{"id":70224,"date":"2017-12-15T14:12:50","date_gmt":"2017-12-15T16:12:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=70224"},"modified":"2017-12-15T14:12:50","modified_gmt":"2017-12-15T16:12:50","slug":"obesidade-no-brasil-como-melhorar-o-cenario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/obesidade-no-brasil-como-melhorar-o-cenario\/","title":{"rendered":"Obesidade no Brasil: como melhorar o cen\u00e1rio?"},"content":{"rendered":"<p>Especialistas comentam medidas cab\u00edveis na luta contra o problema<\/p>\n<p>Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (VIGITEL 2016\/ MS), n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas sobre a dimens\u00e3o que a quest\u00e3o atingiu no Brasil: 62% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 excessivamente acima do peso. O problema, frequentemente discutido por profissionais e autoridades em sa\u00fade no mundo inteiro, representa uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 qualidade de vida atualmente. No Brasil, busca-se compreender como se pode frear o crescimento do dist\u00farbio em um pa\u00eds onde as \u00e1reas de Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade ainda precisam evoluir. No entanto, antes de identificarmos as solu\u00e7\u00f5es mais adequadas e efetivas, precisamos entender o cen\u00e1rio brasileiro e o que est\u00e1 levando ao aumento desenfreado da obesidade.<\/p>\n<p>\u201cIsso (62% da popula\u00e7\u00e3o obesa) pode ser explicado por alguns motivos, entre eles a acelera\u00e7\u00e3o do ritmo das atividades rotineiras, que tem como consequ\u00eancia o ato de se alimentar sem aten\u00e7\u00e3o aos sinais do corpo, como o da saciedade\u201d, comenta a nutricionista Marcia Daskal. Outro ponto relevante \u00e9 destacado pelo antrop\u00f3logo Raul Lody. Para ele, o aumento das por\u00e7\u00f5es e a frequ\u00eancia de refei\u00e7\u00f5es fora de casa fazem com que que as pessoas comam cada vez mais r\u00e1pido e sem afeto com os ingredientes, tornando autom\u00e1tico o ato de alimentar-se.<\/p>\n<p>Outro dado agravante \u00e9 evidenciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em sua mais recente investiga\u00e7\u00e3o sobre a pr\u00e1tica de esportes e atividades f\u00edsicas na popula\u00e7\u00e3o de 15 anos ou mais, faixa et\u00e1ria na qual mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 apontada como sedent\u00e1ria. \u201cO estilo de vida do brasileiro est\u00e1 inadequado e o sedentarismo precisa ser combatido com a mesma seriedade que enfrentamos a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o. Na verdade, \u00e9 preciso educar as pessoas para entenderem a rela\u00e7\u00e3o insepar\u00e1vel entre os dois aspectos para uma melhor qualidade de vida\u201d, pontua o preparador f\u00edsico Marcio Atalla.<\/p>\n<p>O especialista sugere ainda algumas dicas simples que podem ter um impacto positivo no longo prazo, como: subir as escadas do lugar onde se mora ou trabalha, nem que seja, no in\u00edcio, poucos andares; programar-se para a cada uma hora sentado, levantar-se e circular para que o corpo n\u00e3o se acostume com a in\u00e9rcia; optar por estacionar o carro em vagas mais distantes do local de destino, entre outros. \u201cEssas s\u00e3o atitudes que come\u00e7am a fazer uma importante diferen\u00e7a na sa\u00fade\u201d, completa.<\/p>\n<p>O doutor Daniel Magnoni, cardiologista e nutr\u00f3logo do Dante Pazzanese, complementa afirmando que \u201ca obesidade acaba sendo tamb\u00e9m condutora de outras doen\u00e7as, j\u00e1 que est\u00e1 relacionada \u00e0 defici\u00eancia do sono, sobrecarga do metabolismo e maior dificuldade para praticar atividades f\u00edsicas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a quest\u00e3o do isolamento social, j\u00e1 que a parte psicol\u00f3gica e autoestima do paciente tamb\u00e9m s\u00e3o fortemente afetadas\u201d.