{"id":73780,"date":"2018-03-29T14:44:48","date_gmt":"2018-03-29T17:44:48","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=73780"},"modified":"2018-03-29T14:44:49","modified_gmt":"2018-03-29T17:44:49","slug":"pesquisa-inedita-no-brasil-mostra-quais-as-dores-dos-moradores-em-situacao-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/pesquisa-inedita-no-brasil-mostra-quais-as-dores-dos-moradores-em-situacao-de-rua\/","title":{"rendered":"Pesquisa in\u00e9dita no Brasil mostra quais as dores dos moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>Para 82,6% a dor \u00e9 rotina. Dados mostram ainda que 73,8% das queixas s\u00e3o referentes a dor em m\u00fasculos, tend\u00f5es, ligamentos, articula\u00e7\u00f5es e ossos<\/em><\/h2>\n<p>P\u00e9s inchados e com feridas. M\u00e3os calejadas. Dor constante nas costas e bra\u00e7os. Morador das ruas da cidade de S\u00e3o Paulo h\u00e1 mais de 30 anos, Jos\u00e9 Roberto da Silva Cirilo, de 47 anos, percorre diariamente a regi\u00e3o central puxando uma carro\u00e7a. Dorme, na maioria das vezes, no frio das cal\u00e7adas e sob marquises que nem sempre o protegem do sereno. Estudo in\u00e9dito realizado pela enfermeira Ariane Gra\u00e7as de Campos e coordenado pela pesquisadora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), Eliseth Ribeiro Le\u00e3o, mostra que a dor f\u00edsica sentida constantemente por Jos\u00e9 Roberto \u00e9 tamb\u00e9m rotina na vida de 82,6% dos 69 moradores de rua entrevistados para o trabalho realizado na capital paulista, sendo que as musculoesquel\u00e9ticas representam 73,8% das queixas \u2013 elas\u00a0 ocorrem em m\u00fasculos, tend\u00f5es, ligamentos, articula\u00e7\u00f5es e ossos.<\/p>\n<p>Levantamento divulgado em 2015 pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (FIPE) a pedido da Secretaria Municipal de Assist\u00eancia e Desenvolvimento Social mostrou naquele ano 15.905 pessoas vivendo em situa\u00e7\u00e3o de rua na capital. No pa\u00eds, o n\u00famero estimado no mesmo ano era de 101.854. A pesquisa \u201cA dor do morador de rua\u201d mostra que, em m\u00e9dia, os moradores de rua convivem por 8 anos com a dor e que a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 menor para quem est\u00e1 h\u00e1 mais tempo nessa condi\u00e7\u00e3o. Desde que foi expulso de casa pela ex-mulher h\u00e1 tr\u00eas meses, o vendedor Ant\u00f4nio Onofre da Silva J\u00fanior, de 36 anos, perambula no entorno da Pra\u00e7a da S\u00e9. Algumas vezes consegue vaga em algum dos albergues da cidade e diz sentir muita dor pelo corpo. \u201cAinda n\u00e3o me acostumei com essa vida de dormir no ch\u00e3o duro e sem conforto. Acordo arrebentado, mas dizem que depois a gente esquece\u201d, contou.<\/p>\n<p>Mais alarmantes s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es de que 69% dos entrevistados sentem dor todos os dias e que, em grande parte dos casos, a dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de horas (para 39,1%) ou dias (40,6%) seguidos. \u201cA dor faz parte do viver dessas pessoas. Eles convivem por tanto tempo com ela que se acostumam, se acomodam e na maioria das vezes n\u00e3o procuram ajuda\u201d, explica Ariane que, entre 2009 e 2017, trabalhou no atendimento dessa popula\u00e7\u00e3o.\u00a0 Esse comportamento \u00e9 o mesmo para graus leves e intensos, sendo esse o grau mais apontado pelos moradores ouvidos no estudo:\u00a0 61,2%.<\/p>\n<p>A dor interfere em todas as atividades do dia a dia desses indiv\u00edduos, especialmente no sono. Para 87,2%, a condi\u00e7\u00e3o de rua prejudica a qualidade e a dura\u00e7\u00e3o do sono. Isso \u00e9 atribu\u00eddo ao fato de a maioria dormir no ch\u00e3o, estar exposta ao frio e vulner\u00e1vel a fatores como viol\u00eancia. Na sequ\u00eancia, os itens mais mencionados foram humor (83,8%) e trabalho (79,3%).<\/p>\n<p>O carroceiro Jos\u00e9 Roberto diz que seu corpo d\u00f3i mais quando est\u00e1 parado, percep\u00e7\u00e3o de 27,5% dos entrevistados. Por isso, prefere ocupar a maior parte do dia recolhendo, em lojas e pr\u00e9dios, materiais que podem ser vendidos em ferros-velhos. Acorda \u00e0s 7h e dorme depois da meia-noite. E quando a dor aperta, n\u00e3o \u00e9 uma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) que procura. Ele se automedica, \u201cUma vez um m\u00e9dico me receitou um rem\u00e9dio. Agora vou e compro direto\u201d, conta. Diferentemente dele, grande parte dos moradores \u2013 40% \u2013 usa medicamentos prescritos. O consumo de \u00e1lcool e droga tamb\u00e9m \u00e9 op\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para 13,1% e 10%, respectivamente.<\/p>\n<p><b>Neglig\u00eancia &#8211;<\/b> De acordo com a pesquisadora do Einstein, Eliseth Le\u00e3o, o estudo \u00e9 um retrato da neglig\u00eancia da dor noBrasil. A dor est\u00e1 presente em todos os pa\u00edses \u2013 dos desenvolvidos at\u00e9 os mais pobres \u2013, mas n\u00e3o estamos preparados para perguntar e identifica-la nas pessoas. Um exemplo \u00e9 o fato da cartilha do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (cartilha Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua, publicada em 2014) n\u00e3o tratar do assunto. No caso dos moradores de rua, a quest\u00e3o se agrava: eles n\u00e3o t\u00eam acesso ao tratamento, sem falar nas quest\u00f5es de ades\u00e3o e comprometimento que para eles \u00e9 muito mais complicado, segundo Eliseth.<\/p>\n<p><b>Dor emocional &#8211;<\/b> No in\u00edcio do trabalho, a ideia de Ariane n\u00e3o era investigar a dor emocional, mas o tema era recorrente durante as entrevistas. O resultado demonstrou que 78,3% dos entrevistados convivem com algum tipo de dor emocional. \u201cA maioria por conta da morte da m\u00e3e. Esse \u00e9 um fator que desorganiza o sujeito, que o leva para a bebida ou para a rua\u201d, explica Ariane. \u201cNunca tinha me dado conta do quanto a falta da presen\u00e7a materna pode desestruturar uma pessoa\u201d, continua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para 82,6% a dor \u00e9 rotina. Dados mostram ainda que 73,8% das queixas s\u00e3o referentes a dor em m\u00fasculos, tend\u00f5es, ligamentos, articula\u00e7\u00f5es e ossos P\u00e9s inchados e com feridas. 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