{"id":19324,"date":"2014-05-22T13:32:02","date_gmt":"2014-05-22T16:32:02","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=19324"},"modified":"2014-05-23T09:39:34","modified_gmt":"2014-05-23T12:39:34","slug":"catorze-anos-de-escravidao-na-princesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/catorze-anos-de-escravidao-na-princesa\/","title":{"rendered":"Catorze anos de escravid\u00e3o na Princesa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><b>Hoje (22\/5) das 18h \u00e0s 20h na Bibliotheca P\u00fablica Pelotense, Ad\u00e3o Monquelat autografar\u00e1 \u201cPelotas dos Exclu\u00eddos\u201d (264 p\u00e1ginas)<\/b><\/h2>\n<div id=\"attachment_19325\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Monquelat-by-Cogoy.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Catorze anos de escravid\u00e3o na Princesa \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19325\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-19325\" alt=\"Pesquisador Ad\u00e3o Monquelat informa que o volume ter\u00e1 sequ\u00eancia\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Monquelat-by-Cogoy-300x204.jpg\" width=\"300\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Monquelat-by-Cogoy-300x204.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Monquelat-by-Cogoy.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-19325\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisador Ad\u00e3o Monquelat informa que o volume ter\u00e1 sequ\u00eancia<\/p><\/div>\n<p><b>N<\/b>\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. No s\u00e9culo 19 nos EUA, sequestro do m\u00fasico Solomon Northup \u2013 negro livre -, para o trabalho em fazendas do sul, acarretou \u201cdoze anos de escravid\u00e3o\u201d. Liberto, ele escreveu livro sobre a rotina de humilha\u00e7\u00e3o e maus tratos. A hist\u00f3ria foi roteirizada, e o filme ganhou o Oscar deste ano. No s\u00e9culo 19 em Pelotas, Maria Luiza com treze anos, Maria Dorothea de onze e Jo\u00e3o com doze, foram colocados \u00e0 venda.<\/p>\n<p>O negociante, estancieiro de Bag\u00e9, havia sequestrado os menores no \u201cEstado Oriental\u201d (Uruguai). O caso foi parar na pol\u00edcia, e as crian\u00e7as disseram que foram retiradas dos pais. O epis\u00f3dio foi relatado em not\u00edcia na imprensa da \u00e9poca, e chega aos nossos dias atrav\u00e9s da pesquisa de Ad\u00e3o Monquelat. De acordo com ele, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi isolada e os sequestros eram corriqueiros. No livro \u201cPelotas dos exclu\u00eddos \u2013 subs\u00eddios para uma hist\u00f3ria do cotidiano\u201d, que ser\u00e1 lan\u00e7ado nesta quinta, in\u00fameros fatos que est\u00e3o na contram\u00e3o da \u2018hist\u00f3ria oficial\u2019 \u2013 vertente historiogr\u00e1fica dominante que mascara as contradi\u00e7\u00f5es e desigualdade. Sobre os sequestros de escravos, escreve o autor: \u201cDurante o per\u00edodo da \u2018Guerra Grande\u2019 (1839\/1851\/2) e mesmo depois de findo o conflito, em que v\u00e1rios pa\u00edses estiveram envolvidos, foi muito freq\u00fcente durante as chamadas \u2018calif\u00f3rnias\u2019 praticadas por caudilhos sul-rio-grandenses ao territ\u00f3rio uruguaio, n\u00e3o s\u00f3 o roubo de gado mas tamb\u00e9m o de negros livres que, trazidos para o lado brasileiro, eram, de conluio com padres das cidades fronteiri\u00e7as, rebatizados e tornados escravos\u201d.<\/p>\n<p><b>CATORZE<\/b> anos de escravid\u00e3o. Per\u00edodo compreendido entre 1875 e 1888. Revirando jornais como o \u201cDi\u00e1rio de Pelotas\u201d, \u201cJornal do Com\u00e9rcio\u201d e \u201cCorreio Mercantil\u201d, Monquelat foi reunindo fragmentos de um lugar imerso em viol\u00eancia. No volume, textos que semanalmente foram publicados no DI\u00c1RIO DA MANH\u00c3. A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 cronol\u00f3gica, em textos curtos, configurando-se quase como cr\u00f4nicas do cotidiano. Para captar os personagens, a leitura transversal. Afinal, ideologicamente os jornais estavam afinados com a \u201cminicorte\u201d pelotense. Mas, nas entrelinhas, o pesquisador foi desvelando um pouco da amarga hist\u00f3ria da Princesa. N\u00e3o h\u00e1 referenciais \u2018te\u00f3ricos\u2019, nem compromisso com alguma metodologia acad\u00eamica. S\u00e3o \u2018recortes\u2019, olhares, brevidades muitas vezes absurdas. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 da Editora Livraria Mundial.