{"id":62444,"date":"2017-05-22T21:58:52","date_gmt":"2017-05-23T00:58:52","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=62444"},"modified":"2017-05-22T21:58:52","modified_gmt":"2017-05-23T00:58:52","slug":"mulheres-da-z-3-falam-sobre-mitos-bruxas-e-fantasmas-na-comunidade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/mulheres-da-z-3-falam-sobre-mitos-bruxas-e-fantasmas-na-comunidade-2\/","title":{"rendered":"Mulheres da Z-3 falam sobre mitos, bruxas e fantasmas na comunidade"},"content":{"rendered":"<h2><b>1\u00ba Conversas do Dia do Patrim\u00f4nio tamb\u00e9m abordou as dificuldades enfrentadas pelo bairro que sobrevive da pesca<\/b><\/h2>\n<p>Seis mulheres protagonizaram o bate-papo descontra\u00eddo e, no m\u00ednimo, curioso, de pouco mais de uma hora e repleto de relatos envolvendo bruxas, fantasmas e outros mitos da Col\u00f4nia Z3, quarta-feira , no Casar\u00e3o 6 da Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA Col\u00f4nia Z-3 pela voz das mulheres\u201d foi o t\u00edtulo da primeira edi\u00e7\u00e3o do ano do Conversas do Dia do Patrim\u00f4nio, que acontece em agosto e este ano traz o tema \u201cTerrit\u00f3rios daqui: identidades e pertencimento\u201d.<\/p>\n<p>As personagens principais da Conversa foram Rosa Maria Mota Souza, de 58 anos, Maria Helena Rosa da Silveira, 55, e Eva Regina Pereira Campos, tamb\u00e9m 55, as tr\u00eas s\u00e3o representantes femininas de coletivos da Col\u00f4nia Z3 e se desdobram entre os filhos \u2013 duas delas t\u00eam dez filhos cada -, afazeres dom\u00e9sticos e a lida com os pescados.<\/p>\n<p><i>As hist\u00f3rias envolvendo fantasmas s\u00e3o tantas que at\u00e9 o \u201ccoruj\u00e3o\u201d, \u00f4nibus que ia para a Z3 de madrugada, foi suspenso. \u201cMuita gente dizia que uma mulher entrava , se sentava l\u00e1 atr\u00e1s, no \u00f4nibus, e depois desaparecia, do nada\u201d, conta Rosa. Outro mito refere-se \u00e0 exist\u00eancia de tr\u00eas bruxas no Cedrinho. Rosa disse que uma benzedeira \u201cque sabe identificar bruxas\u201d contou que um de seus filhos estava com o c\u00e9u da boca roxo porque uma das bruxas estava \u201cchupando o menino\u201d. Rosa benzeu o menino, aprendeu a \u201cOra\u00e7\u00e3o da Bruxa\u201d e n\u00e3o deu outra: \u201cO guri come\u00e7ou a comer e engordar e sumiu o roxo da boca\u201d.<\/i><\/p>\n<p><i>Em outro momento, relatou epis\u00f3dios com fantasmas que ocorrem sempre na regi\u00e3o do Tot\u00f3, no caminho para a Z3. O \u00faltimo teria ocorrido h\u00e1 cerca de um m\u00eas, por volta das 23h. Um de seus filhos vinha em um carro com uma conhecida e os dois \u201cviram\u201d um homem sentado no banco do carona, que desapareceu em seguida. Ficaram aterrorizados. \u201cIsso \u00e9 real, \u00e9 verdade\u201d, garantiu Rosa. O filho agora se nega a passar pela \u00e1rea quando est\u00e1 escuro.<\/i><\/p>\n<p>Estagi\u00e1ria de servi\u00e7o social da Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) Col\u00f4nia Z3, Francine Marques disse que acompanha h\u00e1 18 meses a vida da comunidade e est\u00e1 encantada com o lugar. \u201cDescobri um outro mundo, com seus mitos, suas assombra\u00e7\u00f5es, de uma riqueza cultural e potencial tur\u00edstico que v\u00e3o muito al\u00e9m do \u2018peixe na Semana Santa\u2019. A cidade precisa olhar mais para a Z3.\u201d Os belos artesanatos produzidos pelas redeiras da Z3 tamb\u00e9m teve destaque no encontro.<\/p>\n<p>Moradora da Z3, a designer gr\u00e1fico Nat\u00e1lia Bernardo sabe que \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o no local em que pouca gente consegue escolher e seguir uma profiss\u00e3o. O baixo n\u00edvel de escolaridade, por dificuldade de acesso, foi outro problema debatido na Conversa. Nat\u00e1lia disse que uma pesquisa realizada com jovens da Z3, em 2013, apontou que o maior medo deles \u00e9 n\u00e3o conseguir realizar os seus sonhos. \u201cEssa dificuldade de escolaridade tamb\u00e9m vira um estigma e somente por \u2018ser da Z3\u2019 sofremos \u2018podas\u2019 e somos pass\u00edveis de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, confidenciou.<\/p>\n<p>\u201cA maior preocupa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es \u00e9 o que os seus filhos v\u00e3o fazer no futuro\u201d, disse Angelita Ribeiro, assistente social do Campus Visconde da Gra\u00e7a do Instituto Federal Sul-rio-grandense (CAVG\/IFSul) que foi mediadora do encontro. Ela \u00e9 autora da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado \\&#8221;Bruxas, Lobisomens, Anjos e Assombra\u00e7\u00f5es na Costa Sul da Lagoa dos Patos \u2013 Col\u00f4nia Z3, Pelotas: Etnografia, mitologia, g\u00eanero e pol\u00edticas p\u00fablicas\\&#8221;.