{"id":79800,"date":"2018-09-12T15:04:46","date_gmt":"2018-09-12T18:04:46","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=79800"},"modified":"2018-09-12T15:04:46","modified_gmt":"2018-09-12T18:04:46","slug":"pesquisa-inedita-7-em-cada-10-medicos-foram-agredidos-no-ambiente-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/pesquisa-inedita-7-em-cada-10-medicos-foram-agredidos-no-ambiente-de-trabalho\/","title":{"rendered":"PESQUISA IN\u00c9DITA: 7 em cada 10 m\u00e9dicos foram agredidos no ambiente de trabalho"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>Os n\u00fameros s\u00e3o estarrecedores, mas n\u00e3o surpreendentes: 71,12% dos m\u00e9dicos j\u00e1 sofreram algum tipo de viol\u00eancia no ambiente de trabalho. Entre a minoria que alega n\u00e3o ter passado por situa\u00e7\u00e3o semelhante, 57,82% t\u00eam colegas que j\u00e1 foram agredidos<\/em><\/h2>\n<p>Os dados coletados pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina com 509 profissionais do estado de S\u00e3o Paulo &#8211; entre os dias 29 de agosto e 3 de setembro, por meio do Survey Monkey &#8211; refor\u00e7am uma percep\u00e7\u00e3o crescente: os m\u00e9dicos sentem-se, cada vez mais, inseguros. Outro indicador que aponta nesse sentido: somente 53,78% dos pesquisados apontam a exist\u00eancia de equipes de seguran\u00e7a onde atuam.<\/p>\n<p>\u00c9 cab\u00edvel dizer que esse quadro \u00e9 em boa parte reflexo da inefic\u00e1cia dos sistemas de sa\u00fade, seja no \u00e2mbito p\u00fablico ou no privado. A derrocada do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) fica evidente quando observamos que 70,87% das agress\u00f5es ocorrem em servi\u00e7os ligados ao estado (41,46% em hospitais e 29,41% em postos de sa\u00fade ou outras unidades). Por outro lado, 22,41% dos epis\u00f3dios foram registrados em hospitais privados e outros 6,72% em consult\u00f3rios particulares.<\/p>\n<p>A demora para o atendimento ao paciente \u00e9 a principal motiva\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia (32,9%). Casos de discord\u00e2ncia com o atestado v\u00eam na sequ\u00eancia (21,29%). Aqui, a pesquisa detectou uma grande variedade de respostas espont\u00e2neas. No campo \u201cOutros\u201d (40%), muitos profissionais indicaram que foram agredidos pois os pacientes e\/ou familiares discordaram da conduta. A instabilidade leva at\u00e9 mesmo ao desentendimento entre os colegas, respons\u00e1vel por 6,16% dos casos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, m\u00e9dicos, somos vistos como respons\u00e1veis pelo atendimento, nos servi\u00e7os de sa\u00fade, em todas as suas dimens\u00f5es. E eticamente assumimos essa responsabilidade. Ocorre que tamb\u00e9m atribuem a n\u00f3s, equivocadamente, mazelas provocadas por m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, falta de recursos e o descompromisso de uma parcela de maus pol\u00edticos e gestores. Assim, em nossa dire\u00e7\u00e3o que v\u00eam eventuais elogios, mas tamb\u00e9m cr\u00edticas e insatisfa\u00e7\u00f5es. Lamentavelmente, do jeito que est\u00e1 organizado o SUS, seremos sempre n\u00f3s, m\u00e9dicos, os alvos\u201d, afirma Jos\u00e9 Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, tornou-se corriqueira a tentativa de desviar para os profissionais da Medicina toda a insatisfa\u00e7\u00e3o que a sociedade possui com as falhas da assist\u00eancia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que, nos \u00faltimos anos, sucessivos Governos v\u00eam apontando os m\u00e9dicos como aqueles que t\u00eam de ser responsabilizados por tudo que h\u00e1 de errado na gest\u00e3o p\u00fablica da Sa\u00fade\u201d, completa. \u201c\u00c9 assim que eles tentam esconder a incompet\u00eancia e se eximir de seus deveres\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>Mais n\u00fameros<\/i><\/b><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Detalhando um pouco mais as viol\u00eancias sofridas, os m\u00e9dicos registram que a maioria das agress\u00f5es \u00e9 verbal (70,87%), a exemplo de xingamentos e ofensas. Ataques f\u00edsicos correspondem a 15,69% dos casos, enquanto a trucul\u00eancia psicol\u00f3gica (amea\u00e7as), por 12,89%. Um n\u00famero menor diz ter sofrido cyberbullying.