{"id":37443,"date":"2015-04-26T18:35:49","date_gmt":"2015-04-26T21:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=37443"},"modified":"2015-04-28T09:20:21","modified_gmt":"2015-04-28T12:20:21","slug":"acidentes-de-trabalho-um-operario-morre-a-cada-60-horas-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/acidentes-de-trabalho-um-operario-morre-a-cada-60-horas-no-rs\/","title":{"rendered":"ACIDENTES DE TRABALHO : Um oper\u00e1rio morre a cada 60 horas no RS"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Estado tem o terceiro maior \u00edndice de acidentes do trabalho no pa\u00eds<\/h2>\n<p>Esta ter\u00e7a-feira, 28 de abril, \u00e9 o Dia Mundial em Mem\u00f3ria \u00e0s V\u00edtimas de Acidentes de Trabalho e Doen\u00e7as Ocupacionais. Data importante para lembrar da gravidade deste problema social e, mais ainda, da import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o. \u00a0Conforme o \u00faltimo Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Previd\u00eancia Social, lan\u00e7ado em janeiro de 2015 e referente a 2013, foram registrados, naquele ano, 717.911 acidentes de trabalho no Brasil. As ocorr\u00eancias resultaram em 2.792 mortes. Ou seja, a cada dia, mais de sete trabalhadores brasileiros perdem a vida executando sua atividade profissional.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, foram registrados, em 2013, 59.627 acidentes e doen\u00e7as ocupacionais, com 140 \u00f3bitos. O n\u00famero de ocorr\u00eancias colocam o Estado em terceiro lugar no ranking nacional, atr\u00e1s de S\u00e3o Paulo (248.928 casos) e Minas Gerais (77.252). Os dados revelam uma m\u00e9dia de 163 acidentes por dia e um trabalhador morto a cada 60 horas no Estado. Al\u00e9m disso, 1.133 trabalhadores ga\u00fachos passaram sofrer de incapacidade permanente em 2013, devido a acidentes ou doen\u00e7as laborais.<\/p>\n<p>Embora as estat\u00edsticas permane\u00e7am no mesmo patamar de anos anteriores, sem grandes varia\u00e7\u00f5es percentuais no n\u00famero de acidentes e mortes, tanto no Brasil, quanto no Estado, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante na avalia\u00e7\u00e3o do desembargador Raul Zoratto Sanvicente, coordenador do Programa Trabalho Seguro no Tribunal Regional do Trabalho da 4\u00aa Regi\u00e3o (RS). O programa \u00e9 uma iniciativa nacional da Justi\u00e7a do Trabalho e tem o objetivo de promover, por meio de a\u00e7\u00f5es e projetos, a cultura da preven\u00e7\u00e3o de acidentes e doen\u00e7as laborais no pa\u00eds. De acordo com o magistrado, a realidade \u00e9 ainda mais grave, pois a Previd\u00eancia consegue registrar apenas os casos de trabalhadores com carteira assinada, que representam 50% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. O que acontece no mercado informal, ou at\u00e9 mesmo com aut\u00f4nomos, n\u00e3o \u00e9 contabilizado. \u201cNas rela\u00e7\u00f5es precarizadas de trabalho, o \u00edndice de acidentes deve ser ainda maior\u201d, alerta o desembargador.<\/p>\n<div id=\"attachment_37445\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/acidente-trabalho-1.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"ACIDENTES DE TRABALHO : Um oper\u00e1rio morre a cada 60 horas no RS\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-37445\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-37445 \" alt=\"O REGISTRO \u00e9 de 163 acidentes por dia e um trabalhador morto a cada 60 horas\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/acidente-trabalho-1.jpg\" width=\"384\" height=\"255\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/acidente-trabalho-1.jpg 640w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/acidente-trabalho-1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-37445\" class=\"wp-caption-text\">O REGISTRO \u00e9 de 163 acidentes por dia e um trabalhador morto a cada 60 horas<\/p><\/div>\n<p>Para o magistrado, o Projeto de Lei n\u00ba 4.330, que visa a autorizar a terceiriza\u00e7\u00e3o das atividades-fim no pa\u00eds, poder\u00e1 aumentar a gravidade do quadro. Isso porque a incid\u00eancia de acidentes de trabalho \u00e9 maior entre trabalhadores terceirizados. A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho (Anamatra) estima que, de 10 acidentes laborais, oito ocorrem em atividades terceirizadas, bem como quatro em cada cinco mortes no trabalho acontecem na terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Previd\u00eancia, que desembolsou cerca de R$ 10 bilh\u00f5es em 2014 para prover afastamentos e aposentadorias relacionadas a acidentes ou doen\u00e7as do trabalho, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m impacta o Judici\u00e1rio. A Justi\u00e7a Trabalhista ga\u00facha, por exemplo, recebeu, no ano passado, 8,3 mil processos envolvendo acidentes e doen\u00e7as ocupacionais. Devido \u00e0 demanda e as particularidades do julgamento da mat\u00e9ria, duas cidades contam com uma Vara do Trabalho espec\u00edfica para a\u00e7\u00f5es deste tipo: Porto Alegre (30\u00aa VT) e Caxias do Sul (6\u00aa VT). Um anteprojeto de lei em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de mais duas unidades desta especialidade na capital ga\u00facha.