{"id":66455,"date":"2017-09-13T08:43:24","date_gmt":"2017-09-13T11:43:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=66455"},"modified":"2017-09-13T08:43:24","modified_gmt":"2017-09-13T11:43:24","slug":"livro-estrategias-das-geracoes-de-charqueadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/livro-estrategias-das-geracoes-de-charqueadores\/","title":{"rendered":"LIVRO : Estrat\u00e9gias das gera\u00e7\u00f5es de charqueadores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><b>Sexta-feira \u00e0s 18h na Livraria da UFPel, pelotense Rachel Marques estar\u00e1 autografando \u201cPor cima da carne seca\u201d<\/b><\/p>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p>Olhar historiogr\u00e1fico sobre fam\u00edlias de charqueadores, com lupa metodol\u00f3gica para demarcar o quanto as rela\u00e7\u00f5es familiares, eram pensadas para preservar o n\u00facleo de poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Essa postura que filtrava os la\u00e7os, considerando as conveni\u00eancias e melhores resultados materiais, est\u00e1 no \u201cDNA\u201d da mentalidade que, apesar da contemporaneidade, ainda delimita estrat\u00e9gias. Aspectos do livro que ser\u00e1 lan\u00e7ado sexta a partir das 18h. Na Livraria da UFPel \u2013 rua Benjamin Constant 1.071 -, historiadora e professora Rachel Marques, estar\u00e1 autografando \u201cPor cima da carne seca\u201d (140 p\u00e1ginas). Publicado pela Editora da UFPel, o trabalho resulta da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p><b>CHARQUEADORES<\/b> \u2013 A autora explica: \u201cNo meu Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC), na gradua\u00e7\u00e3o, pesquisei a mortalidade de crian\u00e7as escravas em Pelotas no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Nessa pesquisa, observei que seguidamente algumas mulheres apareciam como propriet\u00e1rias de escravos, mulheres essas que tinham o mesmo sobrenome: Silveira. A partir da\u00ed resolvi investigar mais a fundo e, em conversas com minha orientadora, Martha Hameister, descobri se tratar de mulheres de uma das fam\u00edlias mais proeminentes do Rio Grande do Sul na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, da qual sa\u00edram muitos charqueadores e esposas de charqueadores nas gera\u00e7\u00f5es seguintes. Isso me intrigou, por isso optei estudar as estrat\u00e9gias sociais que essa fam\u00edlia utilizou para manter uma posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o proeminente por tanto tempo e, atrav\u00e9s dessa fam\u00edlia, tentar entender a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o da hierarquia social\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_66456\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rachel-marques-autora.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"LIVRO : Estrat\u00e9gias das gera\u00e7\u00f5es de charqueadores\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-66456\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-66456\" alt=\"Historiadora Rachel Marques \" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rachel-marques-autora-250x300.jpg\" width=\"250\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rachel-marques-autora-250x300.jpg 250w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rachel-marques-autora-125x150.jpg 125w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rachel-marques-autora.jpg 501w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-66456\" class=\"wp-caption-text\">Historiadora Rachel Marques<\/p><\/div>\n<p><b>ESTRAT\u00c9GIAS <\/b>das fam\u00edlias, conforme Rachel: \u201cO meu foco \u00e9 entender como se d\u00e1 a manuten\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o cotidiana da exist\u00eancia de hierarquia social. O estudo das estrat\u00e9gias de uma fam\u00edlia nesse contexto espec\u00edfico, serve mais como meio para isso do que, como fim em si mesmo, j\u00e1 que me utilizo da metodologia da micro-hist\u00f3ria