{"id":68797,"date":"2017-11-09T09:25:04","date_gmt":"2017-11-09T11:25:04","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=68797"},"modified":"2017-11-09T09:25:04","modified_gmt":"2017-11-09T11:25:04","slug":"livro-um-tanto-de-chao-em-estado-de-sangue-e-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/livro-um-tanto-de-chao-em-estado-de-sangue-e-alma\/","title":{"rendered":"LIVRO : Um tanto de ch\u00e3o em estado de sangue e alma"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><b>Sexta \u00e0s 19h, escritora pelotense Hilda Sim\u00f5es Lopes, autografar\u00e1 o romance hist\u00f3rico \u201cTuiat\u00e3\u201d no Instituto Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes Neto<\/b><\/h2>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<p><b><\/b><b>U<\/b>m pouco de tempo em estado puro. A frase de Marcel Proust, extra\u00edda de \u201cEm busca do tempo perdido\u201d, integra a ep\u00edgrafe que abre o romance \u201cTuiat\u00e3\u201d (560 p\u00e1ginas). Oitavo livro da pelotense Hilda Sim\u00f5es Lopes, o lan\u00e7amento acontecer\u00e1 sexta \u00e0s 19h. Como local, o instituto que homenageia o primo-irm\u00e3o de sua m\u00e3e, escritor Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes Neto (1865\/1916). No romance, escrito durante quatro anos, quase tr\u00eas s\u00e9culos da saga que come\u00e7a em Portugal, atravessa o Atl\u00e2ntico, e chega ao extremo sul. Para mapear o percurso de gera\u00e7\u00f5es, Hilda recorreu \u00e0s narrativas, fotos e documentos que, h\u00e1 bom tempo, foi recebendo de familiares. Al\u00e9m disso, debru\u00e7ou-se sobre livros e publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, bem como arquivos hist\u00f3ricos no Estado e no Rio de Janeiro. Mas, muito al\u00e9m de \u00e1rvore geneal\u00f3gica, o livro apresenta as perip\u00e9cias, amores e dores, relacionados a momentos hist\u00f3ricos que demarcam a forma\u00e7\u00e3o do Brasil. Ilustrado, o volume \u00e9 publica\u00e7\u00e3o da editora Libretos, e o Instituto Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes Neto, est\u00e1 situado \u00e0 rua D. Pedro II 810.<\/p>\n<div id=\"attachment_68799\" style=\"width: 259px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"LIVRO : Um tanto de ch\u00e3o em estado de sangue e alma   \"><img aria-describedby=\"caption-attachment-68799\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-68799\" alt=\"Autora Hilda Sim\u00f5es Lopes\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-249x300.jpg\" width=\"249\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-249x300.jpg 249w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-124x150.jpg 124w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes.jpg 499w\" sizes=\"(max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-68799\" class=\"wp-caption-text\">Autora Hilda Sim\u00f5es Lopes<\/p><\/div>\n<p><b>PESQUISA<\/b> \u2013 A escritora menciona acerca do desafio de conciliar a busca pela mem\u00f3ria, com a cria\u00e7\u00e3o ficcional: \u201cA narrativa trama fic\u00e7\u00e3o com realidade, que est\u00e1 documentada. Mas a espinha dorsal \u00e9 toda real, como tamb\u00e9m a maior parte, talvez uns 80% da obra. S\u00f3 criei fic\u00e7\u00e3o onde inexistiam documentos de qualquer tipo, e eu tinha esgotado todas as possibilidades de encontr\u00e1-los. A imagina\u00e7\u00e3o fluiu mais na primeira parte, s\u00e9culo XVIII, onde era mais dif\u00edcil existirem documentos ou testemunhas. Li muito sobre Minas, seus historiadores, os estudiosos dos drag\u00f5es d\u2019El Rei, e descobri uma fonte que muito me ajudou. Refiro-me a teses acad\u00eamicas de doutorado em hist\u00f3ria da Universidade Federal de Minas Gerais. \u00c9 incr\u00edvel o valor da pesquisa acad\u00eamica\u201d.<\/p>\n<p><b>IMAGINA\u00c7\u00c3O<\/b> \u2013 Quanto mais remoto o tempo, menor a probabilidade de documentos. E, para a escritora, a fic\u00e7\u00e3o foi a sa\u00edda. Em especial, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, quando houve o encontro de militar \u2013 drag\u00e3o oficial da Corte portuguesa -, e uma cigana.