{"id":36069,"date":"2015-03-16T10:01:19","date_gmt":"2015-03-16T13:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=36069"},"modified":"2015-03-16T10:01:19","modified_gmt":"2015-03-16T13:01:19","slug":"negros-e-negras-a-terra-o-territorio-e-a-territorialidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/negros-e-negras-a-terra-o-territorio-e-a-territorialidade\/","title":{"rendered":"NEGROS E NEGRAS : A terra, o territ\u00f3rio e a territorialidade"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Dias 20 e 21 deste m\u00eas na C\u00e2mara Municipal, ser\u00e1 realizado o \u201c1\u00ba Congresso de Negros e Negr<b>as de Pelotas\u201d<\/b><\/h2>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p><b>O <\/b>sangue que pulsa nas veias tinha que estar nos olhos. O mundo gosta de pessoas neutras, mas s\u00f3 respeita as que tem atitude. Se n\u00e3o posso mudar o mundo deveria mudar a mim mesmo&#8230; Antes que seja tarde. Afirma\u00e7\u00e3o do poeta S\u00e9rgio Vaz, mencionada pela educadora pelotense Marielda Barcellos Medeiros. Ela integra a organiza\u00e7\u00e3o do 1\u00ba Congresso de Negros e Negras de Pelotas, que acontecer\u00e1 dias 20 e 21 de mar\u00e7o no Legislativo municipal. Marielda explana sobre o evento: \u201cTodos os temas s\u00e3o relevantes, mas penso que educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a, habita\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o de matriz africana, s\u00e3o os que ir\u00e3o gerar maior discuss\u00e3o, fruto do que vivenciamos hoje em Pelotas. Participo da organiza\u00e7\u00e3o do congresso e, pela forma\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, por ter a feliz e gratificante viv\u00eancia da gest\u00e3o municipal e estadual nesta \u00e1rea, esta tem\u00e1tica possui significado como prefer\u00eancia. Mas penso ser importante estar participando de todas as discuss\u00f5es, pois todas est\u00e3o intimamente relacionadas a nossa vida cotidiana, n\u00e3o tendo como ficar de fora. E considero que as delibera\u00e7\u00f5es que iremos construir, a partir do tema central, \u2018Terra, Territ\u00f3rio\u00a0 e Territorialidade\u2019 ser\u00e3o fundamentais para encaminharmos ao Executivo e Legislativo local.\u00a0 Trata-se de panorama das quest\u00f5es que ser\u00e3o discutidas, e est\u00e3o relacionadas com a popula\u00e7\u00e3o negra da cidade. J\u00e1 o impacto se dar\u00e1 a partir da apresenta\u00e7\u00e3o da realidade vivida e cobran\u00e7a efetiva de a\u00e7\u00f5es. Em muitos discursos pol\u00edticos se ouve que o racismo \u00e9 uma quest\u00e3o social, se \u00e9, cabe aos gestores enfrent\u00e1-lo e \u00e9 isto que vamos buscar\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_36071\" style=\"width: 648px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-povo-negro.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"NEGROS E NEGRAS : A terra, o territ\u00f3rio e a territorialidade \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-36071\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-36071 \" alt=\"Marielda (terceira da esq. \u00e0 direita) foi assessora da educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais \" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-povo-negro.jpg\" width=\"638\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-povo-negro.jpg 797w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-povo-negro-300x220.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-36071\" class=\"wp-caption-text\">Marielda (terceira da esq. \u00e0 direita) foi assessora da educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais<\/p><\/div>\n<p><b>FORTALECIMENTO <\/b>&#8211; A educadora avalia o desafio da perspectiva democr\u00e1tica de debate com diferentes vertentes do movimento negro: \u201cTemos debatido muito ao longo dos nossos encontros de organiza\u00e7\u00e3o, que o momento \u00e9 para fortalecermos nossa identidade enquanto negros e negras, mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva que ir\u00e1 debater e refletir sobre quest\u00f5es relevantes, importantes para a popula\u00e7\u00e3o negra da nossa cidade. Admitimos sim, as diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas e partid\u00e1rias, mas temos a plena certeza que estas s\u00f3 nos enfraqueceram. O congresso, e \u00e9 um dos pontos que pretendemos avan\u00e7ar internamente, ser\u00e1 a supera\u00e7\u00e3o das nossas diferen\u00e7as em prol de algo maior, a defesa da nossa hist\u00f3ria, nossas origens e nossa tradi\u00e7\u00e3o africana. Assim, seguindo as palavras de Milton Santos: \u2018Que a tran\u00e7a do cabelo ou o cabelo espichado n\u00e3o sejam um dado que exclua ou separe. Que cada um, como \u00e9, encontre seu lugar nessa luta\u2019. Seremos todos<b> <\/b>Ubuntu: \u2018Sou quem sou, pelo que n\u00f3s somos\u2019\u201d. Marielda tamb\u00e9m salienta que o congresso ser\u00e1 conclu\u00eddo no s\u00e1bado 21 quando, internacionalmente, transcorrer\u00e1 o dia de luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o. A data que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o recebia muita aten\u00e7\u00e3o em Pelotas, originou-se de massacre em Shaperville na \u00c1frica do Sul. A 21 de mar\u00e7o de 1960, negros protestavam contra a \u201cLei do Passe\u201d \u2013 restringia os deslocamentos e acessos a bairros -, quando foram violentamente reprimidos pelo Apartheid. Houve 69 mortos e 180 feridos. Oito anos depois a ONU instituiu o Dia Internacional contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial.<\/p>\n<p><b>RACISMO<\/b> \u2013 Pelotas e Pa\u00eds com trajet\u00f3rias racistas. Marielda opina: \u201cN\u00e3o vou aqui observar com muitas palavras o mesmo que muitos relatam. Mas, vivenciando o cotidiano de Pelotas, torna-se simples afirmar que vivemos numa cidade racista, preconceituosa e discriminat\u00f3ria. Penso que n\u00f3s, pelotenses, tenhamos que olhar para nossa cidade e para n\u00f3s mesmos. No Pa\u00eds j\u00e1 avan\u00e7amos, e isto \u00e9 fruto da luta do movimento negro pol\u00edtico organizado. Atualmente j\u00e1 admitimos que n\u00e3o vivemos numa democracia racial, e tamb\u00e9m dispomos de algumas pol\u00edticas afirmativas como as cotas. Mas, para avan\u00e7armos, temos de assumir como na\u00e7\u00e3o e, como disse Joel Rufino dos Santos: \u2018A escravid\u00e3o \u2013 que durou os quatro quintos iniciais da exist\u00eancia brasileira \u2013 n\u00e3o \u00e9 a origem do racismo: ela \u00e9 o racismo\u2019\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_36070\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-palestra.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"NEGROS E NEGRAS : A terra, o territ\u00f3rio e a territorialidade \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-36070\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-36070\" alt=\"Educadora Marielda Medeiros desde adolesc\u00eancia atua no movimento negro\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-palestra-300x294.jpg\" width=\"300\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-palestra-300x294.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Marielda-palestra.jpg 546w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-36070\" class=\"wp-caption-text\">Educadora Marielda Medeiros desde adolesc\u00eancia atua no movimento negro<\/p><\/div>\n<p><b>RESIST\u00caNCIA<\/b> \u2013 Em rela\u00e7\u00e3o a defini\u00e7\u00f5es do Congresso, a educadora frisa que \u201cno s\u00e1bado iremos construir documento que ser\u00e1 encaminhado ao Executivo e Legislativo municipais. No documento ser\u00e3o pontuadas as quest\u00f5es que considerarmos urgentes de interven\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m, \u00e9 proposta desde o come\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o do congresso, continuarmos vigilantes e cobrando que as interven\u00e7\u00f5es se efetivem na pr\u00e1tica, beneficiando a comunidade local. O congresso ser\u00e1 um momento que coloca a hist\u00f3ria da luta negra em Pelotas, como mais uma forma de resist\u00eancia, que em v\u00e1rios momentos serviu de refer\u00eancia para outros munic\u00edpios n\u00e3o s\u00f3 da regi\u00e3o sul, mas do Estado, portanto, deve se tornar sim, motivador para outros segmentos\u201d.<\/p>\n<p><b>TRAJET\u00d3RIA<\/b> \u2013 Em 2013 e 2014, Marielda foi assessora da educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais da SEDUC\/RS. De 2011 a 2014, assessora da equipe da diversidade da 5\u00aa CRE. Entre 2001 e 2004, supervisora do departamento pedag\u00f3gico da atual SMED. No mesmo per\u00edodo, integrou o Conselho de Participa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Comunidade Negra do RS (CODENE). No Col\u00e9gio Pelotense atuou como professora na educa\u00e7\u00e3o infantil, s\u00e9ries iniciais e curso Normal. Tamb\u00e9m foi coordenadora pedag\u00f3gica do ensino fundamental s\u00e9ries iniciais. Em 2010, premia\u00e7\u00e3o no CEERT de S\u00e3o Paulo, com o projeto \u201cNem ch\u00e1, nem caf\u00e9: degustamos hist\u00f3ria e cultura negra\u201d. O trabalho foi desenvolvido junto a alunos da Escola Louis Braille. Ela menciona que o in\u00edcio da milit\u00e2ncia foi aos catorze anos, estimulada pela m\u00e3e, ao participar dos agentes pastorais negros. Mestranda em educa\u00e7\u00e3o, Marielda foi fundadora do grupo Odara. Atualmente atua no N\u00facleo de Educadoras e Educadores Negros (NEEN).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias 20 e 21 deste m\u00eas na C\u00e2mara Municipal, ser\u00e1 realizado o \u201c1\u00ba Congresso de Negros e Negras de Pelotas\u201d Por Carlos Cogoy O sangue que pulsa nas veias tinha<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":36071,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36069"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36072,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36069\/revisions\/36072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}