{"id":55394,"date":"2016-10-11T09:24:55","date_gmt":"2016-10-11T12:24:55","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=55394"},"modified":"2016-10-11T18:32:28","modified_gmt":"2016-10-11T21:32:28","slug":"filhos-de-tereza-arte-de-resistencia-do-cabelo-ao-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/filhos-de-tereza-arte-de-resistencia-do-cabelo-ao-movimento\/","title":{"rendered":"FILHOS DE TEREZA : Arte de resist\u00eancia do cabelo ao movimento"},"content":{"rendered":"<p><b>C<\/b>omo base a hist\u00f3ria do racismo no Brasil, e as viv\u00eancias do elenco. A Cia. Teatral Filhos de Tereza, em atividade h\u00e1 oito meses, re\u00fane jovens atores negros. Trata-se de grupo de teatro preto independente, como diz Ingrid Duarte, riograndina que cursa a licenciatura em teatro na UFPel. Ela e o ator e produtor Everton Lima, que integravam a Cia. Aleat\u00f3rios \u2013 direcionada a esquetes humor\u00edsticos -, reuniram-se para criar grupo com \u201catores negros falando de racismo\u201d. Na trajet\u00f3ria, foram agregando amigos e surgiu o projeto \u201cTereza da Silva\u201d. Fragmentos da montagem, t\u00eam sido apresentados em eventos. A estreia acontecer\u00e1 no come\u00e7o de novembro, provavelmente no Clube Cultural Fica Ah\u00ed. No elenco tamb\u00e9m est\u00e3o os pelotenses Tatiana \u201cCuba\u201d Duarte, Andreza Mattos e Junior Mattos, moradores no Navegantes. J\u00e1 Grazielle Bessa \u00e9 paulista, e Everton, mineiro de Varginha. Na equipe, colaboradores como a fot\u00f3grafa Carol Tavares, designers gr\u00e1ficos Alison Mattos e Mateus Borges.<\/p>\n<p><b>QUESTIONAR<\/b> \u2013 Ingrid explica: \u201cTereza da Silva \u00e9 pensada para que seja uma porta de discuss\u00e3o sobre racismos que, diariamente, t\u00eam nos matado cruelmente, como o machismo, capitalismo e religi\u00e3o. Abordamos esses temas numa forma que desacomode o p\u00fablico, nossa mensagem \u00e9 clara e incisiva. A realidade \u00e9 essa, e o que voc\u00ea ir\u00e1 fazer? \u00c9 o nosso compromisso e, como s\u00e3o temas de bastante urg\u00eancia que nos machucam cotidianamente, continuaremos nossa caminhada, aprofundando e pesquisando. A ideia \u00e9 que a nossa mensagem chegue ao m\u00e1ximo de pessoas\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_55397\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/filhos-de-tereza-teatro-jpg.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"FILHOS DE TEREZA : Arte de resist\u00eancia do cabelo ao movimento\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-55397\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55397  \" alt=\" Grupo Filhos de Tereza re\u00fane Carol Tavares, Everton Lima, Andreza Mattos e Ingrid Duarte \" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/filhos-de-tereza-teatro-jpg.jpg\" width=\"384\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/filhos-de-tereza-teatro-jpg.jpg 800w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/filhos-de-tereza-teatro-jpg-150x99.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/filhos-de-tereza-teatro-jpg-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-55397\" class=\"wp-caption-text\">Grupo Filhos de Tereza re\u00fane Carol Tavares, Everton Lima, Andreza Mattos e Ingrid Duarte<\/p><\/div>\n<p><b>PESQUISA<\/b> \u2013 Texto e dire\u00e7\u00e3o de \u201cTereza da Silva\u201d, s\u00e3o de Ingrid que acrescenta: \u201cComecei o processo do texto de Tereza, enquanto fazia um curso de cultura afro. Observava acerca dos v\u00e1rios her\u00f3is e hero\u00ednas negros, que marcaram a hist\u00f3ria do povo negro. A partir disso, apareceu Tereza, numa homenagem ao dia 25 de julho, quando se comemora o Dia da Mulher Negra. E, como s\u00edmbolo dessas guerreiras, est\u00e1 Tereza de Benguela, representante das mulheres negras. Al\u00e9m de Tereza de Benguela, tamb\u00e9m buscamos outras hero\u00ednas negras, t\u00e3o importantes e fortes quanto ela. E nossa pesquisa ainda est\u00e1 em processo, pois seguimos aprendendo e descobrindo muitas coisas, inclusive sobre nossa hist\u00f3ria.