<\/p>\n<p><b>ESCRAVID\u00c3O<\/b> dolorosa, sangrenta e que gerou d\u00edvida. Como ser\u00e3o ressarcidos os negros, quem vai pagar essa conta? Talvez pudesse ser rifado o Theatro Sete de Abril, ou o Grande Hotel, casar\u00f5es 2, 6 e 8, ou o Pa\u00e7o municipal. Como amostra da injusti\u00e7a, numa sociedade excludente, alguns dos epis\u00f3dios que constam no livro. A for\u00e7a policial \u00e0 \u00e9poca, al\u00e9m do zelo patrimonial, tamb\u00e9m agia na \u201cca\u00e7ada aos escravos que fugiam\u201d. O cal\u00e7amento contemplava \u00e1reas nobres, deixando a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 merc\u00ea da lama dos charcos e v\u00e1rzea. Destaque ao funcion\u00e1rio p\u00fablico, capit\u00e3o-do-mato Dam\u00e1sio Duval. Ap\u00f3s ser banido da atividade devido \u00e0 trucul\u00eancia, foi \u2018reabilitado\u2019 pela C\u00e2mara. J\u00e1 o negro \u201cBenedito\u201d, com golpes de faca no pesco\u00e7o e ventre, suicidou-se pois era prefer\u00edvel \u201cmorrer ao inv\u00e9s do cotidiano nas charqueadas\u201d. J\u00e1 o escravo Ant\u00f4nio, n\u00e3o encontrando o capataz, assassinou negro velho e livre, pois a cadeia era vida melhor do que a rotina saladeril. Enquanto o negro morria jovem na charqueada, os \u201cbar\u00f5es\u201d enriqueciam. Para espantar o t\u00e9dio, \u201cmaiorais\u201d inventaram o patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico, saraus e tolices adjacentes.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">\u00a0<b>Come\u00e7a o primeiro Festival de Artes C\u00eanicas na Rua<\/b><\/h2>\n<div id=\"attachment_19326\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/L\u00f3ri-Cia.-do-SOL.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Catorze anos de escravid\u00e3o na Princesa \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-19326\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-19326\" alt=\"Ator L\u00f3ri Nelson da Cia. Teatro do Sol estar\u00e1 participando \" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/L\u00f3ri-Cia.-do-SOL-300x256.jpg\" width=\"300\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/L\u00f3ri-Cia.-do-SOL-300x256.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/L\u00f3ri-Cia.-do-SOL.jpg 588w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-19326\" class=\"wp-caption-text\">Ator L\u00f3ri Nelson da Cia. Teatro do Sol estar\u00e1 participando<\/p><\/div>\n<p><b>P<\/b>rograma\u00e7\u00e3o at\u00e9 domingo. Nesta quinta (22\/5) ter\u00e1 in\u00edcio a primeira edi\u00e7\u00e3o do \u201cCenaRua 2014 \u2013 Festival de Artes C\u00eanicas na Rua\u201d. A iniciativa \u00e9 do Teatro do Chap\u00e9u Azul e Dalida Art\u00edstica Produ\u00e7\u00f5es. Organizadores divulgam: \u201cO evento privilegiar\u00e1 o teatro, circo e dan\u00e7a, seus desdobramentos e hibridismos, promovendo espet\u00e1culos c\u00eanicos de rua, al\u00e9m\u00a0de atividades formativas voltadas para profissionais, acad\u00eamicos da \u00e1rea e comunidade em geral. Na primeira edi\u00e7\u00e3o, o \u2018CenaRua\u2019 ter\u00e1 atividades no centro hist\u00f3rico da cidade, al\u00e9m de locais no entorno. A proposta \u00e9 o f\u00e1cil acesso \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO encerramento do evento, com diversas atividades, acontecer\u00e1 domingo no Piquenique Cultural. A etapa do projeto ser\u00e1 na Pra\u00e7a Francisco Xavier \u2013 r\u00f3tula da avenida Juscelino K. de Oliveira e rua General Neto. No evento, oficinas e apresenta\u00e7\u00f5es\u201d. Entre os participantes, festival contar\u00e1 com a Cia. Teatral Aurora, Grupo MALV, Cia. Teatro do Sol de Rio Grande, Coletivo Arteirxs, Cl\u00e3 Lua de \u00cdsis, Lara de Bitencourt, Juliana Charnaud, Carlos Prado, Teatro Universit\u00e1rio Independente de Santa Maria. Como apoiadores: Museu do Doce; UFPel; Secult; autolocadora Kawiski; \u201cCasinha\u201d; Piquenique Cultural; Sindicato dos Metal\u00fargicos de Pelotas e regi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>ABERTURA <\/b>\u2013 Nesta quinta das 13h \u00e0s 17h no Museu do Doce \u2013 casar\u00e3o 8 \u00e0 Pra\u00e7a Cel. Pedro Os\u00f3rio -, oficina \u201cO teatro \u00e9 o outro\u201d. O ministrante ser\u00e1 Rodrigo Rocha e o valor \u00e9 de R$15,00. \u00c0s 16h \u00e0 Pra\u00e7a Cel. Pedro Os\u00f3rio, \u201cMatin\u00ea dos Palha\u00e7os\u201d com a trupe \u201cPalha\u00e7o Tom\u00e9 e Encompanhia de Palha\u00e7os\u201d. \u00c0s 17h, tamb\u00e9m na pra\u00e7a central, \u201cA Farsa do advogado Pathellin\u201d. \u00c0s 19h no Museu do Doce, debate \u201cA Cena na Rua: experi\u00eancias, reflex\u00f5es e perspectivas\u201d. Participa\u00e7\u00f5es: prof. Chico Machado (Cearte\/UFPel); Maria Bonita Comunica\u00e7\u00e3o; L\u00f3ri Nelson; Fabiano Dores da Silveira e Lara.<\/p>\n<p><b>INFORMA\u00c7\u00d5ES<\/b> nos fones: 8130.2704 (Dalida Produ\u00e7\u00f5es); 8438.9700 (Teatro do Chap\u00e9u Azul). E-mail: <a href=\"mailto:cenarua@gmail.com\">cenarua@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><b>(C0G0Y)<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje (22\/5) das 18h \u00e0s 20h na Bibliotheca P\u00fablica Pelotense, Ad\u00e3o Monquelat autografar\u00e1 \u201cPelotas dos Exclu\u00eddos\u201d (264 p\u00e1ginas) N\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. 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