<\/p>\n<p>Para o desembargador Raul, \u00e9 errado atribuir os acidentes \u00e0 fatalidade ou ao infort\u00fanio. \u201cO Brasil carece de uma cultura forte de preven\u00e7\u00e3o por parte das empresas e dos empregados. As entidades de classe, como sindicatos e federa\u00e7\u00f5es, devem investir nisso. Ambas as partes precisam fazer uma an\u00e1lise dos riscos da sua atividade e criar um plano preventivo contra eles. Dos acidentes j\u00e1 ocorridos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar um padr\u00e3o, algo que se repete, e come\u00e7ar a preven\u00e7\u00e3o por ali\u201d, explica o desembargador.<\/p>\n<p>O magistrado cita que, em muitos processos, as empresas atribuem a culpa do acidente ao empregado. Nesses casos, segundo Raul, deve-se averiguar as circunst\u00e2ncias do fato. \u201cAt\u00e9 pode ser que o trabalhador cometa um erro, mas quantas horas ele trabalhava por dia? Ele recebeu treinamento e equipamentos de seguran\u00e7a adequados? Tudo isso precisa ser analisado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as ocupacionais tamb\u00e9m s\u00e3o alvo de preocupa\u00e7\u00e3o. Conforme o juiz Luiz Antonio Colussi, titular da 30\u00aa VT de Porto Alegre e um dos gestores regionais do Programa Trabalho Seguro, enquanto os acidentes t\u00edpicos representam a face vis\u00edvel do problema, o adoecimento f\u00edsico e ps\u00edquico do trabalhador \u00e9 um processo silencioso, que prejudica a vida de muitas pessoas e onera a Previd\u00eancia. \u201cOs empregadores tamb\u00e9m devem ter uma cultura preventiva nesses casos. \u00c9 importante identificar as doen\u00e7as que mais acometem os empregados, investigar as causas e adotar medidas que evitem danos \u00e0 sa\u00fade\u201d, recomenda.<\/p>\n<p><b>TODOS PERDEM<\/b><\/p>\n<p>Colussi ainda alerta que, no acidente de trabalho, n\u00e3o apenas a v\u00edtima e sua fam\u00edlia sofrem, mas empresas e a sociedade tamb\u00e9m t\u00eam preju\u00edzos. Quando um empregado se acidenta, s\u00e3o v\u00e1rias as consequ\u00eancias poss\u00edveis para a empresa: interdi\u00e7\u00e3o do setor ou da m\u00e1quina que a v\u00edtima operava, contrata\u00e7\u00e3o de substituto, pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es e honor\u00e1rios em a\u00e7\u00f5es judiciais, responsabilidade criminal dos dirigentes, dentre outros. Em rela\u00e7\u00e3o aos cofres p\u00fablicos, o acidente de trabalho onera em termos de socorro m\u00e9dico, cirurgias, leitos em hospital, benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e outras despesas.<\/p>\n<p><b>MAIOR RISCO<\/b><\/p>\n<p>Conforme a Previd\u00eancia Social, os setores com maior n\u00famero de acidentes de trabalho s\u00e3o: \u201ccom\u00e9rcio e repara\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos automotores\u201d (14% dos casos), sa\u00fade e servi\u00e7os sociais (10%), constru\u00e7\u00e3o (8,6%), transporte, armazenagem e correios (8%), e ind\u00fastria de produtos aliment\u00edcios e bebidas (7,3%). Em 69% dos casos, as v\u00edtimas s\u00e3o do sexo masculino. Cerca de 48% dos trabalhadores acidentados t\u00eam entre 20 e 34 anos de idade.<\/p>\n<p>Abaixo, as principais estat\u00edsticas referentes a acidente de trabalho no Brasil e no Rio Grande do Sul:<\/p>\n<p><strong><i>Acidentes de trabalho \u2013 Brasil<\/i><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>2011:<\/strong> 720.629<\/li>\n<li><strong>2012:<\/strong> 713.984<\/li>\n<li><strong>2013:<\/strong> 717.911<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><i>Mortes em acidentes &#8211; Brasil<\/i><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>2011:<\/strong> 2.938<\/li>\n<li><strong>2012:<\/strong> 2.768<\/li>\n<li><strong>2013:<\/strong> 2.792<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><i>Incapacidade permanente &#8211; Brasi<\/i>l<\/strong><\/p>\n<p><strong>2011:<\/strong> 16,658<\/p>\n<p><strong>2012:<\/strong> 17,047<\/p>\n<p><strong>2013:<\/strong> 14,837<\/p>\n<p><strong><i>Acidentes de trabalho \u2013 RS<\/i><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>2011:<\/strong> 57.915<\/li>\n<li><strong>2012:<\/strong> 55.397<\/li>\n<li><strong>2013:<\/strong> 59.627<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><i>Mortes em acidentes \u2013 RS<\/i><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>2011:<\/strong> 174<\/li>\n<li><strong>2012:<\/strong> 166<\/li>\n<li><strong>2013:<\/strong> 140<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><i>Incapacidade permanente &#8211; RS<\/i><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>2011:<\/strong> 1.300<\/li>\n<li><strong>2012:<\/strong> 1.312<\/li>\n<li><strong>2013:<\/strong> 1.133<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estado tem o terceiro maior \u00edndice de acidentes do trabalho no pa\u00eds Esta ter\u00e7a-feira, 28 de abril, \u00e9 o Dia Mundial em Mem\u00f3ria \u00e0s V\u00edtimas de Acidentes de Trabalho e<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":37444,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,27],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37443"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37443"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37443\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37446,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37443\/revisions\/37446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}