\u00a0 Ent\u00e3o estamos no caminho para a constru\u00e7\u00e3o e fortalecimento de nossa identidade. E quando perguntam sobre o nosso recado \u00e0 sociedade, \u00a0repito o texto da nossa logo: \u2018Nossa arte \u00e9 de resist\u00eancia do cabelo ao movimento\u2019\u201d.<\/p>\n<p><b>AUTOESTIMA<\/b> \u2013 O teatro salva, bem como o amparo familiar. \u00canfase de Ingrid ao relatar sobre as barreiras no cotidiano: \u201cInfelizmente os atos racistas, machistas e homof\u00f3bicos fazem parte do nosso dia-a-dia. E sempre que levantamos essas quest\u00f5es, temos in\u00fameros exemplos para dar, provando que existem e nos chicoteiam a todo instante. Por\u00e9m, de todas as tristes hist\u00f3rias, conto sempre como foi dif\u00edcil minha adolesc\u00eancia, a minha solid\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o. Eu nunca gostei de alisar o cabelo, embora tenha sido a realidade das minhas colegas. Eu resisti, mantive meus cachos, mas eu fiquei \u2018brigada\u2019 com o espelho durante anos. Minha autoestima era muito baixa e eu sofria bastante quando precisava ir nalguma festa. Isso afetou n\u00e3o s\u00f3 minha vida social, mas tamb\u00e9m minha sa\u00fade. O lado bom foi que minha fam\u00edlia e o teatro, sempre me reergueram. Eu tive essa sorte\u201d.<\/p>\n<h3>RACISMO \u2013 O mineiro Everton durante dez anos morou num parque de divers\u00e3o. Apaixonado pelo circo, come\u00e7ou a liga\u00e7\u00e3o com o teatro na escola. Ele acrescenta: \u201cTereza da Silva veio como um p\u00e9 na porta, para que todos do grupo pudessem contar suas hist\u00f3rias e de seus antepassados. Hist\u00f3ria que muitas vezes nos \u00e9 negada, a historia negra desse pa\u00eds, e essa historia \u00e9 violenta, sangrenta, mas tamb\u00e9m \u00e9 bonita. Na pe\u00e7a colocamos em evid\u00eancia o racismo, viol\u00eancia, machismo, sexismos, homofobia entre outras quest\u00f5es, e sob o nosso ponto de vista, o pronto de vista negro, pois sabemos que por mais que sejam quest\u00f5es delicadas, atingem de forma diferente o povo branco\u201d.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_55395\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/fillhos-de-tereza-em-cena-jpg.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"FILHOS DE TEREZA : Arte de resist\u00eancia do cabelo ao movimento\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-55395\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-55395\" alt=\"J\u00fanior, Andreza, Ingrid, Everton e Tatiana Duarte na UCPel\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/fillhos-de-tereza-em-cena-jpg-300x191.jpg\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/fillhos-de-tereza-em-cena-jpg-300x191.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/fillhos-de-tereza-em-cena-jpg-150x95.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/fillhos-de-tereza-em-cena-jpg.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-55395\" class=\"wp-caption-text\">J\u00fanior, Andreza, Ingrid, Everton e Tatiana Duarte na UCPel<\/p><\/div>\n<h2><b>\u201cTereza da Silva\u201d estar\u00e1 na regi\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><b>O <\/b>\u201cfragmento\u201d de Tereza de Silva foi apresentado em duas ocasi\u00f5es. Com dura\u00e7\u00e3o de cinquenta minutos, a interpreta\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica \u00e9 acentuada pelo tom cr\u00edtico. Qualidade art\u00edstica do grupo \u201cFilhos de Tereza\u201d, que encontrou o formato c\u00eanico para sacudir os espectadores. A performance \u00e9 seca, crua e desafiadora. Ainda neste m\u00eas, precedendo a estreia, grupo pretende realizar ensaio aberto. O local ser\u00e1 divulgado no Facebook.