{"id":82638,"date":"2018-12-07T16:50:32","date_gmt":"2018-12-07T18:50:32","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=82638"},"modified":"2018-12-07T16:50:32","modified_gmt":"2018-12-07T18:50:32","slug":"mes-de-festas-contrasta-com-melancolia-dos-idosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/mes-de-festas-contrasta-com-melancolia-dos-idosos\/","title":{"rendered":"M\u00eas de festas contrasta com melancolia dos idosos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>O m\u00eas de dezembro chegou e com ele tamb\u00e9m come\u00e7am a surgir convites para festas e reuni\u00f5es de amigo-secreto, sofisticadas vinhetas de fim de ano e in\u00fameras propagandas convocando para um Natal feliz, cheio de presentes trocados por gente bonita, alegre e carinhosa<\/em><\/h2>\n<p>Tudo muito animador, mas pouco realista num pa\u00eds com s\u00e9rios problemas socioecon\u00f4micos. Em meio a tudo isso, um problema ainda mais grave: a melancolia que esta \u00e9poca do ano traz para muitos idosos contrasta com tanta anima\u00e7\u00e3o. Na opini\u00e3o da psic\u00f3loga Beatriz Leite Machado, especialista em psicologia hospitalar com \u00eanfase em geriatria, \u201cas festas de fim de ano mobilizam muitos afetos de forma geral, sendo que nos mais velhos podem evocar mem\u00f3rias e sentimentos que resultam em manifesta\u00e7\u00f5es de inquieta\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia durante o per\u00edodo\u201d.<\/p>\n<p>Beatriz diz que, para muita gente \u2013 em especial para os idosos \u2013 as festas de Natal e Ano Novo est\u00e3o associadas a uma certa melancolia. \u201cH\u00e1 um imagin\u00e1rio de comunh\u00e3o com a fam\u00edlia e amigos, de um amor incondicional m\u00e1gico, bastante distante da realidade, mas que faz parte em maior ou menor medida das expectativas de cada um. O Natal, em especial, sugere uma s\u00e9rie de rituais que nos remete a sentimentos de fraternidade e solidariedade. Por\u00e9m, a manuten\u00e7\u00e3o dessa atitude benevolente e compassiva no meio social atual \u00e9 quase uma contradi\u00e7\u00e3o diante do excesso de consumismo que acaba esvaziando o significado das reuni\u00f5es familiares, al\u00e9m da indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a muitos idosos\u201d.<\/p>\n<p>Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) apontam um aumento de quase 20% na popula\u00e7\u00e3o de idosos entre 2012 e 2017. Hoje, eles s\u00e3o mais de 30 milh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo, outro dado salta aos olhos. A quantidade de pessoas com mais de 60 anos que est\u00e3o vivendo em albergues p\u00fablicos e casas de repouso est\u00e1 beirando os 100 mil \u2013 revelando uma escalada assustadora de solid\u00e3o. \u201cA pessoa idosa pode sentir algumas perdas de forma mais profunda. Primeiramente, ela perde seu status profissional, seu padr\u00e3o de vida, seu grupo de amigos, e \u00e0s vezes at\u00e9 a sa\u00fade. Depois, quando come\u00e7a a perder pessoas muito pr\u00f3ximas e familiares, a tristeza precisa ser bem trabalhada para que ela continue encontrando motiva\u00e7\u00f5es para ser feliz. Muitos conseguem refazer um c\u00edrculo de amigos quando se dedicam a hobbies ou passam a frequentar grupos de terceira idade, participando das diversas atividades propostas. Outros ingressam em grupos de dan\u00e7a, gin\u00e1stica e at\u00e9 mesmo de viagem. Mas nem todos t\u00eam condi\u00e7\u00f5es financeiras para desfrutar tudo isso. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante que o Estado esteja pronto para oferecer mais acolhimento e assist\u00eancia a essa parcela importante da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Para a especialista, o fim de ano \u2013 por marcar o fim do calend\u00e1rio \u2013 pode suscitar a finitude da vida. \u00c9 o fim de um ciclo. Sendo assim, pessoas mais vulner\u00e1veis podem se deparar com questionamentos que remetem \u00e0 pr\u00f3pria finitude. \u201c\u00c9 fundamental que os idosos sejam bem acolhidos e valorizados por suas fam\u00edlias. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante manter uma rede de apoio e investir na manuten\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos n\u00e3o s\u00f3 em datas festivas. A integra\u00e7\u00e3o entre as gera\u00e7\u00f5es pode trazer ganhos para todas as partes, principalmente quando se trata de investimento afetivo. As rela\u00e7\u00f5es intergeracionais possibilitam a ressignifica\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is \u2013 em que o velho transmite sua experi\u00eancia ao mais jovem e, ao mesmo tempo, se atualiza e sente-se inserido no contexto atual. Afinal, algu\u00e9m que vive insatisfeito consigo mesmo e com seu entorno enfrentar\u00e1 mais dificuldade para viver bem e feliz\u201d.<\/p>\n<p>Beatriz ressalta, tamb\u00e9m, que \u00e9 preciso valorizar outras composi\u00e7\u00f5es familiares que t\u00eam dado muito certo. \u201cPessoas que n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem contar com a fam\u00edlia t\u00eam se reunido com amigos escolhidos por afinidade. Isso tem se tornado cada vez mais comum, tanto que tem ganhado for\u00e7a o conceito de &#8216;rep\u00fablica de idosos&#8217;. Geralmente s\u00e3o pessoas solteiras ou vi\u00favas, de diversas idades, que t\u00eam muito em comum e resolvem deixar seus lares solit\u00e1rios para viver em companhia umas das outras. O mais importante \u00e9 investir na troca. Seja como for, os idosos devem sentir-se acolhidos e ter sua import\u00e2ncia reconhecida, independentemente do n\u00facleo ao qual pertencem hoje em dia.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00eas de dezembro chegou e com ele tamb\u00e9m come\u00e7am a surgir convites para festas e reuni\u00f5es de amigo-secreto, sofisticadas vinhetas de fim de ano e in\u00fameras propagandas convocando para<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":82639,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82638"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82638"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82638\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82640,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82638\/revisions\/82640"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}