{"id":93408,"date":"2019-10-31T14:50:56","date_gmt":"2019-10-31T17:50:56","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=93408"},"modified":"2019-10-31T14:50:56","modified_gmt":"2019-10-31T17:50:56","slug":"feira-do-livro-a-genialidade-da-escritora-negra-carolina-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/feira-do-livro-a-genialidade-da-escritora-negra-carolina-de-jesus\/","title":{"rendered":"FEIRA DO LIVRO : A genialidade da escritora negra Carolina de Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><b>Sexta \u00e0s 19h, escritor Tom Farias autografar\u00e1 \u201cCarolina, uma biografia\u201d<\/b><\/p>\n<p><b>Por Carlos Cogoy<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_93409\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-93409\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-93409\" alt=\"Obra sobre a escritora Carolina Maria de Jesus (1914\/1977)\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-by-marta-azevedo-2019-199x300.jpg\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-by-marta-azevedo-2019-199x300.jpg 199w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-by-marta-azevedo-2019-99x150.jpg 99w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-by-marta-azevedo-2019.jpg 399w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><p id=\"caption-attachment-93409\" class=\"wp-caption-text\">Obra sobre a escritora Carolina Maria de Jesus (1914\/1977)<\/p><\/div>\n<p><b>E<\/b>m agosto de 1960, contrariando as probabilidades, uma mulher negra e pobre publicou um livro que se tornaria antol\u00f3gico. E \u201cQuarto de despejo: di\u00e1rio de uma favelada\u201d, da mineira Carolina Maria de Jesus, no dia do lan\u00e7amento j\u00e1 bateu recorde de vendas. Durante um ano, a obra esteve na lista dos livros mais vendidos, \u00e0 frente de autores como Clarice Lispector e Jorge Amado. Al\u00e9m do Brasil, o livro tornou-se best-seller em pa\u00edses como Jap\u00e3o, Alemanhas \u2013 \u00e0 \u00e9poca, ocidental e oriental -, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Estados Unidos,\u00a0 Argentina, Cuba e Espanha. A autora era chamada de \u201cMachado de Assis de saia\u201d ou \u201cShakespeare da cor\u201d, e teve leitores como o presidente americano John Kennedy, e o escritor italiano Alberto Moravia. \u201cQuarto de despejo\u201d foi publicado em dezesseis idiomas, e lan\u00e7ado em 46 pa\u00edses. Mais recentemente, o livro foi uma das refer\u00eancias para o filme \u201cPreciosa \u2013 uma hist\u00f3ria de esperan\u00e7a\u201d de 2010. Apesar do sucesso liter\u00e1rio, Carolina de Jesus amargou a discrimina\u00e7\u00e3o e morreu quase esquecida. As afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o do pesquisador e escritor carioca Tom Farias que, sexta \u00e0s 19h na Feira do Livro de Pelotas, estar\u00e1 autografando \u201cCarolina, uma biografia\u201d. A presen\u00e7a na cidade, diz o escritor, foi convite da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares.<\/p>\n<p><b>GENIALIDADE \u2013 <\/b>Colaborador do jornal O Globo, onde participa com cr\u00edticas liter\u00e1rias, Tom Farias j\u00e1 publicou treze livros, e tamb\u00e9m escreve para teatro, cinema e televis\u00e3o. A motiva\u00e7\u00e3o pela hist\u00f3ria de Carolina, intensificou-se em 2014, ano do centen\u00e1rio da autora. \u00c0 \u00e9poca, Tom foi curador de um evento comemorativo, e tamb\u00e9m republicou obras da escritora. Segundo ele, estima-se que a obra de Carolina j\u00e1 tenha vendido quase sete milh\u00f5es de exemplares. Neste ano, a sua biografia \u00e9 finalista do Pr\u00eamio Jabuti. Tom menciona sobre Carolina Maria de Jesus: \u201cEla possu\u00eda uma genialidade inata: a pouca escolaridade, os desafios de uma fam\u00edlia, como ela dizia, \u2018soldo da escravid\u00e3o\u2019, o fato de morar em condi\u00e7\u00f5es adversas, ou de ser mulher e \u00a0negra, a pobreza, tudo isso foi a base para a conquista dos seus ideias e objetivos. Mas, especialmente, como voz que precisa dizer para al\u00e9m da parede do barraco de madeira e zinco. Se fossem outras as condi\u00e7\u00f5es sociais, educacionais e culturais de Carolina, ela daria o mesmo recado \u00e0 sociedade, faria a \u2018revolu\u00e7\u00e3o\u2019 que protagonizou, n\u00e3o s\u00f3 sendo a escritora que