{"id":86272,"date":"2019-04-05T08:34:11","date_gmt":"2019-04-05T11:34:11","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=86272"},"modified":"2019-04-05T08:34:42","modified_gmt":"2019-04-05T11:34:42","slug":"casarao-6-restaurado-e-fechado-por-que-nao-uma-casa-de-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/casarao-6-restaurado-e-fechado-por-que-nao-uma-casa-de-cultura\/","title":{"rendered":"Casar\u00e3o 6, restaurado e fechado  :  Por que n\u00e3o uma Casa de Cultura?"},"content":{"rendered":"<p>Duas leis, um projeto aprovado, um casar\u00e3o restaurado e a demanda hist\u00f3rica por uma Casa de Cultura, esses s\u00e3o os elementos que confluem ao tipo de gest\u00e3o p\u00fablica de cultura feita em Pelotas.<\/p>\n<p>Explico: em 1977, entremeando os debates sobre a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria na cidade, surgiu a ideia da cria\u00e7\u00e3o de um museu sobre a cidade de Pelotas. O projeto ganhou for\u00e7a. Personalidades e institui\u00e7\u00f5es aderiram \u00e0 causa. O prefeito Iraj\u00e1 Rodrigues se entusiasmou com a ideia e conseguiu aprovar na C\u00e2mara de Vereadores a lei municipal 2365\/77, que criava a Funda\u00e7\u00e3o Municipal Museu de Pelotas. Aprovada a lei, o museu como tal n\u00e3o chegou a existir e, em 1980, acabou dando lugar \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Pelotas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-19965\" alt=\"casar\u00e3o 6 - alisson (2)\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/casar\u00e3o-6-alisson-2-300x198.jpg\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/casar\u00e3o-6-alisson-2-300x198.jpg 300w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/casar\u00e3o-6-alisson-2.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Criada pela lei municipal 2602\/80, a Fundapel abarcou os Casar\u00f5es 02 e 06, o Theatro Sete de Abril, o Parque Museu da Baronesa e a Orquestra Sinf\u00f4nica de Pelotas. Al\u00e9m disso, ela era respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o e pelo planejamento das atividades de \u00f3rg\u00e3os e entidades culturais do poder p\u00fablico local, promovia, organizava e administrava eventos culturais na cidade, articulava-se e colaborava com entidades que visassem ou promovessem a difus\u00e3o da cultura no munic\u00edpio, entre outras coisas. Por sua iniciativa, por exemplo, foram realizados o Festival Latino M\u00fasica, em 1988 e em 1990, e o Festival de Teatro de Pelotas, de 1985 a 1997.\u00a0 O Theatro Sete de Abril acabou se tornando casa de artistas do porte de Giamar\u00ea e Ber\u00ea Fuhro Souto e de grupos como o Teatro Escola Pelotense, o TEP. Por sua atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0s entidades carnavalescas, o carnaval de Pelotas se tornou refer\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Se por um lado n\u00e3o tivemos a oportunidade de ver surgir, nos fins dos anos 70, o Museu da Cidade, por outro lado, no seu lugar, fez nascer uma institui\u00e7\u00e3o que, naquele per\u00edodo, foi essencial para a cena cultural.<\/p>\n<p>Passou-se o tempo. A primeira d\u00e9cada dos anos 2000 viu surgir o Monumenta, programa do governo federal de fomento \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico nacional. Pelotas, casa da Carta Patrimonial de 1978, assistiu ao restauro de seus velhos casar\u00f5es e, a reboque, contribuiu com o largo debate sobre a fun\u00e7\u00e3o social desses im\u00f3veis. Assim, foram pipocando aqui e ali diversos memoriais, pontos de cultura e museus. Com o Casar\u00e3o 6 n\u00e3o foi diferente. Situado no entorno da Pra\u00e7a Cel. Pedro Os\u00f3rio, o suntuoso pr\u00e9dio constru\u00eddo em 1879 foi elegido para conceber o Museu da Cidade, n\u00e3o o mesmo de 1977, mas um mais moderno e conectado com as exig\u00eancias do s\u00e9culo XXI. Assim, em 2012, atendendo a diversos interesses que tangenciavam a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria pelotense, surgia, atrav\u00e9s da lei municipal 5952\/12, o Museu da Cidade de Pelotas. Surgia na forma da lei, porque o museu de fato nunca saiu do papel.