{"id":72454,"date":"2018-02-22T15:27:20","date_gmt":"2018-02-22T18:27:20","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=72454"},"modified":"2018-02-22T15:27:20","modified_gmt":"2018-02-22T18:27:20","slug":"literatura-amores-desvelados-num-mosaico-de-narrativas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/literatura-amores-desvelados-num-mosaico-de-narrativas-2\/","title":{"rendered":"LITERATURA : Amores desvelados num mosaico de narrativas"},"content":{"rendered":"<h2 align=\"center\"><em><b>S\u00e1bado \u00e0s 19h na Bibliotheca P\u00fablica Pelotense, Rafael Montoito estar\u00e1 autografando o volume \u201cAmores Interrompidos\u201d<\/b><\/em><\/h2>\n<p align=\"right\"><b><i>Por Carlos Cogoy<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>O\u00a0<\/b>selo vermelho, O amor dos nossos, Pelos por todos os lados, Quintess\u00eancia, Noite de Breu e Odor de velas. Alguns dos contos que integram o volume \u201cAmores interrompidos\u201d (400 p\u00e1ginas), autoria do escritor e professor pelotense Rafael Montoito. No lan\u00e7amento, que acontecer\u00e1 s\u00e1bado na Bibliotheca P\u00fablica \u00e0s 19h, al\u00e9m dos aut\u00f3grafos, haver\u00e1 explana\u00e7\u00e3o do advogado Rodrigo Cardozo. O escritor explica: \u201cPedi pra ele, agora que j\u00e1 leu todos os contos, comentar algo sobre o livro. \u00c9 um \u2018olhar de leitor\u2019, n\u00e3o uma an\u00e1lise profissional, mas convidei-o porque n\u00e3o queria que as pessoas apenas comparecessem, comprassem o livro e fossem embora. Eu queria um \u2018momento\u2019, e n\u00e3o queria ser eu mesmo a falar do livro\u201d. A capa da obra \u00e9 cria\u00e7\u00e3o de Maria Hobuss, e a publica\u00e7\u00e3o independente tamb\u00e9m poder\u00e1 ser adquirida via contato com o autor no Facebook, ou atrav\u00e9s do email:\u00a0<a href=\"mailto:xmontoito@gmail.com\">xmontoito@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><b>SENTIMENTOS<\/b>\u00a0\u2013 Os dez contos de \u201cAmores interrompidos\u201d foram escritos, em tr\u00eas anos recentes, durante as f\u00e9rias de Rafael. \u201cAt\u00e9 hoje n\u00e3o tive necessidade de anotar nada. As ideias v\u00eam nos momentos que menos espero e ficam na minha cabe\u00e7a, maturando, crescendo, na maioria das vezes se desenvolvendo sozinhas. No final do livro, h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o na qual comento de onde veio a inspira\u00e7\u00e3o para cada conto. Em geral, consigo pensar cenas inteiras ou di\u00e1logos, sem precisar parar para fazer isso. Tenho a impress\u00e3o que, na maioria das vezes, a hist\u00f3ria se forma por si s\u00f3 e os personagens, se n\u00e3o se determinam totalmente porque s\u00e3o submissos \u00e0s minhas palavras, t\u00eam uma forma pr\u00f3pria de se movimentarem na hist\u00f3ria que volta e meia me surpreende. Em algum momento, a hist\u00f3ria parece ficar maior do que minha cabe\u00e7a, ela \u2018quer\u2019 sair, sinto que \u2018preciso\u2019 escrev\u00ea-la porque n\u00e3o consigo parar de pensar nela. Se n\u00e3o as escrever, parece que n\u00e3o vou conseguir dedicar minha aten\u00e7\u00e3o a mais nada. \u00c9 a\u00ed que, acho, a hist\u00f3ria est\u00e1 pronta. E \u00e9 a\u00ed que come\u00e7o a escrev\u00ea-la. O que mais me interessa como escritor s\u00e3o os aspectos psicol\u00f3gicos e sentimentais das personagens, desencadeados pelas suas escolhas e pelas rela\u00e7\u00f5es humanas. Isso, penso, \u00e9 diferente do que escreve a maioria dos autores que li. Foco sobretudo nos sentimentos, profundamente, e como estes sentimentos mexem com a personagem: se gagueja, se o corpo fica entorpecido, se o cora\u00e7\u00e3o parece apertar no peito, se as m\u00e3os tremem. Mas os relacionamentos se passam em algum cen\u00e1rio social, logo s\u00e3o afetados por eles. Neste livro h\u00e1 um conto que se passa numa charqueada, em alguns anos pr\u00e9-revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, e outro que tem um personagem que passou pelos por\u00f5es da ditadura\u201d, diz o escritor.