{"id":43256,"date":"2015-09-25T09:52:19","date_gmt":"2015-09-25T12:52:19","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=43256"},"modified":"2015-09-25T09:52:19","modified_gmt":"2015-09-25T12:52:19","slug":"dando-circuito-de-musica-paisagens-sonoras-nas-trilhas-da-viola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/dando-circuito-de-musica-paisagens-sonoras-nas-trilhas-da-viola\/","title":{"rendered":"DAND\u00d4 CIRCUITO DE M\u00daSICA : Paisagens sonoras nas trilhas da viola"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><b>Amanh\u00e3 \u00e0s 20h no audit\u00f3rio da Adufpel \u2013 Major C\u00edcero 101 -, apresenta\u00e7\u00e3o da compositora e cantora paulista Katya Teixeira<\/b><\/h2>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p><b>O <\/b>disco mais recente \u201c2 Mares\u201d\u00a0 foi selecionado na 25\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio da M\u00fasica Brasileira ano passado. No repert\u00f3rio, m\u00fasicas da tradi\u00e7\u00e3o luso-brasileira em parceria com o cantador mineiro Luiz Salgado.\u00a0 Com o anterior, disco \u201cFeito de Corda e Cantiga\u201d, indica\u00e7\u00e3o ao 23\u00ba Pr\u00eamio da M\u00fasica Brasileira em 2012. O segundo CD \u201cLira do Povo\u201d \u00e9 de 2005, e foi indicado em tr\u00eas categorias ao Pr\u00eamio Tim de M\u00fasica: cantora regional; CD regional e cantora pelo voto popular. Seu primeiro disco \u201cKatxer\u00ea\u201d \u00e9 de 1997. Discografia da compositora e int\u00e9rprete paulista Katya Teixeira, que amanh\u00e3 realizar\u00e1 show em Pelotas. Idealizadora e gestora do projeto \u201cDand\u00f4 Circuito de M\u00fasica D\u00e9rcio Marques\u201d, que est\u00e1 completando dois anos, Katya diz que apresentar\u00e1 suas \u201cpaisagens sonoras\u201d.<\/p>\n<p>Acompanhada pelo viol\u00e3o \u201cAndejo\u201d, viola de cocho \u201cPatativa Buxudinha\u201d e a rabeca \u201cCi\u00e7a\u201d, ela mostrar\u00e1 m\u00fasicas dos quatro discos. Como tem acontecido nas edi\u00e7\u00f5es mensais do circuito em Pelotas, o grupo anfitri\u00e3o ser\u00e1 o \u201cTri-Lhos\u201d. E Katya diz que haver\u00e1 interpreta\u00e7\u00f5es em parceria. Ela sugere \u201clatinidades\u201d, com m\u00fasicas de Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui e Mercedes Sosa. Apoio do Eco Restaurante e Caf\u00e9, CUT, Adufpel, Sindicato dos Banc\u00e1rios, SIMP, R\u00e1dio COM, CPERS e \u201cSarrafo Visual\u201d. Ingresso a R$20,00 \u2013 meia entrada para professores, estudantes, portadores de necessidades, pessoas acima dos sessenta anos, e jovens entre quinze e 29 anos cuja fam\u00edlia com baixa renda est\u00e1 inscrita no Cadastro \u00danico.<\/p>\n<p><b>AMIGOS \u2013 <\/b>Katya j\u00e1 cantou em Pelotas e Pedro Os\u00f3rio. Na primeira vinda \u00e0 cidade, convite do produtor Caio Lopes. Em Pedro Os\u00f3rio, convite<b> <\/b>do \u201cdesacontecido c\u00f4nsul da cultura Santana\u201d, como diz a artista. Por l\u00e1, o circuito \u201cDand\u00f4\u201d tamb\u00e9m conta com o apoio de Simone Vara, Auta In\u00eas e Fabiani Felix, bem como da Secretaria Municipal de Cultura. Outra parceria que destaca \u00e9 com o m\u00fasico Giarcarlo Borba \u2013 residiu em Pelotas -, que coordena o circuito no Estado. Em Rio Grande, anfitri\u00e3o e coordenador Roberto Sousa, com apoio da FURG. Em Caxias do Sul, a coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 do violeiro Valdir Verona \u2013 neste ano apresentou-se em Pelotas. O circuito que homenageia o mineiro \u201cD\u00e9rcio Marques\u201d (1947\/2012), tem proporcionado interc\u00e2mbio e valoriza\u00e7\u00e3o da arte de raiz. Logo ap\u00f3s o falecimento do artista mineiro, Katya sugeriu um circuito que, ao inv\u00e9s do marketing e grande m\u00eddia, fosse viabilizado atrav\u00e9s da solidariedade. E o resultado est\u00e1 na trajet\u00f3ria que alcan\u00e7a dois anos. Conforme diz, foram mais de duzentos espet\u00e1culos. Apresenta\u00e7\u00f5es de mais de oitenta artistas em trinta cidades de oito Estados. Neste ano tem sido divulgada a colet\u00e2nea \u201cUm canto em cada canto do Brasil &#8211; \u00a0Dand\u00f4 Circuito de M\u00fasica Dercio Marques\u201d, que tem catorze faixas e distribui\u00e7\u00e3o da \u201cTratore\u201d.