{"id":38568,"date":"2015-05-27T09:35:22","date_gmt":"2015-05-27T12:35:22","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=38568"},"modified":"2015-05-27T09:35:22","modified_gmt":"2015-05-27T12:35:22","slug":"a-f-monquelat-lanca-as-pracas-de-pelotas-e-suas-historias-seculo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/a-f-monquelat-lanca-as-pracas-de-pelotas-e-suas-historias-seculo-xix\/","title":{"rendered":"A.F. Monquelat lan\u00e7a &#8220;As pra\u00e7as de Pelotas e suas hist\u00f3rias (S\u00e9culo XIX)\u201d"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><b>Por Manoel Magalh\u00e3es*<\/b><\/p>\n<p><b>A<\/b> preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria \u00e9 fundamental \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias no campo pol\u00edtico-cultural. Sem mem\u00f3ria, esp\u00e9cie de arqueologia hist\u00f3rica (material e emocional de um povo), sobrev\u00e9m um v\u00e1cuo, sujeito \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de fatos e, obviamente, assistir\u00edamos a fal\u00eancia de direitos e deveres, culminando com a derrocada da cidadania.\u00a0<b>Q<\/b>uem de n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o ouviu por a\u00ed a triste senten\u00e7a \u201co brasileiro n\u00e3o tem mem\u00f3ria\u201d? Pois \u00e9, a falta da mem\u00f3ria conduz \u00e0 falta de consci\u00eancia, incapacidade de nos situarmos no espa\u00e7o e no tempo.<\/p>\n<div id=\"attachment_38569\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Ad\u00e3o-Monquelat-3.jpg.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"A.F. Monquelat lan\u00e7a \"As pra\u00e7as de Pelotas e suas hist\u00f3rias (S\u00e9culo XIX)\u201d\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-38569\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-38569  \" alt=\"Ad\u00e3o Monquelat autografar\u00e1 amanh\u00e3 na Mundial\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Ad\u00e3o-Monquelat-3.jpg.jpg\" width=\"384\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Ad\u00e3o-Monquelat-3.jpg.jpg 600w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Ad\u00e3o-Monquelat-3.jpg-150x150.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Ad\u00e3o-Monquelat-3.jpg-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-38569\" class=\"wp-caption-text\">Ad\u00e3o Monquelat autografar\u00e1 amanh\u00e3 na Mundial<\/p><\/div>\n<p><b>A <\/b>prova de que somos seres fadados ao esquecimento, ao alheamento, \u00e9 a falta de curiosidade (e zelo) pelo espa\u00e7o que habitamos. Cruzamos ruas, pra\u00e7as, cal\u00e7adas e outros logradouros cujo encadeamento constr\u00f3i o que aprendemos a chamar de cidade, indiferentes, letargos.<\/p>\n<p><b>V<\/b>itimas contumazes da rotina, fechamos nosso olhar \u00e0 exist\u00eancia hist\u00f3rica, apagando de nossa consci\u00eancia a tal arqueologia emocional e material da qual somos rebentos. Com tal atitude vamos apagando o reposit\u00f3rio relevante,\u00a0\u201cmatando-nos\u201d dia ap\u00f3s dia, entregues ao cotidiano ma\u00e7ante, incapazes de escrever a futura e satisfat\u00f3ria reminisc\u00eancia, elaborando estrat\u00e9gias pol\u00edtico-culturais que balizar\u00e3o nossa condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3o com direitos e deveres.<\/p>\n<p><b>A <\/b>grande afronta \u00e0 nossa hist\u00f3ria dom\u00e9stica agiganta-se quando chegamos pela primeira vez a uma cidade pequena, m\u00e9dia ou grande, oportunidade em que, gra\u00e7as \u00e0 fuga do estafante viver rotineiro, dedicamo-nos \u00e0 novidade com afinco, sentidos alertas, olhando tudo e todos com olhos renovados, querendo enfiar tudo nos escaninhos da mente, atendendo a voca\u00e7\u00e3o de armazenar informa\u00e7\u00f5es. Todavia, retornamos e imediatamente sofremos os danos da rotina e tudo volta ao seu lugar, isto \u00e9, ao esquecimento compuls\u00f3rio.<\/p>\n<p><b>E<\/b>m raz\u00e3o, portanto, da triste voca\u00e7\u00e3o \u00e0 morte da anamnese, entram em cena os agentes de sua preserva\u00e7\u00e3o, os historiadores e pesquisadores, cuja faina incans\u00e1vel de zelar pela reminisc\u00eancia vai \u00e0s raias da exaust\u00e3o.