{"id":36267,"date":"2015-03-21T09:42:33","date_gmt":"2015-03-21T12:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=36267"},"modified":"2015-03-21T09:44:03","modified_gmt":"2015-03-21T12:44:03","slug":"o-exemplo-da-coletividade-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/o-exemplo-da-coletividade-negra\/","title":{"rendered":"O exemplo da coletividade negra"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Carlos Cogoy<\/strong><\/em><\/p>\n<p><b>D<\/b>iverg\u00eancias, antagonismos, diferen\u00e7as, opostos que se atraem. \u201cSou porque somos\u201d, princ\u00edpio do exemplo de coletividade da comunidade afro.\u00a0 Trata-se da ancestral concep\u00e7\u00e3o de circularidade, contraponto ao individualismo branco e europeizado. No 1\u00ba Congresso de Negros e Negras de Pelotas, cuja abertura ocorreu ontem \u00e0 noite na C\u00e2mara Municipal, e ter\u00e1 atividades neste s\u00e1bado pela manh\u00e3 e tarde com encerramento \u00e0s 21h, o desafio democr\u00e1tico da conviv\u00eancia com diferentes realidades culturais e op\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas. Para a m\u00e9dica, pediatra pelotense Regina Barros Goulart \u2013 doutoranda em biomedicina na Argentina \u2013 que, nos anos noventa esteve \u00e0 frente de in\u00fameros projetos com a ent\u00e3o ONG \u201cGri\u00f4\u201d na cidade natal, o congresso \u201cO congresso j\u00e1 impactou e o vulc\u00e3o est\u00e1 em erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_36268\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dra.-Regina-Nogueira.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"O exemplo da coletividade negra \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-36268\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-36268\" alt=\"M\u00e9dica pelotense Regina Barros Goulart atua em conselho nacional\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dra.-Regina-Nogueira-300x261.jpg\" width=\"300\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dra.-Regina-Nogueira-300x261.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dra.-Regina-Nogueira.jpg 688w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-36268\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e9dica pelotense Regina Barros Goulart atua em conselho nacional<\/p><\/div>\n<p>O risco \u00e9 que o colonizador que foi plantado dentro de cada um e cada uma, seja maior que nossa tradi\u00e7\u00e3o de ser. A possibilidade \u00e9 que saiamos diversos mas com unicidade em algumas lutas. Enfim ser\u00e1 a oportunidade de potencializar a vida dos negros e negras dessa cidade. Aqui considerando vida a partir de um conceito tradicional de matriz africana ou seja que tenha for\u00e7a vital que, para o povo yorubano \u00e9 As\u00e9, para os Bantu Ngunzu, capacidade de se reproduzir, mover e continuar em prol do coletivo. Ou seja \u00e9 a capacidade de resgatar o Nbuntu : \u2018Sou porque Somos\u2019. O congresso \u00e9 uma pr\u00e1tica dos povos africanos, das tribos em que as opini\u00f5es s\u00e3o colocadas em debate, em que a circularidade \u00e9 a grande estrat\u00e9gia, ou seja, todos e todas podem contribuir para as ideias. Na reuni\u00e3o ampliada de organiza\u00e7\u00e3o do congresso algumas falas foram fundamentais: \u2018Toda vez que nos encontramos aprendemos!; Isto parece um vulc\u00e3o que entra em erup\u00e7\u00e3o, adormece mas est\u00e1 sempre pronto a eclodir!; Malcolm X afirmava que, mais do que o n\u00famero de pessoas, vale a ideia\u2019. Para mim s\u00f3 a fase preparat\u00f3ria, com reuni\u00f5es ao p\u00e9 da \u00e1rvore, o ir e vir, a cobran\u00e7a e as falas j\u00e1 efetivaram o congresso\u201d.<\/p>\n<p><b>TRAJET\u00d3RIA <\/b>\u2013 Desde 2003, Regina est\u00e1 iniciada na tradi\u00e7\u00e3o de matriz africana. Ela explica que \u00e9 \u201cangoleira, nacionalidade Bantu do Bate Folha, com a identifica\u00e7\u00e3o Kota Mulanji mona Kelembeketa\u201d. Egressa da UFPel, realizou a resid\u00eancia no Hospital Ernesto Dorneles em Porto Alegre. A lutadora social manifesta-se como \u201cficaiana, xavante e acad\u00eamica\u201d. Na trajet\u00f3ria, al\u00e9m do Gri\u00f4 Centro Pedag\u00f3gicode Reterritorializa\u00e7\u00e3o, foi uma das fundadoras do Conselho Municipal de Participa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Comunidade Negra, Conselho Estadual (CODENE), e esteve coordenando programas de sa\u00fade e secretarias em diferentes regi\u00f5es do Pa\u00eds. Atualmente coordena o F\u00f3rum Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matrizes Africana. Como integrante do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (CONSEA), esteve na Eti\u00f3pia para a constitui\u00e7\u00e3o do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos \u00c1frica Brasil. Nas andan\u00e7as como profissional de sa\u00fade e militante negra, j\u00e1 esteve na China, Jap\u00e3o, \u00c1frica do Sul, Cuba e Estados Unidos.