{"id":87989,"date":"2019-05-30T10:58:38","date_gmt":"2019-05-30T13:58:38","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=87989"},"modified":"2019-05-30T10:58:38","modified_gmt":"2019-05-30T13:58:38","slug":"em-dez-anos-acidentes-de-transito-consomem-quase-r-3-bilhoes-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/em-dez-anos-acidentes-de-transito-consomem-quase-r-3-bilhoes-do-sus\/","title":{"rendered":"Em dez anos, acidentes de tr\u00e2nsito consomem quase R$ 3 bilh\u00f5es do SUS"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>No Brasil, a cada 60 minutos, em m\u00e9dia, pelo menos cinco pessoas morrem v\u00edtimas de acidente de tr\u00e2nsito<\/em><\/h2>\n<p>Os desastres nas ruas e estradas do Pa\u00eds tamb\u00e9m j\u00e1 deixaram mais de 1,6 milh\u00e3o de feridos nos \u00faltimos dez anos, ao custo direto de quase R$ 3 bilh\u00f5es para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Os n\u00fameros fazem parte de um levantamento elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que nesta semana realiza em Bras\u00edlia (DF) um evento nacional para entender esse problema que atinge propor\u00e7\u00f5es epid\u00eamicas.<\/p>\n<p>Para o coordenador da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Medicina de Tr\u00e1fego do CFM, Jos\u00e9 Fernando Vinagre, os n\u00fameros mostram que os acidentes de tr\u00e2nsito constituem um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica e que provoca sobrecarga nos servi\u00e7os de assist\u00eancia, em especial nos prontos-socorros e nas alas de interna\u00e7\u00e3o dos hospitais. \u201c\u00c9 preciso reconhecer o importante aprimoramento da legisla\u00e7\u00e3o ao longo dos anos e tamb\u00e9m o aumento na fiscaliza\u00e7\u00e3o, especialmente ap\u00f3s a Lei Seca. No entanto, precisamos avan\u00e7ar nas estrat\u00e9gias para tornar o tr\u00e2nsito brasileiro mais seguro\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Segundo a an\u00e1lise do CFM, a cada hora, em m\u00e9dia, cerca de 20 pessoas d\u00e3o entrada em um hospital da rede p\u00fablica de sa\u00fade com ferimento grave decorrente de acidente de transporte terrestre. Ao avaliar o volume total de v\u00edtimas graves do tr\u00e1fego nos \u00faltimos dez anos (1.636.878), \u00e9 poss\u00edvel verificar que 60% desses casos envolveram v\u00edtimas com idade entre 15 e 39 anos, sendo menor a frequ\u00eancia nas faixas et\u00e1rias que v\u00e3o de zero a 14 anos (8,2%) e em maiores de 60 anos (8,4%). Outra constata\u00e7\u00e3o: quase 80% das v\u00edtimas eram do sexo masculino.<\/p>\n<p><b>MAIS V\u00cdTIMAS \u2013<\/b> Entre 2009 e 2018, houve um crescimento de 33% na quantidade de interna\u00e7\u00f5es em todo o Pa\u00eds. O pior cen\u00e1rio, proporcionalmente, foi identificado no estado de Tocantins, que saiu das 60 interna\u00e7\u00f5es, em 2009, para 1.348, no ano passado (aumento de 2.147%). Na sequ\u00eancia aparece Pernambuco, onde o salto foi de 725% na \u00faltima d\u00e9cada. Apenas cinco estados registraram queda no n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es por acidente de transporte: Maranh\u00e3o (redu\u00e7\u00e3o de 40%), Rio Grande do Sul (22%), Para\u00edba (20%), Distrito Federal (16%) e Rio de Janeiro (2%).<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, 43% do volume total de interna\u00e7\u00f5es registradas no SUS no per\u00edodo ficou concentrado em estados do Sudeste, regi\u00e3o que re\u00fane tamb\u00e9m metade da frota de ve\u00edculos automotores do Pa\u00eds. Outros 28% dos casos graves ficaram no Nordeste e o restante ficou dilu\u00eddo entre o Sul (12%), Centro-Oeste (9%) e Norte (7%).<\/p>\n<p>Para a presidente da CFM, Carlos Vital, a solu\u00e7\u00e3o para reduzir os acidentes depende de uma s\u00e9rie de fatores de preven\u00e7\u00e3o, refor\u00e7o na fiscaliza\u00e7\u00e3o e sinaliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de quest\u00f5es de infraestrutura e aprimoramento dos itens de seguran\u00e7a dos ve\u00edculos. \u201cNeste contexto, os m\u00e9dicos desempenham papel fundamental nas discuss\u00f5es sobre dire\u00e7\u00e3o veicular segura. O impacto desses acidentes nos servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e9 alto. Leitos s\u00e3o ocupados, hospitais e m\u00e9dicos se dividem no atendimento entre os acidentados e os que procuram assist\u00eancia m\u00e9dica para patologias que n\u00e3o poderiam prevenir, diferentemente dos acidentes de tr\u00e2nsito, que podem ser reduzidos e prevenidos\u201d, destacou.