{"id":41603,"date":"2015-08-14T09:39:39","date_gmt":"2015-08-14T12:39:39","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=41603"},"modified":"2015-08-14T09:39:39","modified_gmt":"2015-08-14T12:39:39","slug":"sete-ao-entardecer-o-avesso-da-babilonia-no-passo-do-salso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/sete-ao-entardecer-o-avesso-da-babilonia-no-passo-do-salso\/","title":{"rendered":"SETE AO ENTARDECER : O avesso da Babil\u00f4nia no Passo do Salso"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><b>Segunda \u00e0s 18h30min na F\u00e1brica Cultural \u2013 F\u00e9lix 952 -, Edu \u201cCaboclo\u201d Damatta apresentar\u00e1 \u201cBabil\u00f4nia&#8230; lado B\u201d<\/b><\/h2>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p><b>S<\/b>ete ao Entardecer do Theatro Sete de Abril, como tributo ao artista e ativista cultural Edu \u201cCaboclo\u201d Damatta. H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, ele empenha-se pela cria\u00e7\u00e3o de sonoridade original e questionadora. Al\u00e9m da m\u00fasica, produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios e in\u00fameros eventos culturais. Para o show \u201cBabil\u00f4nia&#8230; lado B\u201d, parte do repert\u00f3rio ser\u00e1 com m\u00fasicas que integram a sua participa\u00e7\u00e3o no disco recente \u201cBandito Dios\u201d. Outra metade do show ser\u00e1 com m\u00fasicas dos discos in\u00e9ditos \u201cRep\u00fablica do Salcedo\u201d \u2013 refer\u00eancia \u00e0 estrada do Passo do Salso, onde Caboclo est\u00e1 residindo -, e \u201cBodhisattva blue\u2019s\u201d, inspirado no livro \u201cOs vagabundos iluminados\u201d de Jack Kerouac (1922\/1969). Na segunda apresenta\u00e7\u00e3o no projeto ao \u201centardecer\u201d da administra\u00e7\u00e3o municipal, Caboclo ser\u00e1 acompanhado por Davi Batuka (bateria e percuss\u00e3o), Dian (baixo el\u00e9trico), e Alex Vaz (guitarra e teclados). Convidados especiais: DJ Franco; Lucia Rosselli; Lys M\u00e1rcia Ferreira; Serginho D\u2019Vassoura Ferret; Fronha; Rui Madruga; Fabr\u00edcio \u201cPardal\u201d Moura; Daniel Zanotelli; Marcela Mescalina. Na F\u00e1brica Cultural, F\u00e9lix \u2013 entre Argolo e avenida Bento -, poder\u00e1 ser adquirido o disco \u201cBandito Dios\u201d, colet\u00e2nea produzida pelo ponto de cultura \u201cOutro Sul\u201d. O Sete ao Entardecer tem ENTRADA FRANCA.<\/p>\n<p><b>SUCESSO<\/b> \u2013 Carlos Eduardo Mattos da Cunha \u00e9 natural do Rio de Janeiro, mas foi criado em Arroio Grande. Ele observa sobre a op\u00e7\u00e3o art\u00edstica avessa \u00e0 mediocridade musical: \u201cGosto do momento que estou vivenciando, pois tenho a impress\u00e3o que minha m\u00fasica e poesia, bem como a minha postura t\u00eam agradado a uma rapaziada que tamb\u00e9m me agrada. E sigo me renovando com os jovens, pois acredito que um ser humano s\u00f3 envelhece de verdade, quando perde a capacidade e o interesse em aprender coisas novas. S\u00e3o perspectivas que te mostram outras possibilidades. Ent\u00e3o, favorecendo o entendimento acerca das verdades de cada um. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 repercuss\u00e3o, o mais pr\u00f3ximo que eu tive de estar inserido dentro do mercado musical, foi nos anos oitenta quando participei de festivais nativistas, sempre no g\u00eanero da m\u00fasica latino americana. Nos demais nunca me interessei. Fa\u00e7o o que eu gosto, nunca consegui cumprir um outro papel. Gosto dessa independ\u00eancia que hoje temos com a internet, mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo pois, na carona do recurso tecnol\u00f3gico, a mediocridade encontra muito espa\u00e7o para seguir alimentando os podres poderes\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_41604\" style=\"width: 380px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Caboclo-2015.