<\/p>\n<p><b>MONTAGEM <\/b>ter\u00e1 1h30min de dura\u00e7\u00e3o.<b> <\/b>Al\u00e9m de Pelotas, o grupo estar\u00e1 em Rio Grande, apresentando-se no XIV Enudsg da FURG. Conforme integrantes, S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte tamb\u00e9m j\u00e1 convidou o grupo para apresentar o espet\u00e1culo.<\/p>\n<p><b>LUTA<\/b> contra preconceito. Percussionista Junior menciona que, ao entrar numa loja para comprar roupas, foi sendo observado por tr\u00eas seguran\u00e7as. Ele ouviu quando um comunicou aos colegas, que seria necess\u00e1rio cuid\u00e1-lo pois estava \u201ccaminhando muito estranho\u201d. Everton j\u00e1 foi chamado de \u201cmacaco\u201d em Pelotas e tamb\u00e9m em Minas Gerais. No supermercado, seguido pelo seguran\u00e7a enquanto amigos brancos n\u00e3o foram abordados. Na rua, abordado e revistado por policiais, que liberaram os amigos brancos.<\/p>\n<h2><b>Andreza Mattos<\/b><\/h2>\n<p><b>H<\/b>\u00e1 um ano ela foi presa quando transitava \u00e0 rua Arthur de Souza Costa. Algemada, foi pressionada para dizer que era a mulher apresentada numa fotografia. Aos gritos, falavam para que n\u00e3o mentisse, ou o tratamento seria diferente. Os quatro homens surgiram repentinamente, n\u00e3o usavam fardas e estavam num carro branco. Relato da jovem atriz Andreza Mattos que, na escola, era chamada de \u201cle\u00e3ozinho\u201d por conta dos cabelos crespos. Enfrentando o racismo, ela almeja ingressar no curso de teatro da UFPel.<\/p>\n<p><b>TEATRO<\/b> come\u00e7ou no Navegantes 3, participando do projeto \u201cQuilombo das Artes\u201d, que contava com Ingrid e Everton. Afinados no mesmo \u201cideal de luta\u201d, ela ingressou no Filhos de Tereza. E acrescenta que tamb\u00e9m participam seus irm\u00e3os J\u00fanior e Alison.<\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS<\/b> do grupo s\u00e3o as m\u00e3es, mulheres lutadoras, e Tereza de Benguela, Dandara, Luiza Mahin, Luiz Gama, Jo\u00e3o C\u00e2ndido, Felipa de Souza, Antonieta de Barros, Abdias do Nascimento, Lelia Gonzales.<\/p>\n<h2><b>Tatiana Duarte<\/b><\/h2>\n<p><b>E<\/b>m diversas ocasi\u00f5es ela foi chamada de \u201ccabelo Bombril\u201d. Tatiana \u201cCuba\u201d Duarte tamb\u00e9m se interessou pelo teatro no projeto \u201cQuilombo das Artes\u201d, realizado no Centro de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS\/S\u00e3o Gon\u00e7alo). \u201cDescobri que gostava quando tinha doze anos. Eu me interessava por atua\u00e7\u00e3o, s\u00f3 n\u00e3o me imaginava atuando. Foi ent\u00e3o que, no ano de 2010, teve in\u00edcio o projeto \u2018Quilombo das Artes\u2019. Ent\u00e3o entrei no projeto para ter aulas de teatro\u201d. Sobre a pe\u00e7a ela acrescenta: \u201cTereza aborda todos os tipos de preconceitos que est\u00e3o em nossa sociedade atualmente\u201d.<\/p>\n<p><b>FILHOS<\/b> de Tereza ensaia aos s\u00e1bados e domingos das 9h \u00e0s 17h na Escola N. Sra. dos Navegantes. Quando a escola est\u00e1 fechada em decorr\u00eancia de alguma atividade extra, o ensaio ent\u00e3o \u00e9 realizado no Instituto M\u00e1rio Alves (IMA) \u2013 rua 15 de Novembro 501A.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>POR CARLOS COGOY<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como base a hist\u00f3ria do racismo no Brasil, e as viv\u00eancias do elenco. A Cia. Teatral Filhos de Tereza, em atividade h\u00e1 oito meses, re\u00fane jovens atores negros. 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