{"id":44710,"date":"2015-11-10T09:22:17","date_gmt":"2015-11-10T11:22:17","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=44710"},"modified":"2015-11-10T09:22:17","modified_gmt":"2015-11-10T11:22:17","slug":"escritora-da-liberdade-na-kizomba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/escritora-da-liberdade-na-kizomba\/","title":{"rendered":"Escritora da liberdade na \u201cKizomba\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><b>Domingo \u00e0s 14h na \u201cPra\u00e7a da Rodovi\u00e1ria\u201d, escritora Rosana Soares ministrar\u00e1 oficina de contos e cr\u00f4nicas <\/b><\/h2>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p><b>G<\/b>uerra Muda, Luzes de Ne\u00f3n e O Acerto. Contos da pelotense Rosana Soares, que integraram a colet\u00e2nea da primeira oficina de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, ministrada pela escritora Hilda Sim\u00f5es Lopes. Era 1998 e Rosana teve a experi\u00eancia de ver seus textos publicados. Para chegar at\u00e9 a sess\u00e3o de aut\u00f3grafos, etapas como a leitura de \u201cromances a\u00e7ucarados\u201d, narrativas manuscritas em cadernos, e a oficina que estimulou debates sobre autores e textos dos integrantes. Leitora das cr\u00f4nicas da jornalista e escritora Teresa Cunha, Rosana encorajou-se e levou romance \u2013 ainda in\u00e9dito \u2013 para avalia\u00e7\u00e3o. A jornalista percebeu o talento e sugeriu a participa\u00e7\u00e3o na oficina de literatura. A ideia teve acolhida da escritora Hilda Sim\u00f5es Lopes. Na oficina, Rosana teve acesso a diferentes obras liter\u00e1rias. Tamb\u00e9m foi orientada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escrita, e aprimorou sua t\u00e9cnica. Desde ent\u00e3o, trajet\u00f3ria diversificada. E Rosana dedicou-se \u00e0 literatura de cordel, elaborando livretos manualmente. Tamb\u00e9m teve o conto \u201cA perua e o sapo\u201d adaptado ao teatro. Em concurso liter\u00e1rio, foi a sexta colocada no Pa\u00eds, concorrendo com 1.700 escritores.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi uma das idealizadoras da ONG Literatura Artesanal (LART). Ela e cinco autoras publicaram colet\u00e2nea. Rosana participou com os textos \u201cLara Bianque\u201d e \u201cEnrolando sil\u00eancio\u201d. No projeto CRIA, desenvolveu a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias com crian\u00e7as e adolescentes. Desde 2012, acatando sugest\u00e3o do filho Liader, divulga sua literatura no site Recanto das Letras. No domingo, Rosana estar\u00e1 compartilhando sua experi\u00eancia e trocando ideias na programa\u00e7\u00e3o do 7\u00ba Semin\u00e1rio da Consci\u00eancia Negra de Pelotas (SECONEP). Ela foi convidada pela professora Carolina Baptista Gomes (UFPel). Na \u201cKizomba\u201d que ser\u00e1 realizada na Pra\u00e7a da Rodovi\u00e1ria \u2013 avenida Jo\u00e3o Goulart 4.608 -, apresentar\u00e1 textos e incentivar\u00e1 o p\u00fablico \u00e0 literatura. Ela tamb\u00e9m convida autores, para que prestigiem e exponham suas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>LIVRE <\/b>\u2013 Em 1996, motivada pela ent\u00e3o ONG Gri\u00f4, Rosana exp\u00f4s cr\u00f4nicas na Feira do Livro. Ela adaptou textos \u00e0 tem\u00e1tica \u00e9tnica e recorda da cr\u00f4nica \u201cConfiss\u00f5es de um negro decente\u201d. Mas, como autora, refuta o r\u00f3tulo de \u201cescritora negra\u201d. Assim, enfatiza que, tanto pode escrever acerca da discrimina\u00e7\u00e3o racial, quanto as mais variadas quest\u00f5es humanas. Escritora livre, Rosana comenta: \u201cO grupo precisava de uma negra que escrevesse. Eu queria mostrar que sabia, mas gostava de escrever de tudo. Ent\u00e3o, foi quase um choque, pois tive de falar sobre racismo num momento em que estava totalmente despreparada, e nunca havia me interessado em ler nada sobre o assunto.