{"id":82517,"date":"2018-12-04T10:12:11","date_gmt":"2018-12-04T12:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=82517"},"modified":"2018-12-05T09:56:46","modified_gmt":"2018-12-05T11:56:46","slug":"ipea-23-dos-jovens-brasileiros-nao-trabalham-nem-estudam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/ipea-23-dos-jovens-brasileiros-nao-trabalham-nem-estudam\/","title":{"rendered":"IPEA: 23% dos jovens brasileiros n\u00e3o trabalham nem estudam"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) revela que 23% dos jovens brasileiros n\u00e3o trabalham e nem estudam (jovens nem-nem), na maioria mulheres e de baixa renda, um dos maiores percentuais de jovens nessa situa\u00e7\u00e3o entre nove pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe. Enquanto isso, 49% se dedicam exclusivamente ao estudo ou capacita\u00e7\u00e3o, 13% s\u00f3 trabalham e 15% trabalham e estudam ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para esse cen\u00e1rio, de acordo com o estudo, s\u00e3o problemas com habilidades cognitivas e socioemocionais, falta de pol\u00edticas p\u00fablicas, obriga\u00e7\u00f5es familiares com parentes e filhos, entre outros. No mesmo grupo est\u00e3o o M\u00e9xico, com 25% de jovens que n\u00e3o estudam nem trabalham, e El Salvador, com 24%. No outro extremo est\u00e1 o Chile, onde apenas 14% dos jovens pesquisados est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o. A m\u00e9dia para a regi\u00e3o \u00e9 de 21% dos jovens, o equivalente a 20 milh\u00f5es de pessoas, que n\u00e3o estudam nem trabalham.<\/p>\n<p>O estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iadb.org\/es\/millennials\/home\"><em>Millennials na Am\u00e9rica e no Caribe: trabalhar ou estudar?<\/em><\/a>\u00a0sobre jovens latino-americanos foi lan\u00e7ado hoje (3) durante um semin\u00e1rio no Ipea, em Bras\u00edlia. Os dados envolvem mais de 15 mil jovens entre 15 e 24 anos de nove pa\u00edses: Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, El Salvador, Haiti, M\u00e9xico, Paraguai, Peru e Uruguai.<\/p>\n<h2>Nem-nem<\/h2>\n<p>De acordo com a pesquisa, embora o termo nem-nem possa induzir \u00e0 ideia de que os jovens s\u00e3o ociosos e improdutivos, 31% dos deles est\u00e3o procurando trabalho, principalmente os homens, e mais da metade, 64%, dedicam-se a trabalhos de cuidado dom\u00e9stico e familiar, principalmente as mulheres. \u201cOu seja, ao contr\u00e1rio das conven\u00e7\u00f5es estabelecidas, este estudo comprova que a maioria dos nem-nem n\u00e3o s\u00e3o jovens sem obriga\u00e7\u00f5es, e sim realizam outras atividades produtivas\u201d, diz a pesquisa.<\/p>\n<p>Apenas 3% deles n\u00e3o realizam nenhuma dessas tarefas nem t\u00eam uma defici\u00eancia que os impede de estudar ou trabalhar. No entanto, as taxas s\u00e3o mais altas no Brasil e no Chile, com aproximadamente\u00a010% de jovens aparentemente inativos.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora do Ipea Joana Costa, os resultados s\u00e3o bastante otimistas, pois mostra que os jovens n\u00e3o s\u00e3o pregui\u00e7osos. \u201cMas s\u00e3o jovens que t\u00eam acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de baixa qualidade e que, por isso, encontram dificuldade no mercado de trabalhos. De fato, os gestores e as pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00eam que olhar um pouco mais por eles\u201d, alertou.<\/p>\n<h2>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h2>\n<p>A melhora de servi\u00e7os e os subs\u00eddios para o transporte e uma maior oferta de creches, para que as mulheres possam conciliar trabalho e estudo com os afazeres dom\u00e9sticos, s\u00e3o pol\u00edticas que podem ser efetivadas at\u00e9 no curto prazo, segundo Joana.<\/p>\n<p>Com base nas informa\u00e7\u00f5es, os pesquisadores indicam ainda a necessidade de investimentos em treinamento e educa\u00e7\u00e3o e sugerem a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para ajudar os jovens a fazer uma transi\u00e7\u00e3o bem-sucedida de seus estudos para o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Considerando a incerteza e os n\u00edveis de desinforma\u00e7\u00e3o sobre o mercado de trabalho, para eles [jovens] \u00e9 essencial fortalecer os sistemas de orienta\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o sobre o trabalho e dar continuidade a pol\u00edticas destinadas a reduzir as limita\u00e7\u00f5es \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de jovens, com programas como o Nacional de Acesso ao Ensino T\u00e9cnico e Emprego (Pronatec). \u201cOs programas de transfer\u00eancias condicionadas e bolsas de estudo obtiveram sucesso nos resultados de cobertura\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>De acordo com o Ipea, o setor privado tamb\u00e9m pode contribuir para melhorar as compet\u00eancias e a empregabilidade dos jovens, por meio da ades\u00e3o a programas de jovens aprendizes e incentivo ao desenvolvimento das habilidades socioemocionais requeridas pelos empregadores, como autoconfian\u00e7a, lideran\u00e7a e trabalho em equipe.<\/p>\n<p>No Brasil, por exemplo, segundo dados apresentados pelo Ipea, h\u00e1 baixa ades\u00e3o ao programa Jovem Aprendiz. De 2012 a 2015, o n\u00famero de jovens participantes chegou a 1,3 milh\u00e3o, entretanto esse \u00e9 potencial anual de jovens aptos para o programa.