{"id":86224,"date":"2019-04-04T09:17:24","date_gmt":"2019-04-04T12:17:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=86224"},"modified":"2019-04-04T09:17:24","modified_gmt":"2019-04-04T12:17:24","slug":"pesquisa-tres-a-cada-10-gestantes-estao-em-inseguranca-alimentar-em-pelotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/pesquisa-tres-a-cada-10-gestantes-estao-em-inseguranca-alimentar-em-pelotas\/","title":{"rendered":"PESQUISA  : Tr\u00eas a cada 10 gestantes est\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar em Pelotas"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas a cada 10 gestantes est\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar em Pelotas, segundo pesquisa do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade e Comportamento da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas (PPGSC\/UCPel).<\/p>\n<p>O estudo, pioneiro no Brasil ao analisar a preval\u00eancia de inseguran\u00e7a alimentar em domic\u00edlios com mulheres gr\u00e1vidas, tamb\u00e9m teve como objetivo associar fatores demogr\u00e1ficos e socioecon\u00f4micos \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao todo, foram analisadas 729 gestantes, coletadas entre 2016 e 2018 \u2013 uma amostra parcial do banco de dados utilizado pelo projeto \u2018Gravidez cuidada, beb\u00ea saud\u00e1vel\u2019. Dessas, 31% apresentaram inseguran\u00e7a alimentar, ou seja, preocupa\u00e7\u00e3o acerca da quantidade e qualidade dos alimentos para satisfazer as necessidades biol\u00f3gicas e emocionais. \u201cMuita gente confunde e acha que a avalia\u00e7\u00e3o se d\u00e1 atrav\u00e9s do consumo, mas \u00e9 a quest\u00e3o psicol\u00f3gica\u201d, explica a respons\u00e1vel pela pesquisa, nutricionista Caroline \u00c1vila.<\/p>\n<p>Para realizar o estudo, foi utilizado a escala brasileira de inseguran\u00e7a alimentar que, de acordo com a pesquisadora, \u00e9 separada em tr\u00eas n\u00edveis. Na amostra, 23,3% apresentaram inseguran\u00e7a leve, isto \u00e9, diminui\u00e7\u00e3o da qualidade dos alimentos como estrat\u00e9gia para n\u00e3o faltar comida; 3,8% moderada, quando al\u00e9m da diminui\u00e7\u00e3o da qualidade, adultos da fam\u00edlia reduzem a quantidade para n\u00e3o faltar comida; e outros 3,8% foram considerados casos graves, por faltar comida para adultos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Quanto aos fatores associados, a popula\u00e7\u00e3o pesquisada foi divida em grupos et\u00e1rios: menores de 19 anos, 20 a 29 e 30 anos ou mais. A maior preval\u00eancia se deu entre as mais jovens, com idade inferior a 19 anos. \u201cN\u00f3s ainda n\u00e3o podemos afirmar o porqu\u00ea, mas acreditamos que \u00e9 pela inseguran\u00e7a gerada nas adolescentes com a gesta\u00e7\u00e3o\u201d, sugere. Al\u00e9m disso, fam\u00edlias chefiadas por mulheres tamb\u00e9m apresentaram maiores \u00edndices de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o considerada \u00e9 a escolaridade do chefe da fam\u00edlia. De acordo com Caroline, quanto menor a escolaridade, maior a inseguran\u00e7a alimentar. O mesmo ocorre com a renda das fam\u00edlias. \u201cA inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 incutida em um ciclo de pobreza, mas por ser bidirecional, n\u00e3o podemos concluir o que vem primeiro, por\u00e9m sabemos que a renda familiar \u00e9 um dos fatores principais\u201d, coloca.<\/p>\n<p>O recebimento do aux\u00edlio Bolsa Fam\u00edlia tamb\u00e9m foi avaliado. Fam\u00edlias com maiores \u00edndices de inseguran\u00e7a foram as que usufru\u00edam do benef\u00edcio, contudo o \u00edndice grave foi menor nesse grupo. Desse modo, conforme a pesquisadora continua a explicar, o Programa tem aspecto positivo na redu\u00e7\u00e3o da inseguran\u00e7a alimentar grave. Gestantes com empregos informais e aquelas que n\u00e3o viviam com companheiro tamb\u00e9m apresentaram maiores \u00edndices de preval\u00eancia.<\/p>\n<p>Da mesma forma, ao avaliar o n\u00famero de indiv\u00edduos residentes no mesmo domic\u00edlio, quanto maior o n\u00famero de moradores, maior a inseguran\u00e7a alimentar. E, casas com menores de 18 anos tamb\u00e9m ilustraram \u00edndices mais altos. \u201cIsso parte da quest\u00e3o de ter mais gente no domic\u00edlio e os menores de 18 anos s\u00e3o considerados crian\u00e7as, ent\u00e3o torna a situa\u00e7\u00e3o mais grave\u201d, alerta.