<\/p>\n<p><b>PAISAGEM<\/b> \u2013 Katya acrescenta: \u201cVenho buscando mais sentido que defini\u00e7\u00e3o. Sempre compartilhei palco e sonhos com muitos artistas, inclusive misturando linguagens de arte como poesia, conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, fotografia, artes pl\u00e1sticas, dan\u00e7a, teatro de sombra e bonecos, literatura. Creio que a arte tem de ser uma extens\u00e3o do ser, do meio em que acontece, tem que nos representar. Para entender um ritmo, um estilo, tenho que conviver no local em que ele acontece, pois \u00e9 o resultado\u00a0da geografia,\u00a0da f\u00e9, trabalho, \u00f3cio, o jeito de andar e falar, e at\u00e9 o sil\u00eancio ou ru\u00eddo. \u00c9 a paisagem sonora\u201d. Na internet: katyateixeira.com.br<\/p>\n<div id=\"attachment_43257\" style=\"width: 585px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Katya-Teixeira.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"DAND\u00d4 CIRCUITO DE M\u00daSICA : Paisagens sonoras nas trilhas da viola\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-43257\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-43257 \" alt=\"Katya Teixeira idealizou o circuito que ultrapassou duzentos espet\u00e1culos\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Katya-Teixeira.jpg\" width=\"575\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Katya-Teixeira.jpg 719w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Katya-Teixeira-300x250.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-43257\" class=\"wp-caption-text\">Katya Teixeira idealizou o circuito que ultrapassou duzentos espet\u00e1culos<\/p><\/div>\n<h2><b>A op\u00e7\u00e3o pela m\u00fasica <\/b><\/h2>\n<p><b>K<\/b>atya<b> <\/b>menciona sobre o come\u00e7o da liga\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica: \u201cSou paulistana da \u2018clara\u2019, j\u00e1 que se diz que \u00e9 da \u2018gema\u2019 quem nasce no centro. Nasci na regi\u00e3o sul de S\u00e3o Paulo capital, na Serra do Mar. Assim como a maioria dos paulistanos descendente de migrantes e imigrantes, sou filha de mineira e de alagoano, numa mescla de ind\u00edgenas, negros e portugueses, a \u2018tr\u00edplice euro-afro-\u00edndio\u2019, E por ter nascido nesse lugar, onde rural e urbano se encontram, e gente de tantos cantos se mistura, minha m\u00fasica e minha arte se fez e se faz poss\u00edvel. Venho de uma fam\u00edlia de m\u00fasicos, apesar de ser a primeira gera\u00e7\u00e3o que vive dela e pra ela. Meu av\u00f4 era seresteiro e a m\u00e3e dele cantora l\u00edrica. Foi do meu av\u00f4, a primeira m\u00fasica, uma marchinha, que cantei em um festival da escola aos onze anos. Lembro como se fosse hoje, minha m\u00e3e me dizendo como subir no palco e encarar o p\u00fablico, apesar dos joelhos estarem tremendo. Ela aconselhava a mirar o fundo do gin\u00e1sio e concentrar nele. Bem mais tarde, Inezita Barroso me diria que o nervosismo e ansiedade, antes de entrar no palco, s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o passam. T\u00eam a ver com a responsabilidade pela mensagem que iremos transmitir\u201d.<\/p>\n<h2><b>Parcerias e influ\u00eancias<\/b><\/h2>\n<p><b>A <\/b>artista aborda acerca das influ\u00eancias e parcerias: \u201cA minha casa sempre foi cheia de m\u00fasica e meu primeiro instrumento foi o viol\u00e3o aos sete anos de idade. Meus av\u00f3s, pais, tios e tias cantavam e tocavam instrumentos. Dali saiu ou grupo Bando Flor do Mato, que pesquisava a cultura popular. Cresci nos bastidores de programas como Viola Minha Viola e Som Brasil. E naturalmente houve o contato com os cantadores, poetas e pesquisadores: Jo\u00e3o B\u00e1; Vidal Fran\u00e7a; Irene Portela; Mochel; Ubiratan Sousa; Almir Sater; Renato Teixeira; Doroty Marques e D\u00e9rcio Marques; Z\u00e9 Gomes entre tantos. Desses destaco Vidal Fran\u00e7a, D\u00e9rcio e Doroty Marques. Vidal foi meu primeiro mestre fora de casa. Com ele, aos doze anos, fui profissionalmente aos palcos e est\u00fadios. Nessa idade tamb\u00e9m recebi o primeiro cach\u00ea por uma grava\u00e7\u00e3o em est\u00fadio. Achei incr\u00edvel ser remunerada pelo que se gosta. Ent\u00e3o soube que seria a minha escolha pra vida. Mal sabia que estava escolhendo uma vida de cigarra, para levar uma vida de formiga. Aos dezessete anos compus a primeira cantiga \u2018Karara\u00f4\u2019, que venceu festival universit\u00e1rio em S\u00e3o Paulo\u201d. Ela salienta o exemplo do tio folclorista Eliezer Teixeira.