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"SETE AO ENTARDECER : O avesso da Babil\u00f4nia no Passo do Salso\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-41604\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-41604  \" alt=\"Poeta, escritor, m\u00fasico e produtor cultural Eduardo \u201cCaboclo\u201d Damatta \" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Caboclo-2015.jpg\" width=\"370\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Caboclo-2015.jpg 771w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Caboclo-2015-300x233.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-41604\" class=\"wp-caption-text\">Poeta, escritor, m\u00fasico e produtor cultural Eduardo \u201cCaboclo\u201d Damatta<\/p><\/div>\n<p><b>M\u00daSICA<\/b> \u2013 Influ\u00eancias e origens da sua musicalidade: \u201cComecei com a m\u00fasica aos dezesseis anos no Rio de Janeiro. Mas minha forma\u00e7\u00e3o musical foi nos cabar\u00e9s do Arroio Grande. A partir dos dezessete anos, passei a escutar os m\u00fasicos que tocavam naqueles ambientes. E foi quando conheci Candeia, Cartola, Garlos Gardel, Gildo de Freitas, entre tangos, milongas, sambas e boleros. Minha principal inspira\u00e7\u00e3o foram os Rolling Stones, Bob Dylan, S\u00e9rgio Sampaio, Secos e Molhados, enfim, a m\u00fasica do anos setenta. J\u00e1 nos anos oitenta conheci o m\u00fasico arroio-grandense Bas\u00edlio Concei\u00e7\u00e3o. Ele que me apresentou a m\u00fasica latino-americana de Violeta Parra, Vitor Jara, Noel Guarany, Cenair Maic\u00e1, Jaime Caetano Braun e outros milongueiros\u201d.<\/p>\n<p><b>BANDO DE SANDINO<\/b> \u2013 Na d\u00e9cada de oitenta, Caboclo esteve \u00e0 frente do criativo \u201cBando de Sandino\u201d, que gravou o vinil \u201cGibi\u201d. Ele recorda: \u201cO Bando de Sandino foi uma utopia minha aos meus 26 anos, inspirado na trilogia \u2018Mem\u00f3rias do Fogo\u2019 do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Mas o nome \u00e9 uma refer\u00eancia a uma can\u00e7\u00e3o de Daniel Viglietti e tamb\u00e9m ao disco \u2018Sandinista\u2019 da banda \u2018The Clash\u2019. Os integrantes originais foram: Eduardo Mattos (vocal, viol\u00f5es, flautas e harm\u00f4nica), Toni Macarthy (bateria), Negrinho Martins (gaita ponto e viol\u00e3o), Andr\u00e9 Lufema (guitarra), Amarelo Borges (baixo e violino), Javier Mendes (teclados) e Pedro Diaz (charango, quatro e viol\u00f5es)\u201d.<\/p>\n<p><b>EUROPA<\/b> \u2013 Na d\u00e9cada de noventa, temporada na Europa. Ele explica: \u201cMinha sa\u00edda do Brasil foi depois da elei\u00e7\u00e3o do Collor. Estava decepcionado com toda a situa\u00e7\u00e3o que envolvia o Pa\u00eds, e n\u00e3o conseguia vislumbrar perspectivas de trabalho. Ent\u00e3o decidi conhecer o mundo e minhas ra\u00edzes ib\u00e9ricas. Queria conhecer mais sobre o flamenco, o fado e a m\u00fasica do norte da \u00c1frica, mais precisamente no Marrocos, onde tamb\u00e9m tive um tempo. Mas o que mais me marcou musicalmente nessa experi\u00eancia foi a cidade de Granada na Espanha, pois vivia nas cavernas, num bairro chamado Albaicin, onde aprendi alguma coisa sobre a m\u00fasica cigana. Nesse per\u00edodo, recuperei meu interesse pela arte. Na Espanha fui m\u00fasico de rua. Quando fui morar em Barcelona conheci a m\u00fasica celta. Tamb\u00e9m a m\u00fasica z\u00edngara do leste europeu que, assim como o flamenco, est\u00e1 muito presente em minha forma\u00e7\u00e3o musical autodidata. Vivia naquilo que chamavam de \u2018quarto mundo\u2019, que \u00e9 o universo que engloba o proletariado europeu e o mundo dos imigrantes legais e ilegais, como era o meu caso. Alternava o mundo da m\u00fasica, com a vida de trabalhador bra\u00e7al, como servente de pedreiro, estivador e colhendo frutas na orla do Mediterr\u00e2neo. Por l\u00e1 conheci o mundo mu\u00e7ulmano dos marroquinos e argelinas que tamb\u00e9m trabalhavam nas colheitas\u201d.