<\/p>\n<p><b>CONSEQU\u00caNCIAS DURANTE A GRAVIDEZ<\/b><\/p>\n<p>Conforme justifica a pesquisadora, a import\u00e2ncia da realiza\u00e7\u00e3o do estudo considera o elevado risco da situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar em mulheres gr\u00e1vidas. At\u00e9 porque, o per\u00edodo da gesta\u00e7\u00e3o requer maior demanda energ\u00e9tica, pois \u00e9 quando ocorre r\u00e1pida divis\u00e3o celular e desenvolvimento de novos tecidos e \u00f3rg\u00e3os. Al\u00e9m disso, a reserva energ\u00e9tica tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria posteriormente, para a fase de lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar da amostra ainda n\u00e3o considerar o quanto a inseguran\u00e7a alimentar da m\u00e3e impacta o beb\u00ea, alguns estudos apontam para consequ\u00eancias. Como, por exemplo, a disponibilidade materno-fetal pelos nutrientes, que pode restringir o crescimento ultrauterino, levar a baixo peso ao nascer e indicar menor \u00edndice de Apgar \u2013 teste realizado ap\u00f3s o parto para avaliar o ajuste do rec\u00e9m-nascido \u00e0 vida fora do \u00fatero.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a inseguran\u00e7a alimentar leve se torna grave para uma gestante. E, de acordo com o m\u00e9dico coordenador do projeto \u2018Gravidez cuidada, beb\u00ea saud\u00e1vel\u2019, Ricardo Pinheiro, os cuidados nutricionais devem ser inseridos nos exames pr\u00e9-natal. \u201cNos preocupamos com muitas doen\u00e7as, mas a nutri\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia nutricional da m\u00e3e s\u00e3o elementos b\u00e1sicos. Mesmo que haja alimento, se ela estiver insegura j\u00e1 \u00e9 um problema\u201d, acredita.<\/p>\n<div id=\"attachment_86225\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-86225\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-86225\" alt=\"ESTUDO pioneiro no Brasil analisou 729 gestantes e associou fatores demogr\u00e1ficos e socioecon\u00f4micos\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vacina-gestante-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vacina-gestante-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vacina-gestante-150x100.jpg 150w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/vacina-gestante.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-86225\" class=\"wp-caption-text\">ESTUDO pioneiro no Brasil analisou 729 gestantes e associou fatores demogr\u00e1ficos e socioecon\u00f4micos<\/p><\/div>\n<p><b>REALIDADE BRASILEIRA<\/b><\/p>\n<p>A tem\u00e1tica da inseguran\u00e7a alimentar come\u00e7ou a ser discutida no Brasil em 2004, quando foi realizado o primeiro estudo nacional com fam\u00edlias, na Pesquisa Nacional por Amostragem de Domic\u00edlios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (PNAD\/IBGE). Os \u00faltimos resultados nacionais datam de 2013, quando 22,6% das fam\u00edlias estavam em inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>De acordo com a orientadora da pesquisa da UCPel, professora Jana\u00edna Mota, a preval\u00eancia estava diminuindo, por\u00e9m, com a atual crise pol\u00edtica e financeira do pa\u00eds, provavelmente a pr\u00f3xima PNAD indicar\u00e1 aumento. \u201cInclusive os n\u00fameros em Pelotas serem maiores que os nacionais pode ter influ\u00eancia do cen\u00e1rio em que o Brasil se encontra\u201d, justifica.<\/p>\n<p>Em Pelotas, o \u00edndice de inseguran\u00e7a alimentar foi analisado por Jana\u00edna, em 2007, quando a preval\u00eancia era de 11%. Segundo Caroline, ao comparar os resultados atuais com os de 2007, os n\u00fameros preocupam ainda mais por se tratar de uma popula\u00e7\u00e3o de gestantes. At\u00e9 porque, pesquisas envolvendo tal per\u00edodo foram realizadas somente em Alagoas, com usu\u00e1rias de uma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) &#8211; diferente do divulgado pela UCPel, que considerou a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p><b>SOLU\u00c7\u00d5ES E DESDOBRAMENTOS<\/b><\/p>\n<p>Para reduzir os n\u00fameros, a pesquisadora acredita ser necess\u00e1rio investimento p\u00fablico de car\u00e1ter estrutural em \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico e moradia. Al\u00e9m de alimento em quantidade e qualidade suficiente, outra a\u00e7\u00e3o est\u00e1 em instru\u00e7\u00f5es financeira e nutricional, para que as fam\u00edlias saibam como e onde investir sua renda e aux\u00edlios, como do Programa Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A pesquisa foi resultado da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Caroline no PPGSC, defendida em novembro de 2018. No doutorado, pretende dar continuidade ao estudo e analisar o desenvolvimento cognitivo, motor e estado nutricional dos filhos das gestantes que apresentaram inseguran\u00e7a alimentar. \u201cMinha hip\u00f3tese \u00e9 que, aos 18 meses, as crian\u00e7as ir\u00e3o apresentar d\u00e9ficit de estatura, sobrepeso ou obesidade, oriundo de algum mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o pelo pouco aporte energ\u00e9tico recebido na gesta\u00e7\u00e3o\u201d, prop\u00f5e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas a cada 10 gestantes est\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar em Pelotas, segundo pesquisa do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade e Comportamento da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas (PPGSC\/UCPel). 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