<\/p>\n<div id=\"attachment_44711\" style=\"width: 255px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rosana-Soares.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Escritora da liberdade na \u201cKizomba\u201d \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-44711\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-44711  \" alt=\"AUTORA Rosana Soares no Semin\u00e1rio da Consci\u00eancia Negra\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rosana-Soares.jpg\" width=\"245\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rosana-Soares.jpg 454w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rosana-Soares-227x300.jpg 227w\" sizes=\"(max-width: 245px) 100vw, 245px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-44711\" class=\"wp-caption-text\">AUTORA Rosana Soares no Semin\u00e1rio da Consci\u00eancia Negra<\/p><\/div>\n<p>Tive de ler para saber o que dizer, e n\u00e3o me sentia \u00e0 vontade fazendo isso. Tanto que minhas cr\u00f4nicas viraram cr\u00edticas. A \u00fanica que gostei foi \u2018Confiss\u00f5es de um negro decente\u2019. No texto, me transformo num jovem adolescente dos anos oitenta. Me expressando como um guri, coloquei coisas que ouvi falar ou me contaram. Me senti bem \u00e0 vontade com essa cr\u00f4nica narrativa\u201d.<\/p>\n<p><b>NEGRA <\/b>\u2013 A escritora acrescenta sobre a trajet\u00f3ria e a discrimina\u00e7\u00e3o: \u201cAntes de aprender a ler, a \u00fanica pessoa que sabia, mais ou menos, era uma das tias. Ela lia uma estorinha que tinha um anjinho, n\u00e3o lembro o que era. Recordo que era curtinha e eu adorava ouvir. Quando aprendi a ler fui at\u00e9 ela pegar o livro. E li muitas vezes em voz alta, toda orgulhosa. Da\u00ed nasceu minha mania de ler mil vezes o mesmo livro,\u00a0 quando gosto da est\u00f3ria. Escrevi sobre isso, sobre minha inf\u00e2ncia, numa cr\u00f4nica, observando que fui feliz enquanto crian\u00e7a. Nem lembro da nossa humildade. Sobre racismo ent\u00e3o? Quase nada. S\u00f3 algumas frases que n\u00e3o entendia, mas que carreguei pra vida adulta: \u2018se n\u00e3o fosse negro, isso n\u00e3o aconteceria\u2019; \u2018se fosse branco seria diferente\u2019. A experi\u00eancia me bloqueou um pouco, ou muito, e sempre tive aquela impress\u00e3o: \u2018onde \u00e9 meu lugar como negra?\u2019. Assim, o que\u00a0 achava que fosse timidez, na verdade, por ser negra, era a dificuldade de saber como seria tratada em certos lugares\u201d.<\/p>\n<p><b>ABERTURA<\/b> \u00e0 criatividade conforme Rosana: \u201cMe surpreendi quando comecei a escrever sobre racismo. N\u00e3o desconfiava que soubesse tudo o que li. Entrei em blogs de ativistas, conheci a hist\u00f3ria da escritora negra Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, e pretendo ler um dos seus livros. Mas quero estar aberta a qualquer tipo de texto, hist\u00f3ria, sem ficar me prendendo em quest\u00f5es raciais. Liberdade de express\u00e3o serve para todo mundo, inclusive pra mim\u201d.<\/p>\n<h1><b>Textos in\u00e9ditos de Rosana\u00a0<\/b><\/h1>\n<p><b>A <\/b>escritora pelotense<b> <\/b>tem in\u00fameros textos in\u00e9ditos.<b> <\/b>S\u00e3o contos, cr\u00f4nicas e romances. Ela menciona: \u201cMaterial para publicar um livro de cr\u00f4nicas? Nossa! Est\u00e1 pronto, esperando corre\u00e7\u00e3o. E a capa foi feita pelo filho, que estuda design. Contos in\u00e9ditos? Nem tanto, mas, se pedir, veja se n\u00e3o vou aparecer com pelos menos uns oito. J\u00e1 os romances, enquanto n\u00e3o forem reescritos, n\u00e3o pretendo escrever novos\u201d.