<\/p>\n<p>Inscrita junto a outras 25 a\u00e7\u00f5es no PAC Cidades Hist\u00f3ricas, a Implanta\u00e7\u00e3o do Museu da Cidade de Pelotas teve seu or\u00e7amento de R$ 3,7 milh\u00f5es aprovado pelo Minist\u00e9rio da Cultura. Inclusive, R$ 514 mil j\u00e1 foram pagos, em 2015, para que a empresa paulista Texto e Imagem produzisse o projeto (a lembrar, repetidamente,\u00a0o questionamento\u00a0levantado\u00a0pelos profissionais locais sobre o interesse da prefeitura em buscar em S\u00e3o Paulo um campo do conhecimento no qual Pelotas \u00e9 reconhecida nacionalmente, como o \u00e9 na \u00e1rea da museologia). Nesse mesmo ano, 2015, a respons\u00e1vel pelo projeto, a cineasta Isa Ferraz, apresentou o trabalho elaborado ao prefeito Eduardo Leite e, desde ent\u00e3o, o projeto ficou apenas no papel.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a proposta de um museu futurista, tecnol\u00f3gico, interativo e tantas outras coisas n\u00e3o foi para frente, como o Casar\u00e3o 6 permaneceu sem uso efetivo. E l\u00e1 se v\u00e3o 8 anos de restauro conclu\u00eddo. N\u00e3o tem como esquecer, no meio desse imbr\u00f3glio, a conversa promovida pelo grupo do Almanaque do Bicenten\u00e1rio de Pelotas, em 2012, na qual diversas pessoas envolvidas com a cena cultural de Pelotas estavam a sugerir, desde aquele momento, a transforma\u00e7\u00e3o do Casar\u00e3o 6 em uma Casa de Cultura. Afinal, o Casar\u00e3o havia sido entregue \u00e0 comunidade em 2011 e a solicita\u00e7\u00e3o era mais que justa, era necess\u00e1ria e urgente. Diversas institui\u00e7\u00f5es precisavam de abrigo, como o Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Pelotas, o Centro Liter\u00e1rio\u00a0Pelotense, a Academia Sul-Brasileira de Letras, o Instituto Lobo da Costa, como tamb\u00e9m diversos grupos de dan\u00e7a e de teatro, de artes, de artesanato, de cinema, de leitura, de po\u00e9ticas, de matrizes,\u00a0de saberes e de fazeres, etc, estavam a precisar de um espa\u00e7o p\u00fablico para o desenvolvimento de seus trabalhos. Uma Casa de Cultura multiuso da comunidade e para a comunidade. E os custos para implement\u00e1-la giravam na ordem da boa vontade e do pronto e imediato interesse\u00a0do poder\u00a0p\u00fablico. O que, por aqui, parece custar mais que alguns milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O\u00a0Casar\u00e3o 6 vislumbra num horizonte pr\u00f3ximo uma d\u00e9cada de desuso.\u00a0A\u00a0exemplo do que fez seu antecessor, o de 1977, quando deu lugar ao surgimento da Fundapel, pode o Museu da Cidade dar lugar ao surgimento de um bem maior que \u00e9 a Casa de Cultura de Pelotas. A ideia permanece latente, basta querer.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><b>DAN BARBIER<\/b><\/p>\n<p><b>Me. Patrim\u00f4nio Cultural<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas leis, um projeto aprovado, um casar\u00e3o restaurado e a demanda hist\u00f3rica por uma Casa de Cultura, esses s\u00e3o os elementos que confluem ao tipo de gest\u00e3o p\u00fablica de cultura<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":19965,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,149],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86272"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86272"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":86274,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86272\/revisions\/86274"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19965"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}