{"id":65176,"date":"2017-08-07T18:45:23","date_gmt":"2017-08-07T21:45:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=65176"},"modified":"2017-08-09T09:24:35","modified_gmt":"2017-08-09T12:24:35","slug":"o-saudosismo-do-charque-e-a-recuperacao-de-uma-atividade-que-morreu-com-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/o-saudosismo-do-charque-e-a-recuperacao-de-uma-atividade-que-morreu-com-o-tempo\/","title":{"rendered":"O saudosismo do charque e a recupera\u00e7\u00e3o de uma atividade que morreu com o tempo"},"content":{"rendered":"<p>As charqueadas conservadas at\u00e9 os dias de hoje em Pelotas dizem muito sobre a hist\u00f3ria da cidade. Situadas \u00e0s margens dos arroios Pelotas, Santa B\u00e1rbara, Moreira e do canal S\u00e3o Gon\u00e7alo, se consolidaram no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<div id=\"attachment_65177\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-sao-joao.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"O saudosismo do charque e a recupera\u00e7\u00e3o de uma atividade que morreu com o tempo\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-65177\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-65177\" alt=\"Charqueada S\u00e3o Jo\u00e3o\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-sao-joao-300x213.jpg\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-sao-joao-300x213.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-sao-joao-150x106.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-sao-joao.jpg 540w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-65177\" class=\"wp-caption-text\">Charqueada S\u00e3o Jo\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se possa pensar, n\u00e3o se criavam bois nas charqueadas \u2013 os mesmos eram provenientes de toda campanha rio-grandense.<\/p>\n<p>Do gado tudo era aproveitado; desde a carne at\u00e9 o sangue. O m\u00e9todo de secar e salgar a carne no sol era uma alternativa para o aproveitamento da carne, visto que as condi\u00e7\u00f5es de refrigera\u00e7\u00e3o eram prec\u00e1rias. O charque era utilizado como alimento para escravos de todo o Brasil e dos demais pa\u00edses que adotavam o sistema escravocrata. A produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, era quase exclusiva do Brasil \u2013 e dentro do pa\u00eds a mais rent\u00e1vel era a pelotense.<\/p>\n<div>\n<p>Apesar da Lei \u00c1urea de 1888, a escravid\u00e3o s\u00f3 veio a ter fim no Brasil anos ap\u00f3s \u2013 e at\u00e9 hoje pode-se perceber resqu\u00edcios a partir da desigualdade social e racial do pa\u00eds. Anos e anos ap\u00f3s, a ind\u00fastria do charque vai perdendo aos poucos sua for\u00e7a. Sendo assim, uma por uma das charqueadas come\u00e7am a ser desativadas. A grande maioria foi derrubada, restando apenas a Charqueada S\u00e3o Jo\u00e3o, Santa Rita, Boa Vista e Costa do Abolengo.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_65179\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-boa-vista.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"O saudosismo do charque e a recupera\u00e7\u00e3o de uma atividade que morreu com o tempo\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-65179\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-65179\" alt=\"charqueada Boa Vista\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-boa-vista-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-boa-vista-300x225.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-boa-vista-150x112.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-boa-vista.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-65179\" class=\"wp-caption-text\">charqueada Boa Vista<\/p><\/div>\n<p><b>TRADI\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Assim como o churrasco ou o chimarr\u00e3o, o charque \u00e9 uma comida t\u00edpica que fez e faz parte da culin\u00e1ria ga\u00facha. Dois grandes desafios para os apreciadores hoje em dia s\u00e3o; encontrar o charque para comprar e que este seja de qualidade. A cidade, que foi a maior produtora de charque do pa\u00eds, hoje em dia n\u00e3o possui nenhuma empresa sequer que produza a carne. Situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 caminhando para a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><b>INCENTIVO <\/b><\/p>\n<p>A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural tra\u00e7ou como objetivo fortalecer o setor de desenvolvimento rural pelotense, fomentando e incentivando a agroind\u00fastria local. Por meio de a\u00e7\u00f5es, a Secretaria tem como objetivo auxiliar interessados \u00e0 abrir micro e pequenas empresas no munic\u00edpio &#8211; para que o n\u00famero destas aumente de forma significativa.<\/p>\n<p>A meta inicial, que era de 30 novas empresas em quatro anos, promete ser superada em curto per\u00edodo de tempo, visto que em apenas seis meses 46 novas empresas est\u00e3o em andamento.<\/p>\n<div id=\"attachment_65178\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/abolengo.