{"id":78808,"date":"2018-08-15T14:21:11","date_gmt":"2018-08-15T17:21:11","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=78808"},"modified":"2018-08-15T14:21:11","modified_gmt":"2018-08-15T17:21:11","slug":"cientista-pelotense-ganha-premiacao-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/cientista-pelotense-ganha-premiacao-nacional\/","title":{"rendered":"Cientista pelotense ganha premia\u00e7\u00e3o nacional"},"content":{"rendered":"<p>Bioqu\u00edmica ganhadora na categoria Ci\u00eancias da Vida, Ethel Wilhelm estuda os efeitos adversos da quimioterapia em idosos com a ambi\u00e7\u00e3o de desenvolver novas terapias capazes de reduzi-los nesses pacientes.<\/p>\n<p>Os idosos representam hoje o segmento da popula\u00e7\u00e3o que cresce mais rapidamente no mundo. A expectativa de vida acompanha esse movimento, de modo que teremos cidad\u00e3os cada vez mais longevos. No Brasil, espera-se hoje viver uma m\u00e9dia de 74 anos e estima-se que, em 2050, 30% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ter\u00e1 mais de 60 anos. Estes dados s\u00e3o fruto, em grande medida, dos avan\u00e7os da medicina nas \u00faltimas d\u00e9cadas e, sem d\u00favida, merecem ser comemorados. Por outro lado, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o traz desafios enormes para os governos, para a \u00e1rea de sa\u00fade e para a sociedade de maneira geral.<\/p>\n<div id=\"attachment_78809\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-78809\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-78809\" alt=\"Em meio \u00e0 rotina atribulada de trabalho, procura dedicar tempo \u00e0 fam\u00edlia. \u201cMinha fam\u00edlia \u00e9 meu alicerce, meu porto seguro.\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ethel-wilhelm-02-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ethel-wilhelm-02-300x199.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ethel-wilhelm-02-150x99.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ethel-wilhelm-02.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-78809\" class=\"wp-caption-text\">Em meio \u00e0 rotina atribulada de trabalho, procura dedicar tempo \u00e0 fam\u00edlia. \u201cMinha fam\u00edlia \u00e9 meu alicerce, meu porto seguro.<\/p><\/div>\n<p>Um deles \u00e9 assegurar qualidade de vida aos idosos, afetados por uma s\u00e9rie de doen\u00e7as cr\u00f4nicas que se intensificam nessa faixa et\u00e1ria. O c\u00e2ncer, relacionado diretamente ao envelhecimento das c\u00e9lulas e \u00e0 falta de prote\u00e7\u00e3o hormonal caracter\u00edstica da idade avan\u00e7ada, destaca-se entre essas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Existe um grande esfor\u00e7o de pesquisa sobre o c\u00e2ncer, o que tem resultado num conhecimento mais aprofundado da doen\u00e7a, no aprimoramento do diagn\u00f3stico e em terapias mais eficazes. Apesar disso, as drogas quimioter\u00e1picas, que s\u00e3o hoje a base do tratamento do c\u00e2ncer, apresentam efeitos colaterais indesej\u00e1veis. O que se tem observado \u00e9 que alguns desses efeitos se tornam ainda mais agressivos em pacientes idosos. \u00c9 o caso da neuropatia perif\u00e9rica, condi\u00e7\u00e3o que afeta os nervos perif\u00e9ricos, provocando perda de sensibilidade, debilidade, atrofia muscular e dor.<\/p>\n<p>Entender por que isso acontece e buscar novas abordagens terap\u00eauticas que considerem as especificidades do processo de envelhecimento \u00e9 o objetivo do projeto de Ethel Antunes Wilhelm, professora do Centro de Ci\u00eancias Qu\u00edmicas, Farmac\u00eauticas e de Alimentos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde coordena o Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Farmacologia Bioqu\u00edmica (LaFarBio).<\/p>\n<p><strong>Em busca do equil\u00edbrio<\/strong><\/p>\n<p>Uma pista para entender o papel do envelhecimento na neuropatia perif\u00e9rica decorrente do uso de quimioterapia \u00e9 a sua poss\u00edvel associa\u00e7\u00e3o com o estresse oxidativo, assunto no qual Ethel \u00e9 especialista. Conforme explica a pesquisadora, esse<\/p>\n<p>fen\u00f4meno \u00e9 caracterizado pelo desequil\u00edbrio entre a produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies oxidantes no organismo e a atua\u00e7\u00e3o do sistema de defesa antioxidante, que tende a se desestabilizar com o avan\u00e7ar da idade.<\/p>\n<p>Para verificar se de fato essa associa\u00e7\u00e3o existe e como ela se estabelece, Ethel e seu grupo ir\u00e3o comparar os efeitos de diferentes quimioter\u00e1picos em indiv\u00edduos jovens e idosos, concentrando-se na neuropatia perif\u00e9rica. Al\u00e9m de contrastar os efeitos nos dois grupos et\u00e1rios, os pesquisadores ir\u00e3o analisar em amostras de sangue, medula espinhal e estruturas cerebrais de cada um deles a express\u00e3o de prote\u00ednas antioxidantes.