{"id":37559,"date":"2015-04-29T09:39:10","date_gmt":"2015-04-29T12:39:10","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=37559"},"modified":"2015-04-29T09:39:10","modified_gmt":"2015-04-29T12:39:10","slug":"o-aprendizado-com-a-diversidade-etnica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/o-aprendizado-com-a-diversidade-etnica\/","title":{"rendered":"O aprendizado com a diversidade \u00e9tnica"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><b>\u00danica negra \u00e0 frente de uma secretaria municipal de educa\u00e7\u00e3o no Estado, Ledeci Coutinho salienta mudan\u00e7as em Cangu\u00e7u<\/b><\/h2>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p><b>A <\/b>maioria dos moradores de Cangu\u00e7u, optou por espantar o marasmo e conservadorismo, e est\u00e1 vivenciando a primeira gest\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o popular. As mudan\u00e7as desacomodam e, entre aplausos e cr\u00edticas, sacodem a estagna\u00e7\u00e3o. Entre os trunfos do prefeito Gerson Nunes, est\u00e1 o reconhecimento \u00e0 compet\u00eancia de educadora negra. Como titular da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a historiadora Ledeci Coutinho. Em quase quinhentos munic\u00edpios ga\u00fachos, ela \u00e9 a \u00fanica negra \u00e0 frente de uma secretaria de educa\u00e7\u00e3o. A singularidade sinaliza para o desafio pela democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade ga\u00facha. Ao <b>DM<\/b>, abordou sobre as primeiras iniciativas na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio vizinho. Tamb\u00e9m mencionou sobre a experi\u00eancia como diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental D. Joaquim Ferreira de Mello em Pelotas, e a trajet\u00f3ria como filha de pequenos agricultores \u201csemiescravizados\u201d.<\/p>\n<p><b>DIVERSIDADE<\/b> \u2013 Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, Ledeci menciona: \u201cO munic\u00edpio de Cangu\u00e7u apresenta grande diversidade \u00e9tnica e cultural. Costumo dizer que o munic\u00edpio \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o em menor escala da diversidade brasileira. Temos na constitui\u00e7\u00e3o de nosso munic\u00edpio: negros quilombolas; \u00edndios guaranis; pomeranos; alem\u00e3es; italianos; japoneses; portugueses e franceses. Isso significa que trabalhar a educa\u00e7\u00e3o na perspectiva da inclus\u00e3o da diversidade n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Entretanto estamos no caminho.<\/p>\n<div id=\"attachment_37561\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ledeci-2.jpg.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"O aprendizado com a diversidade \u00e9tnica \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-37561\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-37561  \" alt=\"Ledeci Coutinho foi diretora da Escola Estadual Dom Joaquim Ferreira de Mello em Pelotas\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ledeci-2.jpg.jpg\" width=\"384\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ledeci-2.jpg.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ledeci-2.jpg-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-37561\" class=\"wp-caption-text\">Ledeci Coutinho foi diretora da Escola Estadual Dom Joaquim Ferreira de Mello em Pelotas<\/p><\/div>\n<p>Em primeiro lugar, com a desconstru\u00e7\u00e3o de conceitos prontos e solidificados. Aqueles que exaltavam apenas uma refer\u00eancia \u00e9tnica e cultural. Assim, apresentamos a diversidade de forma concreta nas atividades escolares cotidianas, bem como em eventos espec\u00edficos. Ent\u00e3o, fortalecemos eventos culturais que representavam uma determinada cultura, como o Festival da Cultura Alem\u00e3, que foi transformado em Festival da Cultura Alem\u00e3 e Pomerana (FESTCAP). Al\u00e9m disso, criamos o \u2018Fest Quilombola\u2019 que representa outra cultura. Assim, diferentes culturas est\u00e3o mostrando a diversidade. Ainda s\u00e3o passos lentos mas que j\u00e1 demonstram a possibilidade de vivenciar a diversidade \u00e9tnico-cultural. E, conforme as palavras de um educador da nossa rede, essa valoriza\u00e7\u00e3o tem ocorrido de forma harmoniosa e respeitosa. S\u00e3o espa\u00e7os e momentos onde os alunos e professores, assim como a comunidade escolar, podem vivenciar e conhecer outra cultura. No contato com a diferen\u00e7a, aprendem a respeitar, encontrando similaridades compartilhadas no caldo cultural que \u00e9 a nossa realidade cangu\u00e7uense. Estamos no in\u00edcio de um processo que levar\u00e1 alguns anos para oferecer resultados mais concretos, mas o importante \u00e9 que estamos dando os primeiros passos com concretude\u201d.