{"id":155658,"date":"2026-08-21T09:04:42","date_gmt":"2026-08-21T12:04:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=155658"},"modified":"2026-08-21T09:04:42","modified_gmt":"2026-08-21T12:04:42","slug":"coluna-de-cinema-edicao-91","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/coluna-de-cinema-edicao-91\/","title":{"rendered":"Coluna de Cinema \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 91"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><em><strong>S\u00f3 Por Uma Noite: sexo com hora marcada<\/strong><\/em><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-155659 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/so-por-uma-noite-meio-amargo-2-1024x576-1.jpg\" alt=\"\" width=\"676\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/so-por-uma-noite-meio-amargo-2-1024x576-1.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/so-por-uma-noite-meio-amargo-2-1024x576-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/so-por-uma-noite-meio-amargo-2-1024x576-1-150x84.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/so-por-uma-noite-meio-amargo-2-1024x576-1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 apenas uma maneira de mergulhar integralmente na hist\u00f3ria de <strong><em>S\u00f3 Por Uma Noite<\/em><\/strong> (<em>One Night Only<\/em>), e ela passa necessariamente pela nossa capacidade de aceitar, sem restri\u00e7\u00f5es, o conceito que sustenta a trama. Qual seria esse conceito? No universo proposto pelo filme, uma lei governamental permite que os solteiros dos Estados Unidos fa\u00e7am sexo antes do casamento apenas em uma data espec\u00edfica, das 19h \u00e0s 7h. Isso mesmo: 12 horas de sexo livre, sem culpa, sem compromisso, sem necessidade de ligar no dia seguinte e, gra\u00e7as ao uso obrigat\u00f3rio de preservativos, sem o risco de uma gravidez indesejada. Fora desse per\u00edodo, homens e mulheres n\u00e3o casados devem se submeter \u00e0 castidade. Com uma premissa dessas, a abordagem se prestaria perfeitamente a uma distopia de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, algo na linha de <em>\u00c9 Proibido Procriar<\/em>, produ\u00e7\u00e3o cult brit\u00e2nica estrelada por Oliver Reed e Geraldine Chaplin em 1972. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso aqui: o tema foi tratado como uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Naquela noite de fornica\u00e7\u00e3o consentida, nossa aten\u00e7\u00e3o se concentra em dois personagens. Dono de uma pizzaria, Owen (Callum Turner) \u00e9 um rom\u00e2ntico apaixonado, prestes a brindar a futura esposa com um anel de brilhantes. Seu mundo vem abaixo quando a noiva pede licen\u00e7a para aproveitar aquela noite de sexo livre com outro homem. A outra personagem que acompanhamos \u00e9 Allie (Monica Barbaro), uma cantora de jingles insatisfeita com a carreira e com a falta de relacionamentos afetivos verdadeiramente aut\u00eanticos. \u00c9 nesse clima de puro descompasso emocional que os dois ter\u00e3o que atravessar a noite, em que a euforia geral contrasta diretamente com a nuvem de frustra\u00e7\u00e3o sobre suas cabe\u00e7as. Ambos agem como se estivessem na festa errada, da qual preferiam escapar, mas o acaso acaba conduzindo seus passos at\u00e9 um inevit\u00e1vel encontro casual pelas ruas. Ao contr\u00e1rio do que prev\u00ea o manual das com\u00e9dias rom\u00e2nticas, a fa\u00edsca inicial n\u00e3o \u00e9 suficiente para acender o fogo de imediato. Em situa\u00e7\u00f5es distintas e inesperadas, eles continuam se cruzando ao longo da madrugada, at\u00e9 que o \u00f3bvio se escancara quando o destino d\u00e1 a resposta que ambos procuravam.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-155660 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite2.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite2.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite2-300x152.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite2-150x76.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite2-768x388.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 de Will Gluck, que em 2011 assinou <em>Amizade Colorida<\/em>, onde Mila Kunis e Justin Timberlake vivem dois amigos que decidem levar a parceria a outro n\u00edvel, incluindo na rela\u00e7\u00e3o o sexo sem compromisso. Como se percebe, o realizador revisita aqui a din\u00e2mica dos desejos casuais e suas consequ\u00eancias. Assim, <em>S\u00f3 Por Uma Noite<\/em> se constr\u00f3i como uma f\u00e1bula moral moderadamente sat\u00edrica ao partir de uma premissa absurda para desenvolv\u00ea-la sob uma \u00f3tica humanizada e realista. Nessa caminhada, a narrativa evoca diretamente o esp\u00edrito de <em>Depois de Horas<\/em>, de Martin Scorsese, ao lan\u00e7ar seus protagonistas em uma jornada noturna cont\u00ednua.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-155661 aligncenter\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite1.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite1.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite1-300x146.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite1-150x73.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/filme-so-por-uma-noite1-768x372.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><\/p>\n<p><em>S\u00f3 Por Uma Noite<\/em> \u00e9 um conto rom\u00e2ntico movido pela urg\u00eancia implac\u00e1vel do rel\u00f3gio, que se passa em uma Nova York que se recusa a ser mero pano de fundo. Filmada em loca\u00e7\u00f5es reais, a metr\u00f3pole surge de forma pulsante e palp\u00e1vel, tornando-se um verdadeiro elemento narrativo. \u00c9 atrav\u00e9s desse labirinto urbano cru, repleto de encontros bizarros e tipos exc\u00eantricos, que o caos da madrugada espelha o desconforto emocional e a aproxima\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel da dupla at\u00e9 o amanhecer. Para al\u00e9m do mero recurso narrativo, essa inacredit\u00e1vel lei proposta pelo filme funciona como uma divertida provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 cl\u00e1ssica moral careta dos americanos. S\u00f3 mesmo uma sociedade historicamente puritana para achar que a liberta\u00e7\u00e3o dos corpos se resolve com hora marcada e agendamento pr\u00e9vio. Ao transformar a noitada em um compromisso de agenda, a com\u00e9dia debocha dessa mania de querer burocratizar os afetos, mostrando que nenhum decreto governamental \u00e9 capaz de organizar o verdadeiro caos da busca por intimidade genu\u00edna.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-139295 alignright\" src=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi.jpg 298w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/jorge-ghiorzi-115x150.jpg 115w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>No fim das contas, a grande ironia do filme est\u00e1 em sua recusa deliberada de ser o manifesto que poderia ser, ainda que com vi\u00e9s de com\u00e9dia. A narrativa aceita a imposi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria na norma legal como um dado inquestion\u00e1vel daquele universo, sem qualquer interesse em criticar ou debater o controle estatal sobre os corpos. Ao jogar seus personagens em uma realidade ut\u00f3pica sem reflex\u00f5es pol\u00edticas, <em>S\u00f3 Por Uma Noite<\/em> reduz a lei bizarra a um mero pretexto narrativo cujo efeito colateral serve apenas para desencadear uma moment\u00e2nea desordem urbana e nos lembrar de que o afeto genu\u00edno ainda encontra brechas para acontecer. Contudo, para uma com\u00e9dia amarrada em uma premissa t\u00e3o absurda, o longa comete o pecado mortal de n\u00e3o ousar na transgress\u00e3o, entregando protagonistas conformados que aceitam passivamente a situa\u00e7\u00e3o sem qualquer gesto de insubmiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Jorge Ghiorzi<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>jghiorzi@gmail.com<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 Por Uma Noite: sexo com hora marcada H\u00e1 apenas uma maneira de mergulhar integralmente na hist\u00f3ria de S\u00f3 Por Uma Noite (One Night Only), e ela passa necessariamente pela<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":139279,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155658"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155658"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":155662,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155658\/revisions\/155662"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}