<\/p>\n<p>Para tentar oferecer perspectivas para os jovens, foi criado h\u00e1 um ano o projeto Comunidade em Rede, com participa\u00e7\u00e3o da prefeitura (Secretarias de Sa\u00fade e de Educa\u00e7\u00e3o e Desporto), da igreja, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e das universidades Federal e Cat\u00f3lica. \u201cO objetivo \u00e9 oferecer atividades, sobretudo a crian\u00e7as e adolescentes, para lembr\u00e1-los de suas potencialidades, elevar sua autoestima e assim mant\u00ea-los afastados das drogas e do tr\u00e1fico\u201d, explicou Francine. As atividades s\u00e3o decididas em assembleia, com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade e as organizadoras fazem um apelo a outras institui\u00e7\u00f5es para que proporcionem oficinas e atividades que se somem ao projeto.<\/p>\n<p>Outros problemas sociais vivenciados pelos moradores da Z3 s\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o dos atravessadores (os pescadores fazem o trabalho pesado e, por n\u00e3o disporem de freezers ou meio de transporte, recebem muito pouco pelos pescados, enquanto os comerciantes lucram) e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos pescadores artesanais, que cada vez mais perdem espa\u00e7o para a ind\u00fastria.<\/p>\n<div id=\"attachment_62421\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mulheres-da-z3.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Mulheres da Z-3 falam sobre mitos, bruxas e fantasmas na comunidade\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-62421\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-62421\" alt=\"Mulheres da Z3 trazem relatos com bruxas e fantasmas\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mulheres-da-z3-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mulheres-da-z3-300x199.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mulheres-da-z3-150x99.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mulheres-da-z3.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-62421\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres da Z3 trazem relatos com bruxas e fantasmas<\/p><\/div>\n<p>As moradoras e profissionais que atuam na Col\u00f4nia Z3 contam que muitos s\u00e3o tratados como bandidos pelo Ibama e recolhidos ao Pres\u00eddio. A comunidade se une para juntar recursos e pagar a fian\u00e7as, para tir\u00e1-los da pris\u00e3o. Segundo elas, as leis se baseiam em estudos ultrapassados, muitas coisas mudaram, h\u00e1 novos fatores que interferem na pesca e os pescadores os conhecem. Uma consequ\u00eancia desse tratamento \u00e9 o uso de maneira exacerbada de \u00e1lcool e ansiol\u00edticos, constatado pela assistente social da UBS, Vera Garcia.<\/p>\n<p>Professora de Antropologia da UFPel, Louise Prado Alfonso destacou, durante a Conversa, a import\u00e2ncia da patrimonializa\u00e7\u00e3o desses saberes e narrativas, de preserv\u00e1-los atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas de patrim\u00f4nio, como forma de valorizar essa comunidade e de contribuir para sua \u201cdefesa\u201d diante de injusti\u00e7as.<\/p>\n<p>O Dia do Patrim\u00f4nio de 2017 ocorre nos dias 18, 19 e 20 de agosto. As Conversas ocorrem \u00e0s segundas-feiras e s\u00e3o abertas ao p\u00fablico. A pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 na segunda-feira 22, \u00e0s 18h, no Casar\u00e3o 6, e vai abordar as \u201cMem\u00f3rias do Dunas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1\u00ba Conversas do Dia do Patrim\u00f4nio tamb\u00e9m abordou as dificuldades enfrentadas pelo bairro que sobrevive da pesca Seis mulheres protagonizaram o bate-papo descontra\u00eddo e, no m\u00ednimo, curioso, de pouco mais<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":62422,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,149],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62444"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62444"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62446,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62444\/revisions\/62446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62422"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}