{"id":36750,"date":"2015-04-02T13:00:14","date_gmt":"2015-04-02T16:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=36750"},"modified":"2015-04-02T13:00:14","modified_gmt":"2015-04-02T16:00:14","slug":"patrimonio-cultural-diversidade-etnico-religiosa-aqui-e-alem-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/patrimonio-cultural-diversidade-etnico-religiosa-aqui-e-alem-mar\/","title":{"rendered":"PATRIM\u00d4NIO CULTURAL : Diversidade \u00e9tnico-religiosa aqui e al\u00e9m-mar"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><b>Pesquisadora pelotense Rosemar Lemos realiza p\u00f3s-doutorado na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa<\/b><\/h2>\n<p><em><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/em><\/p>\n<p>Guerreira Rosemar Gomes Lemos est\u00e1 em Portugal. Acompanhada pelo marido Claudinei \u2013 formou-se em direito poucos dias antes do embarque para a Europa -, e o filho Renan, uma das poucas professoras negras da UFPel, desde o come\u00e7o do ano est\u00e1 cursando o p\u00f3s-doutorado. No Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Arte e do Patrim\u00f4nio, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, a pelotense desenvolve a pesquisa \u201cPatrim\u00f4nio, cultura e sustentabilidade: an\u00e1lise da constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria e social nas cidades litor\u00e2neas no processo de globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 Pelotas (BR) e Set\u00fabal (PT)\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_36752\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-PORTUGAL.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"PATRIM\u00d4NIO CULTURAL : Diversidade \u00e9tnico-religiosa aqui e al\u00e9m-mar\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-36752\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-36752  \" alt=\"Claudinei Lemos e esposa Rosemar Gomes Lemos que cursa p\u00f3s-doutorado em Set\u00fabal \" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-PORTUGAL.jpg\" width=\"384\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-PORTUGAL.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-PORTUGAL-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-36752\" class=\"wp-caption-text\">Claudinei Lemos e esposa Rosemar Gomes Lemos que cursa p\u00f3s-doutorado em Set\u00fabal<\/p><\/div>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o est\u00e1 a cargo do prof. Fernando Ant\u00f4nio Baptista Pereira. Rosemar ao final de 2013, encaminhou \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes\/MEC), proposta de est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado. Ela recorda a alegria ao saber de mais uma conquista na trajet\u00f3ria de in\u00fameras supera\u00e7\u00f5es: \u201cParecia algo imposs\u00edvel cursar o p\u00f3s-doutorado patrocinado pela CAPES, pesquisando sobre um tema que envolve manifesta\u00e7\u00f5es culturais negras e ciganas no Brasil e em Portugal. Mas chegou o e-mail informando: \u2018A CAPES tem a satisfa\u00e7\u00e3o de informar a aprova\u00e7\u00e3o do Est\u00e1gio P\u00f3s-Doutoral no exterior de 1\/2015 a 12\/2015, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa\/Portugal\u2019\u201d. At\u00e9 chegar nessa etapa, por\u00e9m, a ent\u00e3o menina cujos av\u00f3s eram analfabetos, pai que n\u00e3o concluiu o ensino fundamental, e tias que trabalhavam como dom\u00e9sticas, teve de enfrentar preconceitos econ\u00f4mico e racial. Ao DM ela conta sobre a pesquisa que aproxima o sul do Brasil e sudeste de Portugal, a trajet\u00f3ria pessoal e o lema que mant\u00e9m sua abnega\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o sabia que era imposs\u00edvel, ent\u00e3o foi l\u00e1 e fez\u201d.