<\/p>\n<p><b>DISCRIMINA\u00c7\u00c3O<\/b> \u2013 Regina menciona: \u201cTodos e todas n\u00f3s sofremos preconceito, ou seja interpreta\u00e7\u00f5es a partir de ideias pr\u00e9-concebidas. A mais corriqueira em pequeno, m\u00e9dio e alto grau, \u00e9 a ideia de que negro n\u00e3o pode ser m\u00e9dico. Cotidianamente passo por isto. E sou prejudicada pois, frente ao pensamento do outro, tenho de me reafirmar como algo que sou. Com a discrimina\u00e7\u00e3o, enquanto explico ao porteiro, ao paciente, e aos meus colegas o que sou, perco o equil\u00edbrio, portanto perco sa\u00fade e adoe\u00e7o. Diante disso, fa\u00e7o hipertens\u00e3o, e o que ganho j\u00e1 fica menor se comparado a quem\u00a0 n\u00e3o vive essa situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muitos os epis\u00f3dios, mas hoje a minha preocupa\u00e7\u00e3o maior est\u00e1 naquilo que ataca o coletivo e n\u00e3o a individualidade. Ent\u00e3o est\u00e1 nas institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o preparam o porteiro, nem os meus colegas, orientando que ser negro \u00e9 uma quest\u00e3o social constru\u00edda pela sociedade, ou seja por todos e todas, e que tais institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o deveriam permitir a manuten\u00e7\u00e3o disso. Hoje a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o racismo institucional, que leva as institui\u00e7\u00f5es a n\u00e3o cumprirem sua miss\u00e3o por neglig\u00eancia nessas quest\u00f5es. Ent\u00e3o sofro discrimina\u00e7\u00e3o pois, tornei-me uma consumidora mas, quem vende continua a duvidar e dizer que n\u00e3o tenho recursos. Tamb\u00e9m quando, mesmo arcando com os impostos e servi\u00e7os p\u00fablicos, n\u00e3o sou bem atendida\u201d.<\/p>\n<h2><b>Cultura afro valoriza\u00a0<\/b><b>mem\u00f3ria e identidade<\/b><\/h2>\n<p><b>U<\/b>nidos pela tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 projeto desenvolvido na Guabiroba, sob a coordena\u00e7\u00e3o da professora Luciana Cust\u00f3dio. Acad\u00eamica no curso de pedagogia da UFPel, ela explana sobre o congresso: \u201cVejo o primeiro congresso de negras e negros de Pelotas, como algo de valioso para educadores, ativistas e sociedade em geral. No evento ser\u00e3o abordados,\u00a0 em diferentes eixos, temas que contribuem para o fortalecimento da cultura como resist\u00eancia de um povo. E o congresso tamb\u00e9m ser\u00e1 espa\u00e7o para estabelecer novas parcerias, fortalecendo antigos la\u00e7os e avaliando as pol\u00edticas p\u00fablicas para a comunidade negra\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_36269\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Luciana-Cust\u00f3dio.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"O exemplo da coletividade negra \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-36269\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-36269 \" alt=\"Professora Luciana Cust\u00f3dio\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Luciana-Cust\u00f3dio-260x300.jpg\" width=\"208\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Luciana-Cust\u00f3dio-260x300.jpg 260w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/Luciana-Cust\u00f3dio.jpg 521w\" sizes=\"(max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-36269\" class=\"wp-caption-text\">Professora Luciana Cust\u00f3dio<\/p><\/div>\n<p><b>CULTURA<\/b> \u2013 Luciana enfoca cultura, identidade e luta: \u201cNo Brasil a nossa cultura \u00e9 conhecida pela disposi\u00e7\u00e3o e alegria. \u00c9 o que observamos na m\u00fasica e, em v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es populares e regionais. Mas tamb\u00e9m possui um papel fundamental na quest\u00e3o organizacional de um povo, pois atrav\u00e9s dela desenvolvemos nova forma de pensar, inerente ao desenvolvimento humano. As manifesta\u00e7\u00f5es culturais assumem um papel fundamental de resist\u00eancia, respeito aos nossos ancestrais, unindo o passado, futuro e presente, valorizando lutas e conquistas adquiridas ao longo de s\u00e9culos. Ent\u00e3o, atrav\u00e9s da cultura e principalmente do movimento afro-brasileiro, \u00e9 poss\u00edvel manter nossas ra\u00edzes, promovendo a igualdade, resgatando nossa mem\u00f3ria e reafirmando a nossa identidade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Cogoy Diverg\u00eancias, antagonismos, diferen\u00e7as, opostos que se atraem. \u201cSou porque somos\u201d, princ\u00edpio do exemplo de coletividade da comunidade afro.\u00a0 Trata-se da ancestral concep\u00e7\u00e3o de circularidade, contraponto ao individualismo<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":36268,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36267"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36271,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36267\/revisions\/36271"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}