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"O saudosismo do charque e a recupera\u00e7\u00e3o de uma atividade que morreu com o tempo\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-65178\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-65178\" alt=\"Costa do Abolengo\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/abolengo-300x160.jpg\" width=\"300\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/abolengo-300x160.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/abolengo-150x80.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/abolengo.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-65178\" class=\"wp-caption-text\">Costa do Abolengo<\/p><\/div>\n<p>Telmo Lena, diretor t\u00e9cnico, explica o que mudou na postura da Secretaria; \u201cAntes as pessoas interessadas em abrir novas empresas vinham aqui pedir informa\u00e7\u00f5es e n\u00f3s entreg\u00e1vamos um papel que dizia toda a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Hoje em dia, n\u00f3s recebemos o interessado e desenhamos o projeto junto a ele para que ele se sinta mais seguro e para que tenha mais garantia de sucesso.\u201d. O desenho do projeto citado pelo diretor t\u00e9cnico refere-se ao desenho da planta, escolha do layout de produ\u00e7\u00e3o, escolha de equipamentos e toda a quest\u00e3o burocr\u00e1tica de documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o procedimento. O projeto abrange n\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o de charque como tamb\u00e9m de vegetais, sucos, leite, mel, ovos , abatedouro (de frango, r\u00eas e porco), embutidos de carne e panifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>RESULTADOS<\/b><\/p>\n<div>\n<p>A partir do aux\u00edlio prestado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, seis novas empresas de produ\u00e7\u00e3o de charque est\u00e3o em andamento para entrarem em atividade. O termo de inspe\u00e7\u00e3o municipal obtido delimita a comercializa\u00e7\u00e3o na cidade de Pelotas. Por\u00e9m, existe um projeto de ades\u00e3o \u00e0 SUSAF (Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Irriga\u00e7\u00e3o), que pretende expandir \u00e0 venda para todo o estado do Rio Grande do Sul. O gado provedor do charque ser\u00e1 obtido atrav\u00e9s dos nove abatedouros existentes na cidade, sendo um licenciado no primeiro semestre do projeto de aux\u00edlio ao desenvolvimento rural.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_65180\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-santa-rita.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"O saudosismo do charque e a recupera\u00e7\u00e3o de uma atividade que morreu com o tempo\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-65180\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-65180\" alt=\"Charqueada Santa Rita\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-santa-rita-300x184.jpg\" width=\"300\" height=\"184\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-santa-rita-300x184.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-santa-rita-150x92.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/charqueada-santa-rita.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-65180\" class=\"wp-caption-text\">Charqueada Santa Rita<\/p><\/div>\n<p>Falar da hist\u00f3ria de Pelotas e n\u00e3o comentar as crueldades que ocorreram nas charqueadas \u00e9 uma tarefa imposs\u00edvel. No ano de 1873, 38 charqueadas existiam em Pelotas \u2013 e a m\u00e9dia era de 80 escravos por propriedade. A cidade respirava escravid\u00e3o e cheirava \u00e0 tortura. Nos dias de hoje pode-se resgatar uma parte da hist\u00f3ria dos negros que foram for\u00e7ados a trabalhar na ind\u00fastria do charque ao visitar as charqueadas conservadas. As min\u00fasculas e \u00famidas senzalas que mantinham os escravos trancafiados foram conservadas. Diversas atividades s\u00e3o promovidas no local \u2013 inclusive de cunho cultural, hist\u00f3rico e art\u00edstico, que buscam retratar a realidade do per\u00edodo escravista. Al\u00e9m das atividades, as charqueadas se tornaram pontos tur\u00edsticos da cidade para aqueles que buscam conhecer a hist\u00f3ria de Pelotas \u2013 contendo at\u00e9 mesmo op\u00e7\u00f5es de hospedagem, como no caso da Charqueada Santa Rita.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Por Martha Gon\u00e7alves\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As charqueadas conservadas at\u00e9 os dias de hoje em Pelotas dizem muito sobre a hist\u00f3ria da cidade. Situadas \u00e0s margens dos arroios Pelotas, Santa B\u00e1rbara, Moreira e do canal S\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":65177,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[149],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65176"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65176"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65182,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65176\/revisions\/65182"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}