{"id":74691,"date":"2018-04-20T14:20:25","date_gmt":"2018-04-20T17:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=74691"},"modified":"2018-04-20T14:20:25","modified_gmt":"2018-04-20T17:20:25","slug":"cancer-ja-e-a-primeira-causa-de-morte-em-10-dos-municipios-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/cancer-ja-e-a-primeira-causa-de-morte-em-10-dos-municipios-brasileiros\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer j\u00e1 \u00e9 a primeira causa de morte em 10% dos munic\u00edpios brasileiros"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>Em 516 dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros o c\u00e2ncer j\u00e1 \u00e9 a principal causa de morte. Esta \u00e9 principal conclus\u00e3o de levantamento in\u00e9dito feito com base nos n\u00fameros oficiais mais recentes do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Mortalidade (SIM)<\/em><\/h2>\n<p>De acordo com a an\u00e1lise do Observat\u00f3rio de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o C\u00e2ncer (TJCC), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a doen\u00e7a avan\u00e7a a cada ano e, com a manuten\u00e7\u00e3o dessa trajet\u00f3ria, em pouco mais de uma d\u00e9cada as neoplasias ser\u00e3o as respons\u00e1veis pela maioria dos \u00f3bitos no Brasil.<\/p>\n<p>Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (16), na sede do CFM, durante a terceira edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Big Data em Oncologia promovido pelo TJCC, com o apoio do CFM, e que reuniu especialistas no assunto, autoridades e representantes de pacientes. Para a coordenadora do movimento e presidente e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), Merula Steagall, a expectativa \u00e9 de que o estudo contribua para um melhor planejamento das a\u00e7\u00f5es de controle, preven\u00e7\u00e3o e tratamento da doen\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO aumento da mortalidade pela doen\u00e7a aqui est\u00e1 relacionado, tamb\u00e9m, \u00e0s dificuldades enfrentadas pelo paciente para o diagn\u00f3stico e para o acesso ao tratamento. Diversos tipos de c\u00e2ncer s\u00e3o preven\u00edveis e outros t\u00eam seu risco de morte significativamente reduzido quando diagnosticado precocemente. Nosso objetivo \u00e9 alertar e engajar os m\u00faltiplos atores a somarem esfor\u00e7os no combate ao c\u00e2ncer\u201d, destacou Merula.<\/p>\n<p>J\u00e1 o 1\u00ba secret\u00e1rio do CFM, Hermann von Tiesenhausen, enfatizou a import\u00e2ncia de se discutir o avan\u00e7o do c\u00e2ncer, especialmente no momento em que os candidatos a cargos eletivos elegem suas prioridades para as Elei\u00e7\u00f5es Gerais de 2018. \u201cEste diagn\u00f3stico revela um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica que, a cada ano, assume maior relev\u00e2ncia na lista de prioridades dos gestores. Na vis\u00e3o do CFM, \u00e9 preciso envidar todos os esfor\u00e7os para conter essa epidemia e manter a obedi\u00eancia \u00e0s diretrizes e aos princ\u00edpios constitucionais que regulam a assist\u00eancia nas redes p\u00fablica, suplementar e privada no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Os dados mostram que a maior parte das cidades onde o c\u00e2ncer j\u00e1 \u00e9 a principal causa de morte est\u00e1 localizada em regi\u00f5es mais desenvolvidas do Pa\u00eds, justamente onde a expectativa de vida e o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) s\u00e3o maiores. Dos 516 munic\u00edpios onde os tumores matam mais, 80% ficam no Sul (275) e Sudeste (140). No Nordeste, est\u00e3o 9% dessas localidades (48); no Centro-Oeste, 34 (7%); e no Norte, 19 (4%).<\/p>\n<p>Ao todo, estes munic\u00edpios concentram uma popula\u00e7\u00e3o total de 6,6 milh\u00f5es de habitantes. Onze munic\u00edpios s\u00e3o considerados de grande porte, sendo Caxias do Sul (RS) o mais populoso deles, com quase meio milh\u00e3o de habitantes. Outros 27 s\u00e3o de m\u00e9dio porte (com popula\u00e7\u00e3o entre 25 mil e 100 mil) e a grande maioria (478) est\u00e1 situada na faixa de pequenos munic\u00edpios, com menos de 25 mil habitantes. Araguainha, menor cidade do Mato Grosso, \u00e9 tamb\u00e9m a menor cidade da lista identificada pelo TJCC e CFM.