<\/p>\n<p><b>FAM\u00cdLIA <\/b>\u2013 Em Portugal, o marido Claudinei realizar\u00e1 especializa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea jur\u00eddica. J\u00e1 o filho Renan, desde o come\u00e7o de fevereiro, cursa artes visuais na escola secund\u00e1ria Jos\u00e9 Gomes Ferreira. Sobre a trajet\u00f3ria familiar: \u201cMinha origem \u00e9 humilde, com av\u00f3s analfabetos pois n\u00e3o tiveram a possibilidade de estudar. Minha m\u00e3e e meu pai tiveram oportunidades diferentes. Percebendo que a educa\u00e7\u00e3o era a \u00fanica forma de ascender socialmente, lutaram para que seus filhos permanecessem na escola. Meu pai n\u00e3o concluiu o n\u00edvel fundamental, mas ajudou minha m\u00e3e, trabalhando, sem hora pra come\u00e7ar ou parar, a fim de sustentar os seus estudos e a fam\u00edlia, pois somos quatro irm\u00e3os, tr\u00eas filhas e um filho.\u00a0 Quando crian\u00e7a, como na minha fam\u00edlia haviam muitas tias que trabalhavam como empregadas dom\u00e9sticas, ia com elas at\u00e9 seus empregos e prometia pra mim mesma que um dia teria tudo que via por l\u00e1. E jurava que daria vida de luxo \u00e0 minha av\u00f3 Celina. Ela cuidava das netas para que minha m\u00e3e pudesse, inicialmente estudar, e posteriormente trabalhar. Eu pretendia estudar, cursar a faculdade e ter um bom sal\u00e1rio a fim de obter uma linda casa. Para tanto estudava muito, mesmo n\u00e3o sendo exigida pela minha m\u00e3e, que trabalhava toda semana fora de Pelotas\u201d.<\/p>\n<p><b>EDUCA\u00c7\u00c3O<\/b> \u2013 Professores foram determinantes no est\u00edmulo \u00e0 aluna Rosemar: \u201cAo concluir a 5\u00aa s\u00e9rie na Escola Estadual Leivas Leite, uma de minhas professoras perguntou quem gostaria de estudar no Col\u00e9gio Pelotense. Como ela tamb\u00e9m lecionava l\u00e1, ajudaria para a conquista da vaga. Prontamente falei que queria e pedi \u00e0 minha m\u00e3e que encaminhasse tudo que fosse necess\u00e1rio para tal. Ent\u00e3o, estudei no Pelotense da 6\u00aa s\u00e9rie ao 3\u00aa ano do 2\u00ba grau, quando fiz Curso de Decora\u00e7\u00e3o de Interiores. E novamente um professor ofereceu, para quem n\u00e3o tivesse condi\u00e7\u00f5es de pagar, bolsas de estudo para realiza\u00e7\u00e3o de um curso pr\u00e9-vestibular. Novamente aproveitei a oportunidade e pedi a ele uma vaga, que me foi concedida e muito bem aproveitada porque, em 1984 ingressei no Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPel. L\u00e1 aprendi, primeiramente, que a Faculdade de Arquitetura n\u00e3o era para os desprivilegiados economicamente, mas, como depois que entro na guerra, n\u00e3o desisto bem assim, juntei-me a outros colegas na mesma condi\u00e7\u00e3o que eu, e lutamos unidos at\u00e9 a sonhada formatura\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_36751\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-Renan-e-Lisiane.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"PATRIM\u00d4NIO CULTURAL : Diversidade \u00e9tnico-religiosa aqui e al\u00e9m-mar\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-36751\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-36751  \" alt=\"FAM\u00cdLIA unida: Claudinei, Renan, Rosemar e Lisiane\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-Renan-e-Lisiane.jpg\" width=\"384\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-Renan-e-Lisiane.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Rosemar-Claudinei-Renan-e-Lisiane-300x216.