{"id":154097,"date":"2026-06-26T08:18:56","date_gmt":"2026-06-26T11:18:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=154097"},"modified":"2026-06-26T08:18:56","modified_gmt":"2026-06-26T11:18:56","slug":"coluna-de-cinema-edicao-83","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-83\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 83"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Supergirl: jovem, rebelde e \u201chumana\u201d<\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-154099 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl1.png\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl1.png 686w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl1-300x169.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl1-150x84.png 150w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/p>\n<p>Quatro d\u00e9cadas ap\u00f3s o fracasso do longa de 1984, estrelado por Helen Slater, e da breve apari\u00e7\u00e3o em \u201c<em>The Flash\u201d<\/em> (2023), interpretada por Sasha Calle, a prima do Superman ganha finalmente uma nova oportunidade para um merecido protagonismo. A personagem agora ressurge em grande estilo para consolidar de vez o seu espa\u00e7o no Universo DC. No per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o do longa \u201c<strong><em>Supergirl\u201d<\/em><\/strong>, dirigido por Craig Gillespie (<em>Cruella<\/em> e <em>Eu, Tonya<\/em>), a revela\u00e7\u00e3o do nome da protagonista foi motivo de pol\u00eamica e cr\u00edticas junto \u00e0 base de f\u00e3s. A alega\u00e7\u00e3o era de que a selecionada Milly Alcock destoava muito do perfil que os quadrinhos apresentavam. Passado o burburinho de pr\u00e9-lan\u00e7amento, pode-se afirmar agora que a escolha da atriz foi um dos grandes acertos da produ\u00e7\u00e3o. Ela possui o carisma e a energia necess\u00e1rios para encarnar uma figura alinhada aos tempos atuais, distante de estere\u00f3tipos previs\u00edveis de uma hero\u00edna tradicional, justamente por se revelar mais impulsiva e vulner\u00e1vel, caracter\u00edsticas que Milly acrescenta com naturalidade ao filme.<\/p>\n<p>Ainda que \u201c<em>Supergirl\u201d<\/em> n\u00e3o seja, na pr\u00e1tica, um filme de origem, o longa revisita os fatos que explicam o passado da hero\u00edna e sua chegada \u00e0 Terra. O recorte proposto pela obra foca essencialmente na jornada pessoal da personagem em busca de respostas sobre seu lugar nesse novo mundo. Diferente de seu primo Kal-El \/ Clark Kent, a jovem Kara Zor-El n\u00e3o parece muito interessada em fazer do nosso planeta a sua morada, ainda que aqui, banhada pelo Sol amarelo, tenha os benef\u00edcios de superpoderes quase ilimitados. Enquanto passa por esse dilema tipicamente juvenil de insatisfa\u00e7\u00e3o com tudo e com todos, Kara vive um per\u00edodo de rebeldia, entregue \u00e0 bebida, noitadas em bares interplanet\u00e1rios e \u00e0 total falta de perspectiva. Enfim, \u00e0 beira de uma crise existencial. \u00c9 nesse contexto que come\u00e7a a a\u00e7\u00e3o de \u201c<em>Supergirl\u201d<\/em>, justamente no dia em que ela comemora seus 23 anos de idade, solit\u00e1ria e isolada em um planeta qualquer, ao lado apenas do c\u00e3o Krypto, seu fiel companheiro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-154100 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl3.png\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl3.png 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl3-300x160.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl3-150x80.png 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl3-768x410.png 768w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><\/p>\n<p>Quando menos espera, o destino cruza o caminho de Kara, conduzindo-a para sua verdadeira jornada de autodescoberta e para o in\u00edcio de seu arco dram\u00e1tico. Como qualquer personagem rebelde, a princ\u00edpio ela renega o chamado para a a\u00e7\u00e3o, que surge na figura de uma garota \u00f3rf\u00e3 disposta a tudo para convencer a hero\u00edna a ajud\u00e1-la em sua miss\u00e3o de vingan\u00e7a pelo assassinato dos pais. O antagonista da hist\u00f3ria \u00e9 o mercen\u00e1rio Krem das Colinas Amarelas, que, juntamente com seu grupo de bandoleiros, age como pirata espacial. A hesita\u00e7\u00e3o da hero\u00edna chega ao fim quando o perigo se torna pessoal demais para ser ignorado, atingindo Krypto, o c\u00e3o que representa seu \u00faltimo elo com o planeta natal.