<\/p>\n<p><b>EXEMPLO<\/b> \u2013 A secret\u00e1ria acrescenta: \u201cMinha trajet\u00f3ria na milit\u00e2ncia pol\u00edtica inicia em Cangu\u00e7u na d\u00e9cada de 80, quando fundamos o Partido dos Trabalhadores. O convite para\u00a0 assumir a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 vinculado \u00e0 trajet\u00f3ria pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m \u00e0 experi\u00eancia exitosa na gest\u00e3o da escola Dom Joaquim Ferreira de Mello. Uma surpresa pra mim, pois n\u00e3o esperava pelo convite. Aceitei o desafio e voltei \u00e0 terra natal para gestar a educa\u00e7\u00e3o que sonhamos uma vida inteira, democr\u00e1tica, participativa e de qualidade. Implementamos a gest\u00e3o democr\u00e1tica do ensino em Cangu\u00e7u. Em quase dois anos e meio, prosseguimos a passos largos nesse processo. Fortalecemos a participa\u00e7\u00e3o da comunidade escolar nos processos decis\u00f3rios nas escolas, apostamos na forma\u00e7\u00e3o continuada de nossos colegas professores, estamos desconstruindo os espa\u00e7os antes considerados privil\u00e9gios de poucos e ampliamos a participa\u00e7\u00e3o dos diferentes setores do governo no espa\u00e7o escolar. Ampliamos a aquisi\u00e7\u00e3o de produtos da agricultura familiar na merenda escolar, renovamos o mobili\u00e1rio escolar de todas as escolas, renovamos a frota do transporte escolar com a aquisi\u00e7\u00e3o de doze ve\u00edculos novos. Neste ano realizaremos a elei\u00e7\u00e3o de diretores para todas as escolas municipais. Ent\u00e3o, ser a \u00fanica secret\u00e1ria de educa\u00e7\u00e3o municipal do Estado, \u00e9 uma responsabilidade muito grande, j\u00e1 que al\u00e9m de servir como exemplo a outras mulheres negras, tamb\u00e9m as cobran\u00e7as s\u00e3o maiores. De todo modo \u00e9 uma vergonha para nosso Estado, pois temos uma representa\u00e7\u00e3o significativa de negros e negras. Ao mesmo tempo desmascara o discurso de que a escola superou\u00a0 o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o. Eu sou a prova de que ainda temos muito que construir na democratiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o escolar e na efetiva\u00e7\u00e3o de sociedade inclusiva\u201d.<\/p>\n<p><b>RACISMO<\/b> \u2013 A luta contra o \u201cracismo cordial\u201d que caracteriza o Brasil, tem obtido conquistas. Mas Ledeci avalia: \u201cHouve muitos avan\u00e7os na luta do movimento negro brasileiro, entretanto com o acirramento do racismo, percebemos que ainda temos muito a construir, principalmente no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es raciais e projetos de pol\u00edticas publicas que atinjam a popula\u00e7\u00e3o negra. Refiro-me tanto da zona urbana quanto rural. Sabemos que ainda n\u00e3o aconteceram mudan\u00e7as estruturais, que s\u00e3o necess\u00e1rias para a mudan\u00e7a de vida das pessoas\u201d.<\/p>\n<p><b>DEMOCRATIZA\u00c7\u00c3O<\/b> \u2013 Em Pelotas como diretora da Escola Estadual Dom Joaquim Ferreira de Mello, Ledeci deparou-se com evas\u00e3o, pr\u00e9dio sucateado e preconceito institucional. Ela explica: \u201cPor alguns anos fui pesquisadora em comunidades quilombolas no interior de Cangu\u00e7u, onde compreendi o quanto e tanto ainda havia para ser constru\u00eddo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dignidade humana do meu povo negro. Ao mesmo tempo em que estudava a realidade dessas comunidades, exercia a gest\u00e3o da Escola Dom Joaquim Ferreira de Mello. \u00c0 \u00e9poca, era a escola que recebia o maior n\u00famero de negros da comunidade da vila Castilhos. Essa experi\u00eancia foi que me preparou para o exerc\u00edcio da gest\u00e3o de uma\u00a0 Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o.