<\/p>\n<p><b>FILHO <\/b>\u2013 Durante per\u00edodo, Rosana escreveu hist\u00f3rias infantis e participou de teatro de fantoches. H\u00e1 tr\u00eas anos, diz a autora, esteve com o filho na Bienal do Livro de S\u00e3o Paulo. Ela salienta a parceria afetiva: \u201cPedi a Deus para ser m\u00e3e, e fui presenteada com um cara que \u00e9 minha vers\u00e3o masculina. Aos 21 anos, bem mais adulto do que eu nessa idade. Desde os tr\u00eas anos, meu parceiro em feiras do livro e eventos. Aos dez anos aprendeu a desenhar. Ent\u00e3o n\u00e3o dei mais sossego, pedindo que ele desenhasse \u00e0s crian\u00e7as nas casas lares, onde fizemos trabalho volunt\u00e1rio durante seis anos. Temos a amizade, sabedoria e cumplicidade de m\u00e3e e filho. E o Liader, desde os dezesseis anos, foi aprovado em quatro vestibulares. Ele \u00e9 formado em comunica\u00e7\u00e3o visual, e est\u00e1 cursando o bacharelado em design. Formador de opini\u00e3o, alugo ele para que leia meus textos e diga o que acha. Tamb\u00e9m \u00e9 o meu fot\u00f3grafo e se tornou um grande leitor. Quando nos mudamos, t\u00ednhamos mais livros do que m\u00f3veis\u201d.<\/p>\n<h1><b>Cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria sem press\u00e3o <\/b><\/h1>\n<p><b>R<\/b>osana foi instigada \u00e0 reflex\u00e3o sobre o racismo. Sentiu a necessidade do afastamento, e gradativamente vai localizando sua identidade. Na cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, salienta que n\u00e3o admite \u201cpatrulha\u201d.<b><\/b><\/p>\n<p><b>APRENDIZADO<\/b> \u2013 \u201cTenho uma cr\u00f4nica que se chama \u2018A Dif\u00edcil Arte de ser Negro\u2019. No texto digo exatamente sobre como a gente \u00e9 visto, e quer ser visto. N\u00e3o sou militante mas admiro e conhe\u00e7o alguns at\u00e9 famosos e seus \u2018blogs\u2019. N\u00e3o concordo com a press\u00e3o\u00a0 de alguns ativistas em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es do negro. \u00c9 o enfoque no qual prevalece que o negro, por ser negro, \u2018tem\u2019 que saber. N\u00e3o gosto de ser pressionada, e fui me aprofundar realmente quando me convidaram para participar do evento. Lia esporadicamente,\u00a0 uma coisa ou outra. E fui me interessando em conhecer mais, at\u00e9 para n\u00e3o escrever bobagens. Mas, com a idade adulta, aprendemos a nos colocar melhor. A maturidade, quando bem aceita pelo indiv\u00edduo, traz respostas a in\u00fameras inquieta\u00e7\u00f5es juvenis. Estou mais receptiva em rela\u00e7\u00e3o a minha etnia, para saber mais e aprender mais. S\u00f3 n\u00e3o gosto de me destacar por ser negra e morar na periferia. Acho justo que o branco, se destaque tamb\u00e9m por ser branco e tamb\u00e9m morar na periferia. Queremos direitos iguais, somos bonitos, tanto quanto os brancos, cantamos e dan\u00e7amos como qualquer outra etnia. Ent\u00e3o, por que ser tratado diferente por ser negro de periferia e escrever?\u201d, questiona.<\/p>\n<h2><b>Ler e escrever <\/b><\/h2>\n<p><b>A <\/b>escritora observa sobre o prazer da leitura o crescimento com a escrita: \u201c\u00c9 aquela viagem sem sair de casa, que nos faz refletir, aquele momento s\u00f3 meu. O livro novo \u00e9 cuidado para que n\u00e3o seja amassado. Ao abrir a capa, descobrimos um outro mundo. E damos risadas, contamos como se tiv\u00e9ssemos vivido aquilo. J\u00e1 criar um personagem, dar voz sem emitir nenhum som, um corpo, uma personalidade, nossa! Ler \u00e9 se permitir, aprender a escrever melhor, a falar corretamente. Quem nunca correu para o dicion\u00e1rio, querendo saber o significado de tal palavra que lhe chamou aten\u00e7\u00e3o? Pronto, bastou essa necessidade e est\u00e1 enriquecido o seu vocabul\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo \u00e0s 14h na \u201cPra\u00e7a da Rodovi\u00e1ria\u201d, escritora Rosana Soares ministrar\u00e1 oficina de contos e cr\u00f4nicas Por Carlos Cogoy Guerra Muda, Luzes de Ne\u00f3n e O Acerto. 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