<\/p>\n<h2><b>Elogio a D\u00e9rcio Marques<\/b><\/h2>\n<p><b><\/b><b>A <\/b>inspira\u00e7\u00e3o em D\u00e9rcio Marques, artista talentoso e generoso: \u201cO D\u00e9rcio Marques foi e vai continuar sendo amigo e mestre querido. Ele, melhor que ningu\u00e9m, entendeu e disseminou a import\u00e2ncia do encontro e uni\u00e3o pra algo maior. Ele mesclou a m\u00fasica de tantos cantos e mapeou\u00a0ao lado do grande sonhador e realizador Marcus Pereira, que atrav\u00e9s da gravadora que levava seu nome, trouxe ao conhecimento do Brasil nomes como Tapes, Cartola e tantos outros. D\u00e9rcio era um polinizador cultural, levava o canto do sul para o norte, do norte para o centro-oeste e da\u00ed por diante, unindo pessoas e ideias. Entrela\u00e7ando saberes. Participei de uma infinidade de shows, caminhei por muitas estradas com ele, gravei em uma s\u00e9rie de CDs dele e outros tantos que ele produziu, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o dele nos meus CDs. Foi com ele que aprendi as artimanhas das grava\u00e7\u00f5es e, de como trazer as paisagens sonoras para dentro do CD. Ele um dia me disse que a m\u00fasica tem que ser magia e eu a feiticeira&#8230; Assim como Doroty Marques, sua irm\u00e3 e parceira, e tamb\u00e9m minha mestra e amiga querida. D\u00e9rcio sempre foi, como dizia Jo\u00e3o B\u00e1, uma ponte que unia o Brasil. Ele deixou um grande legado para um Brasil que est\u00e1 \u00e0 margem da m\u00eddia de massa, um Brasil de cantadores e tocadores, trovadores e menestr\u00e9is. Gente cantando e tocando sua hist\u00f3ria e fazendo nossa cultura mais forte de sul a norte pelo Pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<h2><b>A guerrilha que canta<\/b><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O <\/b>Dand\u00f4 ser\u00e1 ampliado em 2016. Katya diz que o circuito abranger\u00e1 mais dezoito cidades em diferentes Estados. Al\u00e9m disso, chegar\u00e1 ao Uruguai, Argentina e Chile. O projeto n\u00e3o espera acontecer: \u201cA\u00a0 nossa ideia \u00e9 que possamos fazer o uso adequado dos teatros, salas de concerto, audit\u00f3rios e fazer acontecer arte de boa qualidade, criando uma cartografia musical, trabalhando com a realidade local, com ou sem apoio e patroc\u00ednio. N\u00e3o somos contra patroc\u00ednios ou editais ou as leis de incentivo, apenas n\u00e3o podemos depender delas, a arte tem urg\u00eancia e momento certo pra acontecer. Como bem disse o Andr\u00e9 Coelho, m\u00fasico mineiro, num desabafo: \u2018Imaginem s\u00f3, se Dorival Caymmi tivesse que sair da rede para escrever projeto, ou se Noel Rosa, com o breve tempo de vida que teve, dependesse da resposta de um edital pra fazer sua obra acontecer\u2019. Ali\u00e1s, o artista que n\u00e3o sabe escrever um projeto ou edital est\u00e1 automaticamente condenado a n\u00e3o produzir, se pensarmos como a \u00fanica alternativa, e quem perde? Todos n\u00f3s\u201d. Ela lembra que, ao final do primeiro show do projeto, ap\u00f3s explanar sobre a ideia \u201csolid\u00e1ria\u201d, algu\u00e9m levantou e disse: \u201cEnt\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 convidando para cantoria e sim pra guerrilha\u201d.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanh\u00e3 \u00e0s 20h no audit\u00f3rio da Adufpel \u2013 Major C\u00edcero 101 -, apresenta\u00e7\u00e3o da compositora e cantora paulista Katya Teixeira Por Carlos Cogoy O disco mais recente \u201c2 Mares\u201d\u00a0 foi<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":43257,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43256"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43256"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43256\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43258,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43256\/revisions\/43258"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}