Peter Weiss, artista plástico e dramaturgo alemão, quando jovem sofreu a perseguição nazista e sua família perdeu bens e trabalho. Em 1945, depois de residir em vários países, Weiss adota a cidadania sueca. Destaca-se também como roteirista e diretor de cinema, especialmente de documentários. Seu teatro se caracteriza por uma densidade social e política, influenciado pelo sentimento de impotência diante do massacre de milhões de judeus, alemães, tchecos, poloneses, homossexuais, negros e tantos outros grupos sociais e de etnias. Admirador de Brecht e Piscator, suas peças quase sempre se apoiam em fatos históricos, revelando sua preocupação com a injustiça, a violência, o extermínio e a tirania. Sobretudo, aponta a violência como instrumento de dominação, a destruição do homem comum.
Em “Marat Sade”, Weiss propõe para o palco a fábula e a respectiva encenação realizada pelo Marquês de Sade com os internos do hospício de Charenton, lugar, onde no século XIX, eram colocados opositores, desafetos, adversários, descontentes, desviantes, loucos e enfermos. Sade e Marat foram internos de Chareton por razões diferentes, mas não menos importantes. O primeiro por suas posições relativas à libertação do indivíduo, da libido e da autonomia como forma de transformação das pessoas e da sociedade; O segundo, um dos intelectuais da revolução francesa, acreditava nas transformações sociais e coletivas como forma de mudar o indivíduo. Pode-se suspeitar que, enquanto Sade fora excluído das ruas de Paris por confrontar a moral vigente, Jean Paul Marat estava preso por suas posições políticas, por condenar os rumos da revolução e apontar os seus traidores.
Embora “Marat Sade” trate do assassinato de Jean Paul Marat, Weiss amplia a reflexão e estende o foco para a complexidade e contradições das relações sociais e políticas.A troupe da UFPel traz uma montagem singular em que procura expandir a reflexão proposta por Weiss, atualizando os temas da repressão e da política, do status quo e da transformação social, ampliando a concepção para além do tempo histórico da Revolução Francesa e seus desdobramentos. Nesse sentido, os debates entre Sade e Marat adquirem atualidade, a participação do povo, como pacientes, cantores e comentarista das ações, tem uma tonalidade venal, de dissimulação de interesses mesquinhos.
MARAT SADE
Peter Weiss
Segundo a troupe de Satolep
Direção
Paulo Gaiger
Assistentes de direção
Johann Ossanes / Juliana Caroline
Troupe de Satolep
Evelin Suchard /Gengiscan Pereira / Grégori Eckert / Higor Alencar / Hugo Tavares / Juliana Caroline / Juliana Ximenes / Kellen Ferreira / Lucas Ulguim / Márcia Monks / Régis Riveiro / Rodolfo Furtado / Vivi Lauz
Participação especial
Gustavo Dias / Jany Rodrigues / Matheus Messias
Projeto de iluminação e operação de luz
Daniel Furtado
Preparação vocal
Gustavo Dias / Johann Ossanes
Coreografia 1
Rui Carlo
Coreografias várias
Jany Rodrigues e Troupe
Música ao vivo
Régis Riveiro – Violão / Rodolfo Furtado – ukulele e violão / Jany Rodrigues – percussão / Gustavo Dias – escaleta e percussão / Mateus Messias – flauta e percussão
Arranjos
Gustavo Dias, Paulo Gaiger, Johann Ossanes e Mateus Messias
Canções (por ordem): Canção da Troupe (Paulo Gaiger)/ Canção do hospício (Johann Ossanes) / Rap do coro 1 (Paulo Gaiger) / Canção do coro para Marat (Paulo Gaiger) / Vocalize da Corday (Gustavo Dias / Paulo Gaiger) / Canção da Corday (Paulo Gaiger) / Canção litúrgica (autor desconhecido) / Rap do coro 2 (Paulo Gaiger) / Instrumental (Gustavo Dias) / Canção do Marat (Paulo Gaiger) / Canção do Sade (Paulo Gaiger) / Marcha enredo (Paulo Gaiger)
Figurinos
Larissa Tavares e Troupe
Socorro francês
Fernanda Fernandes e Fabiana Jorge
Alter ego
Gengiscan Pereira
Agradecimentos
Ederson Pestano, Vitinho Manzke, Romeu Santos, Sessi Barcelos, Leandro Maia