<\/p>\n<p><b>SOBRECARGA PARA O SUS \u2013<\/b> Se por um lado as trag\u00e9dias no tr\u00e2nsito trazem dor e sofrimentos aos pacientes e seus familiares, por outros elas tamb\u00e9m estendem suas consequ\u00eancias para o bolso dos brasileiros. Na \u00faltima d\u00e9cada, as interna\u00e7\u00f5es hospitalares decorrentes de acidentes de tr\u00e2nsito consumiram cerca de R$ 2,9 bilh\u00f5es do SUS, em valores atualizados pela infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo.<\/p>\n<p>Antonio Meira J\u00fanior, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Tr\u00e1fego (Abramet) e membro da C\u00e2mara T\u00e9cnica do CFM, lembra que os custos com os acidentes de tr\u00e2nsito v\u00e3o al\u00e9m das hospitaliza\u00e7\u00f5es. \u201cEstamos falando de um custo m\u00e9dio de aproximadamente R$ 290 milh\u00f5es ao ano, que obviamente foi investido para salvar vidas, o que \u00e9 justific\u00e1vel. Se consegu\u00edssemos diminuir o n\u00famero de v\u00edtimas do tr\u00e2nsito, no entanto, ter\u00edamos um impacto muito grande tamb\u00e9m nas contas p\u00fablicas. S\u00e3o recursos que poderiam ser direcionados para outras \u00e1reas priorit\u00e1rias da assist\u00eancia em sa\u00fade no Pa\u00eds\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Estimativas conservadoras, segundo ele, calculam em cerca de R$ 50 bilh\u00f5es ao ano os gastos com os acidentes, incluindo atendimento m\u00e9dico-hospitalar, seguros de ve\u00edculos, danos a infraestruturas, perda ou roubo de cargas, entre outras despesas. \u201c\u00c9 preciso lembrar que existem outros custos envolvidos neste contexto, como o do absente\u00edsmo por doen\u00e7a (falta do trabalhar por atestado ou licen\u00e7a-sa\u00fade), com aux\u00edlios doen\u00e7a e tudo o mais que o Pa\u00eds tenha investido no indiv\u00edduo que veio a \u00f3bito ou que ficou inv\u00e1lido em idade produtiva. Mais grave do que toda essa matem\u00e1tica, por\u00e9m, s\u00e3o as sequelas f\u00edsicas e emocionais \u2013 muitas vezes irrevers\u00edveis \u2013 que cada um destes acidentes deixa na vida das pessoas\u201d.<\/p>\n<p><b>MORTALIDADE EM QUEDA \u2013<\/b> Segundo o levantamento do CFM, que considerou ainda dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, s\u00f3 em 2016 (ano mais recente dispon\u00edvel), foram registrados 37.345 \u00f3bitos decorrentes de acidentes de transportes terrestres. Embora a quantidade seja a menor registrada no per\u00edodo analisado (2007 a 2016), o n\u00famero de mortes tem avan\u00e7ado em alguns estados, sobretudo das regi\u00f5es Nordeste e Norte do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o Norte, a mortalidade por acidentes subiu 30%. Da mesma forma, no Nordeste houve um crescimento de 28% dos casos. No Centro-Oeste tamb\u00e9m houve aumento do indicador (7%), enquanto nas regi\u00f5es Sul e Sudeste apresentaram menor quantidade de \u00f3bitos em 2016, frente \u00e0 2007, com queda de 15% e 18%, respectivamente.<\/p>\n<p>Embora os estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Paran\u00e1 liderem o ranking nacional em n\u00fameros absolutos de mortes no tr\u00e2nsito durante os \u00faltimos dez anos, o Piau\u00ed foi a federa\u00e7\u00e3o que apresentou o maior crescimento proporcional no per\u00edodo: 56%. Em 2007, 670 \u00f3bitos haviam sido registrados naquele estado, n\u00famero que saltou para 1.047 dez anos depois. Na mesma propor\u00e7\u00e3o, de 56%, cresceram os registros v\u00edtimas fatais no Maranh\u00e3o no per\u00edodo. Ao todo, 16 estados notificaram aumento desse tipo de agravo.<\/p>\n<p>De outro lado, o estado mais populoso do Pa\u00eds informou queda na quantidade de \u00f3bitos desta natureza. Em 2016 foram 5.740 mortes, 24% a menos que o indicado em 2007 (7.550). No quadro nacional, tamb\u00e9m figuraram com redu\u00e7\u00e3o significativa de casos fatais no per\u00edodo os estados de Santa Catarina e Roraima, ambos com queda de 23%; Distrito Federal (22%); e Esp\u00edrito Santo (20%).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a cada 60 minutos, em m\u00e9dia, pelo menos cinco pessoas morrem v\u00edtimas de acidente de tr\u00e2nsito Os desastres nas ruas e estradas do Pa\u00eds tamb\u00e9m j\u00e1 deixaram mais<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":87990,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[305,150],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87989"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87989"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87991,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87989\/revisions\/87991"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}