<\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul \u00e9 o Estado com o maior n\u00famero de munic\u00edpios (140) onde o c\u00e2ncer \u00e9 a primeira causa de morte. Enquanto em todo o Pa\u00eds as mortes por c\u00e2ncer representam 16,6% do total, no territ\u00f3rio ga\u00facho esse \u00edndice chega a 33,6%. Um dos fatores que pode explicar a alta incid\u00eancia de c\u00e2ncer na regi\u00e3o s\u00e3o as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas da popula\u00e7\u00e3o, que pode apresentar maior predisposi\u00e7\u00e3o para desenvolver o c\u00e2ncer de pele (melanoma), por exemplo.<\/p>\n<p>Das 27 unidades federativas, 24 contam com pelo menos uma localidade onde o c\u00e2ncer \u00e9 a principal causa de mortalidade. Alagoas e Amap\u00e1 foram os \u00fanicos estados onde essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu, al\u00e9m do Distrito Federal, que, por sua caracter\u00edstica administrativa, n\u00e3o se divide em munic\u00edpios. Nos tr\u00eas, a principal causa de \u00f3bito est\u00e1 relacionada \u00e0s doen\u00e7as do aparelho circulat\u00f3rio.<\/p>\n<p><b>Hist\u00f3rico \u2013<\/b> Atualmente, as complica\u00e7\u00f5es no aparelho circulat\u00f3rio, especialmente o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o infarto agudo do mioc\u00e1rdio, ainda s\u00e3o respons\u00e1veis pela maior parte dos \u00f3bitos. Em geral, s\u00e3o doen\u00e7as associadas a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, consumo excessivo de \u00e1lcool, tabagismo e sedentarismo. Contudo, os registros que ficam sob a supervis\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que a incid\u00eancia de neoplasias com desdobramentos fatais tem avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>No ano de 2015 (\u00faltimo per\u00edodo com estat\u00edsticas dispon\u00edveis), foram registradas 209.780 mortes por c\u00e2ncer e 349.642 relacionadas a doen\u00e7as cardiovasculares e do aparelho circulat\u00f3rio. No entanto, quando comparados com os dados de 1998, por exemplo, percebe-se uma grande diferen\u00e7a no comportamento desses dois tipos de transtornos.<\/p>\n<p>Os registros mostram que o n\u00famero de mortes por c\u00e2ncer aumentou 90% em 2015 com rela\u00e7\u00e3o a 1998, quando 110.799 pessoas foram \u00e0 \u00f3bito por conta da doen\u00e7a. Nos mesmos per\u00edodos, houve uma alta de 36% entre as v\u00edtimas de doen\u00e7as cardiovasculares, que na \u00e9poca somavam 256.511 pessoas. Ou seja, o crescimento das mortes por neoplasias foi quase tr\u00eas vezes mais r\u00e1pido do que daquelas provocadas por infartos ou derrames.<\/p>\n<p>No mundo, o c\u00e2ncer \u00e9 respons\u00e1vel por 8,2 milh\u00f5es de mortes por ano em todo o mundo, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Aproximadamente 14 milh\u00f5es de novos casos s\u00e3o registrados anualmente e o organismo internacional calcula que essas notifica\u00e7\u00f5es devam subir at\u00e9 70% nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><b>Doen\u00e7a da modernidade \u2013<\/b> Na avalia\u00e7\u00e3o da presidente da Abrale, a mudan\u00e7a nos indicadores desses munic\u00edpios reflete o novo perfil epidemiol\u00f3gico do Brasil, pois o c\u00e2ncer pode ser considerado uma doen\u00e7a vinculada ao desenvolvimento e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o em sociedade. \u201cDentre as hip\u00f3teses que justificam esses n\u00fameros est\u00e3o: o aumento da expectativa de vida e consequente mudan\u00e7as gen\u00e9ticas decorrentes do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o; e o comportamento n\u00e3o saud\u00e1vel de milh\u00f5es de brasileiros, que ainda s\u00e3o adeptos do consumo do tabaco, n\u00e3o realizam atividades f\u00edsicas, sofrem com os efeitos da obesidade ou se exp\u00f5em ao sol de forma excessiva e sem prote\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Merula Steagall.<\/p>\n<p>Para ela, ao contr\u00e1rio de doen\u00e7as infectocontagiosas, que sugerem a fal\u00eancia do sistema em seu n\u00edvel b\u00e1sico \u2013 com dificuldade de fazer o rastreamento de casos, de ampliar a cobertura vacinal ou de promover medidas com impacto direto na sa\u00fade, como amplia\u00e7\u00e3o da rede de \u00e1gua e esgoto tratados \u2013, o aumento do n\u00famero de casos de c\u00e2ncer tamb\u00e9m pode ter outra explica\u00e7\u00e3o: \u201ca melhoria do acesso aos m\u00e9todos de diagn\u00f3stico, o que tem facilitado a descoberta precoce dos tumores\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 516 dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros o c\u00e2ncer j\u00e1 \u00e9 a principal causa de morte. 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