<\/p>\n<p><b>RETORNO<\/b> \u2013 Caboclo aborda sobre a volta: \u201cUm dia meus irm\u00e3os enviaram fotos da fam\u00edlia. Observei que haviam passado nove anos. At\u00e9 aquele momento eu n\u00e3o tinha me dado conta do tempo que havia passado. Senti que era hora de voltar para a Am\u00e9rica do Sul. Quando cheguei aqui foi muito interessante o cen\u00e1rio que encontrei. E devo muito ao pessoal do movimento Hip Hop: Jair Brown, Dino Efex, N\u00eago Mica, N\u00eago Anjo, DJ PC, banda Doidivanas, banda Freak Brotherz, banda Psicosaycannigia, Juc\u00e1 de Le\u00f3n. Foram eles que me apresentaram ao novo Brasil que eu desconhecia\u201d.<\/p>\n<p><b>DISCOS<\/b> de Caboclo no exterior: \u201cPhodasi\u201d e \u201cBoca de Fumo\u201d \u2013 em portugu\u00eas; \u201cChilan\u201d; \u201cRetratos de um foto mat\u00f3n\u201d; \u201cBichos malos\u201d \u2013 em espanhol; \u201cCarretera hacia La luna\u201d \u2013 gravado no Marrocos. Ap\u00f3s retornar ao Brasil: \u201cMocot\u00f3 de cabe\u00e7a\u201d; \u201cCarnaval na Babil\u00f4nia\u201d; \u201cFruteira Brian Jones\u201d. Em \u201cBodhisattva Blue\u2019s\u201d que est\u00e1 preparando, releituras de Bob Dylan, Lou Reed, Rolling Stones, Tom Waits, Sinatra. Outro projeto \u00e9 \u201cCabezadhi N\u00eago\u201d, aprovado no Procultura. Trata-se de homenagem ao gri\u00f4 mestre Baptista. Ao lado de Betinho Mereb no ponto de cultura Outro Sul, produ\u00e7\u00e3o dos discos de artistas como Marco Gottinari, Solon, Dija, Krause e Dudu Freda. Com o Kico Xavier, Caboclo participou das seis edi\u00e7\u00f5es da revista Gente Boa. Em Arroio Grande, cronista no Jornal Meridional. Os textos poder\u00e3o virar livro. Entre as produ\u00e7\u00f5es, esteve \u00e0 frente do Pedrostock (2001) em Pedro Os\u00f3rio, Acampamento do F\u00f3rum Social Mundial na Z3 em 2005. Ano seguinte, o Festival da Marambaia.<\/p>\n<p><b>POL\u00cdTICA \u2013<\/b> Ele conclui: \u201cQuanto \u00e0 minha forma de compor e me expressar artisticamente, a mistura de influ\u00eancias j\u00e1 \u00e9 algo natural, reflexo daquilo que realmente penso e sinto, sem segundas inten\u00e7\u00f5es mercadol\u00f3gicas pra agradar o sistema, pois me nego a contribuir com aqueles que compactuam com a destrui\u00e7\u00e3o do planeta. Politicamente falando \u00e9 tudo t\u00e3o deprimente. Mas minha decep\u00e7\u00e3o com a esquerda, me libertou da expectativa de viver num mundo melhor, atrav\u00e9s da atua\u00e7\u00e3o de partidos A,B,C,D etc. Na verdade \u00e9 apenas um monte de siglas, que ainda repetem o mesmo modelo romano de domina\u00e7\u00e3o de massas, um sistema escravagista, destruidor da mente e da alma, ou pelo menos do que ainda de bom resta da ra\u00e7a humana. Sempre fui um existencialista, com forma\u00e7\u00e3o de esquerda, inspirado em \u00edcones socialistas. Mas hoje em dia n\u00e3o consigo diferenciar uma imagem do Che Guevara e o logotipo da Coca Cola ou do McDonalds\u201d.<b><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segunda \u00e0s 18h30min na F\u00e1brica Cultural \u2013 F\u00e9lix 952 -, Edu \u201cCaboclo\u201d Damatta apresentar\u00e1 \u201cBabil\u00f4nia&#8230; lado B\u201d Por Carlos Cogoy Sete ao Entardecer do Theatro Sete de Abril, como tributo<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":41604,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41603"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41603"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41603\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41605,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41603\/revisions\/41605"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}