa, envelheceram no decorrer do tempo, conforme se sucediam os demais filmes da s\u00e9rie. E, assim como ocorreu na fic\u00e7\u00e3o, os velhos brinquedos seguem morando no cora\u00e7\u00e3o, e nunca s\u00e3o abandonados em uma caixa no dep\u00f3sito. A franquia \u201c<em>Toy Story\u201d<\/em> \u00e9 justamente isto: um brinquedo cinematogr\u00e1fico que guardamos no lado esquerdo do peito. Ent\u00e3o, \u00e9 natural que de vez em quando um sentimento de nostalgia se manifeste, e para esses momentos uma solu\u00e7\u00e3o foi providenciada. Chega \u00e0s telas dos cinemas um novo epis\u00f3dio da saga. \u201c<strong><em>Toy Story 5\u201d<\/em><\/strong> \u00e9 aquela continua\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m pediu, mas, claro, todo mundo descobriu que queria.<\/p>\n<p>O reencontro com Woody, Buzz e companhia vem cheio de saudosismo com uma nova aventura que traz de volta a magia dos melhores momentos da s\u00e9rie, em especial nos tr\u00eas primeiros filmes. O quarto filme, de 2019, se mostrou um tanto derivativo, sem avan\u00e7ar substancialmente na hist\u00f3ria dos brinquedos \u00e0 beira de um ataque de nervos, sempre assombrados pelo fantasma do abandono. O an\u00fancio deste quinto filme acendeu o alerta dos f\u00e3s. Por qual caminho seguiria este epis\u00f3dio? A resposta surge em um roteiro que resgata a ess\u00eancia da franquia ao equilibrar a atualidade das novas tecnologias com o carisma dos personagens cl\u00e1ssicos. Ao abra\u00e7ar a maturidade de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria, a produ\u00e7\u00e3o evita o desgaste de f\u00f3rmulas repetitivas e faz jus ao legado iniciado tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-153909 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory2.jpg\" alt=\"\" width=\"651\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory2.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory2-300x164.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory2-150x82.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toystory2-768x419.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><\/p>\n<p>O grande tema de \u201c<em>Toy Story 5\u201d<\/em> \u00e9 a chegada inevit\u00e1vel dos dispositivos tecnol\u00f3gicos no universo dos brinquedos anal\u00f3gicos. Neste aspecto, o arco narrativo da franquia repercute com exatid\u00e3o o tempo atual. Ao lado de bonecos e jogos tradicionais, com pouca interatividade al\u00e9m da imagina\u00e7\u00e3o, toda uma gera\u00e7\u00e3o nova de recursos eletr\u00f4nicos passa a disputar a aten\u00e7\u00e3o integral das crian\u00e7as. As telas digitais de tablets e celulares capturaram o olhar e atra\u00edram os pequenos, que descobrem todo um mundo de possibilidades, mas, como efeito colateral, conduzem ao isolamento e afastam a inf\u00e2ncia do conv\u00edvio coletivo.<\/p>\n<p>Essa desconex\u00e3o social ganha contornos dram\u00e1ticos no cotidiano da pequena Bonnie, a menina que herdou o antigo grupo de brinquedos de Andy. Diante da dificuldade da filha em interagir com outras crian\u00e7as no mundo real, os pais decidem presente\u00e1-la com o \u2018Lilypad\u2019, um tablet de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o projetado especificamente para o p\u00fablico infantil. A sedu\u00e7\u00e3o da tela \u00e9 imediata, e o quarto, antes um espa\u00e7o de narrativas l\u00fadicas guiadas pela imagina\u00e7\u00e3o, transforma-se em um ambiente destitu\u00eddo de criatividade. \u00c9 sob o comando da caub\u00f3i Jessie, agora l\u00edder do grupo na aus\u00eancia tempor\u00e1ria de Woody, que os velhos companheiros de jornada percebem o tamanho do desafio. A din\u00e2mica cl\u00e1ssica da franquia, caracterizada por aventuras de resgate ou fuga de perigos externos, \u00e9 profundamente ressignificada. A miss\u00e3o da turma passa a ser uma disputa existencial pela aten\u00e7\u00e3o e pelo afeto da pr\u00f3pria dona, for\u00e7ando os brinquedos anal\u00f3gicos a reivindicar novamente seu espa\u00e7o de direito. O inimigo a ser vencido \u00e9 a l\u00f3gica fria do algoritmo digital, em um esfor\u00e7o para devolver \u00e0 inf\u00e2ncia o valor daquilo que \u00e9 palp\u00e1vel e compartilhado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-153907 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toy-story-5-bonnie-lillypad-villain.jpg\" alt=\"\" width=\"651\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toy-story-5-bonnie-lillypad-villain.