Documento da Secretaria Municipal de Educação apresenta o perfil das escolas rurais e articulações com instituições de pesquisa, ensino, extensão e agroecologia
A Secretaria Municipal de Educação de Pelotas divulgou o documento “Cartografia das Escolas do Campo do Município de Pelotas: Tecendo a Rede de Instituições Parceiras”. O material reúne dados sobre as unidades escolares localizadas nos territórios rurais do município e descreve uma proposta de cooperação entre escolas, comunidades e instituições que atuam em áreas relacionadas ao campo. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está entre as instituições envolvidas na articulação.
Segundo o documento, Pelotas conta com 20 Escolas do Campo e um Centro de Atendimento Educacional Especializado, distribuídos em diferentes territórios rurais. Ao todo as escolas acolhem 2.431 estudantes. As comunidades desses territórios reúnem indígenas, quilombolas, pescadores e pescadoras, assentados e assentadas da Reforma Agrária, agricultores e agricultoras familiares, além de famílias urbanas que mantêm vínculos com o campo e com suas comunidades.
Embrapa: pesquisa e educação
Inseridas em realidades relacionadas à agricultura familiar, à produção de alimentos, à pesca, aos recursos naturais, às formas de trabalho e às manifestações culturais, as escolas são espaços que podem articular conhecimento científico e experiências das comunidades. Nesse contexto, a Embrapa participa como instituição capaz de produzir e disseminar conhecimentos científicos e tecnológicos voltados à agricultura e ao desenvolvimento sustentável.
A aproximação com as Escolas do Campo poderá contemplar temas como produção de alimentos, conservação do solo e da água, sementes, biodiversidade, tecnologias adaptadas à agricultura familiar, mudanças climáticas e sustentabilidade. Entre os formatos previstos estão oficinas, palestras, atividades experimentais e dias de campo, com o objetivo de aproximar estudantes e professores dos processos de pesquisa e inovação no campo.
A primeira ação da Embrapa foi um encontro de formação com diretores das escolas, voltado à aproximação e ao conhecimento mútuo entre a instituição e a rede municipal. Estiveram presentes 16 diretores das 20 escolas, que conheceram possibilidades de intercâmbio com a Embrapa, áreas de pesquisa e pesquisadores que atuam em temas relacionados à Agricultura Familiar.
“A gente percebe que muitos pais de alunos de escolas no meio rural plantam soja ou fumo. Mas, existe um universo de alimentos com os quais a Embrapa trabalha e talvez a gente possa, através de apresentações, instigar as professoras e alunos a se interessarem por outros tipos de produção. A ideia é capacitar professores e, por consequência, os alunos das escolas rurais”, explica a analista da Embrapa Clima Temperado Andréa Noronha.
A partir do levantamento dos interesses e das demandas de cada unidade, está prevista a construção de um calendário de ações para o ano letivo de 2027. O planejamento deverá incluir formações para professores, oficinas, atividades e dias de campo com estudantes e famílias.
“A ideia é expandir a diversidade de ações do Embrapa & Escola trabalhando cada vez mais em ‘rede’ com outras instituições de ensino e pesquisa”, afirma o técnico da Embrapa Clima Temperado Rui Madruga.
Rede reúne ensino, extensão e agroecologia
A proposta de cooperação inclui a Emater/Ascar, o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) – Câmpus Pelotas-Visconde da Graça (CAVG). A rede poderá realizar formações, palestras, oficinas, visitas técnicas, atividades de pesquisa, experiências agroecológicas e ações de educação ambiental.
A Emater/Ascar será a parceira para ações relacionadas à extensão rural e ao acompanhamento de famílias e comunidades rurais. O CAPA poderá contribuir com ações de formação e extensão rural em agroecologia, agricultura familiar, sustentabilidade e valorização dos conhecimentos das comunidades. Na UFPel, a articulação envolve diferentes áreas. Em parceria com o Projeto Embrapa & Escola, o professor Luis Eduardo Suzuki, do Departamento de Agronomia, deverá contribuir inicialmente com um livro sobre a temática da Ciranda Agroecológica – vinculado aos Dias de Campo de Agroecologia – além da possibilidade de participação em ações relacionadas à Agronomia.
O IFSul vai contribuir com formação continuada de professores, oficinas e atividades práticas com estudantes, projetos de pesquisa e extensão e ações ligadas à educação profissional e tecnológica. No Câmpus Visconde da Graça, a articulação com o professor Márcio Mariot ocorre por meio do Projeto de Extensão Ecofarma, voltado a plantas medicinais e práticas de horticultura.
A articulação iniciada em agosto de 2026 busca reconhecer as propriedades rurais e os saberes tradicionais como espaços e conhecimentos educativos, além de estruturar uma cooperação permanente entre educação, pesquisa, extensão, produção, sustentabilidade e comunidade. Conforme a cartografia, o calendário e o alcance das ações vão depender do levantamento das demandas das escolas e da continuidade das articulações com as instituições parceiras.
Foto: Paulo Lanzetta