italiana. Com isso em mente, o livro inicia com um panorama contextual do Rio Grande no per\u00edodo estudado, a partir do qual justifico a pertin\u00eancia da escolha da fam\u00edlia Silveira. A partir da\u00ed, estudo a pol\u00edtica matrimonial da mesma, quando casar os filhos, quando n\u00e3o casar, quando casar com pessoas de fora ou com primos, ou mesmo um tio, em uma ocasi\u00e3o. O que seria mais estrat\u00e9gico em cada momento. Tamb\u00e9m estudo as pr\u00e1ticas do compadrio e apadrinhamento, j\u00e1 que naquele per\u00edodo a escolha dos padrinhos dos filhos tinha uma import\u00e2ncia social enorme, indicando poss\u00edveis<b>\u00a0<\/b>alian\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m o estudo da transmiss\u00e3o de nomes e sobrenomes no interior da fam\u00edlia. Nomes esses que at\u00e9 hoje soam familiares para estudiosos da hist\u00f3ria de Pelotas, como \u2018Dona Isabel de Pelotas (Dona Isabel Francisca da Silveira)\u2019, e \u2018Dona Mariana Eufr\u00e1sia da Silveira\u2019, entre muitos outros\u201d.<\/p>\n<p><b>PODER<\/b> persistindo atrav\u00e9s de gera\u00e7\u00f5es. \u201cO que o livro ajuda a mostrar \u00e9 que um pequeno grupo de fam\u00edlias det\u00eam poder e monop\u00f3lio econ\u00f4mico ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, utilizando-se de diversos mecanismo para tanto. Embora eu tenha enfocado nas primeiras gera\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia Silveira, sei que muitos de seus descendentes, depois de charqueadores, tornaram-se arrozeiros. Ou seja, por mais de um s\u00e9culo parcelas dessa, e de outras fam\u00edlias do mesmo tipo, mant\u00eam-se como elite na nossa sociedade. Isso tudo tendo por base a explora\u00e7\u00e3o das demais parcelas, sejam elas compostas de popula\u00e7\u00f5es escravizadas, libertas ou livres pobres\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p><b>A hist\u00f3ria de Pelotas\u00a0<\/b><b>precisa ser reescrita<\/b><\/p>\n<p><b>O <\/b>passado \u00e9 amargo.<b> <\/b>A \u201cdo\u00e7ura\u201d do presente, no entanto,<b> <\/b>n\u00e3o \u00e9 para todos. Afinal, aumenta a<\/p>\n<p>pobreza, e a viol\u00eancia se intensifica. Essa trajet\u00f3ria n\u00e3o decorre de fatalidade, mas de sucessivos cen\u00e1rios socioecon\u00f4micos que favoreceram minoria. Os sinais da desigualdade est\u00e3o no cotidiano. Para entend\u00ea-los, \u00e9 necess\u00e1rio investigar o passado. Conforme a professora Rachel Marques, a \u201chist\u00f3ria de Pelotas ainda precisa ser reescrita v\u00e1rias vezes, por meio de muitos vieses, t\u00e3o m\u00faltiplos quanto sua popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><b><\/b><b>CONTRASTE \u2013 <\/b>Rachel observa a falta de abordagem sobre as \u201cdemais parcelas da sociedade na riqueza e opul\u00eancia das fam\u00edlias charqueadoras. Cito um exemplo: gosto muito de visitar o Museu da Baronesa e os casar\u00f5es da pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio, constru\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas, por\u00e9m acredito que o mesmo, ou maior espa\u00e7o deveria ser dedicado \u00e0 mem\u00f3ria das fam\u00edlias que, com suas m\u00e3os e suor, constru\u00edram aqueles espa\u00e7os, literalmente, ou gerando a riqueza que, por fim, os financiou. Onde est\u00e3o os espa\u00e7os da mem\u00f3ria da hist\u00f3ria negra em Pelotas, da hist\u00f3ria oper\u00e1ria? Existem, mas ainda s\u00e3o muito poucos se comparados \u00e0 sua import\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p><b>MUDAR<\/b> \u2013 Ela acrescenta: \u201cExistem v\u00e1rios grupos marginalizados nas narrativas tradicionais. No meu livro tento trabalhar um pouco a perspectiva das mulheres, ainda que apenas as de elite. J\u00e1 no doutorado parti para o vi\u00e9s da hist\u00f3ria das pessoas livres e libertas que eram pobres, mas que possu\u00edam imenso prest\u00edgio social. Assim como eu, outros colegas v\u00eam retrabalhando esse e os demais per\u00edodos da hist\u00f3ria de Pelotas e do Rio Grande do Sul. \u00c9 um trabalho quase infinito, ainda temos muitas \u2018hist\u00f3rias\u2019 a descobrir.