<\/p>\n<p>Ao longo da narrativa o Superman (David Corenswet) surge algumas vezes sem efeito direto no desenrolar da hist\u00f3ria, meio que fazendo o papel de mentor da prima, sempre demonstrando preocupa\u00e7\u00e3o com seu bem-estar. Nessas pequenas participa\u00e7\u00f5es o filme n\u00e3o perde a oportunidade de refor\u00e7ar a diferen\u00e7a de personalidade entre os dois. Enquanto o her\u00f3i de Metr\u00f3polis encarna uma esp\u00e9cie de &#8220;tioz\u00e3o careta&#8221;, a jovem Supergirl \u00e9 retratada como a garota descolada e independente.<\/p>\n<p>Nesta aventura solo da hero\u00edna o vil\u00e3o, Krem, \u00e9 por demais mundano, sem a dimens\u00e3o \u00e9pica comum nas HQs e em suas adapta\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas. Em \u201c<em>Supergirl\u201d<\/em> o advers\u00e1rio \u00e9 um bandoleiro espacial cujos objetivos n\u00e3o passam do banditismo predat\u00f3rio e da subjuga\u00e7\u00e3o de jovens que mant\u00e9m aprisionadas. Convenhamos, uma pequenez moral que contrasta com a grandiosidade c\u00f3smica que costuma cercar os grandes antagonistas do g\u00eanero. Para completar a galeria de coadjuvantes pouco memor\u00e1veis, h\u00e1 ainda o Lobo, interpretado por Jason Momoa. Mistura de ca\u00e7ador de recompensas intergal\u00e1ctico bruto, debochado, canastr\u00e3o e motoqueiro espacial, o aut\u00eantico anti-her\u00f3i acaba se mostrando pouco significativo para a narrativa. Sua fun\u00e7\u00e3o parece ser apenas garantir um nome de peso no p\u00f4ster e, de quebra, dividir o protagonismo com a Supergirl no desfecho. Talvez sua exist\u00eancia se justifique melhor nas sequ\u00eancias que certamente est\u00e3o a caminho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-154098 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl2.png\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl2.png 550w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl2-300x164.png 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/supergirl2-150x82.png 150w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m do vil\u00e3o Krem e do anti-her\u00f3i Lobo, cujos visuais remetem diretamente aos personagens de \u201c<em>Mad Max\u201d<\/em>, \u201c<em>Supergirl\u201d<\/em> emula, de modo geral, a est\u00e9tica das aventuras de Max Rockatansky e Furiosa nos desertos australianos. Essa escolha visual n\u00e3o ocorre por acaso, visto que o diretor Craig Gillespie \u00e9 australiano e inclusive reconhece a influ\u00eancia direta. No entanto, a semelhan\u00e7a com a saga de George Miller para por a\u00ed. Enquanto a franquia \u201c<em>Mad Max\u201d<\/em> extrai sua for\u00e7a de um deserto solar e de uma luminosidade quase inc\u00f4moda, que real\u00e7a a crueza da a\u00e7\u00e3o, \u201c<em>Supergirl\u201d<\/em> ironicamente caminha no sentido oposto ao adotar uma fotografia sombria e escura demais. Essa escolha est\u00e9tica reduz a energia da produ\u00e7\u00e3o e sabota a visualiza\u00e7\u00e3o plena das sequ\u00eancias de combate. Em vez do impacto visceral do sol do deserto, o espectador \u00e9 entregue a uma penumbra digital que transforma momentos de grande adrenalina em borr\u00f5es confusos, onde a pr\u00f3pria coreografia das lutas se perde na falta de contraste.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>No saldo final, \u201c<em>Supergirl\u201d<\/em> se sustenta muito mais pela for\u00e7a magn\u00e9tica de sua protagonista do que pelo conjunto de suas escolhas est\u00e9ticas e narrativas. Se o roteiro derrapa ao entregar antagonistas desinteressantes e a dire\u00e7\u00e3o erra a m\u00e3o ao sufocar a a\u00e7\u00e3o sob uma penumbra digital desnecess\u00e1ria, a performance vulner\u00e1vel e en\u00e9rgica de Milly Alcock garante o cora\u00e7\u00e3o da obra. Ao humanizar Kara Zor-El atrav\u00e9s de suas crises e rebeldias juvenis, o filme consegue atingir seu principal objetivo, provando que a Garota de A\u00e7o n\u00e3o precisa mais viver \u00e0 sombra do primo famoso ao fincar, com autoridade, os seus p\u00e9s no futuro do Universo DC.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Supergirl: jovem, rebelde e \u201chumana\u201d Quatro d\u00e9cadas ap\u00f3s o fracasso do longa de 1984, estrelado por Helen Slater, e da breve apari\u00e7\u00e3o em \u201cThe Flash\u201d (2023), interpretada por Sasha Calle,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154097"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154097"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":154101,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154097\/revisions\/154101"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}