{"id":99807,"date":"2020-06-23T09:07:05","date_gmt":"2020-06-23T12:07:05","guid":{"rendered":"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/?p=99807"},"modified":"2020-06-23T09:07:05","modified_gmt":"2020-06-23T12:07:05","slug":"ufpel-adota-metodo-para-manejo-de-morcegos-inedito-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/ufpel-adota-metodo-para-manejo-de-morcegos-inedito-na-america-do-sul\/","title":{"rendered":"UFPel adota m\u00e9todo para manejo de morcegos in\u00e9dito na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><i>Projeto experimental poder\u00e1 vir a ser replicado em outros locais, de forma a minimizar os conflitos entre morcegos e seres humanos em centros urbanos.<\/i><\/p>\n<p>Prestes a iniciar a conclus\u00e3o do pr\u00e9dio do novo aul\u00e1rio do Campus Cap\u00e3o do Le\u00e3o (CCL), a equipe de trabalho da Pr\u00f3-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento da Universidade Federal de Pelotas se viu surpreendida com uma situa\u00e7\u00e3o a que muitos descreveriam como um problema: a estrutura j\u00e1 existente havia sido ocupada por uma col\u00f4nia de morcegos.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia do cuidado ambiental pesou, e o grupo buscou o Instituto de Biologia da UFPel para tentar saber qual seria uma alternativa mais adequada para dar prosseguimento \u00e0 constru\u00e7\u00e3o. Assim eram dados os primeiros passos para a ado\u00e7\u00e3o de uma iniciativa ainda in\u00e9dita na Am\u00e9rica do Sul: a constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura espec\u00edfica para a acolhida dessa col\u00f4nia, a chamada \u201ccasa dos morcegos\u201d.<\/p>\n<p>A edifica\u00e7\u00e3o \u00e9 inspirada nas\u00a0<em>bathouses<\/em>, adotadas de forma mais comum em pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte. Consiste em uma constru\u00e7\u00e3o instalada no alto, em espa\u00e7o n\u00e3o obstru\u00eddo por vegeta\u00e7\u00e3o, que imite as condi\u00e7\u00f5es preferidas dos morcegos: escura, protegida, \u00famida, fechada, com pequenas aberturas e protegida de perturba\u00e7\u00f5es, proporcionando um local ideal para os animais escolherem para o seu abrigo.<\/p>\n<p>Como se trata de uma esp\u00e9cie oportunista, que habita espa\u00e7os j\u00e1 existentes e que se adaptem a seu gosto, ao fazer um espa\u00e7o que atenda \u00e0s suas prefer\u00eancias, h\u00e1 praticamente certeza de que uma col\u00f4nia ocupar\u00e1 a casa. Segundo a professora Ana Maria Rui, ligada ao Departamento de Ecologia, Zoologia e Gen\u00e9tica do IB e docente do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal, isso ocorrer\u00e1 de forma gradual, conforme os animais detectem a possibilidade de uso. \u201cOs morcegos t\u00eam essa caracter\u00edstica de explorar o seu habitat em busca de abrigo e comida\u201d, explica.<\/p>\n<p>Foi a docente que orientou o desenvolvimento e a execu\u00e7\u00e3o do projeto, em conjunto com o pr\u00f3-reitor de Planejamento e Desenvolvimento, Ot\u00e1vio Peres. A constru\u00e7\u00e3o e a instala\u00e7\u00e3o ficaram a cargo da Superintend\u00eancia de Infraestrutura (Suinfra), que usou m\u00e3o-de-obra pr\u00f3pria da Universidade e materiais do estoque da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Coube tamb\u00e9m \u00e0 Suinfra o servi\u00e7o de exclus\u00e3o da col\u00f4nia do esqueleto do futuro aul\u00e1rio de forma a respeitar a esp\u00e9cie: conforme os animais saem \u00e0 noite para buscar alimento, s\u00e3o vedadas as frestas ocupadas pelos morcegos; ao n\u00e3o encontrarem seu abrigo de costume, eles buscam outra alternativa, como a nova casa. Por isso as duas atividades devem ser realizadas de forma simult\u00e2nea, conforme orienta\u00e7\u00e3o da professora Ana.<\/p>\n<p>Ela diz que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel precisar a capacidade m\u00e1xima de indiv\u00edduos que ocupar\u00e3o a casa, mas que existem estruturas de tamanho menor em outros pa\u00edses que registram mais de 20 mil morcegos. Estima-se que entre dois e tr\u00eas mil ocupavam o pr\u00e9dio do novo aul\u00e1rio. Isso gera uma compensa\u00e7\u00e3o pela exclus\u00e3o dos animais do seu abrigo costumeiro.<\/p>\n<p><strong>Sinergia entre a Academia e a gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O pr\u00f3-reitor Peres destaca que este projeto trouxe em seu cerne a uni\u00e3o entre a demanda t\u00e9cnica da administra\u00e7\u00e3o da Universidade \u2013 que precisava dar prosseguimento \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do novo aul\u00e1rio \u2013 e a demanda acad\u00eamica \u2013 de estudo e incentivo \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da fauna local. Tudo isso, segundo ele, para buscar uma conviv\u00eancia mais harm\u00f4nica do ser humano e das esp\u00e9cies do ecossistema.