\u00a0\u00a0Pelotas, em fun\u00e7\u00e3o de seu passado hist\u00f3rico, viu nascer ao longo dos anos pessoas com essa inclina\u00e7\u00e3o, esp\u00e9cies de detetives cujo material de trabalho s\u00e3o os velhos e carcomidos jornais, de onde, num trabalho<\/p>\n<p>minucioso ca\u00e7am informa\u00e7\u00f5es, e de detalhe em detalhe formatam rico acervo memorial\u00edstico, legando a seus contempor\u00e2neos informa\u00e7\u00f5es que servem para a edifica\u00e7\u00e3o de um lugar no tempo e no espa\u00e7o, oferecendo-nos material para profundas e necess\u00e1rias reflex\u00f5es, sem as quais \u00e9 imposs\u00edvel compreendermos o verdadeiro sentido da cidadania.<\/p>\n<p><b>A<\/b>.F. Monquelat, livreiro e pesquisador pelotense, volta \u00e0 cena com mais uma obra de cunho memorial\u00edstico. Trata-se do livro \u201cAs pra\u00e7as de Pelotas e suas Hist\u00f3rias\u201d (s\u00e9culo XIX), editado pela Editora Livraria Mundial, obra que ser\u00e1 lan\u00e7ada AMANH\u00c3 \u00a0na Livraria Mundial, das 18 \u00e0s 20h, cujo texto originalmente foi publicado no jornal <b>Di\u00e1rio da Manh\u00e3<\/b>.<\/p>\n<p><b>A<\/b>s pra\u00e7as, tradicionalmente definidas como o lugar do encontro, passagem e da sociabilidade, s\u00e3o reposit\u00f3rias de hist\u00f3rias protagonizadas pelos moradores da urbe, que as viverem de forma serena, ou, como invariavelmente ocorre, acabam se esvaindo no terreno do c\u00f4mico e do tr\u00e1gico.<\/p>\n<p><b>M<\/b>onquelat, como um m\u00e9dico auscultando as pulsa\u00e7\u00f5es da comunidade da qual \u00e9 rebento,\u00a0visita a Pelotas\u00a0\u00a0do s\u00e9culo XIX, abrindo de par em par as janelas do passado, levando o leitor a percorrer as principais pra\u00e7as de Pelotas e em ruas (com os antigos nomes) \u00e0s proximidades dessas. \u00a0E o faz mediante a leitura dos jornais da \u00e9poca (Correio Mercantil, Jornal do Commercio, Onze de Junho, Di\u00e1rio de Pelotas e Di\u00e1rio Popular entre outros), reportando-se aos acontecimentos que ocorriam nesses logradouros da Princesa que se cobre de fumo, atrav\u00e9s de pequenos e fascinantes textos, muitos desses ocorr\u00eancias policiais, \u00a0trazendo-nos uma gama de express\u00f5es foram de uso, tais como\u00a0<i>vila-diogo<\/i>\u00a0(fugir),\u00a0<i>desfor\u00e7ar-se<\/i>(revidar),\u00a0<i>valdevino<\/i>\u00a0(vagabundo) entre outras.\u00a0<b>I<\/b>nteiramo-nos, portanto, do que acontecia na Pra\u00e7a da Matriz, Pra\u00e7a do Redondo, Pra\u00e7a da Caixa D\u2019\u00c1gua, Pracinha do Porto (Pra\u00e7a da Alfandega ou Pra\u00e7a Domingos Rodrigues), Pra\u00e7a dos Macacos e Pra\u00e7a dos Enforcados. Como se l\u00ea na orelha da obra, o texto revela \u201cas mudan\u00e7as nos nomes dos logradouros ao longo do tempo\u201d, bem como vivifica personagens de antanho, fabulosos e tr\u00e1gicos, divertidos e loucos, serenos e amorosos&#8230; Enfim, a vida do pelotense do s\u00e9culo XIX entrando e saindo das pra\u00e7as, dando-lhes cores e fragr\u00e2ncias, conte\u00fados humanistas e estofos ordin\u00e1rios&#8230;<\/p>\n<p><b>A<\/b>o longo dos \u00faltimos anos, o pesquisador, tamb\u00e9m livreiro e escritor A.F. Monquelat, atrav\u00e9s de obras do mesmo g\u00eanero j\u00e1 lan\u00e7adas,\u00a0\u00a0vem mergulhando na vida da Princesa do Sul, trazendo \u00e0 luz importantes aspectos do seu passado, em necess\u00e1ria e saud\u00e1vel revis\u00e3o hist\u00f3rica, levando seus contempor\u00e2neos a verdadeiramente (re) conhecerem a cidade que, assim, emerge revelando sua verdadeira face, cujos retoques faciais (maquiagem) esconderam-na.<\/p>\n<p><b>E<\/b>nfim, um livro fundamental \u00e0 compreens\u00e3o da Pelotas de hoje e de ontem. Afinal, a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria \u00e9 indispens\u00e1vel para que nos organizemos como verdadeiros cidad\u00e3os.<br \/>\n<b>PELOTAS DOS EXCLU\u00cdDOS<\/b><\/p>\n<p><b>N<\/b>a sess\u00e3o de aut\u00f3grafos, dia 28, haver\u00e1 tamb\u00e9m o relan\u00e7amento da obra Pelotas dos Exclu\u00eddos (subs\u00eddios para uma hist\u00f3ria do cotidiano), tamb\u00e9m de A. F. Monquelat, lan\u00e7ada ano passado.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>*Jornalista, escritor, artista visual dedicado \u00e0 t\u00e9cnica \u2018naif\u2019. Saiba mais acessando: cultive-ler.com<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Manoel Magalh\u00e3es* A preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria \u00e9 fundamental \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias no campo pol\u00edtico-cultural. 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