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toy-story-5-bonnie-lillypad-villain-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toy-story-5-bonnie-lillypad-villain-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/toy-story-5-bonnie-lillypad-villain-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><\/p>\n<p>A cr\u00edtica de \u201c<em>Toy Story 5\u201d<\/em> ao uso massivo e precoce das telas digitais por crian\u00e7as em fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o tem um endere\u00e7o certo: os pais. Afinal, a introdu\u00e7\u00e3o do dispositivo muitas vezes mascara o desejo dos adultos por conveni\u00eancia, transformando a tecnologia em uma esp\u00e9cie de bab\u00e1 eletr\u00f4nica de luxo. Em vez de mediar o \u00f3cio ou incentivar o t\u00e9dio criativo, essa inser\u00e7\u00e3o antecipada ao universo digital na verdade est\u00e1 afastando os pequenos do exerc\u00edcio coletivo da intera\u00e7\u00e3o com seus amigos, fundamental para o desenvolvimento social. Nesse ponto, o filme adentra um terreno curiosamente amb\u00edguo: ao criticar com severidade a depend\u00eancia desses <em>gadgets<\/em>, a Disney assume uma postura quase autof\u00e1gica. Afinal, a pr\u00f3pria corpora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das grandes benefici\u00e1rias desse ecossistema digital, lucrando massivamente com o consumo de seus conte\u00fados em telas cada vez mais onipresentes na rotina de todos. A busca por uma solu\u00e7\u00e3o conciliadora nessa conviv\u00eancia entre o anal\u00f3gico e o digital \u00e9, no entanto, o que atenua o peso da cr\u00edtica no desfecho da trama, sugerindo que o equil\u00edbrio \u2014 e n\u00e3o a exclus\u00e3o \u2014 \u00e9 o caminho poss\u00edvel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"153\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 153px) 100vw, 153px\" \/>Mas que o espectador n\u00e3o se engane pelo peso desta cr\u00edtica que o filme prop\u00f5e em seu enredo. N\u00e3o devemos nunca perder de vista que se trata, acima de tudo, de uma anima\u00e7\u00e3o, fundamentalmente dirigida \u00e0s crian\u00e7as, e \u00e9 com elas que deve dialogar e entreter em prioridade. Neste aspecto, \u201c<em>Toy Story 5\u201d<\/em> cumpre esta tarefa com gosto e criatividade. A f\u00f3rmula infal\u00edvel da dobradinha Disney\/Pixar deu certo mais uma vez, e funciona com todo tipo de p\u00fablico: tanto com os f\u00e3s nost\u00e1lgicos dos primeiros filmes quanto com as crian\u00e7as que est\u00e3o conhecendo agora esta s\u00e9rie dos bonecos animados mais divertidos do cinema. A prop\u00f3sito, os efeitos da passagem do tempo n\u00e3o deixam de ser reconhecidos pela pr\u00f3pria franquia. O roteiro assume um flerte bem-humorado com o etarismo quando Woody retorna para o terceiro ato. Em passagens que servem como um \u00f3timo al\u00edvio c\u00f4mico antes do cl\u00edmax, os velhos companheiros n\u00e3o hesitam em &#8220;pegar no p\u00e9&#8221; do l\u00edder veterano, ironizando os inevit\u00e1veis sinais da idade e at\u00e9 um in\u00edcio de calv\u00edcie no caub\u00f3i de pano que sempre foi vaidoso. No fim das contas, \u201c<em>Toy Story 5\u201d<\/em> prova que, mesmo com algumas linhas de express\u00e3o a mais, a franquia n\u00e3o perdeu um \u00fanico fio do seu carisma original.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toy Story 5: tempo de tela Uma gera\u00e7\u00e3o inteira nos separa do primeiro \u201cToy Story\u201d. 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