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-36751\" class=\"wp-caption-text\">FAM\u00cdLIA unida: Claudinei, Renan, Rosemar e Lisiane<\/p><\/div>\n<p><b>FORMATURA<\/b> \u2013 Epis\u00f3dio marcou a chegada da formatura em arquitetura: \u201cEm rela\u00e7\u00e3o ao preconceito racial, h\u00e1, isso \u00e9 pra vida toda, e a gente acaba acostumando e desenvolvendo estrat\u00e9gias, de ataque, de defesa, de convencimento. Na escola, na faculdade, durante a minha forma\u00e7\u00e3o, houve muitos casos.\u00a0 Entre tantos fatos, posso citar a situa\u00e7\u00e3o de conflito quando exigi que meu pai, mesmo n\u00e3o tendo curso superior, me entregasse o diploma de arquiteta\u201d.<\/p>\n<p><b>PESQUISA<\/b> \u2013 O preconceito n\u00e3o tem hora e lugar. Rosemar acrescenta: \u201cFoi muito dif\u00edcil chegar aqui, em raz\u00e3o tamb\u00e9m do preconceito. Fui surpreendida em 2014 com comportamentos, palavras e a\u00e7\u00f5es que jamais supunha verificar, mas felizmente estou aqui. S\u00e3o muitos brasileiros vivendo e trabalhando em Portugal, o que me faz, por vezes, sentir-me em casa, eles d\u00e3o dicas de lugares aonde poderei ir para encontrar manifesta\u00e7\u00f5es culturais negras e ciganas, o foco de minha investiga\u00e7\u00e3o. \u00a0Meu objetivo \u00e9 enfocar o interc\u00e2mbio entre as culturas negras portuguesa e brasileira, o que tenho pesquisado muito e repassado ao grupo de pesquisa da UFPel, que conjuntamente est\u00e1 realizando a investiga\u00e7\u00e3o. Ser\u00e3o muitas manifesta\u00e7\u00f5es religiosas das quais participarei durante o ano, produzindo material did\u00e1tico para as escolas de Portugal e do sul do Brasil. Portanto, o planejamento e o conhecimento das culturas ser\u00e3o fundamentais para o sucesso da a\u00e7\u00e3o e neste momento, conhecer os pesquisadores de Portugal que investigam sobre este tema, est\u00e1 sendo fundamental\u201d.<\/p>\n<p><b>CARREIRA<\/b> \u2013 Na trajet\u00f3ria de Rosemar, mestrado em qu\u00edmica pela UFPel, doutorado em engenharia civil pela UFRGS, PhD pela Universidade de Aveiro (2005). Anos noventa, trabalhou na Prefeitura. Em 2001, ingresso no IFSul, onde lecionou geometria descritiva, desenho t\u00e9cnico e propriedade dos materiais. Na Escola Estadual Areal, al\u00e9m de professora de matem\u00e1tica e qu\u00edmica, idealizou e coordenou o projeto \u201cDe m\u00e3os dadas com nossas ra\u00edzes e nossos irm\u00e3os\u201d \u2013 cumprimento da Lei 10.639, hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira. Em 2006, aprovada em concurso para lecionar no curso de arquitetura da UFPel. Dois anos depois, j\u00e1 como professora adjunta, criou o grupo de extens\u00e3o e pesquisa \u201cDesign, escola e arte\u201d. Atualmente est\u00e1 vinculada ao Centro de Artes (CEARTES\/UFPel). No ensino superior, docente de geometria descritiva, desenho t\u00e9cnico, arte e cultura afrobrasileira, arte, cultura e diversidade, cadastro t\u00e9cnico multifinalit\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>SECONEP<\/b> \u2013 Desde 2009, Rosemar est\u00e1 \u00e0 frente do projeto de extens\u00e3o universit\u00e1ria Semin\u00e1rio da Consci\u00eancia Negra de Pelotas (SECONEP). \u201cSer negro \u00e9 supera\u00e7\u00e3o, \u00e9 provar diariamente que podemos, que somos capazes de, \u00e9 for\u00e7ar a porta que tantas vezes tentam fechar \u00e0 nossa frente. Mas n\u00e3o podemos desistir. Sentar, chorar, rezar e levantar novamente pra seguir lutando, lutando por n\u00f3s, pelas nossas fam\u00edlias, pelas crian\u00e7as negras, que tantas vezes sofrem preconceito e n\u00e3o tem quem as defendam\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadora pelotense Rosemar Lemos realiza p\u00f3s-doutorado na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa Por Carlos Cogoy Guerreira Rosemar Gomes Lemos est\u00e1 em Portugal. 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