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9, a partir desses resultados, identificar e testar novos agentes que atuem na regula\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas, de modo que elas voltem a agir de forma eficiente no combate ao estresse oxidativo e, assim, reduzam o sofrimento de pacientes idosos em tratamento contra o c\u00e2ncer. Os experimentos ir\u00e3o incluir tamb\u00e9m a administra\u00e7\u00e3o desses agentes antes do uso do quimioter\u00e1pico, para avaliar seu potencial preventivo.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que Ethel tem um candidato forte para os primeiros testes. Trata-se de um composto org\u00e2nico de sel\u00eanio, derivado da quinolina, que j\u00e1 se mostrou eficaz como antioxidante, anti-inflamat\u00f3rio e redutor da dor em pesquisas anteriores. Dentre os diversos compostos org\u00e2nicos de sel\u00eanio que vem estudando desde a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u00e9 neste que a pesquisadora aposta suas fichas:<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s partimos de uma pesquisa b\u00e1sica e acreditamos que \u00e9 a partir dela que surgem grandes ideias. Esperamos despertar o interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica em dar continuidade \u00e0 nossa investiga\u00e7\u00e3o, para que um dia esse composto se torne um medicamento dispon\u00edvel para todos. Sabemos que \u00e9 dif\u00edcil, mas esse \u00e9 o nosso sonho.\u201d<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Foi o interesse precoce pelo ensino que levou Ethel a enveredar pela carreira cient\u00edfica. Ainda crian\u00e7a, costumava montar uma escola no galp\u00e3o de casa e ali brincava de dar aula para os amigos. N\u00e3o \u00e0 toa, tem na figura de uma professora sua inspira\u00e7\u00e3o para fazer ci\u00eancia e encontra em seus alunos o est\u00edmulo para o trabalho.<\/p>\n<p>\u201cAs dificuldades financeiras e estruturais que enfrentamos para desenvolver pesquisas de qualidade em nosso pa\u00eds nos fazem pensar se realmente vale a pena. A minha motiva\u00e7\u00e3o vem dos meus alunos. V\u00ea-los com brilho nos olhos quando encontram um<\/p>\n<p>bom resultado, ver que eles t\u00eam interesse pelas minhas propostas, isso \u00e9 o que mais me estimula. S\u00e3o eles que d\u00e3o sentido a todo esse esfor\u00e7o.\u201d Sem esconder a emo\u00e7\u00e3o, Ethel completa: \u201cAssim como a minha professora me inspirou, tamb\u00e9m quero que meus alunos tenham essa admira\u00e7\u00e3o por mim e despertem essa mesma paix\u00e3o que eu tenho pela pesquisa.\u201d<\/p>\n<p>A professora inspiradora, no caso, \u00e9 Cristina Wayne Nogueira, do Departamento de Bioqu\u00edmica e Biologia Molecular da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Foi nessa institui\u00e7\u00e3o que Ethel fez toda a sua forma\u00e7\u00e3o, desde a gradua\u00e7\u00e3o em licenciatura em qu\u00edmica at\u00e9 o doutorado em bioqu\u00edmica toxicol\u00f3gica, sempre orientada por Cristina. \u201cEu brinco que ela continua sendo minha orientadora, porque ela \u00e9 um exemplo para mim. Ela tem uma paix\u00e3o muito grande pelo que faz. Ent\u00e3o a gente acaba se contagiando por essa paix\u00e3o pela pesquisa e pela atividade de orientar alunos\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Cristina tamb\u00e9m \u00e9 mulher. \u201c\u00c9 muito importante ter mais cientistas mulheres para estimular mais mulheres a se tornarem cientistas\u201d, destaca Ethel. Da\u00ed a import\u00e2ncia do pr\u00eamio. A bioqu\u00edmica tamb\u00e9m ressalta que a premia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma boa oportunidade para mostrar \u00e0 sociedade o que essas pesquisadoras fazem, \u201cpara que seus trabalhos sejam valorizados e que isso reverta em mais aten\u00e7\u00e3o para a ci\u00eancia nacional\u201d.<\/p>\n<p>Em tempos de cortes or\u00e7ament\u00e1rios dr\u00e1sticos no setor de ci\u00eancia, Ethel comemora os recursos que v\u00eam com o pr\u00eamio, que servir\u00e3o para comprar reagentes e melhorar a estrutura do seu laborat\u00f3rio. \u201cMeus alunos j\u00e1 t\u00eam uma lista bem grande, mas teremos que usar a verba com muita calma, porque n\u00e3o sabemos o que vem por a\u00ed.\u201d<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o administrativa vem se impondo cada vez mais na carreira de Ethel, j\u00e1 bastante tomada pela pesquisa e doc\u00eancia. Al\u00e9m de estar \u00e0 frente do LaFarBio e de ser coordenadora adjunta do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Bioqu\u00edmica e Bioprospec\u00e7\u00e3o (PPGBBio), tamb\u00e9m atua como chefe do Biot\u00e9rio Central da UFPel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bioqu\u00edmica ganhadora na categoria Ci\u00eancias da Vida, Ethel Wilhelm estuda os efeitos adversos da quimioterapia em idosos com a ambi\u00e7\u00e3o de desenvolver novas terapias capazes de reduzi-los nesses pacientes. 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