\u00a0 A experi\u00eancia na gest\u00e3o da escola foi marcada, inclusive, pela luta contra o preconceito institucional. Em rela\u00e7\u00e3o ao funcionamento, o pr\u00e9dio n\u00e3o oferecida a menor condi\u00e7\u00e3o de dignidade e respeito aos jovens negros, maioria naquele espa\u00e7o. Os quatro anos de gest\u00e3o foram de luta constante por respeito \u00e0 dignidade humana daquela comunidade escolar. E encerramos essa etapa com algum sucesso j\u00e1 que, quando aceitamos o desafio da dire\u00e7\u00e3o, a escola estava para ser fechada devido ao reduzido n\u00famero de alunos. Com o nosso trabalho. conseguimos mant\u00ea-la aberta e aumentar o n\u00famero de matr\u00edculas. Houve redu\u00e7\u00e3o nos \u00edndices de viol\u00eancia no ambiente escolar, pois apostamos nos programas que incentivavam a responsabiliza\u00e7\u00e3o e cuidado com a escola, atrav\u00e9s de oficinas de dan\u00e7a, capoeira, teatro\u00a0 e o programa \u2018Escola Aberta\u2019\u201d.<\/p>\n<p><b>PARTICIPA\u00c7\u00c3O<\/b> foi determinante para a nova fase na Escola Ferreira de Mello. \u201cA rela\u00e7\u00e3o com a comunidade escolar come\u00e7a com a participa\u00e7\u00e3o efetiva no conselho, sendo fortalecido e chamado a construir espa\u00e7os de inser\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do ambiente de responsabilidade de todos, onde cada cidad\u00e3o deveria se sentir parte naquilo que deveria ser comprado, ou na festa que deveria acontecer.\u00a0 Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m nas discuss\u00f5es e constru\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores, atrav\u00e9s de reuni\u00f5es e assembleias. Considero que tais instrumentos constru\u00edram a consci\u00eancia de que a escola \u00e9 um espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o coletiva de conhecimentos democr\u00e1ticos para o bem comum\u201d, conclui.<\/p>\n<p><b>TRAJET\u00d3RIA<\/b> \u2013 S\u00e9tima de oito irm\u00e3os, Ledeci aos doze anos deixou o interior para estudar. Em contato com a Pastoral da Juventude, integrou grupo de jovens que debatia a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e as ideias de Paulo Freire. No Col\u00e9gio Franciscano Nossa Senhora Aparecida, pagava o estudo no curso de magist\u00e9rio, trabalhando na limpeza das salas de aula. Em 1988, no centen\u00e1rio da Aboli\u00e7\u00e3o, motivou-se \u00e0 descoberta pela hist\u00f3ria da negritude. \u201cMinha trajet\u00f3ria escolar n\u00e3o foi diferente da maioria das crian\u00e7as negras. Ent\u00e3o, trajet\u00f3ria de exclus\u00e3o, aus\u00eancias e silenciamentos, mas principalmente de solid\u00e3o, visto que n\u00e3o \u00e9ramos a maioria na sala de aula.\u00a0 N\u00e3o me via representada no curr\u00edculo escolar e tampouco havia a preocupa\u00e7\u00e3o com a diversidade presente nas escolas. A aus\u00eancia de refer\u00eancias percorreu todo o per\u00edodo escolar desde o ensino fundamental at\u00e9 o n\u00edvel de p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o\u201d, revela. Na gradua\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria, pesquisa sobre a resist\u00eancia negra. No mestrado na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o (FaE\/UFPel), identidade e subjetividade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00danica negra \u00e0 frente de uma secretaria municipal de educa\u00e7\u00e3o no Estado, Ledeci Coutinho salienta mudan\u00e7as em Cangu\u00e7u Por Carlos Cogoy A maioria dos moradores de Cangu\u00e7u, optou por espantar<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":37561,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[30],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37559"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37559"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37562,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37559\/revisions\/37562"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37561"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}