<\/p>\n<p><b>AMORES\u00a0<\/b>\u2013 Sobre o livro, Rafael acrescenta: \u201c\u2019Amores interrompidos\u2019 n\u00e3o querem dizer amores infelizes ou amores acabados. A ideia dos contos \u00e9 abordar algum momento de fissura nas rela\u00e7\u00f5es, a qual poder\u00e1 colocar fim a um amor ou fortalec\u00ea-lo ainda mais. Sobre a tem\u00e1tica, nem todos os contos s\u00e3o de amor rom\u00e2ntico, de casais, pois h\u00e1 tamb\u00e9m amores entre familiares, entre amigos, amor por um bichinho de estima\u00e7\u00e3o e por um ideal\u201d.<\/p>\n<p><b>PUBLICAR<\/b>\u00a0\u2013 Na trajet\u00f3ria liter\u00e1ria, Rafael lan\u00e7ou os romances: \u201cSangue e saudade\u201d (2000); \u201cUm bom lugar para morrer\u201d (2010). O primeiro foi publicado de forma independente, e o segundo pela editora da UFPel num selo comemorativo. Acerca do livro de contos, ele observa sobre a op\u00e7\u00e3o pela edi\u00e7\u00e3o independente: \u201cProcurei algumas editoras no come\u00e7o, mas o processo de sele\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil e longo. Assim, estando o livro pronto, eu queria logo coloc\u00e1-lo na rua, saber a opini\u00e3o de quem o l\u00ea, fazer o livro \u2018existir\u2019, ao inv\u00e9s de ficar esperando alguma editora\u201d.<\/p>\n<p><b>Ler e escrever<\/b><\/p>\n<p><b>O\u00a0<\/b>autor Rafael Montoito<b>\u00a0<\/b>considera a escrita como \u201cnecessidade\u201d.<b>\u00a0<\/b>Segundo ele: \u201cQuando a hist\u00f3ria est\u00e1 pronta, ou quase, preciso escrev\u00ea-la, porque ficar pensando nela me impede de pensar no resto. Acho que, como qualquer outra coisa na vida, a escrita tende a se aperfei\u00e7oar com o tempo, e nossa sensibilidade tende a se agu\u00e7ar com a leitura, por isso penso que este livro, apesar de ser o primeiro de contos, tem mais a dizer, em hist\u00f3rias e em estilos, do que os anteriores. Considero que o meu desejo de escrever \u00e9 processo natural de quem, desde pequeno, ama ler. \u00c9 uma \u2018reverbera\u00e7\u00e3o\u2019. Acho que n\u00e3o saberia escrever, em estrutura e ideias, se n\u00e3o fosse um bom leitor\u201d.<\/p>\n<p><b>LEITURA<\/b>\u00a0\u2013 Acerca do h\u00e1bito do ler, ele menciona: \u201cLer talvez seja o que mais gosto de fazer, e leio bem menos do que gostaria, porque o trabalho me ocupa muito. Mas sempre ando com um livro: aeroporto, rodovi\u00e1ria, fila de banco, pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o do shopping. O livro me faz companhia e, se tenho que esperar algo, vou adiantando a leitura. Mas tamb\u00e9m gosto muito de ler na minha casa, sozinho, imerso, daquele tipo de gente que passa o final de semana inteiro lendo\u201d.<\/p>\n<p><b>ORIGEM\u00a0<\/b>\u2013 Na inf\u00e2ncia, Rafael acompanhava a m\u00e3e que lecionava no Dom Jo\u00e3o Braga. Ainda sem saber ler, ele ficava na biblioteca, onde a professora Lisbela Corr\u00eaa \u00e0s vezes lia para ele. A experi\u00eancia, afirma o escritor, foi fundamental, pois ao fim do primeiro ano, j\u00e1 criava e ilustrava as pr\u00f3prias hist\u00f3rias. Alfabetizado, pedia livros aos pais. Assim, venceu dois concursos de reda\u00e7\u00e3o. No Dom Jo\u00e3o Braga, tamb\u00e9m teve apoio da professora Jurema. Em cadernos, primeiras reda\u00e7\u00f5es e contos. Na sexta s\u00e9rie, aos treze anos, o primeiro romance \u201cAmor meu\u201d \u2013 in\u00e9dito -, com cem p\u00e1ginas. Na oitava s\u00e9rie, escreveu \u201cMo\u00e7a de cabar\u00e9\u201d, que seria a base para o romance de estreia \u201cSangue e saudade\u201d.