<\/p>\n<p>Frente a este cen\u00e1rio, muito se discute sobre as medidas que podem ser tomadas, e, atualmente, o debate \u00e9 focado em tr\u00eas propostas: taxa\u00e7\u00e3o (aumento de impostos de alimentos com a\u00e7\u00facar), mudan\u00e7a de rotulagem nutricional e redu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar em produtos industrializados. Mas ser\u00e1 que \u00e9 esse o melhor caminho a ser seguido? Estamos buscando educa\u00e7\u00e3o ou puni\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><b>O que dizem os especialistas<\/b><\/p>\n<p>Enquanto o poder p\u00fablico tende a tomar decis\u00f5es punitivas, especificamente contra o a\u00e7\u00facar, para combater a obesidade, posicionado o ingrediente como o \u201cvil\u00e3o\u201d da vez, especialistas de diferentes \u00e1reas sugerem uma outra vis\u00e3o. \u201cN\u00e3o acredito que medidas impositivas funcionem no longo prazo. Com isso, quero dizer que n\u00e3o adianta culpar um ingrediente espec\u00edfico pelos diversos problemas de sa\u00fade. \u00c9 necess\u00e1rio incluir o cidad\u00e3o no poder da escolha consciente, e isso s\u00f3 se atinge educando\u201d, sugere Raul Lody.<\/p>\n<p>\u201cExistem tend\u00eancias desonestas em culpar o inimigo errado! N\u00e3o \u00e9 o a\u00e7\u00facar, n\u00e3o era o sal e nem o ovo, mas sim o sedentarismo e a falta de instru\u00e7\u00e3o. O caminho \u00e9 munir a popula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o de credibilidade\u201d, conclui Marcio Atalla. Para o preparador f\u00edsico, ainda assim, nota-se a falta de iniciativas governamentais que trabalhem frente a essa tend\u00eancia, que procura uma solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o atue apenas na quest\u00e3o imediata, mas que busque minimizar os danos no futuro. Para o cardiologista e nutr\u00f3logo, Daniel\u00a0 Magnoni, a restri\u00e7\u00e3o inevitavelmente leva \u00e0 compuls\u00e3o alimentar, que \u00e9 justamente um dos maiores inimigos e causadores da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, sem abusos ou restri\u00e7\u00f5es, aliada \u00e0 pr\u00e1tica de exerc\u00edcios, \u00e9 a chave para a qualidade de vida, podendo auxiliar na diminui\u00e7\u00e3o de estresse e beneficiando a rotina do sono. As combina\u00e7\u00f5es desses fatores promovem uma vida mais saud\u00e1vel, prevenindo as pessoas do desenvolvimento de diversos tipos de doen\u00e7as. Para Marcia Daskal, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 cortar um tipo de alimento, mas conquistar o equil\u00edbrio: a frequ\u00eancia e a quantidade de consumo s\u00e3o mais importantes do que um alimento em si.<\/p>\n<p>Frente a isso, os especialistas concordam sobre a import\u00e2ncia da implementa\u00e7\u00e3o de medidas p\u00fablicas que impulsionem uma mudan\u00e7a efetiva para h\u00e1bitos mais saud\u00e1veis, levando em conta trabalhar a reeduca\u00e7\u00e3o alimentar nas escolas e nos programas de sa\u00fade, al\u00e9m de combater o sedentarismo, reintegrando o cidad\u00e3o dentro do espa\u00e7o urbano, por exemplo.<\/p>\n<p>Outra proposta que pode contribuir com a melhora do cen\u00e1rio atual \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o sobre como repassar informa\u00e7\u00f5es valiosas para uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, variada e, sobretudo, saud\u00e1vel.\u00a0 Aqui \u00e9 preciso lembrar que n\u00e3o existe nenhum alimento vil\u00e3o, ou proibido; n\u00e3o basta taxar um ingrediente ou discrimin\u00e1-lo, mas sim ampliar o debate para incluir quantidades adequadas e o consumo consciente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas comentam medidas cab\u00edveis na luta contra o problema Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (VIGITEL 2016\/ MS), n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas sobre a dimens\u00e3o que a quest\u00e3o atingiu no Brasil:<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":70225,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70224"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70224"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70224\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":70226,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70224\/revisions\/70226"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}