{"id":76466,"date":"2018-06-08T16:53:36","date_gmt":"2018-06-08T19:53:36","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=76466"},"modified":"2018-06-08T16:53:36","modified_gmt":"2018-06-08T19:53:36","slug":"automutilacao-saiba-como-identificar-e-ajudar-a-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/automutilacao-saiba-como-identificar-e-ajudar-a-pessoa\/","title":{"rendered":"Automutila\u00e7\u00e3o: saiba como identificar e ajudar a pessoa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>Pessoas que t\u00eam o h\u00e1bito de causar les\u00f5es f\u00edsicas a si mesmas certamente est\u00e3o vivenciando momentos muito dif\u00edceis<\/em><\/h2>\n<p>A automutila\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como uma v\u00e1lvula de escape nada saud\u00e1vel para indiv\u00edduos lidando com situa\u00e7\u00f5es em que a dor psicol\u00f3gica e emocional necessita ser aliviada de alguma forma.<\/p>\n<p>Mas nem sempre \u00e9 poss\u00edvel identificar previamente o potencial risco ou atitudes recorrentes desse comportamento. Algumas estrat\u00e9gias s\u00e3o utilizadas para esconder as marcas das feridas e, por isso, \u00e9 importante ter bastante aten\u00e7\u00e3o a outros sinais comportamentais.<\/p>\n<p>Neste artigo, abordaremos detalhadamente o conceito e as causas da automutila\u00e7\u00e3o, assim como os poss\u00edveis meios para identificar o problema e como prestar o aux\u00edlio adequado. Acompanhe!<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 a automutila\u00e7\u00e3o? &#8211;<\/b> A automutila\u00e7\u00e3o \u00e9 definida por les\u00f5es provocadas nos pr\u00f3prios tecidos do corpo de forma deliberada, ou seja, propositalmente. A pr\u00e1tica \u00e9 mais comum entre jovens e adolescentes, e geralmente se manifesta na puberdade e fase adulta.<\/p>\n<p>Idosos tamb\u00e9m podem apresentar epis\u00f3dios de autoagress\u00e3o, mas, de modo geral, eles s\u00e3o relacionados a quadros de dem\u00eancia. Autistas, por sua vez, podem praticar a\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas de automutila\u00e7\u00e3o como um dos sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo o psiquiatra e m\u00e9dico do sono Dr. Caio Macedo Athayde Bonadio, existem dois tipos de comportamento: automutila\u00e7\u00e3o com pretens\u00e3o final de suic\u00eddio e automutila\u00e7\u00e3o sem idea\u00e7\u00e3o suicida.<\/p>\n<p><b>Automutila\u00e7\u00e3o com inten\u00e7\u00e3o suicida &#8211;<\/b> Quando o objetivo final \u00e9 o suic\u00eddio, esse cen\u00e1rio acontece em menor frequ\u00eancia considerando o hist\u00f3rico individual. Nesse caso, os meios utilizados para autoles\u00e3o t\u00eam maior potencial de causar morte e s\u00e3o mais destrutivos. Os atos mais comuns s\u00e3o enforcamento, envenenamento, jogar-se de grandes alturas ou atirar-se na frente de ve\u00edculos em alta velocidade.<\/p>\n<p><b>Automutila\u00e7\u00e3o sem idea\u00e7\u00e3o suicida &#8211;<\/b> A automutila\u00e7\u00e3o sem inten\u00e7\u00e3o suicida, por outro lado, \u00e9 praticada mais frequentemente por uma mesma pessoa. E embora essas les\u00f5es tamb\u00e9m sejam destrutivas, n\u00e3o h\u00e1 um risco iminente de morte.<\/p>\n<p>As autoagress\u00f5es mais comuns acontecem por meio de cortes, queimaduras e arranh\u00f5es na pele e mordidas na parte inferior da boca ou membros superiores. Al\u00e9m disso, algumas pessoas t\u00eam o h\u00e1bito de bater a cabe\u00e7a na parede ou esmurrar a si mesmas.