<\/p>\n<p>\u201cEm outra pesquisa que realizamos entre junho e julho deste ano, com m\u00e9dicos que atendem no SUS, por meio do Instituto Datafolha, ficou algo em torno de 70% os que relataram j\u00e1 ter sofrido alguma agress\u00e3o, sendo a maioria verbais, como xingamentos e ofensas, e psicol\u00f3gicas, como amea\u00e7as\u201d, acrescenta Jo\u00e3o Sobreira de Moura Neto, diretor adjunto de Defesa Profissional da APM.<\/p>\n<p>E a viol\u00eancia n\u00e3o parte apenas dos pacientes. Na realidade, os familiares s\u00e3o os principais atores da animosidade. Em 50,42% dos casos, mais especificamente. Os pr\u00f3prios enfermos foram os agressores em 43,42% das vezes.<\/p>\n<p>Se em uma pesquisa como essa os profissionais sentem-se \u00e0 vontade para tratar do assunto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer o mesmo da rotina nos ambientes de Sa\u00fade: mais da metade n\u00e3o registrou den\u00fancia ou queixa. Destes, 10,08% por acharem que isso poderia prejudica-los e outros 40,62% preferiram esquecer o ocorrido. Entre os que denunciaram, 18,49% fizeram boletim de ocorr\u00eancia e 30,81% relataram \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do local de trabalho.<\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>Resolutividade<\/i><\/b><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Infelizmente, entre os que fizeram den\u00fancias, somente 59 tiveram algum encaminhamento por parte dos \u00f3rg\u00e3os que receberam as queixas. Em alguns casos foram abertos inqu\u00e9ritos, em outros a resolu\u00e7\u00e3o aconteceu trocando o profissional respons\u00e1vel pela assist\u00eancia do paciente.<\/p>\n<p>O mesmo grupo de m\u00e9dicos afirma que em apenas 7% das vezes o infrator sofreu algum tipo de penalidade. A maioria das puni\u00e7\u00f5es envolve advert\u00eancias, registros formais e multas. H\u00e1 agressores que foram detidos ou encaminhados para trabalho comunit\u00e1rio. Houve profissional que informou que o usu\u00e1rio foi desligado do plano de sa\u00fade, inclusive.<\/p>\n<p>Quando questionados se continuaram (eles ou os colegas) trabalhando nos locais em que foram agredidos, 35,29% responderam que sim, por n\u00e3o terem outra op\u00e7\u00e3o. A maioria (55,74%), entretanto, assinalou que sim, pois soube superar o acontecido. Outros 8,96% optaram por mudar de local de trabalho imediatamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que os crescentes casos serviram de alerta para as unidades de Sa\u00fade refor\u00e7arem equipes de seguran\u00e7a e evitar que se repetissem. Isso porque quase metade (44,82%) dos pesquisados disse que epis\u00f3dios de viol\u00eancia continuam ocorrendo com muita frequ\u00eancia no local de trabalho. 28,57% afirmam que os fatos se repetem, mas raramente, enquanto 7,84% responderam que a agress\u00e3o que sofreram foi um caso isolado.<\/p>\n<p>\u201cDe tempos em tempos nos deparamos com not\u00edcias sobre colegas agredidos, o que \u00e9 lament\u00e1vel, pois o m\u00e9dico tem como fun\u00e7\u00e3o ajudar as pessoas, pela pr\u00f3pria natureza da profiss\u00e3o. E a situa\u00e7\u00e3o se agrava pois poucos fazem den\u00fancias formais, e dos que fazem, menos ainda veem solu\u00e7\u00e3o para o problema\u201d, declara Marun David Cury, diretor de Defesa Profissional.<\/p>\n<p>Mais um dos motivos que leva a esse cen\u00e1rio, acredita o presidente da APM, \u00e9 o distanciamento na rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dicos e pacientes. \u201cQuando nos graduamos, entend\u00edamos a Medicina como algo entre essas duas pessoas. E isso mudou muito com o pretexto de aumentar o acesso. Mas na verdade, foram criados nichos intermedi\u00e1rios, tanto p\u00fablicos quanto privados. Eles n\u00e3o aumentaram o acesso e simplesmente nos afastaram dos pacientes\u201d, finaliza Amaral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros s\u00e3o estarrecedores, mas n\u00e3o surpreendentes: 71,12% dos m\u00e9dicos j\u00e1 sofreram algum tipo de viol\u00eancia no ambiente de trabalho. 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