{"id":24661,"date":"2014-07-31T09:36:50","date_gmt":"2014-07-31T12:36:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=24661"},"modified":"2014-07-31T17:47:15","modified_gmt":"2014-07-31T20:47:15","slug":"nesta-quinta-as-18h-schlee-autografara-memorias-de-o-que-ja-nao-sera-na-bibliotheca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/nesta-quinta-as-18h-schlee-autografara-memorias-de-o-que-ja-nao-sera-na-bibliotheca\/","title":{"rendered":"Nesta quinta as 18h, Schlee autografar\u00e1 \u201cMem\u00f3rias de o que j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1\u201d na Bibliotheca"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_24662\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Aldyr-Garcia-Schlee.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Nesta quinta as 18h, Schlee autografar\u00e1 \u201cMem\u00f3rias de o que j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1\u201d na Bibliotheca\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-24662\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-24662\" alt=\"Jaguarense Aldyr Garcia Schlee autografar\u00e1 volume com quinze contos \" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Aldyr-Garcia-Schlee-300x232.jpg\" width=\"300\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Aldyr-Garcia-Schlee-300x232.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Aldyr-Garcia-Schlee.jpg 775w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-24662\" class=\"wp-caption-text\">Jaguarense Aldyr Garcia Schlee autografar\u00e1 volume com quinze contos<\/p><\/div>\n<p><b>\u201cU<\/b>ma vez, chegara ao confession\u00e1rio da Matriz e dissera ao padre, de maneira a ser ouvido pelas beatas em volta: n\u00e3o me arrependo de ser pecador \u2013 sabe? -; e, por isso, n\u00e3o me importo de te mandar daqui mesmo pra puta que te pariu. Antes havia metido a m\u00e3o por baixo do vestido de veludo da Virgem \u2013 e descobrira, aos berros, que a santa era s\u00f3 uma arma\u00e7\u00e3o de madeira por dentro, com p\u00e9s, cabe\u00e7a e m\u00e3os de lou\u00e7a! E desde muito vinha mastigando h\u00f3stias, mantendo-as na boca mastigadas, trazendo-as mastigadas para casa, num len\u00e7o e \u2013 rindo com naturalidade daquilo.\u201d Trecho do conto \u201cLa folie et l\u2019amour\u201d que o abre o volume cujo lan\u00e7amento acontecer\u00e1 hoje na Bibliotheca P\u00fablica Pelotense (BPP). No conto, Aldyr Garcia Schlee exp\u00f5e alguns dos eixos recorrentes no livro \u201cMem\u00f3rias de o que j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1\u201d (213 p\u00e1ginas) \u2013 publica\u00e7\u00e3o da editora \u201cArdotempo\u201d. No primeiro conto, ao narrar sobre tio \u201cherege\u201d, est\u00e3o abordagens como a mem\u00f3ria que evoca produtos, aparelhos e marcas, bem como a declarada \u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d acerca de pretensa \u201cdeslembran\u00e7a\u201d. Tamb\u00e9m a conota\u00e7\u00e3o l\u00fabrica, que confidencia desejos e perip\u00e9cias de alcova. Nos textos tamb\u00e9m o vi\u00e9s provinciano, e as alegorias que misturam imagina\u00e7\u00e3o e personagens hist\u00f3ricos. A est\u00e9tica liter\u00e1ria de Schlee manifesta-se atrav\u00e9s da prosa que dan\u00e7a, brinca com o leitor, aparece, esconde-se e ressurge. O fluxo tem certa circularidade, o que \u201cgruda\u201d na mente que l\u00ea, e consagra o contista como um \u201cbaita inventor de tempos e gentes\u201d.<\/p>\n<p><b>ENCANTAMENTO\u00a0 &#8211; <\/b>Jacinto e Marita chegam no rancho de Do\u00f1a Celeste. Jacinto segue e Marita fica com a benzedeira. No conto \u201cDe Encantamento (e milagres)\u201d, o autor apresenta simpatia da rezadeira. E Jacinto, seguindo os ditos, ficar\u00e1 rico. Mas, o matuto n\u00e3o atina sobre a dinheirama. Riqueza \u00e9 outra coisa, o mundo est\u00e1 assim. Ricos j\u00e1 o s\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 o que questionar. J\u00e1 Marita sofre de um sil\u00eancio. Fica para ser curada pela benzedeira. O perigo \u00e9 que a alma deixe o corpo. E Marita, como saber, soltar\u00e1 o p\u00e1ssaro preso na gaiola?<\/p>\n<p><b>PO\u00c7O <\/b>dialoga com a \u00f3rf\u00e3.<b> <\/b>M\u00e3e sem posses para criar, e a menina segue para os cuidados da madrinha.<b> <\/b>Falta abra\u00e7o, falta a m\u00e3e.<b> <\/b>Vai chegar, manda recados.<b> <\/b>Em \u201cConto com um po\u00e7o\u201d, o pai apunhalado num entrevero de carreira. Como noutros contos do autor, felizmente n\u00e3o se envereda pelo \u201cfrio\u201d como algo al\u00e9m da moment\u00e2nea baixa temperatura, e a op\u00e7\u00e3o de Schlee \u00e9 o calor\u00e3o e o sola\u00e7o. Nada demais, portanto, apenas clima.<\/p>\n<p><b>LUBRICIDADE <\/b>permeia a quase totalidade dos contos. Em \u201cA Rosaura de Latorre\u201d, a pr\u00f3diga e talentosa amante, capaz de curar impotentes como o ex-presidente Latorre e o artista Carlos Escayola, pai de Gardel.<\/p>\n<p><b>MEM\u00d3RIA<\/b> na paix\u00e3o de \u201cSeo Clodomiro\u201d pela locomotiva 153, e pela quentura despertada pela mulata Olinda. Segredo, sil\u00eancio e as in\u00fameras esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias da regi\u00e3o no conto \u201cPaix\u00e3o pela 153\u201d. J\u00e1 o conto \u201cAchados e perdidos\u201d, que fecha o volume, labirinto de cita\u00e7\u00f5es. E a frase rabiscada num banheiro aparece em Garcia M\u00e1rquez. E Schlee pergunta: \u201cBah! E como encarar a realidade, sen\u00e3o percebendo que todos pensamos engan\u00e1-la, todos pensamos enganar a realidade; mas n\u00e3o enganamos a fic\u00e7\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>por Carlos Cogoy<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUma vez, chegara ao confession\u00e1rio da Matriz e dissera ao padre, de maneira a ser ouvido pelas beatas em volta: n\u00e3o me arrependo de ser pecador \u2013 sabe? -; e,<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24662,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24661"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24661"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24663,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24661\/revisions\/24663"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}