\u00a0 A autora exemplifica: \u201cComo o drag\u00e3o se encontrou com a cigana? Eu sabia onde o pai dela tinha ganhado terras, logo viviam em Curral d\u00b4El Rei, futura Belo Horizonte. Eu sabia onde o drag\u00e3o vivia, e onde tinha constru\u00eddo o Quartel General dos Drag\u00f5es de Minas. Sabia que os ciganos vendiam cavalos, e que ele sempre precisaria repor os cavalos da tropa. Ent\u00e3o inventei que ele foi comprar cavalos e, a \u00e1rea onde ela vivia, era pr\u00f3xima. Da\u00ed ao pedir ajuda ao pai dela, os dois se conheceram. A\u00ed se estabelece a \u00fanica parte que \u00e9 totalmente ficcional. A festa que o pai prop\u00f5e para aproximar o casal, e ele roubando a noiva, conforme pesquisei, \u00e9 da cultura deles. De resto, volta a realidade, data quando casaram, lugar, onde nasceram os filhos, a chegada da Inquisi\u00e7\u00e3o, a transfer\u00eancia para o Rio. Tamb\u00e9m o nascimento dos outros dois filhos, a persegui\u00e7\u00e3o no Rio, e ele se engajando na frota do Silva Paes. Consta nos documentos, foi o \u00fanico \u2018drag\u00e3o\u2019 a vir com fam\u00edlia. O que inventei a\u00ed pelo meio? Apenas di\u00e1logos. Ent\u00e3o, \u00e9 um romance hist\u00f3rico com muito de hist\u00f3ria, e um tempero de fic\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, lembrei Michel Foucault, que dizia n\u00e3o existir hist\u00f3ria, apenas fic\u00e7\u00e3o, pois mesmo quando o historiador usa fonte prim\u00e1ria, tudo passa por seus filtros pessoais, e o que colocar no papel ser\u00e1 literatura\u201d.<\/p>\n<p><b>ESCREVER<\/b> \u2013 Sobre o texto, ela observa: \u201cEle tem de ser \u00e1gil, ter leveza, por mais tr\u00e1gico que seja, ter unidade e muito ritmo. Escrevo e reescrevo o tempo todo. Deixei a editora quase doida, teve que trocar quatro vezes o revisor porque eu n\u00e3o aceitava a altera\u00e7\u00e3o nas v\u00edrgulas, que enchia as frases de recursos gramaticais, tirando a respira\u00e7\u00e3o do texto. No fim, quem revisou fomos eu e a editora, que entendeu os meus valores\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-livro.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"LIVRO : Um tanto de ch\u00e3o em estado de sangue e alma   \"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-68798\" alt=\"Hilda Sim\u00f5es LOPES livro\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-livro-214x300.jpg\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-livro-214x300.jpg 214w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-livro-107x150.jpg 107w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/hilda-simoes-lopes-livro.jpg 429w\" sizes=\"(max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><\/a>Q<b>UESTIONAR<\/b> \u2013 Hilda conclui: \u201cNunca escrevo sem uma proposta cr\u00edtica, um questionamento, uma ironia a algum aspecto desse triste mundo onde vivemos. Seria in\u00f3cuo tomar o tempo de quem me l\u00ea, sem lev\u00e1-lo a refletir sobre a vida e o mundo circundante. Tive v\u00e1rias mudan\u00e7as em minha vida, feitas por muito livro bom que li. A literatura deve nos abrir horizontes. Busco isso. Sempre\u201d.<\/p>\n<p><b>ROMANCE <\/b>\u201cTuiat\u00e3\u201d conta a dinastia de fam\u00edlia ga\u00facha, em meio a guerras, revolu\u00e7\u00f5es, festejos, fugas e paix\u00f5es. Tuiat\u00e3 \u00e9 p\u00e1ssaro. Conforme trecho: \u201cOlhou o Tuiat\u00e3. Sabia que o av\u00f4 comparava a pr\u00f3pria fam\u00edlia \u00e0quele p\u00e1ssaro que era discreto, guardava o seu melhor para os seus e os ensinava, desde cedo, a reverenciar a natureza&#8230; Para Jo\u00e3o, o p\u00e1ssaro era diferente dos outros e, sobretudo, das pessoas. N\u00e3o usava o seu melhor para se exibir, o seu melhor era para cantar o sublime e para celebrar o belo&#8230;\u201d.<\/p>\n<p><b>O<\/b> pref\u00e1cio \u00e9 de Tabajara Ruas, que escreve: \u201c\u00c9 um romance de ideias e de discuss\u00f5es ideol\u00f3gicas, de sacrif\u00edcios e trai\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta \u00e0s 19h, escritora pelotense Hilda Sim\u00f5es Lopes, autografar\u00e1 o romance hist\u00f3rico \u201cTuiat\u00e3\u201d no Instituto Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes Neto Por Carlos Cogoy Um pouco de tempo em estado puro. 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