{"id":76108,"date":"2018-05-29T13:37:51","date_gmt":"2018-05-29T16:37:51","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=76108"},"modified":"2018-05-29T13:44:09","modified_gmt":"2018-05-29T16:44:09","slug":"sobre-a-destruicao-do-patrimonio-historico-de-pelotas-%e2%80%92-nota-de-repudio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/sobre-a-destruicao-do-patrimonio-historico-de-pelotas-%e2%80%92-nota-de-repudio\/","title":{"rendered":"Sobre a destrui\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico de Pelotas \u2012 NOTA DE REP\u00daDIO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/casarao-centro-historico.jpg\" rel=\"lightbox\" title=\"Sobre a destrui\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico de Pelotas \u2012 NOTA DE REP\u00daDIO\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-76109 aligncenter\" alt=\"casar\u00e3o Centro Hist\u00f3rico\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/casarao-centro-historico.jpg\" width=\"541\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/casarao-centro-historico.jpg 601w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/casarao-centro-historico-150x75.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/casarao-centro-historico-300x151.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 541px) 100vw, 541px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 com grande <b>insatisfa\u00e7\u00e3o<\/b> e <b>perplexidade<\/b> que n\u00f3s, abaixo assinados, professores da Universidade Federal de Pelotas e de outras entidades ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico ou a segmentos de cultura em nossa cidade, vimos, por meio desta, <b>denunciar<\/b> um ato que consideramos uma <b>viola\u00e7\u00e3o<\/b> arquitet\u00f4nica e \u00e9tica <b>grave<\/b> no Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico pelotense. Durante aproximadamente 150 anos, Pelotas ergueu e conseguiu manter intacto um dos mais belos quarteir\u00f5es edificados em toda a Am\u00e9rica do Sul. Possivelmente, o \u00fanico no centro hist\u00f3rico de Pelotas. Trata-se da quadra, localizada a leste da Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio, onde a partir dos anos de 1870, foram constru\u00eddos os Casar\u00f5es n\u00fameros 6 e 8, e remodelado o de n\u00famero 2, os quais a partir de 1977 foram considerados Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico Nacional atrav\u00e9s da inscri\u00e7\u00e3o no 526, no <b>Livro Tombo de Belas Artes<\/b>, e no 70, no <b>Livro Arqueol\u00f3gico, Etnogr\u00e1fico e Paisag\u00edstico<\/b>.<\/p>\n<p>Cabe lembrar que tal reconhecimento nacional permitiu que a Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio e seu entorno fosse inclu\u00edda primeiro no Programa Monumenta, e, na sequ\u00eancia, que Pelotas participasse do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento \u2012 Cidades Hist\u00f3ricas. O ingresso nesses programas possibilitou que o munic\u00edpio recebesse recursos federais para a conserva\u00e7\u00e3o desses bens. O \u00faltimo constitui uma linha destinada exclusivamente aos s\u00edtios hist\u00f3ricos urbanos protegidos pelo IPHAN. Portanto, nesse s\u00edtio, <b>altera\u00e7\u00f5es<\/b> podem fazer com que <b>exista perda de autenticidade<\/b> e, em decorr\u00eancia, de reconhecimento e, <b>como consequ\u00eancia, fique o mesmo fora dos incentivos \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o<\/b>.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito deste quarteir\u00e3o, Andrey Rosenthal Schlee, arquiteto e urbanista pelotense, atual <b>diretor do Departamento de Patrim\u00f4nio Material e Fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/b> do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional, observou no ano de 2008 em seu artigo \u201cPela mem\u00f3ria de Pelotas. Como sempre!\u201d que \u00e9 fundamental \u201ca sobreviv\u00eancia de um dos <b>mais belos conjuntos arquitet\u00f4nicos do s\u00e9culo XIX, do Brasil<\/b>.\u201d (grifo nosso). Conjunto arquitet\u00f4nico de valor nacional, o quarteir\u00e3o onde est\u00e3o localizados esses im\u00f3veis \u00e9 composto por outras quatro resid\u00eancias de propriedade particular, todas elas devidamente inventariadas como bens hist\u00f3ricos do munic\u00edpio, duas em frente ao Theatro Guarany e duas outras cuja fachada tem frente para a rua Gon\u00e7alves Chaves (um dos pr\u00e9dios, ali\u00e1s bem conservado e preservado, \u00e9 onde funciona h\u00e1 muito anos o tradicional Curso de Franc\u00eas Gilda Maciel).<\/p>\n<p>O sobrado que faz diagonal com as ruas Lobo da Costa e Gon\u00e7alves Chaves, recentemente adquirido por um empres\u00e1rio local (cujo nome n\u00e3o importa aqui, pois o foco \u00e9 a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica), ou seja, o pr\u00e9dio que fica em frente ao Theatro Guarany, teve um projeto arquitet\u00f4nico <b>autorizado por determinado setor do poder p\u00fablico local<\/b> h\u00e1 alguns meses, autoriza\u00e7\u00e3o que, a nosso ver, <b>bem representa o fen\u00f4meno destrutivo<\/b> que permite o avan\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o privada ou da ignor\u00e2ncia sobre a import\u00e2ncia do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico para o presente e o futuro da cidade.