se tornou, mas sendo a mulher negra que se consolidou como elo de liga\u00e7\u00e3o e visibilidade de toda uma popula\u00e7\u00e3o marginalizada e esquecida no tal \u2018quarto de despejo\u2019\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>PESQUISA<\/b> \u2013 O autor relata sobre o empenho para entender e narrar a hist\u00f3ria de Carolina: \u201cPrecisei entrar no mundo de Carolina para escrever sobre ela. Ent\u00e3o, fui a Sacramento, onde ela nasceu em Minas Gerais, li mais de cem livros, teses e disserta\u00e7\u00f5es a respeito do seu trabalho, tamb\u00e9m perto de duas mil p\u00e1ginas dos seus manuscritos, e por volta de mil artigos de jornais, desde o final do s\u00e9culo 19 at\u00e9 o ano de 2017, quando dei o ponto final ao trabalho. Tamb\u00e9m visitei cemit\u00e9rio, museus, cart\u00f3rios, o bairro onde ela nasceu, a escola que\u00a0 estudou, e \u00a0consultei com seus descendentes, entre os principais, os dois filhos: Jos\u00e9 Carlos, morto em 2016, e Vera Eunice. Ouvi estudiosos, pessoas que conviveram de perto com ela, como Aud\u00e1lio Dantas. Enfim, um mosaico de pessoas e documentos que me levaram a cinco Estados. Com base nisso, foi que pude ter condi\u00e7\u00f5es de escrever sobre ela\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_93410\" style=\"width: 217px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-93410\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-93410\" alt=\"Obra sobre a escritora Carolina Maria de Jesus (1914\/1977)\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-livro-sobre-carolina-207x300.jpg\" width=\"207\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-livro-sobre-carolina-207x300.jpg 207w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-livro-sobre-carolina-103x150.jpg 103w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tom-farias-livro-sobre-carolina.jpg 414w\" sizes=\"(max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><p id=\"caption-attachment-93410\" class=\"wp-caption-text\">Obra sobre a escritora Carolina Maria de Jesus (1914\/1977)<\/p><\/div>\n<p><b>DISCRIMINADA<\/b> \u2013 Tom acrescenta: \u201cCarolina \u2018quebrou\u2019 a espinha do c\u00e2none: ela se tornou uma potencialidade que tremeu a sociedade paulistana e brasileira. O seu discursou desconcertou os paradigmas estabelecidos, provocou um \u2018cismo\u2019 no status quo. Para a \u00e9poca, anos 1960, essa provoca\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser tolerada, por isso sempre a pecha, a desqualifica\u00e7\u00e3o, o desmerecimento: era antes a \u2018escritora favelada\u2019, era sim a \u2018analfabeta\u2019. Dif\u00edcil era v\u00ea-la como escritora. E ainda hoje a academia torce o nariz para ela, n\u00e3o a compreende, e n\u00e3o faz qualquer esfor\u00e7o para a compreender. E Carolina, para al\u00e9m da linguagem, se insurgiu como atriz, pois representou no teatro. Como teatr\u00f3loga deixou algumas pe\u00e7as, ainda in\u00e9ditas. E como romancista publicou \u2018Peda\u00e7os da Fome\u2019 em 1963, e deixou outros romances in\u00e9ditos como \u2018Dr. Silvio\u2019, \u2018O Escravo\u2019. Cantora e compositora, gravou um disco com m\u00fasicas e arranjos pr\u00f3prios, cronista, mas essencialmente poeta. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o invej\u00e1vel para quem tinha as piores condi\u00e7\u00f5es de pensar e escrever, ou seja, com tr\u00eas filhos pequenos, vivendo de catar papel e ferro velho nas ruas de S\u00e3o Paulo, e enfrentando a dureza da favela do Canind\u00e9, onde tinha o seu \u2018barrac\u00e3o\u2019, como ela gostava de dizer\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta \u00e0s 19h, escritor Tom Farias autografar\u00e1 \u201cCarolina, uma biografia\u201d Por Carlos Cogoy Em agosto de 1960, contrariando as probabilidades, uma mulher negra e pobre publicou um livro que se<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":93411,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93408"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93408"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93408\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93412,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93408\/revisions\/93412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}