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ainda redobrar os esfor\u00e7os para reduzir mais decisivamente a taxa de gravidez de adolescentes e outros comportamentos de risco fortemente relacionados com o abandono escolar entre as mulheres e uma inser\u00e7\u00e3o laboral muito precoce entre os homens.<\/p>\n<h2>Conhecimento e habilidades<\/h2>\n<p>As oportunidades de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, os anos de escolaridade m\u00e9dia, o n\u00edvel socioecon\u00f4mico e outros elementos, como a paternidade precoce ou o ambiente familiar, s\u00e3o alguns dos principais fatores que influenciam a decis\u00e3o dos jovens sobre trabalho e estudo, de acordo com a pesquisa. Em todos os pa\u00edses, a preval\u00eancia de maternidade ou paternidade precoce \u00e9 maior entre os jovens fora do sistema educacional e do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>A pesquisa traz vari\u00e1veis menos convencionais, como as informa\u00e7\u00f5es que os jovens t\u00eam sobre o funcionamento do mercado de trabalho, suas aspira\u00e7\u00f5es, expectativas e habilidades cognitivas e socioemocionais. Para os pesquisadores, os jovens n\u00e3o disp\u00f5em de informa\u00e7\u00f5es suficientes sobre a remunera\u00e7\u00e3o que podem obter em cada n\u00edvel de escolariza\u00e7\u00e3o, o que poderia lev\u00e1-los a tomar decis\u00f5es erradas sobre o investimento em sua educa\u00e7\u00e3o. No caso do Haiti e do M\u00e9xico, essa fra\u00e7\u00e3o de jovens com informa\u00e7\u00f5es tendenciosas pode ultrapassar 40%.<\/p>\n<p>A pesquisa aponta ainda que 40% dos jovens n\u00e3o s\u00e3o capazes de executar c\u00e1lculos matem\u00e1ticos muito simples e \u00fateis para o seu dia a dia e muitos carecem de habilidades t\u00e9cnicas para o novo mercado do trabalho. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m resultados animadores. Os jovens analisados, com exce\u00e7\u00e3o dos haitianos, t\u00eam muita facilidade de lidar com dispositivos tecnol\u00f3gicos, como tamb\u00e9m t\u00eam altas habilidades socioemocionais. Os jovens da regi\u00e3o apresentam altos n\u00edveis de autoestima, de autoefic\u00e1cia, que \u00e9 a capacidade de se organizar para atingir seus pr\u00f3prios objetivos, e de perseveran\u00e7a.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, os atrasos nas habilidades cognitivas s\u00e3o importantes e podem limitar o desempenho profissional dos jovens, assim como a car\u00eancias de outras caracter\u00edsticas socioemocionais relevantes, como lideran\u00e7a, trabalho em equipe e responsabilidade. Soma-se a isso, o fato de que 70% dos jovens que trabalham s\u00e3o empregados em atividades informais. Entre aqueles que est\u00e3o dentro do mercado formal h\u00e1 uma alta rotatividade de m\u00e3o de obra, o que desmotiva o investimento do empregador em capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Realidade brasileira<\/h2>\n<p>No Brasil h\u00e1 cerca de 33 milh\u00f5es de jovens com idade entre 15 e 24 anos, o que corresponde a mais de 17% da popula\u00e7\u00e3o. Segundo a pesquisadora do Ipea Enid Rocha, o pa\u00eds vive um momento de b\u00f4nus demogr\u00e1fico, quando a popula\u00e7\u00e3o ativa \u00e9 maior que a popula\u00e7\u00e3o dependente, que s\u00e3o crian\u00e7as e idosos, al\u00e9m de estar em uma onda jovem, que \u00e9 o \u00e1pice da popula\u00e7\u00e3o jovem.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um momento em que os pa\u00edses aproveitam para investir na sua juventude. Devemos voltar a falar das pol\u00edticas para a juventude, que j\u00e1 foram mais amplas, para n\u00e3o produzir mais desigualdade e para que nosso b\u00f4nus demogr\u00e1fico n\u00e3o se transforme em um \u00f4nus\u201d, disse.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das indica\u00e7\u00f5es constantes no estudo, Enid tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de pol\u00edticas de sa\u00fade espec\u00edfica para jovens com problemas de sa\u00fade mental, traumas e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada em parceria do Ipea com a Fundaci\u00f3n Espacio P\u00fablico, do Chile, o Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento Internacional (IRDC), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com apoio do Centro Internacional de Pol\u00edticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG).<\/p>\n<p>A pesquisa completa, em espanhol, est\u00e1 dispon\u00edvel na p\u00e1gina do BID.\u00a0<a href=\"https:\/\/webmail.ebc.com.br\/service\/home\/~\/?auth=co&amp;loc=pt_BR&amp;id=417790&amp;part=2\">Acesse aqui o sum\u00e1rio executivo da pesquisa<\/a>, em portugu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) revela que 23% dos jovens brasileiros n\u00e3o trabalham e nem estudam (jovens nem-nem), na maioria mulheres e de baixa renda, um<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":82518,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[30],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82517"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82517"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82519,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82517\/revisions\/82519"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}