<\/p>\n<h2><b>Ensinando matem\u00e1tica atrav\u00e9s da literatura<\/b><\/h2>\n<p><b>R<\/b>afael Montoito \u00e9 pesquisador e docente no IFSul. Na \u00e1rea profissional, tem publica\u00e7\u00f5es que aproximam a matem\u00e1tica e a literatura. A publica\u00e7\u00e3o \u201cEnsinando matem\u00e1tica atrav\u00e9s da literatura\u201d (2010), apresenta parte da pesquisa de mestrado. Ele esclarece: \u201cA partir da an\u00e1lise das obras de Lewis Carroll, autor de \u2018Alice no Pa\u00eds das Maravilhas\u2019, trago ao leitor parcela da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, na qual mostro que o uso da literatura pode ser uma nova proposta metodol\u00f3gica para o ensino da matem\u00e1tica na sala de aula. Analisando o ambiente de Lewis Carroll, que tamb\u00e9m era professor de matem\u00e1tica, identifico determinados elementos que comp\u00f5em suas obras e que podem auxiliar no desenvolvimento cognitivo dos alunos. Numa abordagem que leva em considera\u00e7\u00e3o a dimens\u00e3o afetiva e o racioc\u00ednio l\u00f3gico do estudante, te\u00e7o argumentos para a uni\u00e3o da literatura e da matem\u00e1tica em sala de aula, demonstrando, com exemplos, como trabalhar alguns conte\u00fados atrav\u00e9s de trechos de \u2018Alice no Pa\u00eds das Maravilhas\u2019 e \u2018Alice Atrav\u00e9s do Espelho\u2019&#8221;.<\/p>\n<p><b>ROMANCE<\/b>\u00a0\u201cCh\u00e1 com Lewis Carroll\u201d \u00e9 de 2011. O autor observa: \u201cH\u00e1 quem pense em Literatura como um conte\u00fado escolar e matem\u00e1tica como outro, isolados e ensinados separadamente. Parte da minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, \u2018Ch\u00e1 com Lewis Carroll\u2019 \u00e9 um romance que mostra como conciliar estas duas disciplinas, dando \u00eanfase ao ensino da matem\u00e1tica. Unindo as dimens\u00f5es do imagin\u00e1rio e do racional, visando uma aprendizagem que considera o aluno como algu\u00e9m que pensa matematicamente e que tamb\u00e9m tem uma imagina\u00e7\u00e3o l\u00fadica, amparo-me na literatura de Lewis Carroll para criar uma narrativa matem\u00e1tica: as personagens conhecem e convivem com Lewis Carroll, com Alice e com os demais habitantes do Pa\u00eds das Maravilhas, desvendando para o leitor a matem\u00e1tica escondida nos h\u00e1bitos do autor ingl\u00eas e na literatura que este criou. \u2018Ch\u00e1 com Lewis Carroll\u2019 n\u00e3o \u00e9 um romance s\u00f3 para quem estuda matem\u00e1tica, mas tamb\u00e9m para quem \u00e9 professor e procura novos meios de ensinar seus alunos e para o leitor comum, interessado em boas horas de leitura\u201d.<\/p>\n<p><b>TRADU\u00c7\u00c3O<\/b>\u00a0\u2013 Rafael publicou a tradu\u00e7\u00e3o de \u201cEuclides e seus rivais modernos\u201d, autoria de Lewis Carroll em 1879. Trata-se da primeira tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua portuguesa, fruto da tese de doutorado de Rafael. A tradu\u00e7\u00e3o foi publicada em 2014, atrav\u00e9s da editora Livraria da F\u00edsica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e1bado \u00e0s 19h na Bibliotheca P\u00fablica Pelotense, Rafael Montoito estar\u00e1 autografando o volume \u201cAmores Interrompidos\u201d Por Carlos Cogoy O\u00a0selo vermelho, O amor dos nossos, Pelos por todos os lados, Quintess\u00eancia,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":72455,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72454"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72454"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72456,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72454\/revisions\/72456"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}