<\/p>\n<p>Ana explica que quase todas as edifica\u00e7\u00f5es do Campus Cap\u00e3o do Le\u00e3o tem alguma col\u00f4nia de morcegos, por estar localizado em \u00e1rea com muitos banhados, que proporcionam uma farta alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0s esp\u00e9cies inset\u00edvoras. J\u00e1 h\u00e1 alguns anos, a docente mant\u00e9m um projeto que monitora as col\u00f4nias do local e de outros pontos fora do CCL. O pr\u00e9dio que abriga o N\u00facleo de Reabilita\u00e7\u00e3o da Fauna Silvestre (Nurfs), por exemplo, abriga um grupo que varia de 15 a 30 mil animais, de acordo com a esta\u00e7\u00e3o do ano.<\/p>\n<p>O sistema adotado pela UFPel \u00e9 inspirado, conforme explica a docente, no escolhido\u00a0<a href=\"https:\/\/www.floridamuseum.ufl.edu\/bats\/\" target=\"_blank\">pela Universidade da Fl\u00f3rida<\/a>. Um dos pr\u00e9dios da institui\u00e7\u00e3o americana tamb\u00e9m era ocupado por uma col\u00f4nia, quando sofreu um inc\u00eandio; para realizar a obra de recupera\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio e, ao mesmo tempo, acolher os animais, instalou a primeira de suas\u00a0<em>bathouses<\/em>. Atualmente, mais duas estruturas se somam \u00e0 primeira, sendo a moradia para centenas de milhares de morcegos. O local onde se encontram as casas passou a ser ponto de reuni\u00e3o para observadores e turistas, que contemplam, especialmente, o momento da revoada que ocorre no in\u00edcio de todas as noites.<\/p>\n<p><strong>Novas possibilidades para a partilha do conhecimento<\/strong><\/p>\n<p>A esp\u00e9cie que ocorre com mais frequ\u00eancia no Campus Cap\u00e3o do Le\u00e3o \u00e9 a\u00a0<em>Tadarida brasiliensis<\/em>, chamado popularmente por morceguinho-das-casas, um velho conhecido dos habitantes de diversos centros urbanos, como Pelotas, Porto Alegre, Montevid\u00e9u e Buenos Aires; tamb\u00e9m h\u00e1 ocorr\u00eancia em diversos outros pa\u00edses, como os Chile, Peru e Estados Unidos. S\u00e3o tadaridas, por exemplo, os morcegos que habitam as\u00a0<em>bathouses<\/em>\u00a0da Universidade da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>E quando a esp\u00e9cie \u00e9 citada como velha conhecida, geralmente n\u00e3o \u00e9 ligada a uma boa fama. A despeito da ocupa\u00e7\u00e3o do seu habitat natural pelos n\u00facleos urbanos, algumas esp\u00e9cies de morcegos se beneficiaram de certa forma da urbaniza\u00e7\u00e3o, por encontrarem nas edifica\u00e7\u00f5es espa\u00e7os de poss\u00edvel \u2013 e efetiva \u2013 ocupa\u00e7\u00e3o. Por isso, s\u00e3o, na maior parte das vezes, identificados como pragas: ao colonizarem telhados e forros por meio de frestas causadas pela falta de manuten\u00e7\u00e3o ou problemas construtivos, acabam entrando em conflito com os seres humanos, que se incomodam com os seus sons e excrementos.<\/p>\n<div id=\"attachment_99808\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-99808\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-99808\" alt=\"Projeto experimental poder\u00e1 vir a ser replicado em outros locais\" src=\"http:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manejo-de-morcegos-225x300.jpeg\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manejo-de-morcegos-225x300.jpeg 225w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manejo-de-morcegos-112x150.jpeg 112w, https:\/\/diariodamanhapelotas.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/manejo-de-morcegos.jpeg 450w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><p id=\"caption-attachment-99808\" class=\"wp-caption-text\">Projeto experimental poder\u00e1 vir a ser replicado em outros locais<\/p><\/div>\n<p>\u201cDevemos desmistificar o conceito do morcego como um animal nocivo\u201d, pontua a professora Ana. Ela explica que pesquisas apontam que a presen\u00e7a de col\u00f4nias de morcegos em \u00e1reas de cultivo podem resultar em uma grande economia de aditivos agr\u00edcolas: somente em uma regi\u00e3o do estado americano do Texas, mais de 700 mil d\u00f3lares foram economizados anualmente durante o per\u00edodo analisado. Isso se d\u00e1 pelo fato de a esp\u00e9cie ser inset\u00edvora, predando esp\u00e9cies cujas larvas \u2013 conhecidas como lagartas \u2013 s\u00e3o consideradas pragas, em culturas como o algod\u00e3o ou o milho. Por isso, certas propriedades rurais investem na constru\u00e7\u00e3o de casas de morcegos de forma a atrair col\u00f4nias para os seus arredores. \u201cOs morcegos prestam servi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d, diz a docente.<\/p>\n<p>O ineditismo da experi\u00eancia lan\u00e7ada pela Universidade Federal de Pelotas poder\u00e1 ser o ponto de partida para uma nova proposta de manejo a ser replicada em outros locais, de acordo com Ana: \u201cEstamos resolvendo o \u2018problema\u2019 da UFPel, mas vamos estudar o manejo da esp\u00e9cie na Am\u00e9rica do Sul\u201d. Assim, podem ser pensadas estrat\u00e9gias que evitem o conflito entre os morcegos e os seres humanos, em um experimento a ser disponibilizado para a sociedade. \u201cEstou super entusiasmada com esse projeto\u201d, festeja a professora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto experimental poder\u00e1 vir a ser replicado em outros locais, de forma a minimizar os conflitos entre morcegos e seres humanos em centros urbanos. 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