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, independentemente do tipo, a automutila\u00e7\u00e3o significa que aspectos da vida desses indiv\u00edduos n\u00e3o est\u00e3o indo bem. Assim, eles tentam aliviar fisicamente as dores psicol\u00f3gicas e emocionais.<\/p>\n<p>Quais motivos levam uma pessoa a se mutilar? &#8211; A dificuldade em lidar com sentimentos negativos, como depress\u00e3o e ansiedade, \u00e9 o principal fator que leva uma pessoa a se ferir. De acordo com o Dr. Caio Bonadio alguns fatores de risco podem estar associados com a automutila\u00e7\u00e3o, mas dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos tamb\u00e9m s\u00e3o elementos determinantes.<\/p>\n<p><b>Fatores de risco &#8211;<\/b> Perturba\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas devido a traumas e ang\u00fastias vivenciados na inf\u00e2ncia podem perdurar por muitos anos. Dessa forma, no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, quando o indiv\u00edduo passa por descobertas e precisa lidar com mudan\u00e7as hormonais, f\u00edsicas e psicossociais, tais perturba\u00e7\u00f5es podem se agravar.<\/p>\n<p>Transtornos alimentares como bulimia e anorexia, bullying, abusos sexuais, maus tratos, pais dependentes qu\u00edmicos e abuso de drogas s\u00e3o os principais fatores de risco que levam esses adolescentes a praticar a automutila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos &#8211;<\/b>\u00a0 Al\u00e9m dos fatores de risco citados, transtornos psiqui\u00e1tricos podem ser motivos da desorganiza\u00e7\u00e3o comportamental que resultam na automutila\u00e7\u00e3o. Depress\u00e3o, ansiedade, depend\u00eancia qu\u00edmica, estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e transtornos alimentares s\u00e3o exemplos desses dist\u00farbios.<\/p>\n<p>Ademais, alguns indiv\u00edduos com Transtorno da Personalidade Borderline &#8211; caracterizado por significativa instabilidade emocional e impulsividade &#8211; se mutilam com certa frequ\u00eancia. O Dr. Caio Bonadio explica claramente a rela\u00e7\u00e3o do comportamento com a doen\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8220;Pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, que \u00e9 o car\u00e1ter disfuncional de personalidade em que a automutila\u00e7\u00e3o mais aparece, tem um limiar a dor mais alto do que pessoas sem essa personalidade, ou seja, eles precisariam de est\u00edmulos mais fortes para sentir dor do que outras pessoas. Isso refletiria uma disfun\u00e7\u00e3o em \u00e1reas cerebrais que controlam a dor e as emo\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p><b>Al\u00edvio e controle das emo\u00e7\u00f5es &#8211;<\/b> Conflitos interpessoais e sensa\u00e7\u00f5es de vazio s\u00e3o sentimentos que tamb\u00e9m podem levar as pessoas a praticarem a automutila\u00e7\u00e3o. Ao se ferirem, o foco destinado a esses problemas s\u00e3o aliviados, como se o ato de se cortar fosse mais f\u00e1cil do que lidar com eles.<\/p>\n<p>Esse escape, segundo o psiquiatra, Dr. Rodrigo Machado, tem fundamentos fisiol\u00f3gicos. Ao cometer a autoagress\u00e3o, o organismo libera endorfinas cerebrais (subst\u00e2ncias consideradas analg\u00e9sicos naturais) e produzem a sensa\u00e7\u00e3o de prazer e al\u00edvio tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da dificuldade em lidar com frustra\u00e7\u00f5es, a impulsividade \u00e9 uma caracter\u00edstica muito presente nesse comportamento. Para essas pessoas \u00e9 complicado agir em situa\u00e7\u00f5es mais complexas e eles acabam ferindo a si mesmos.<\/p>\n<p>O que acontece, no entanto, \u00e9 um arrependimento posterior ao ato, al\u00e9m de um sentimento de vergonha e insatisfa\u00e7\u00e3o, que pode agravar a sa\u00fade mental e emocional.