\u00a0Acredito que a Pelotas de hoje \u00e9 fruto direto dessas constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, portanto, quanto mais investigarmos, mais poderemos entender a n\u00f3s mesmos, e tamb\u00e9m construir a sociedade que queremos. Quem sabe assim ela ser\u00e1 menos desigual\u201d.<\/p>\n<p><b>Forma\u00e7\u00e3o, pesquisa e doc\u00eancia<\/b><\/p>\n<p><b>E<\/b>la foi moradora do Fragata, Rachel Marques estudou em escolas p\u00fablicas. O fundamental foi conclu\u00eddo no ent\u00e3o CIEP. Posteriormente, cursou o CEFET, sendo que a conclus\u00e3o foi atrav\u00e9s de prova da DE. Na UFPel, cursou a licenciatura em hist\u00f3ria, formando-se em 2009. Na sequ\u00eancia, seguiu para a UFPR, defendendo o mestrado em 2012. Ano passado, doutorou-se tamb\u00e9m na UFPR. Atualmente, diz Rachel, leciona no Instituto Federal Farroupilha \u2013 campus Alegrete. <b><\/b><\/p>\n<p><b><\/b><b>PESQUISA \u2013 <\/b>\u201cNo doutorado, pesquisei lideran\u00e7as e pessoas detentoras de prest\u00edgio social entre a popula\u00e7\u00e3o mais pobre e m\u00e9dia da Vila de Rio Grande nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XVIII, pouco antes da funda\u00e7\u00e3o de Pelotas, portanto. Pretendo seguir me aprofundando nesse \u00faltimo tema, pois creio que \u00e9 um assunto ainda pouco explorado e com um conte\u00fado imenso, que pode nos trazer muitas surpresas. Tamb\u00e9m estudo hist\u00f3ria das mulheres, e atualmente tenho me envolvido com quest\u00f5es relativas ao ensino de hist\u00f3ria e \u00e0 perman\u00eancia e \u00eaxito de alunos do ensino m\u00e9dio, temas pertinentes n\u00e3o apena \u00e0 minha profiss\u00e3o, tamb\u00e9m essenciais ao Brasil de hoje\u201d, informa.<\/p>\n<p><b>A metodologia da historiadora<\/b><\/p>\n<p><b>R<\/b>achel Marques no in\u00edcio deste ano, organizou o livro \u201cTecendo suas vidas: as mulheres na Am\u00e9rica Portuguesa\u201d (editora Leiria). O trabalho est\u00e1 dispon\u00edvel online, bem como s\u00e9rie de artigos da autora. Informa\u00e7\u00f5es sobre acesso, contatos para palestras: <a href=\"mailto:rachelsmarques@gmail.com\">rachelsmarques@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><b>M\u00c9TODO<\/b> \u2013 Ela menciona a metodologia de pesquisa: \u201cTrabalho essencialmente com a micro-hist\u00f3ria, tamb\u00e9m aprecio muito a chamada \u2018<i>network analysis\u2019<\/i>. No entanto, o que mais me empolga \u00e9 o ensino da metodologia de pesquisa em hist\u00f3ria e em educa\u00e7\u00e3o. Ajudar os alunos a encontrarem seu pr\u00f3prio caminho na pesquisa \u00e9 o mais gratificante, com certeza. Atualmente tenho trabalhado muito com o N\u00facleo de Estudos Afro-brasileiros e Ind\u00edgenas, e o N\u00facleo de G\u00eanero e Diversidade Sexual do IFFAR-Alegrete, junto aos quais contribuo na organiza\u00e7\u00e3o de palestras e atividades. Tenho sempre muito prazer em poder divulgar minhas pesquisas e, tendo sido por toda minha vida, aluna de escolas p\u00fablicas, acredito ser minha obriga\u00e7\u00e3o faz\u00ea-lo, e de forma gratuita\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta-feira \u00e0s 18h na Livraria da UFPel, pelotense Rachel Marques estar\u00e1 autografando \u201cPor cima da carne seca\u201d Por Carlos Cogoy Olhar historiogr\u00e1fico sobre fam\u00edlias de charqueadores, com lupa metodol\u00f3gica para<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":66457,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66455"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66455"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66458,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66455\/revisions\/66458"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66457"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}