{"id":42421,"date":"2015-09-04T10:20:23","date_gmt":"2015-09-04T13:20:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=42421"},"modified":"2015-09-04T10:20:23","modified_gmt":"2015-09-04T13:20:23","slug":"seminario-debatera-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/seminario-debatera-racismo\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio debater\u00e1 racismo"},"content":{"rendered":"<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p><b>C<\/b>otista vagabundo! A inscri\u00e7\u00e3o alusiva \u00e0 pol\u00edtica de cotas na universidade p\u00fablica, est\u00e1 num dos banheiros do pr\u00e9dio no qual o jovem estudante pelotense Alisson Balhego, assiste as aulas do curso de hist\u00f3ria. Aos 25 anos, residente no bairro Santa Terezinha, Alisson diz que sua postura cr\u00edtica come\u00e7ou em casa. E destaca a orienta\u00e7\u00e3o que recebeu dos pais e av\u00f3s. Do per\u00edodo escolar, recorda que recebeu apelidos preconceituosos na primeira s\u00e9rie. Posteriormente, como aluno da rede p\u00fablica, prec\u00e1rio contato com a hist\u00f3ria e cultura afro. Na universidade, \u00e9 optativa a disciplina que aborda sobre a \u00c1frica.<\/p>\n<div id=\"attachment_42424\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Alisson-Balhego.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Semin\u00e1rio debater\u00e1 racismo\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-42424\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-42424\" alt=\"Estudante Alisson Balhego\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Alisson-Balhego-230x300.jpg\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Alisson-Balhego-230x300.jpg 230w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Alisson-Balhego.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-42424\" class=\"wp-caption-text\">Estudante Alisson Balhego<\/p><\/div>\n<p>Ele acrescenta: \u201cAs escolas n\u00e3o s\u00e3o diferentes, os textos usados ainda s\u00e3o euroc\u00eantricos. Ent\u00e3o s\u00e3o os europeus falando do Brasil e da \u00c1frica. E quando chega no conte\u00fado a abordagem \u00e9 rasa\u201d. Integrante da Frente Negra Pelotense e do coletivo \u201cAlicerce\u201d, Alisson divulga o semin\u00e1rio que acontecer\u00e1 amanh\u00e3 das 9h \u00e0s 17h na C\u00e2mara Municipal. O evento \u00e9 aberto \u00e0 comunidade e o estudante de hist\u00f3ria ser\u00e1 um dos painelistas.<\/p>\n<p><b>UNIVERSIDADE<\/b> \u2013 Acad\u00eamico do sexto semestre, Alisson menciona sobre o preconceito na universidade: \u201cNo semestre passado aconteceu uma cena lament\u00e1vel com alguns colegas de curso que, assim como eu, s\u00e3o negros. Era final de semestre, e as pessoas ficam mais agitadas e preocupadas com notas e provas nesse per\u00edodo. Meus colegas estavam no sagu\u00e3o do pr\u00e9dio conversando e afastados da cabine do senhor que faz a vigia. O sagu\u00e3o estava lotado, tinha at\u00e9 um grupo que cantava ao som de viol\u00e3o. No meio de tudo isso, o senhor que vigia o acesso do p\u00fablico foi at\u00e9 meus colegas, e mandou que calassem a boca. Ele perguntou qual a educa\u00e7\u00e3o que receberam. Ap\u00f3s, saiu resmungando, como se esperasse deles algum tipo de comportamento desordeiro. O sagu\u00e3o estava lotado! Tinha gente tocando viol\u00e3o, rindo e falando muito alto. Mas o guardinha foi direto neles! Eles estavam distantes dele.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9, por qual motivo isso acontece? E foi somente com eles. O guarda n\u00e3o reprimiu a postura \u00a0de mais ningu\u00e9m que estava no sagu\u00e3o. E eles eram os \u00fanicos negros ali. Ent\u00e3o notamos que aumentou o acesso \u00e0 universidade, mas o ambiente n\u00e3o mudou. Vivemos situa\u00e7\u00f5es bizarras, e frequentemente ouvimos piadas rid\u00edculas. \u00c9 preciso combater esse comportamento. E um momento de forma\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o, faz parte desse combate\u201d.<\/p>\n<p><b>PELOTAS<\/b> na opini\u00e3o do jovem: \u201cA cidade n\u00e3o propicia muitas oportunidades de emprego, e boa parte da popula\u00e7\u00e3o trabalha no com\u00e9rcio. Se formos pensar que o pa\u00eds vive conjuntura complexa e est\u00e1 em crise, as oportunidades tendem a diminuir mais e mais.\u00a0 Mesmo que soe negativo, ou pessimista, parece que a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 tende a piorar. Eu penso sobre o contexto, e existem ideias, frases, que apenas contribuem para a destrui\u00e7\u00e3o. Aquela ideia de que \u2018somos todos iguais\u2019 \u00e9 muito problem\u00e1tica. Ela mais exclui do que inclui. Isso fomenta a ideia de que todos temos as mesmas possibilidades. E vira argumento para criminalizar os que n\u00e3o se enquadram nesse sistema. Vejo isso como o mesmo discurso de democracia racial.<\/p>\n<p>Aqui se pensa que escapamos do racismo, da discrimina\u00e7\u00e3o. Aqui as pessoas acreditam que existiam senhores de escravos benevolentes. O que \u00e9 rid\u00edculo, e o pior, vira argumento para justificar opini\u00e3o. Ao mesmo tempo, observamos not\u00edcias e mais not\u00edcias que tratam da discrimina\u00e7\u00e3o racial. N\u00e3o parece estranho? Para que uma mudan\u00e7a comece a ocorrer, \u00e9 necess\u00e1rio desconstruir ideias. \u00c9 importante n\u00e3o creditar a juventude negra, como juventude problema. E esse processo caminha a largos passos. O governo precisa zelar pela popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o extermin\u00e1-la!\u201d.<\/p>\n<p><b><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/livros-Olga.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Semin\u00e1rio debater\u00e1 racismo\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-42423\" alt=\"livros Olga\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/livros-Olga-300x241.jpg\" width=\"300\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/livros-Olga-300x241.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/livros-Olga.jpg 540w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>LIVROS <\/b>\u00a0\u201cReinterpretando sil\u00eancios \u2013 reflex\u00f5es sobre a doc\u00eancia negra na cidade de Pelotas\/RS\u201d (editora Nandyala), e \u201cCicatrizes da escravid\u00e3o: da hist\u00f3ria ao silenciamento\u201d (editora Um2) \u2013 foto \u2013 ser\u00e3o lan\u00e7ados hoje \u00e0s 18h30min. As obras s\u00e3o autoria da pesquisadora Olga Pereira, e a sess\u00e3o de aut\u00f3grafos acontecer\u00e1 no sagu\u00e3o da Livraria Vanguarda T\u00e9cnicos \u2013 sagu\u00e3o do Campus da UCPel. Amanh\u00e3 tamb\u00e9m haver\u00e1 lan\u00e7amento no semin\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o da Frente Negra Pelotense.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Cogoy Cotista vagabundo! 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