Pesquisa vai investigar efeitos de eventos hidrológicos sobre migração, mercado de trabalho e finanças dos municípios gaúchos
Uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foi uma das cinco selecionadas em todo o país pelo edital Clima na Economia: Integrando a Questão Climática à Agenda Econômica, do HUB de Economia e Clima, iniciativa do Instituto Clima e Sociedade (iCS). O projeto vai investigar como os desastres hidrológicos afetam famílias, empresas e governos municipais no Rio Grande do Sul, com foco em migração, mercado de trabalho e finanças públicas.
Intitulado “Choques Climáticos e Impactos Microeconômicos: Evidências de Desastres Hidrológicos para o Rio Grande do Sul”, o estudo pretende preencher lacunas sobre os efeitos econômicos desses eventos a partir da análise de dados administrativos nacionais e estaduais. A pesquisa utilizará métodos de inferência causal para identificar impactos sobre as decisões de famílias, empresas e municípios e produzir evidências que possam subsidiar políticas de adaptação climática, qualificação profissional e planejamento fiscal.
A proposta da UFPel foi escolhida em um processo que recebeu mais de 400 inscrições, chegou a 11 finalistas e selecionou cinco projetos. Ao todo, o edital destinará até R$ 2,5 milhões ao financiamento e apoio das cinco pesquisas selecionadas voltadas à integração entre economia e clima no Brasil.
“Os eventos climáticos extremos têm consequências que vão muito além das perdas imediatas e afetam emprego, renda, decisões das famílias, empresas e as próprias contas públicas. Produzir evidências sobre esses efeitos é fundamental para que governos e outros atores consigam se antecipar aos riscos e tomar decisões mais bem informadas. É justamente esse tipo de conhecimento orientado à ação que buscamos estimular”, afirma Sarah Irffi, coordenadora do HUB de Economia & Clima.
A partir da seleção, o projeto entra agora na etapa de financiamento e apoio ao desenvolvimento da pesquisa. O objetivo do edital é ampliar a produção de conhecimento capaz de subsidiar decisões de governos, empresas e investidores diante dos impactos econômicos das mudanças climáticas.