<\/p>\n<p>Cabe tamb\u00e9m lembrar que no <b>Plano Diretor de Pelotas<\/b> vigente, a Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio e seu entorno est\u00e3o presentes nas \u00c1reas Especiais de Interesse do Ambiente Cultural, nas Zonas de Preserva\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural e, particularmente, s\u00e3o Focos de Interesse Cultural, onde ficou definida a seguinte delimita\u00e7\u00e3o: \u201cao norte, pela Rua Sete de Setembro, da Rua Andrade Neves \u00e0 Rua Gon\u00e7alves Chaves; <b>a leste, pela Rua Gon\u00e7alves Chaves<\/b>, da Rua Sete de Setembro \u00e0 Rua Tiradentes; ao sul, pela Rua Tiradentes, da Rua Gon\u00e7alves Chaves \u00e0 Rua Andrade Neves; a oeste, pela Rua Andrade Neves, da Rua Tiradentes \u00e0 Rua Sete de Setembro, incluem-se na \u00e1rea todos os lotes voltados para as vias lim\u00edtrofes.\u201d (grifo nosso).<\/p>\n<p>A Pra\u00e7a e seu entorno foram consideradas <b>Focos de Interesse Cultural<\/b> \u201cpor ser o n\u00facleo do Segundo Loteamento, conferindo-lhe car\u00e1ter de refer\u00eancia hist\u00f3ricocultural. Constitui a \u00e1rea de localiza\u00e7\u00e3o da <b>principal pra\u00e7a<\/b> da cidade \u2012 Pra\u00e7a Cel. Pedro Os\u00f3rio, em cujo <b>entorno encontram-se os principais pr\u00e9dios hist\u00f3ricos tombados, com unidades tipol\u00f3gicas de caracter\u00edsticas formais ecl\u00e9ticas, consagradas e reconhecidas como patrim\u00f4nio cultural do munic\u00edpio<\/b>\u201d. (grifo nosso).<\/p>\n<p>Em especial, Pelotas, desde sua forma\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX, teve tr\u00eas riquezas que foram determinantes para o seu desenvolvimento: o com\u00e9rcio, a educa\u00e7\u00e3o e a cultura. Todos estes setores, entretanto, interligam-se por meio de um s\u00f3: a singularidade de nosso patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico. Se ele for e continuar sendo amea\u00e7ado, Pelotas ter\u00e1 um destino semelhante a muitas outras cidades que orbitam somente em torno do com\u00e9rcio, e perderemos tamb\u00e9m muito no que diz respeito aos que aqui v\u00eam em busca da educa\u00e7\u00e3o e da cultura. Isto para n\u00e3o dizer que tamb\u00e9m est\u00e1 amea\u00e7ado um dos setores mais importantes, mas ao mesmo tempo <b>ainda incipiente<\/b> na cidade: o desenvolvimento do turismo. N\u00e3o restam d\u00favidas que <b>o turismo propicia obter recursos<\/b>. Em muito, na atualidade, est\u00e1 <b>vinculado \u00e0 integridade dos centros hist\u00f3ricos<\/b>.<\/p>\n<p>Pedimos assim, por meio deste, <b>a demoli\u00e7\u00e3o da referida obra<\/b> \u2012 em nome da hist\u00f3ria, da mem\u00f3ria e de muitos cidad\u00e3os pelotenses de ontem, de hoje e do amanh\u00e3.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos mais viver de <b>apar\u00eancias<\/b> e de<b> fachadas<\/b>, e reiteramos o que j\u00e1 foi dito na <b>Carta de Pelotas<\/b>, elaborada pela Comiss\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural do Instituto de Arquitetos do Brasil em 1978: <b>S\u00f3 se protege o que se ama, mas s\u00f3 se ama o que se conhece<\/b>.<\/p>\n<p>Assinam o documento, por ordem alfab\u00e9tica: Aldyr Garcia Schlee (escritor), Ana L\u00facia Costa de Oliveira (arquiteta e urbanista), Carlos Alberto \u00c1vila Santos (Professor Colaborador no PPG em Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural\/UFPel), Carlos Augusto Posser (agr\u00f4nomo e pesquisador da Embrapa), Daniel Furtado (professor Centro Artes\/UFPel), Eduardo Almeida (advogado), Ester Judite Bendjouya Gutierrez (arquiteta e urbanista), F\u00e1bio Vergara Cerqueira (professor do PPG em Hist\u00f3ria e do PPG em Mem\u00f3ria e Patrim\u00f4nio\/UFPel), Guilherme Michels (m\u00e9dico), Guilherme Pinto de Almeida (arquiteto e urbanista), Junelise Martino (mestranda educa\u00e7\u00e3o\/UFPel), Leandro Maia (professor do Centro Artes\/UFPel), Lu\u00eds Rubira (professor de \u00e9tica do Depto de Filosofia\/UFPel), Maria Leticia Mazzucchi Ferreira (coordenadora do PPG em Mem\u00f3ria e Patrim\u00f4nio\/UFPel), Maur\u00edcio Polidori (diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo\/UFPel), Paulo Gaiger (m\u00fasico e professor do Centro de Artes\/UFPel), Paulo Rosa (m\u00e9dico e psicanalista) Maria Falkembach (professora de Dan\u00e7a\/UFPel), Ursula Rosa da Silva (diretora do Centro de Artes\/UFPel), Vitor Ramil (m\u00fasico, compositor e escritor).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 com grande insatisfa\u00e7\u00e3o e perplexidade que n\u00f3s, abaixo assinados, professores da Universidade Federal de Pelotas e de outras entidades ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico ou a segmentos de<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":76113,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76108"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76108"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76108\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76112,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76108\/revisions\/76112"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}