<\/p>\n<p><b><i>Como identificar que uma pessoa est\u00e1 passando por esse problema?<\/i><\/b><\/p>\n<p>Existem alguns comportamentos que podem indicar a pr\u00e1tica de automutila\u00e7\u00e3o. Dentre eles, o h\u00e1bito de vestir cal\u00e7as e blusas de manga compridas mesmo durante o calor e o aparecimento de les\u00f5es e cicatrizes sem causa aparente.<\/p>\n<p>Altera\u00e7\u00f5es psicossociais tamb\u00e9m podem ser um ind\u00edcio. \u00c9 importante observar a prefer\u00eancia por isolamento social, cen\u00e1rios de impulsividade, irritabilidade, autocr\u00edtica exacerbada, transtornos alimentares e diminui\u00e7\u00e3o da higiene pessoal.<\/p>\n<p>Publicado pela Editora Manole, em 2015, o livro &#8220;Psiquiatria, Sa\u00fade Mental e a Cl\u00ednica da Impulsividade&#8221; retrata que existem 6 perguntas imprescind\u00edveis que auxiliam durante a investiga\u00e7\u00e3o.1.Alguma vez voc\u00ea cortou ou fez v\u00e1rios pequenos cortes na sua pele?2.Alguma vez voc\u00ea se feriu de alguma forma e desejou esse ferimento?3.Quando fez alguns dos atos, voc\u00ea estava tentando se matar?4.Voc\u00ea sente algum tipo de al\u00edvio quando provoca esses ferimentos?5.Voc\u00ea costuma ter esse tipo de comportamento diante das pessoas com quem convive?6.Quanto tempo voc\u00ea gasta pensando em fazer esse ato antes de realmente execut\u00e1-lo?<\/p>\n<p><b><i>Como ajudar a pessoa que passa por uma fase de automutila\u00e7\u00e3o?<\/i><\/b><\/p>\n<p>A primeira conduta a ser seguida \u00e9 criar um ambiente acolhedor, considerando a individualidade de cada um, sem negligenciar suas dores psicol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, \u00e9 essencial analisar e estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e afetividade, buscando dialogar continuamente. \u00c9 importante, tamb\u00e9m, tentar mostrar que existem outros meios de solucionar os problemas que n\u00e3o sejam por automutila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma grande aliada do tratamento \u00e9 a terapia cognitivo-comportamental, que permite identificar e tratar os motivos que levam a essa pr\u00e1tica. Desse modo, o apoio profissional auxilia a pessoa a ser capaz de descobrir alternativas saud\u00e1veis para resolver suas perturba\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dependendo do caso, medicamentos tamb\u00e9m podem ajudar a diminuir ou cessar os epis\u00f3dios de autoles\u00e3o? o uso adequado deve ser acompanhando de uma equipe de sa\u00fade e associado \u00e0 psicoterapia.<\/p>\n<p>A automutila\u00e7\u00e3o traduz um grande sofrimento das pessoas que a praticam e, \u00e0 medida que elas s\u00e3o acolhidas, ouvidas e orientadas a externar suas preocupa\u00e7\u00f5es, conseguem se enxergar mais seguras e confiantes. A fam\u00edlia tem papel mais do que fundamental nessa jornada e tamb\u00e9m deve buscar apoio psicol\u00f3gico, quando poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoas que t\u00eam o h\u00e1bito de causar les\u00f5es f\u00edsicas a si mesmas certamente est\u00e3o vivenciando momentos muito dif\u00edceis A automutila\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como uma v\u00e1lvula de escape nada saud\u00e1vel para<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":76467,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76466"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76466"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76468,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76466\/revisions\/76468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}